Definitivamente Morto

Charlaine Harris · Capítulo 9 de 25

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Definitivamente Morto

Capítulo 8

NUM BORRÃO OU MOVIMENTO que m eus olhos não conseguiram reconhecer claram ente, um a besta m e j ogou contra Quinn, que cam baleou um passo à frente. Eu estava no chão, debaixo da criatura ofegante, m etade hom em , m etade lobo, no m om ento em que Quinn se virou, e quando ele o fez, outro Lobi surgiu aparentem ente do nada, para pular nas costas de Quinn.

A criatura em cim a de m im era um m eio Lobi recente, tão j ovem que só podia ter sido m ordido nas últim as três sem anas. Ele estava em tal frenesi que m e atacou antes de ter acabado a transform ação parcial que um Lobi m ordido podia alcançar. Seu rosto ainda estava alongando num focinho, m esm o enquanto tentava m e estrangular. Ele nunca teria a bela form a de lobo com o os Lobis puros-sangues. Era “m ordido, não nascido”, com o os Lobis diziam . Ele ainda tinha braços e pernas, possuía o corpo coberto de pelos e cabeça de lobo. Mas era tão selvagem quanto um purosangue.

Eu engalfinhei suas m ãos, que apertavam m eu pescoço com ferocidade. Eu não estava usando m inha corrente de prata esta noite. Tinha decidido que seria deselegante, j á que m eu encontro era com um m etam orfo. Ser deselegante podia ter salvado m inha vida, pensei fugazm ente, em bora fosse o últim o pensam ento coerente que tive por alguns instantes.

O Lobi cavalgava m eu corpo e eu levantei o j oelho num ângulo agudo, tentando lhe dar um a boa j oelhada para que afrouxasse o aperto.

Houve guinchos de alarm e dos poucos transeuntes restantes, e um guincho m ais alto e penetrante vindo do agressor de Quinn, que vi voar pelo ar com o se fosse lançado por um canhão. Então um a m ão enorm e agarrou m eu assaltante pelo pescoço e levantou-o. Infelizm ente, o m etade-m onstro, com as m ãos ao redor de m inha garganta, não m e soltou. Eu com ecei a levantar da calçada tam bém , a garganta ficando m ais e m ais fechada pelo aperto dele.

Quinn deve ter visto m inha situação desesperadora, porque atingiu o Lobi em cim a de m im com a m ão livre, um tapa que lhe sacudiu a cabeça e sim plesm ente o nocauteou num instante, porque ele soltou m eu pescoço.

Então Quinn agarrou o j ovem Lobi pelos om bros e arrem essou-o para o lado. O garoto aterrissou na calçada e não se m exeu.

— Sookie – disse Quinn, m al parecendo estar sem fôlego. Quem estava sem fôlego era eu, lutando para forçar m inha garganta a abrir e poder engolir algum oxigênio. Pude ouvir as sirenes da polícia e m e senti profundam ente grata. Quinn deslizou um braço sob m eus om bros e m e aj udou a levantar. Finalm ente respirei, e o ar era m aravilhoso, arrebatador.

– Você está conseguindo respirar? – ele perguntou. Recom pus-m e o suficiente para assentir. – Algum osso quebrado na garganta? – Tentei levantar a m ão até m eu pescoço, m as ela não estava cooperando naquele exato m om ento.

Seu rosto preencheu m eu cam po de visão e, sob a luz fraca de um poste, pude ver que sua expressão era carregada. — Eu vou m atá-los, se eles a m achucaram – ele rosnou, o que era então um a ótim a notícia.

— Mordido – eu chiei e ele pareceu horrorizado, verificando com as m ãos e os olhos pela m arca de m ordida.

— Eu não – elaborei. – Eles. Lobis não nascidos. – Aspirei um bocado de ar. – E talvez drogados – disse.

Entendim ento surgiu em seus olhos. Era a única explicação para um com portam ento tão insano. Um patrulheiro negro e robusto apressou-se em m inha direção.

— Precisam os de um a am bulância no Strand – ele dizia para alguém em seu om bro. Não, era um pequeno rádio-transm issor. Eu sacudi a cabeça.

– Precisa de um a am bulância, m adam e – ele insistiu. – A garota ali disse que o hom em a derrubou e tentou estrangulá-la.

— Estou bem – respondi com a voz rouca e m inha garganta inegavelm ente dolorida.

— Senhor, está com essa m oça? – o patrulheiro perguntou a Quinn.

Quando se virou, a luz incidiu sobre seu nom e na lapela; dizia Boling.

— Sim , estou.

— Você... hã, arrancou esses vagabundos de cim a dela?

— Sim .

O parceiro de Boling, um a versão branca do próprio, aproxim ou-se de nós então. Ele olhou para Quinn com algum a reserva. Esteve exam inando nossos agressores, que tinham m udado com pletam ente para form a hum ana antes de a polícia ter chegado. Obviam ente, eles estavam nus.

— Um está com a perna quebrada – ele nos contou. – O outro está reclam ando que teve o om bro deslocado.

Boling deu de om bros. — Conseguiram o que estavam pedindo.

Pode ter sido m inha im aginação, m as ele tam bém pareceu um pouco m ais cauteloso ao olhar para o m eu acom panhante.

— Eles conseguiram m ais do que esperavam – seu parceiro disse, neutro. – Senhor, conhece algum dos garotos?

Quinn virou a cabeça na direção dos adolescentes, que estavam sendo exam inados por um patrulheiro de outro carro, um hom em m ais j ovem com aparência atlética. Os garotos estavam inclinados um contra o outro, parecendo aturdidos.

— Eu nunca os vi antes – Quinn disse. – Você, docinho? – Ele olhou para m im , questionador. Eu sacudi a cabeça. Estava m e sentindo bem o suficiente apesar da distinta desvantagem , estando no chão. Eu queria m e levantar e inform ei m eu acom panhante.

Antes que os policiais pudessem dizer novam ente que eu esperasse pela am bulância, Quinn conseguiu m e levantar com a m enor dor possível.

Olhei para o m eu belo traj e novo. Estava realm ente suj o.

— Com o está atrás? – perguntei a Quinn, e consegui ouvir até o m edo em m inha voz. Virei as costas para Quinn e fitei-o ansiosam ente por sobre o om bro. Ele pareceu um pouco aturdido, m as exam inou m inha traseira obedientem ente.

— Não está rasgado – relatou. – Pode ter um a m ancha ou duas onde o tecido arranhou um pouco contra a calçada.

Eu explodi em lágrim as. Provavelm ente teria com eçado a chorar não im porta a razão, porque estava tendo um a poderosa reação à adrenalina que inundou m eu corpo quando fom os atacados, m as o m om ento foi perfeito. A polícia tornou-se m ais prestativa quanto m ais eu chorava e, com o um bônus extra, Quinn m e puxou para os seus braços onde descansei a bochecha contra seu peito. Ouvi as batidas de seu coração quando parei de soluçar.

Livrei-m e da reação nervosa ao ataque e desarm ei a polícia ao m esm o tem po, apesar de saber que eles ainda se perguntavam a respeito de Quinn e sua força.

Outro policial cham ou de seu lugar ao lado de um dos agressores, aquele que Quinn havia arrem essado. Nossos dois patrulheiros foram responder ao cham ado e ficam os sozinhos por um tem po.

— Esperto – Quinn m urm urou em m eu ouvido.

— Hm m m – respondi, aconchegando-m e contra ele. Quinn apertou os braços ao m eu redor.

— Se você chegar m ais perto, vam os ter que pedir licença e arranj ar um quarto – ele sussurrou.

— Desculpe. – Eu m e afastei um pouco e levantei os olhos para ele.

– Quem você acha que os contratou?

Ele pode ter ficado surpreso por eu ter descoberto isso, m as não podia dizer por seu cérebro. A reação quím ica que abasteceu m inhas lágrim as tornou seu sinal m ental m ais com plicado.

— Eu definitivam ente vou descobrir – ele disse. – Com o está sua garganta?

— Dói – adm iti com a voz rouca. – Mas sei que realm ente não há nada de errado com ela. E eu não tenho seguro-saúde. Então não quero ir para o hospital. Seria perda de tem po e dinheiro.

— Então nós não vam os. – Ele se inclinou e beij ou m inha bochecha.

Virei o rosto para ele e o próxim o beij o pousou no lugar exato. Após um gentil segundo, aquilo se inflam ou para algo m ais intenso. Am bos estávam os sentindo as conseqü.ncias da inj eção de adrenalina.

O som de alguém pigarreando m e trouxe de volta à realidade com tanta eficácia quanto se o oficial Boling tivesse j ogado um balde de água fria em nós. Eu m e soltei e enterrei o rosto no peito de Quinn novam ente.

Sabia que não poderia m e m exer por um m inuto ou dois, j á que a excitação dele estava pressionada contra m im .

Apesar de aquela não ser a m elhor circunstância para um a avaliação, eu tinha certeza que Quinn era proporcional. Tive que resistir à tentação de m e esfregar contra seu corpo. Sabia que tornaria as coisas piores para ele, de um ponto de vista público— m as eu estava num hum or m elhor do que antes, e acho que estava m e sentindo travessa. E excitada. Muito excitada.

Atravessarm os aquela provação j untos provavelm ente acelerou nosso relacionam ento ao equivalente a quatro encontros.

— Você tem outras perguntas para nós, oficial? – Quinn indagou num a voz que não era perfeitam ente calm a.

— Sim , senhor, se você e a senhorita vierem conosco à delegacia, precisam os pegar suas declarações. O detetive Coughlin fará isso enquanto levam os os prisioneiros para o hospital.

— Tudo bem . Tem que ser esta noite? Minha am iga precisa descansar. Está exausta. Foi um a experiência e tanto para ela.

— Não vai dem orar – o policial disse, m entindo. – Têm certeza de que nunca viram esses dois m arginais antes? Porque pareceu um ataque realm ente pessoal, se não se im portam que eu diga.

— Nenhum de nós os conhece.

— E a senhorita ainda recusa atenção m édica?

Eu concordei.

— Bem , tudo bem então, caras. Espero que não tenham m ais problem as.

— Obrigada por virem tão rápido – falei e virei um pouco a cabeça para encontrar os olhos do oficial Boling. Ele m e fitou de m odo aflito, e pude ouvir em sua cabeça que estava preocupado por m inha segurança com um hom em violento com o Quinn, um hom em que conseguia j ogar dois garotos a vários m etros no ar. Ele não percebeu, e eu esperava que nunca o fizesse, que o ataque foi pessoal. Não foi um assalto ao acaso.

Fom os para a delegacia num carro da polícia. Eu não tinha certeza do que eles estavam pensando, m as o parceiro de Boling nos disse que seríam os levados de volta ao carro de Quinn, então seguim os em frente com o program ado. Talvez não quisessem que tivéssem os a chance de conversar sozinhos. Eu não sei por que; acho que a única coisa que pode ter levantado suspeitas era o tam anho de Quinn e sua habilidade em se defender dos agressores.

Nos breves segundos que tivem os a sós, antes de o policial em barcar no assento do m otorista, eu disse a Quinn, — Se você pensar para m im , eu serei capaz de ouvi-lo— se precisa que eu saiba de algo com urgência.

— Útil – ele com entou.

A violência pareceu ter relaxado algo dentro dele. Ele esfregou o polegar contra a palm a da m inha m ão. Estava pensando que gostaria de ter trinta m inutos num a cam a com igo, agora m esm o, ou m esm o quinze; diabos, até dez, no banco de trás de um carro, seria fantástico.

Eu tentei não rir, m as não pude evitar, e quando se deu conta de que eu li aquilo tudo claram ente, ele sacudiu a cabeça com um sorriso pesaroso.

Tem os que ir a um lugar depois disso, ele pensou deliberadam ente.

Eu esperava que ele não estivesse querendo dizer que ia alugar um quarto ou m e levar ao seu lugar para sexo, porque não im portava o quanto eu o achasse atraente, não faria isso esta noite. Mas seu cérebro não estava focado em luxúria, e percebi que seu propósito era algo diferente. Eu assenti.

Então não fique cansada dem ais, ele pensou. Eu assenti novam ente.

Com o evitaria a exaustão, eu não tinha certeza, m as tentaria guardar um pouco de energia.

A delegacia de polícia era aquilo que eu esperava. Apesar de ter m uito m ais a dizer sobre Shreveport, a cidade possuía sua porção considerável de crim es. Nós não cham am os m uita atenção, até que os policiais que estiveram na cena se j untaram aos outros no prédio, então houve alguns olhares furtivos para Quinn, algum as avaliações.

Ele tinha um a aparência form idável o bastante para que eles lhe creditassem força fora do com um , com o fonte da derrota dos dois ladrões.

Mas havia suficiente estranheza sobre o incidente, m uitos toques peculiares nos relatos das testem unhas oculares... então m eus olhos pegaram um rosto grisalho fam iliar. Oh-oh.

— Detetive Coughlin – falei, lem brando agora por que o nom e tinha soado fam iliar.

— Srta. Stackhouse – ele respondeu, com tanto entusiasm o quanto eu dem onstrei. – O que houve?

— Fom os assaltados – expliquei.

— Da últim a vez em que a vi, você estava noiva de Alcide Herveaux e encontrou um dos cadáveres m ais nauseantes que j á vi – ele disse facilm ente.

Sua barriga parecia ter ficado ainda m aior nos últim os m eses, desde que o conheci num a cena de crim e aqui em Shreveport. Com o m uitos hom ens com um a barriga desproporcional, ele usava as calças caqui abotoadas abaixo do sobrepeso, por assim dizer. Já que sua cam isa possuía listras azuis e brancas, o efeito era o de um a barraca pendurada sobre um m onte de terra.

Eu apenas concordei. Realm ente não havia nada a dizer.

— O Sr. Herveaux está indo bem após a perda do pai?

O corpo de Jackson Herveaux tinha sido encontrado m eio subm erso no açude de um a velha fazenda pertencente à fam ília. Apesar dos j ornais terem especulado sobre alguns dos ferim entos, era óbvio que anim ais selvagens tinham m astigado alguns ossos.

A teoria era de que o velho Herveaux havia caído no açude e quebrado a perna quando bateu no fundo. Ele conseguiu atingir a m argem e se arrastou, m as naquele m om ento, acabou desm aiando. Já que ninguém sabia que estava na fazenda, ninguém apareceu para resgatá-lo, continuava a teoria, e ele m orreu sozinho. Na verdade, um a enorm e plateia havia testem unhado o falecim ento de Jackson, entre eles o hom em ao m eu lado.

— Eu não falei com Alcide, desde que o pai foi encontrado – respondi sinceram ente.

— Meu bom Deus, tenho certeza de que não foi bom – disse o detetive Coughlin, fingindo não ter visto m eu acom panhante. – Com certeza vocês dois form avam um belo par.

— Sookie é linda, não im porta com quem estej a – disse Quinn.

Eu sorri para ele e Quinn retribuiu. Com certeza, ele estava fazendo todas as j ogadas certas.

— Então, se vier com igo por um m om ento, Srta. Stackhouse, vam os esclarecer a história toda e poderá ir em bora.

Quinn apertou m inha m ão. Ele estava m e avisando. Espera aí, quem é o leitor de m entes por aqui? Eu retribuí o aperto. Estava perfeitam ente consciente de que o detetive Coughlin pensava que eu devia ser culpada de algo, e ele faria seu m elhor para descobrir o m otivo. Mas, na realidade, eu não era culpada. Nós fom os os alvos, percebi isso nas m entes dos nossos agressores. Mas por quê?

O detetive Coughlin m e guiou até sua m esa num a sala cheia de escrivaninhas, e pescou um form ulário da gaveta. A atividade da sala continuava; algum as das m esas estavam desocupadas e tinham aquele ar de “fechado para noite”, m as outros m ostravam sinais de trabalho em progresso. Havia algum as pessoas entrando e saindo da sala e, a duas m esas de distância, um j ovem detetive de cabelos louro-brancos curtos teclava atarefadam ente em seu com putador.

Eu estava sendo m uito cuidadosa e abri m inha m ente, portanto sabia que ele estava olhando para m im quando eu olhava em outra direção, e sabia que foi colocado lá pelo detetive Coughlin, ou pelo m enos recebeu um a dica para dar um a boa olhada em m im enquanto estivesse na sala.

Olhei diretam ente em seus olhos. O choque do reconhecim ento foi m útuo. Eu o tinha visto na disputa para líder do bando.

Ele era um Lobi. Agiu com o o assistente de Patrick Furnan no duelo.

Eu o peguei trapaceando. Maria-Star m e contou que sua punição foi ter a cabeça raspada. Apesar de seu candidato ter vencido, essa punição foi certeira, e seu cabelo estava apenas com eçando a crescer. Ele m e odiava com a paixão dos culpados. E m eio que se levantou da cadeira, seu prim eiro instinto lhe dizendo para vir até m im e arrebentar m inha cara, m as quando se deu conta do fato de que alguém j á tentara fazer isso, ele sorriu afetadam ente.

— Aquele é seu parceiro? – perguntei ao detetive Coughlin.

— O quê? – Ele estava perscrutando o com putador através dos óculos de leitura, e olhou para o rapaz, então para m im . – É, é o m eu novo parceiro. O cara com quem eu estava da últim a vez, na cena do crim e onde a vi, se aposentou no m ês passado.

— Qual é o nom e dele? Seu novo parceiro?

— Por que, vai atrás dele depois? Você não parece se fixar num único hom em , ou parece, Srta. Stackhouse?

Se fosse um a vam pira, eu poderia tê-lo feito m e responder e, se fosse realm ente habilidosa, ele nem saberia que tinha respondido.

— É m ais com o se eles não se fixassem em m im , detetive Coughlin – respondi, e ele m e lançou um olhar curioso. Ele acenou para o detetive louro.

— É Cal. Cal My ers. – Ele pareceu ter encontrado o form ulário correto, porque com eçou a m e fazer falar sobre o incidente novam ente, e eu respondi suas perguntas com genuína indiferença. No m om ento, eu tinha m uito pouco a esconder.

— Eu im agino – falei, quando concluím os – se eles estavam drogados.

— Entende sobre drogas, Srta. Stackhouse? – Seus olhinhos pousaram em m im novam ente.

— Não em prim eira m ão, claro, m as de vez em quando alguns vão ao bar e parecem ter tom ado algo que não deviam . Esses rapazes definitivam ente pareciam ... influenciados por algo.

— Bom , o hospital vai tirar o sangue deles, e então saberem os.

— Eu vou ter que voltar?

— Para testem unhar contra eles? Claro.

De j eito nenhum . — Okay – respondi, tão neutra e firm em ente quanto possível. – Nós term inam os aqui?

— Eu acho que sim . – Ele encontrou m eus olhos, seus próprios olhinhos castanhos cheios de suspeita. Não havia razão para eu m e ressentir; ele estava absolutam ente certo, havia algo de suspeito sobre m im , algo que ele não sabia.

Coughlin estava se esforçando para ser um bom policial. De repente, senti pena por ele, vagando através de um m undo da qual só conhecia a m etade.

— Não confie em seu parceiro – sussurrei, e esperei que ele explodisse e cham asse Cal My ers para m e ridicularizar. Mas algo em m eus olhos ou m inha voz deteve esse im pulso. Minhas palavras iam de encontro a um aviso que esteve soando furtivam ente em seu cérebro, talvez desde o m om ento em que ele conheceu o Lobi.

Ele não disse nada, nem um a palavra. Sua m ente estava cheia de m edo e ódio... m as ele acreditou que eu estava lhe dizendo a verdade. Após um segundo, eu m e levantei e deixei a sala dos investigadores. Para m eu total alívio, Quinn esperava por m im no saguão.

Um patrulheiro— não Boling— nos levou de volta ao carro de Quinn, e ficam os em silêncio durante a viagem . O veículo de Quinn encontrava-se no solitário esplendor do estacionam ento diante do Strand, que estava fechado e escuro.

Ele tirou as chaves e apertou um botão no chaveiro para abrir as portas, e entram os cansados, lentam ente.

— Onde estam os indo? – perguntei.

— Ao Pelo do Cachorro – ele disse.