Definitivamente Morto

Charlaine Harris · Capítulo 23 de 25

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Definitivamente Morto

Capítulo 22

AMELIA VASCULHAVA o arm ário. Era o anoitecer do dia seguinte. De repente, os cabides pararam de deslizar através da prateleira bem nos fundos do arm ário.

— Eu acho que tenho um – ela respondeu, soando surpresa. Esperei que ela saísse, sentada na beirada de sua cam a. Eu havia tido pelo m enos dez horas de sono, um cuidadoso banho de chuveiro, prim eiros socorros e sentia-m e cem vezes m elhor.

Am elia brilhava de orgulho e felicidade. Bob, o bruxo Mórm on, não apenas era incrível na cam a, com o am bos acordaram a tem po de ver Quinn e eu serm os seqüestrados, e tiveram a brilhante ideia de ligar para a m ansão da rainha vam pira ao invés da polícia norm al. Eu ainda não tinha contado que Quinn e eu fizem os nosso próprio telefonem a, porque não sabia qual foi o m ais eficaz, e apreciava ver Am elia tão feliz.

Eu não quis ir im ediatam ente até a rainha após m inha ida ao banco com o Sr. Cataliades. Depois que voltei para o apartam ento de Hadley, recom ecei a em pacotar as coisas de m inha prim a e ouvi um ruído estranho quando coloquei o café num a caixa. Agora, se quisesse im pedir o desastre, eu teria que ir ao baile de prim avera da rainha, o evento sobrenatural do ano. Eu havia tentado entrar em contato com Andre no quartel-general da rainha, m as um a voz m e disse que ele não devia ser perturbado. Im aginei quem estaria atendendo aos telefonem as na Central Vam pira aquele dia.

Poderia ser um dos vam piros de Peter Threadgill?

— Sim , eu tenho! – Am elia exclam ou. – Ah, é bem ousado. Eu fui a dam a de honra num casam ento radical. – Ela saiu do arm ário com os cabelos despenteados e os olhos ilum inados de triunfo. Ela girou o cabide para que eu pudesse ver o efeito total. Ela teve que prender o vestido ao cabide porque havia bem pouco para pendurar.

— Nossa – falei desconfortável. Feito principalm ente de gaze verdelim ão, o decote era um V profundo quase até a cintura. Um a única faixa estreita rodeava o pescoço.

— Era o casam ento de um a estrela de cinem a – disse Am elia, parecendo ter um bocado de m em órias da cerim ônia. Já que o vestido tam bém tinha pouco tecido, eu im aginei com o aquelas m ulheres de Holly wood m antinham os peitos cobertos. Fita dupla-face? Algum tipo de cola? Com o não vi Claudine desde que ela desaparecera do pátio antes da reconstrução ectoplásm ica, eu tive de assum ir que ela voltou para o trabalho e a vida em Monroe. Eu poderia ter em pregado seus serviços especiais agora. Tinha que existir um a m agia que fizesse o vestido perm anecer no lugar.

— Pelo m enos você não precisa de um sutiã especial para usar por baixo – Am elia disse prestativa. Isso era verdade; não era possível usar sutiã. – E eu tenho os sapatos, se você usar núm ero sete.

— É um a grande aj uda – falei, tentando parecer feliz e grata. – Im agino que você não saiba fazer cabelo?

— Não – Am elia disse. Ela acenou com a m ão para os próprios fios curtos. – Eu lavo, escovo e é tudo. Mas eu posso cham ar o Bob – Seus olhos brilharam de alegria. – Ele é cabeleireiro.

Eu tentei não parecer espantada dem ais. Num a funerária?, pensei, m as era esperta o bastante para guardar isso para m im m esm a. Bob não se parecia de j eito nenhum com nenhum cabeleireiro que eu j á tivesse visto.

Após um par de horas, eu estava m ais ou m enos vestida e totalm ente produzida. Bob fez um bom trabalho com m eu cabelo, apesar de ter lem brado diversas vezes para que m e m antivesse im óvel, de um m odo que m e deixou um pouco nervosa.

E Quinn apareceu pontualm ente em seu carro. Quando Eric e Rasul m e deixaram lá pelas duas da m anhã, Quinn apenas entrou em seu carro e partiu para onde estava hospedado, apesar de ter m e dado um beij o leve na testa antes de eu subir as escadas. Am elia saiu do apartam ento dela toda feliz por eu estar de volta salva, e tive que retornar um telefonem a do Sr.

Cataliades, que im aginava se eu estava bem e se queria ir ao banco com ele para concluir os assuntos financeiros de Hadley. Já que perdi a chance de ir com Everett, eu fiquei grata.

Mas quando voltei ao apartam ento de Hadley, após a viagem ao banco, encontrei um a m ensagem na secretária eletrônica inform ando que a rainha esperava m e ver na festa do velho m onastério aquela noite.

— Eu não quero que deixe a cidade sem m e ver novam ente – a secretária hum ana da rainha a citou, antes de m e inform ar que a vestim enta seria form al. Após m inha descoberta, quando percebi que teria que com parecer à festa, eu desci as escadas até o apartam ento de Am elia em pânico.

O vestido causou outro tipo de pânico. Eu era m ais bem -dotada que Am elia, apesar de um pouco m ais baixa, e teria que andar realm ente ereta.

— O suspense está m e m atando – disse Quinn, olhando m eu peito.

Ele estava m aravilhoso num sm oking. As ataduras em m eus pulsos se destacavam contra o bronzeado com o estranhos braceletes; de fato, um deles era agudam ente desconfortável, e eu estava ansiosa para tirá-lo. Mas o pulso teria que ficar coberto por um tem po, em bora a m ordida em m eu braço esquerdo pudesse perm anecer visível. Talvez o suspense quanto aos m eus peitos distraísse os convidados do fato de que m eu rosto estava inchado e descolorido de um lado.

Quinn, é claro, agia com o se nada tivesse acontecido com ele. Não apenas possuía a cura rápida da m aioria dos m etam orfos, com o tam bém o sm oking de um hom em cobria um bocado de ferim entos.

— Não faça m e sentir m ais em baraçada do que j á estou – falei. – Por um centavo, eu m e arrastaria de volta para a cam a e dorm iria um a sem ana.

— Estou totalm ente de acordo, em bora eu reduzisse o tem po de sono – Quinn respondeu sinceram ente. – Mas, para nossa paz de espírito, acho m elhor nós fazerm os isso prim eiro. A propósito, m eu suspense era sobre a viagem ao banco, não seu vestido. Im agino que com seu vestido é um a situação ganha. Se você ficar com ele, ótim o. Se não, m elhor ainda.

Eu desviei o olhar, tentando controlar um sorriso involuntário. — A viagem ao banco. – Aquilo parecia ser um assunto seguro. – Bom , a conta bancária não tinha m uito, o que j á im aginava que seria o caso. Hadley não tinha m uito bom senso a respeito de dinheiro. Ela não tinha bom senso, ponto final. Mas o cofre...

O cofre de Hadley continha sua certidão de nascim ento, um a licença de casam ento e um decreto de divórcio datado de m ais de três anos atrás— am bos nom eando o m esm o hom em , fiquei feliz em notar— e um a cópia lam inada do obituário de m inha tia. Hadley soubera quando a m ãe m orreu, e se im portou o suficiente para m anter o recorte. Havia fotografias de nossa infância com partilhada tam bém ; m inha m ãe e a irm ã; m inha m ãe, Jason, eu e Hadley ; m inha avó e o m arido. Havia um belo colar de safiras e diam antes (que o Sr. Cataliades disse que a rainha dera a Hadley ), e um par de brincos com binando. Havia m ais algum as coisas sobre as quais eu queria pensar a respeito.

Mas o bracelete da rainha não estava lá. Foi por isso que o Sr.

Cataliades quis m e acom panhar, eu acho; ele m eio que esperava que o bracelete estivesse lá, e pareceu bem ansioso quando m ostrei a caixa para que ele pudesse ver o conteúdo por si m esm o.

— Eu term inei de em pacotar as coisas da cozinha esta tarde, depois que o Sr. Cataliades m e trouxe de volta ao apartam ento de Hadley – falei a Quinn, observando sua reação. Eu nunca m ais subestim aria o desinteresse de m inhas com panhias. Descobri-m e suficientem ente convencida de que Quinn não m e aj udou na m udança no dia anterior a fim de procurar por algo, depois que vi sua reação perfeitam ente calm a.

— Que bom – ele disse. – Desculpe por não ter aparecido para aj udála hoj e. Eu estava resolvendo os negócios de Jake com a Eventos Especiais.

Tive que ligar para os m eus sócios e inform á-los. Tive que ligar para a nam orada de Jake. Ele não estava firm e o suficiente para ficar perto dela, m esm o se ela quisesse vê-lo novam ente. Ela não é um a adoradora de vam piros, para dizer o m ínim o.

No m om ento, eu tam bém não era. Não conseguia com preender a verdadeira razão para que a rainha m e quisesse na festa, m as havia encontrado outro m otivo para vê-la. Quinn sorriu para m im e eu retribuí, desej ando que algo bom resultasse dessa noite. Tinha que adm itir a m im m esm a que estava um pouco curiosa para ver o celeiro de festas da rainha, por assim dizer— e tam bém estava contente por m e vestir e estar bonita após toda aquela andança pelo pântano.

Enquanto viaj ávam os, eu quase toquei no assunto com Quinn pelo m enos um as três vezes— m as em cada oportunidade, quando chegava ao ponto, eu m antinha a boca fechada.

— Estam os chegando – ele disse, quando alcançam os um a das m ais antigas vizinhanças de Nova Orleans, o Garden District.

As casas, construídas em belos terrenos, custavam m uitas vezes m ais do que um a m ansão Bellefleur atingia. No m eio daquelas m aravilhosas m ansões, chegam os a um m uro alto que se estendia por um quarteirão inteiro. Aquele era o m onastério restaurado que a rainha usava para entreter.

Deviam existir outros portões nos fundos da propriedade, m as esta noite todo o tráfego estava se m ovendo através da entrada frontal principal.

Ela estava m aciçam ente protegida com os m ais eficientes seguranças de todos: vam piros. Im aginei se Sophie-Anne Leclerq era paranoica, sábia, ou sim plesm ente não se sentia am ada (ou segura) em sua cidade adotada. Eu tinha certeza que a rainha tam bém possuía as m edidas de segurança habituais— câm eras, detectores infraverm elhos de m ovim ento, aram e farpado, talvez até cães de guarda. Havia segurança m áxim a aqui, onde os vam piros de elite ocasionalm ente festej avam com a elite hum ana. Esta noite, a festa era som ente para sobres, a prim eira grande festa que os recém -casados dariam desde que se tornaram um casal.

Três vam piros da rainha se encontravam no portão, j unto com três vam piros do Arkansas. Todos os vam piros de Peter Threadgill vestiam uniform es, em bora eu suspeitasse que o rei os cham asse de libré. Os sanguessugas do Arkansas, hom ens e m ulheres, vestiam ternos brancos com cam isas azuis e coletes verm elhos. Eu não sabia se o rei era ultrapatriota ou se as cores foram escolhidas porque elas estavam na bandeira do estado do Arkansas, bem com o dos Estados Unidos. Qualquer que fosse o caso, os ternos estavam além do brega e em algum hall da vergonha fashion, por conta própria. E Threadgill se vestia tão conservadoram ente!

Aquilo era algum a tradição da qual nunca ouvi falar? Céus, até m esm o eu tinha um gosto m elhor do que aquele, e com prava a m aioria das m inhas roupas no Wal-Mart.

Quinn tinha o cartão da rainha para m ostrar aos seguranças do portão, m as ainda assim eles ligaram para a casa principal. Quinn pareceu inquieto e eu esperava que ele estivesse tão preocupado quanto eu sobre a segurança extrem a e o fato de que os vam piros de Threadgill se esforçaram para se distinguir dos partidários da rainha. Eu pensei m uito na necessidade da rainha de oferecer aos vam piros do rei um a razão para subir com igo ao apartam ento de Hadley. Pensei na ansiedade que ela dem onstrou quando perguntou sobre o bracelete. Pensei na presença de vam piros de am bos os cam pos no portão principal. Nenhum dos m onarcas confiava no cônj uge para fornecer proteção.

Pareceu se passar um longo tem po antes que recebêssem os perm issão para entrar. Quinn ficou tão silencioso quanto eu enquanto esperávam os. O terreno parecia estar belam ente decorado e m antido, e certam ente se encontrava bem ilum inado.

— Quinn, isso está tão errado – falei. – O que está acontecendo aqui?

Acha que eles vão nos deixar ir em bora?

Infelizm ente, parecia que todas as m inhas suspeitas eram verdadeiras.

Quinn tam bém não parecia nem um pouco feliz. — Eles não vão nos deixar sair – disse. – Tem os que continuar agora.

Eu apertei m inha pequena bolsa de noite, desej ando que houvesse algo m ais letal dentro dela do que alguns pequenos itens com o pó com pacto, batom e absorvente interno. Quinn guiou cuidadosam ente pela entrada sinuosa até a frente do m onastério.

— O que você fez hoj e, além de pensar em seu traj e? – Quinn perguntou.

— Dei um bocado de telefonem as – respondi. – E um deles valeu a pena.

— Telefonem as? Para onde?

— Postos de gasolina, ao longo de toda a rota de Nova Orleans até Bon Tem ps.

Ele se virou para m e encarar, m as eu só apontei a tem po de Quinn pisar no freio. Um leão atravessou o cam inho.

— Certo, o que é aquilo? Anim al? Ou m etam orfo? – eu estava m ais afiada a cada m inuto.

— Anim al – respondeu Quinn.

Esqueça a ideia de cães peram bulando pela propriedade. Eu esperava que o m uro fosse alto o bastante para m anter o leão dentro.

Nós estacionam os diante do antigo m onastério, que era um enorm e prédio de dois andares. Não foi construído em prol da beleza, m as por utilidade, então era um a estrutura largam ente disform e. Havia um a única portinhola no m eio da fachada, e pequenas j anelas dispostas regularm ente.

Novam ente, bem fácil de defender. Do lado de fora da pequena porta, havia m ais seis vam piros, três em roupas elegantes, porém diferentes— com certeza sanguessugas da Louisiana— e m ais três do Arkansas, em seus notórios traj es espalhafatosos.

— São sim plesm ente horrorosos – com entei.

— Mas fáceis de distinguir, m esm o no escuro – disse Quinn, com o se estivesse tendo pensam entos profundos e significativos.

— Dãa – falei. – Não é essa a questão? Então eles im ediatam ente...

oh. – m editei. – É, ninguém vestiria nada parecido com aquilo, de propósito ou por acidente. Sob qualquer circunstância. A não ser que fosse realm ente im portante ser instantaneam ente identificável.

— É possível que Peter Threadgill não sej a devotado a Sophie-Anne – disse Quinn.

Soltei um a risadinha enquanto dois vam piros da Louisiana abriam as portas do carro num m ovim ento tão coordenado que devia ter sido ensaiado.

Melanie, a segurança vam pira que conheci no quartel-general da rainha, m e aj udou a sair do carro, pegando m inha m ão e sorrindo. Ela parecia bem m elhor sem aquele esm agador equipam ento da SWAT. Usava um belo vestido am arelo com saltos baixos. Agora que não estava com o capacete, pude ver que seu cabelo era curto, intensam ente cacheado e castanho claro.

Ela respirou fundo, dram aticam ente, quando passei e então m ostrou um a expressão extasiada. — Oh, o perfum e das fadas! – exclam ou. – Faz m eu coração cantar!

Dei um tapinha nela de brincadeira. Dizer que eu estava surpresa era pouco. Vam piros, com o um todo, não são conhecidos pelo senso de hum or.

— Belo vestido – disse Rasul. – Do tipo ousado, hein?

Chester disse, — Não pode ser ousado dem ais para m im . Você parece realm ente apetitosa.

Achei que não podia ser coincidência que os três vam piros que conheci no quartel-general da rainha fossem os m esm os encarregados da porta esta noite. No entanto, não conseguia entender o que aquilo significava. Os três vam piros do Arkansas estavam silenciosos, observando a troca de palavras entre nós com olhares frios. Eles não estavam com a m esm a disposição relaxada e sorridente de seus colegas.

Algo definitivam ente fora de lugar aqui. Mas com a audição aguda dos vam piros ao redor, não havia nada que pudesse falar a respeito.

Quinn pegou m eu braço. Atravessam os um longo corredor que parecia percorrer quase a distância do prédio. Um vam piro de Threadgill encontrava-se parado na porta da sala que parecia servir com o área de recepção.

— Gostaria de deixar sua bolsa? – ela perguntou, obviam ente incom odada por ser relegada a checar bolsas e capas.

— Não, obrigada – respondi, e achei que ela fosse arrancar a bolsa de m inha m ão.

— Posso revistá-la? – perguntou. – Estam os procurando por arm as.

Eu a encarei, algo sem pre arriscado com um vam piro. — É claro que não. Eu não tenho arm as.

— Sookie – disse Quinn, tentando não soar alarm ado. – Você tem que deixá-la olhar em sua bolsa. É o procedim ento.

Eu o fuzilei com o olhar. — Você podia ter m e dito – respondi bruscam ente.

A segurança, um a j ovem vam pira com um perfil que desafiava o corte das calças brancas, confiscou m inha bolsa com um ar de triunfo. Ela virou o conteúdo sobre um a bandej a, e os poucos obj etos caíram ruidosam ente sobre a superfície de m etal: pó com pacto, batom , um pequeno tubo de cola, um lenço, um a nota de dez dólares e um absorvente interno com aplicador de plástico rígido, totalm ente enrolado na em balagem plástica.

Quinn não era tão provinciano para ficar verm elho, m as desviou o olhar discretam ente. A vam pira, que m orreu m uito antes das m ulheres carregarem tais itens em suas bolsas, m e perguntou seu propósito e assentiu quando eu expliquei. Ela arrum ou m inha bolsinha de noite e a devolveu, indicando com um gesto de m ão que devíam os prosseguir pelo corredor.

Virou-se para as pessoas atrás de nós, um casal Lobi em seus sessenta anos, antes m esm o que saíssem os da sala.

— O que está tram ando? – Quinn perguntou, na voz m ais baixa possível, enquanto seguíam os pelo corredor.

— Nós tem os que passar por m ais seguranças? – perguntei, num a voz um tanto quanto abafada.

— Eu não sei. Não estou vendo nenhum à frente.

— Tenho que fazer um a coisa – respondi. – Com licença, vou procurar o toalete das senhoras m ais próxim o.

Tentei lhe dizer com os olhos e a pressão de m inha m ão em seu braço que tudo ficaria bem dentro de alguns m inutos, e sinceram ente esperava que fosse verdade. Claram ente, Quinn não estava feliz com igo, m as esperou do lado de fora do toalete (Deus sabe o que foi quando o prédio era um m onastério) enquanto eu m e enfiava num a das divisórias e fazia alguns aj ustes. Quando sai, j oguei a em balagem de absorvente na lata de lixo da cabine, e um de m eus pulsos foi enfaixado novam ente. Minha bolsa estava um pouco m ais pesada.

A porta no fim do corredor conduzia a um grande aposento que foi o refeitório dos m onges. Apesar de ainda ter paredes de pedra e largos pilares sustentando o teto, três à esquerda e três à direita, o resto da decoração da sala agora era consideravelm ente diferente. O centro da sala estava vazio para dança e o piso era de m adeira. Havia um tablado para os m úsicos perto da m esa de refrescos, e outro tablado do lado oposto da sala para a realeza.

Ao redor da sala, nos cantos, havia cadeiras em grupos de conversa.

A sala toda estava decorada em branco e azul, as cores da Louisiana. Um a das paredes possuía alguns m urais representando cenários do estado: um pântano, que m e fez estrem ecer; um a m ontagem do Bourbon Street; um cam po sendo arado e m adeira sendo cortada; e um pescador puxando um a rede na costa do Golfo. Aquelas eram cenas representando hum anos, pensei, e im aginei qual era o pensam ento por trás daquilo. Então m e virei para olhar a parede cercando o acesso pela qual entram os, e notei o lado vam piro da vida na Louisiana: um grupo de felizes vam piros com violinos sob o queixo, tocando; um policial vam piro patrulhando o Quarteirão Francês; um guia vam piro conduzindo turistas através de um a das Cidades dos Mortos. Sem vam piros lanchando hum anos, sem vam piros bebendo nada, percebi. Aquilo era um a afirm ação para relações públicas. Im aginei se realm ente enganava alguém . Tudo que se tinha que fazer era sentar num a m esa de j antar com vam piros, e você seria lem brado de com o eles eram diferentes, certo.

Bom , não foi por isso que eu tinha vindo. Procurei ao redor pela rainha, e finalm ente a vi ao lado do m arido. Ela usava um vestido de seda laranj a de m angas com pridas, e parecia fabulosa. Mangas longas talvez parecessem um pouco estranhas para a noite quente, m as vam piros não notam coisas assim . Peter Threadgill vestia um sm oking e parecia igualm ente im pressionante. Flor de Jade estava parada atrás dele, a espada presa às costas apesar de estar usando um vestido drapeado verm elho (na qual, a propósito, ela parecia horrível). Andre, tam bém com pletam ente arm ado, encontrava-se posicionado atrás da rainha. Sigebert e Wy bert não poderiam estar longe. Avistei-os guardando um a porta que assum i ser dos aposentos particulares da rainha. Os dois vam piros pareciam agudam ente desconfortáveis em seus sm okings; era com o observar ursos obrigados a usarem sapatos.

Bill estava no salão. Tive um vislum bre dele no canto m ais distante, oposto à rainha, e estrem eci de ódio.

— Você tem m uitos segredos – Quinn se queixou, seguindo a direção do m eu olhar.

— Ficarei feliz em lhe contar alguns, breve – prom eti, e nos j untam os ao fim da fila da recepção. – Quando alcançarm os a realeza, vá na m inha frente. Enquanto falo com a rainha, você distrai o rei, está bem ?

Então, eu lhe contarei tudo.

Nós alcançam os o Sr. Cataliades prim eiro. Acho que ele era um a espécie de secretário de estado da rainha. Ou talvez conselheiro geral fosse m ais apropriado?

— É bom vê-lo novam ente, Sr. Cataliades – falei em m eu tom social m ais correto. – Tenho um a surpresa para você – acrescentei.

— Você pode ter que guardá-la – ele disse com um a espécie de cordialidade rígida. – A rainha está prestes a ter sua prim eira dança com o novo rei. E estam os todos ansiosos para ver o presente que o rei deu a ela.

Olhei ao redor, m as não vi Diantha. — Com o está a sua sobrinha? – perguntei.

— Minha sobrinha sobrevivente – ele disse som briam ente – está em casa com a m ãe.

— É um a pena – falei. – Ela devia estar aqui essa noite.

Ele m e encarou. Então pareceu interessado.

— De fato – respondeu.

— Ouvi falar que alguém aqui parou para abastecer na sem ana passada, quarta-feira, a cam inho de Bon Tem ps – falei. – Alguém com um a longa espada. Aqui, deixe-m e enfiar isto em seu bolso. Não preciso m ais. – Quando m e afastei dele e encarei a rainha, eu tinha um a m ão cobrindo o pulso m achucado. A atadura havia sum ido.

Estendi a m ão direita, e a rainha foi forçada a retribuir o cum prim ento. Eu havia contado com obrigar a rainha a seguir o costum e hum ano de apertar m ãos e fiquei bem aliviada quando ela o fez.

Quinn havia passado da rainha para o rei, e disse, — Sua Maj estade, eu tenho certeza que se lem bra de m im . Fui o coordenador de eventos em seu casam ento. As flores ficaram do seu agrado?

Um tanto aturdido, Peter Threadgill voltou os grandes olhos para Quinn, e Flor de Jade m anteve os olhos no que seu rei fazia.

Tentando m anter m eus m ovim entos ágeis, m as não bruscos, pressionei m inha m ão esquerda, e o que havia nela, contra o pulso da rainha. Ela não se afastou, m as acho que pensou em fazer isso. Ela olhou para o próprio pulso para verificar o que coloquei, e seus olhos se fecharam de alívio.

— Sim , m inha querida, nossa visita foi adorável – ela disse, ao acaso.

– Andre gostou m uito, assim com o eu. – Ela olhou por sobre o om bro e Andre pegou a deixa, inclinando a cabeça para m im em tributo aos m eus supostos talentos na cam a. Eu estava tão feliz pela provação ter acabado que sorri para ele, radiante, e ele pareceu m eio divertido. A rainha ergueu levem ente o braço para cham á-lo, e a m anga do vestido deslizou. De repente, Andre tinha um sorriso tão largo quanto o m eu.

Flor de Jade foi distraída pelo m ovim ento de Andre, e seus olhos seguiram os dele. Eles se arregalaram , e ela não estava nem um pouco sorridente. De fato, parecia furiosa. O Sr. Cataliades olhava para a espada nas costas de Flor de Jade com um rosto com pletam ente inexpressivo.

Então Quinn foi dispensado pelo rei, e foi m inha vez de prestar hom enagem a Peter Threadgill, Rei do Arkansas.

— Ouvi falar que você teve um a aventura nos pântanos, ontem – ele disse com voz fria e indiferente.

— Sim , senhor. Mas tudo term inou bem , eu acho – respondi.

— Que bom que você veio – ele disse. – Agora que resolveu o assunto quanto à propriedade de sua prim a, im agino que estej a retornando para sua casa?

— Oh, sim , o m ais rápido possível – falei. Era a absoluta verdade.

Eu iria para casa desde que conseguisse sobreviver a esta noite, em bora no m om ento as chances não parecessem tão boas. Calculei tão bem quanto fui capaz no m eio daquela m ultidão. Havia pelo m enos vinte vam piros no salão usando o brilhante traj e do Arkansas, e talvez o m esm o núm ero de partidários da rainha.

Eu m e afastei e o casal Lobi, que entrou depois de nós, tom ou o m eu lugar. Acho que ele era o vice-governador da Louisiana, e esperava que tivesse um bom seguro de vida.

— E então? – Quinn exigiu.

Eu o conduzi até um canto contra a parede e gentilm ente o m anobrei para que se recostasse. Tinha que evitar qualquer leitor de lábios na sala.

— Você sabia que o bracelete da rainha estava desaparecido? – perguntei.

Ele sacudiu a cabeça. — Um dos braceletes de diam ante que o rei deu a ela com o presente de casam ento? – perguntou, inclinando a cabeça para confundir algum observador.

— Sim , desaparecido – falei. – Desde que Hadley m orreu.

— Se o rei soubesse que o bracelete estava desaparecido, e conseguisse forçar a rainha a adm itir que o deu para um a am ante, então ele teria m otivos para divórcio.

— O que ele conseguiria então?

— O que ele não conseguiria! Foi um casam ento vam piro hierárquico, e não se fica m ais vinculado do que isso. Acho que o contrato de casam ento tinha trinta páginas.

Eu com preendia bem m elhor agora. Um a vam pira bem -vestida, usando um longo verde-acinzentado coberto de cintilantes flores prateadas, levantou o braço para cham ar a atenção da m ultidão. Gradualm ente, o pessoal reunido ficou em silêncio.

— Sophie-Anne e Peter lhes desej am boas-vindas à sua prim eira festa conj unta – disse a vam pira, a voz tão m usical e m elódica que você queria ouvi-la por horas. Eles deviam contratá-la para fazer o Oscar. Ou o concurso de Miss Am érica. – Sophie-Anne e Peter convidam todos vocês a terem um a m aravilhosa noite de dança, com ida e bebida. Para abrir o baile, nosso anfitrião e anfitriã irão dançar um a valsa.

Apesar do sem blante lustroso, achei que Peter se sentiria m ais confortável dançando um a quadrilha, m as com um a esposa com o Sophie-

Anne, era valsa ou nada. Ele avançou para a esposa, os braços prontos para recebê-la, e com sua voz carregada disse: — Querida, m ostre-lhes os braceletes.

Sophie-Anne brindou a m ultidão com um sorriso e levantou os próprios braços para fazer as m angas deslizarem , m ostrando aos convidados um par de braceletes em cada pulso, os dois enorm es diam antes piscando e cintilando sob as luzes dos candelabros.

Por um instante, Peter Threadgill ficou absolutam ente im óvel, com o se alguém o tivesse atingido com um a pistola de choque. Ele m udou a postura ao seguir em frente, depois disso, e pegou um a das m ãos dela nas suas. Olhou para um bracelete, e então largou sua m ão para pegar à outra.

Aquele bracelete tam bém passou pelo silencioso exam e.

— Maravilhoso – ele disse e, se fosse só pelas presas, você acharia que elas surgiram porque estava com tesão pela bela esposa. – Você está usando os dois.

— É claro – disse Sophie-Anne – Meu querido. – Seu sorriso era tão sincero quanto o dele.

E eles dançaram apesar de algo no m odo com o ele a conduzia m e fazer achar que o rei estava deixando seu m au gênio levar a m elhor. Ele arm ara um grande plano e agora eu tinha estragado tudo... m as, graças a Deus, não sabia do m eu envolvim ento. Ele sabia apenas que de algum m odo Sophie-Anne conseguiu recuperar o bracelete e salvar as aparências, e ele não tinha nada para j ustificar o que planej ou. Ele teria que recuar.

Depois disso, provavelm ente pensaria em outra form a de subverter a rainha, m as pelo m enos eu estaria fora da disputa.

Quinn e eu nos retiram os para a m esa de refrescos, localizada ao sul do enorm e salão, ao lado de um dos grossos pilares. Os criados estavam ali com facas para destrinchar presunto ou rosbife. Havia panquecas de trigo para a carne. Cheiravam m aravilhosam ente, m as eu estava nervosa dem ais para pensar em com er. Quinn m e trouxe um a taça de ginger ale do bar.

Fitei o casal dançando e esperei que o teto desabasse.

— Eles não parecem adoráveis j untos? – disse um a m ulher bem vestida e de cabelos grisalhos. Percebi que era a m esm a que estava atrás de m im na fila.

— Sim , parecem – concordei.

— Eu sou Genevieve Thrash – ela disse. – Este é m eu m arido, David.

— Prazer em conhecê-los – respondi. – Sou Sookie Stackhouse e este é m eu am igo, John Quinn. – Quinn pareceu surpreso. Im aginei se de fato aquele era seu prim eiro nom e.

Os dois hom ens, tigre e Lobi, apertaram -se as m ãos enquanto Genevieve e eu observávam os o casal dançando m ais um pouco.

— Seu vestido é tão bonito – disse Genevieve, dando todas as indicações de que falava sinceram ente. – É preciso um corpo j ovem para exibir um vestido assim .

— Eu aprecio as palavras – falei. – Estou m ostrando m ais do que eu acho confortável desse corpo, então você m e faz sentir m uito m elhor.

— Sei que sua com panhia aprecia – ela disse. – Assim com o o j ovem rapaz logo ali. – Ela acenou sutilm ente com a cabeça, e eu olhei na direção que ela indicava. Bill. Ele parecia m uito bem em seu sm oking, m as m esm o estarm os no m esm o aposento fazia com que algo dentro de m im se contorcesse de dor.

— Acredito que seu m arido sej a o vice-governador? – eu disse.

— Você está absolutam ente correta.

— E com o é ser a Sra. Vice? – perguntei.

Ela m e contou algum as histórias divertidas sobre as pessoas que conheceu enquanto seguia a carreira política de David.

— E o que faz o seu hom em ? – ela perguntou com aquele interesse ávido que deve ter aj udado o m arido a subir na carreira.

— Ele é coordenador de eventos – respondi, após um m om ento de hesitação.

— Que interessante – Genevieve disse. – E você, tem um em prego?

— Oh, sim , m adam e – respondi. – Sou um a garçonete.

Aquilo foi um pouco espantoso para a esposa do político, m as ela sorriu para m im . — Você é a prim eira garçonete que eu conheço – disse alegrem ente.

— Você é a prim eira Sra. Vice-Esposa que conheço – falei. Droga, agora que a conhecia e gostava dela, eu m e sentia responsável. Quinn e David apenas batiam papo, e acho que pescaria era o assunto.

— Sra. Thrash – falei – sei que é um a Lobi e isso significa que é tão durona quanto pode ser, m as vou lhe dar um pequeno conselho.

Ela m e fitou zom beteiram ente.

— Esse conselho é ouro puro – eu disse.

Suas sobrancelhas se arquearam . — Okay – disse ela, lentam ente. – Estou ouvindo.

— Algo m uito ruim vai acontecer aqui na próxim a hora. Vai ser tão ruim que pode haver um bocado de gente m orta. Agora, você pode ficar e se divertir até que aconteça, e então vai se perguntar por que não m e escutou, ou pode ir em bora agora depois de fingir ficar doente, e evitar um bocado de infelicidade.

O olhar dela era atento. Pude ouvi-la im aginando se devia m e levar a sério ou não. Eu não parecia alguém esquisita ou louca. Parecia um a m ulher j ovem , norm al e atraente com um acom panhante danado de bonito.

— Você está m e am eaçando? – ela perguntou.

— Não, m adam e. Estou tentando salvar seu traseiro.

— Vam os dançar prim eiro – disse Genevieve Thrash, decidindo-se.

– David, querido, vam os dar um giro pela pista de dança e então pedirm os licença. Estou com a pior dor de cabeça que j á senti.

David forçosam ente interrom peu sua conversa com Quinn para levar a esposa ao espaço vazio, e com eçou a valsar j unto com o casal real vam piro, que parecia aliviado por ter com panhia. Eu estava com eçando a relaxar m inha postura novam ente, m as um olhar de Quinn lem brou-m e de ficar bem ereta.

— Eu am o o vestido – disse. – Vam os dançar?

— Sabe dançar valsa? – Esperava que m eu queixo não estivesse m uito caído.

— Sim – respondeu. Ele não perguntou se eu sabia, em bora de fato tenha observado os passos da rainha atentam ente. Eu posso dançar— não cantar, m as adoro um a pista de dança. Nunca valsei, m as achei que poderia.

Era m aravilhoso ter os braços de Quinn ao m eu redor, m e m over tão graciosam ente ao redor da pista. Por um m om ento, eu apenas esqueci de tudo e curti olhar para ele, m e sentindo do m odo com o um a garota se sente quando está dançando com um cara com quem ela espera fazer am or, m ais cedo ou m ais tarde. Os dedos de Quinn tocando m inhas costas nuas m e deixavam arrepiada.

— Cedo ou tarde – ele disse – nós estarem os num quarto com um a cam a, sem telefones, e um a porta com chave.

Eu sorri para ele e espiei os Thrash se retirando para a porta.

Esperava que o carro deles tivesse sido trazido para perto. E aquele foi o últim o pensam ento norm al que tive por um tem po.

Um a cabeça voou por sobre o om bro de Quinn. Foi rápido dem ais para que eu soubesse de quem era a cabeça, m as pareceu fam iliar. Um borrifo de sangue criou um a nuvem averm elhada em sua passagem .

Eu fiz um som . Não foi um grito ou gem ido; m ais com o um “Eeeeep.” Quinn se im obilizou apesar de a m úsica continuar por um longo instante. Ele olhou em todas as direções, tentando analisar o que estava acontecendo e com o poderíam os sobreviver. Achei que um a dança seria boa, m as devíam os ter ido com o casal Lobi. Quinn com eçou a m e em purrar para a lateral do salão, e disse, — Fique de costas para a parede. – Nós saberíam os de que direção viria o perigo; boa ideia.

Mas alguém se lançou sobre nós e Quinn soltou m inha m ão. Houve um bocado de gritos e m ovim entação. Os gritos eram todos dos Lobis e outros sobrenaturais que foram convidados para a festa, e a m ovim entação era na m aior parte dos vam piros, que procuravam por seus aliados em m eio ao caos. Foi dali que veio os traj es horrorosos vestidos pelos seguidores do rei. Era instantaneam ente fácil de ver quem pertencia ao rei. Claro, aquilo os tornava alvos fáceis tam bém , se por acaso você não gostasse dele e de seus lacaios.

Um vam piro negro e m agro com dreadlocks sacou do nada, aparentem ente, um a espada com lâm ina curva. A lâm ina estava ensangüentada e achei que Dreadlocks fosse o arrancador de cabeças. Ele usava o terno horrível, então era alguém que eu queria evitar. Se eu tinha algum aliado aqui, não era ninguém trabalhando para Peter Threadgill.

Escondi-m e atrás de um dos pilares que apoiavam o teto no canto oeste do refeitório, e estava tentando descobrir o cam inho m ais seguro para fora do salão quando m eus pés tropeçaram em algo solto. Olhei para baixo e vi a cabeça. Pertencia a Wy bert. Im aginei por um a fração de segundo se a cabeça se m overia ou falaria, m as decapitação é bem definitiva, não im porta que espécie você sej a.

— Oh – eu gem i, decidindo que era m elhor m e recom por ou pareceria igualzinha a Wy bert, pelo m enos num aspecto im portante.

A briga se espalhou pelo salão. Eu não testem unhei o incidente que a precipitou, m as o vam piro negro devia ter atacado Wy bert e cortado fora sua cabeça com um a desculpa qualquer. Já que Wy bert era um dos guardacostas da rainha e Dreadlocks um dos serviçais de Peter, a decapitação foi um ato bem decisivo.

A rainha e Andre estavam de costas um para o outro no m eio do salão. Andre segurava um revólver e um a longa faca nas m ãos, e a rainha tinha se apropriado da faca de destrinchar do bufê. Havia um círculo de casacos brancos os cercando e, quando um caía, outro tom ava seu lugar.

Aquilo era com o a batalha final de Custer, com a rainha fazendo o papel de Custer. Sigebert estava igualm ente sitiado no pequeno palco, e a orquestra (parte Lobi ou m etam orfo e parte vam pira) tinha se separado em vários com ponentes. Alguns se j untavam ao com bate, enquanto outros tentavam fugir. Aqueles que se esforçavam para fugir entupiam a porta que conduzia ao longo corredor. O efeito era de um engarrafam ento.

O rei estava sob o ataque de m eus três am igos Rasul, Chester e Melanie. Eu tinha certeza que encontraria Flor de Jade atrás dele, m as ela estava tendo seus próprios problem as, fiquei feliz em notar. O Sr.

Cataliades fazia seu m elhor para— bom , parecia que ele estava tentando apenas tocá-la. Ela desviava as tentativas com sua enorm e espada, a espada que partiu Gladiola em duas, m as nenhum deles parecia querer desistir tão cedo.

Então eu fui derrubada no chão e perdi o fôlego por um m inuto.

Ataquei, apenas para ter as m ãos presas. Estava esm agada debaixo de um grande corpo. — Eu te peguei – Eric disse.

— Que diabos você está fazendo?

— Protegendo você – disse. Ele sorria com a alegria da batalha, e os olhos azuis brilhavam com o safiras. Eric adorava um a briga.

— Eu não estou vendo ninguém atrás de m im – respondi. – Parece que a rainha precisa de você m ais do que eu. Mas agradeço.

Levado pela onda de excitação, Eric m e deu um beij o longo e im petuoso, e então pegou a cabeça de Wy bert. — Boliche para vam piros – disse alegrem ente, atirando o repugnante obj eto no vam piro negro com um a precisão e força que arrancou a espada da m ão dele. Eric deu um grande salto e agarrou a espada, girando-a contra seu dono com força m ortal. Com um grito de guerra que não era ouvido há m il anos, Eric atacou o círculo ao redor da rainha e Andre com um a selvageria e abandono que eram quase belos a seu m odo.

Um m etam orfo tentando encontrar outra saída do aposento chocou-se contra m im com força suficiente para m e arrancar de trás de m inha posição com parativam ente segura. De repente, havia pessoas dem ais entre m im e o pilar, e o cam inho de volta estava bloqueado. Droga! Consegui ver a porta que Wy bert e o irm ão estiveram protegendo. A porta ficava do outro lado do salão, m as era a única passagem vazia. Qualquer lugar para fora dessa sala era um bom cam inho. Com ecei a deslizar pelas paredes para alcançá-la, então não teria que cruzar espaços abertos perigosos.

Um dos casacas-brancas pulou na m inha frente.

— Nós devíam os encontrá-la! – ele berrou. Era um vam piro j ovem ; havia pistas m esm o nesse instante. Esse vam piro conheceu as am enidades da vida m oderna. Ele possuía todos os sinais— dentes super-retos que usaram aparelhos, a estatura robusta da nutrição m oderna, ossos grandes e ele era alto.

— Vej a! – falei, afastando um lado do m eu corpete. Ele olhou, Deus o abençoe, e eu o chutei com tanta força nos testículos que achei que sairiam pela sua boca. Isso derruba um hom em , não im porta qual sej a sua natureza. Esse vam piro não foi exceção. Passei por ele correndo e alcancei a parede leste, aquela com a porta.

Tinha talvez m enos de um m etro a percorrer quando alguém agarrou m eu pé e eu caí. Escorreguei num a poça de sangue e caí de j oelhos. Era sangue de vam piro, pude notar pela cor.

— Cadela – disse Flor de Jade. – Prostituta. – Eu não acho que a tenha ouvido falar antes. Podia ter vivido m uito bem sem isso até agora.

Ela com eçou a m e puxar, pouco a pouco, na direção de suas presas expostas. Não se levantou para m e m atar, porque estava sem um a das pernas. Eu quase vom itei, m as fiquei m ais preocupada em fugir do que dar vexam e. Minhas m ãos arranhavam o chão de m adeira liso e m eus j oelhos tentavam buscar apoio para que pudesse m e afastar da vam pira. Eu não sabia se Flor de Jade m orreria por causa de seu terrível ferim ento ou não.

Vam piros sobreviviam a m uitas coisas que m atariam um hum ano, o que obviam ente era grande parte da atração de... Pare, Sookie!, falei a m im m esm a ferozm ente. O choque devia estar m e afetando.

Estendi a m ão e consegui alcançar o batente da porta. Puxei várias vezes, m as não conseguia m e libertar do dom ínio de Flor de Jade, e seus dedos se cravaram na carne do m eu tornozelo. Logo ela quebraria os ossos, e então eu seria incapaz de andar.

Chutei o rosto da pequena m ulher asiática com o pé livre. Chutei de novo e de novo. Seu nariz estava sangrando e os lábios tam bém , m as ela não m e soltou. Acho que ela nem sentiu.

Então Bill pulou nas costas dela, aterrissando com força suficiente para quebrar sua espinha, a m ão em m eu tornozelo relaxando. Eu cam baleei para longe enquanto ele erguia um a faca igual àquela que a rainha tinha. Ele a m ergulhou no pescoço de Flor de Jade, repetidam ente, até a cabeça separar-se do corpo; então ele m e olhou. Ele não falou, apenas m e lançou aquele olhar longo e som brio. Então levantou e se foi, e eu tive que sair dali depressa.

Os aposentos da rainha estavam no escuro. Isso não era bom . Além do espaço onde a luz do salão penetrava quem sabe o que m ais estaria à espreita? Tinha que existir um a porta externa por aqui. A rainha não se deixaria ficar encurralada. Ela teria um cam inho para a saída. E se m e recordava da orientação do prédio, eu precisava cam inhar em linha reta para alcançar a parede correta. Eu m e refiz e decidi que chegaria até lá.

Nada de ficar m e arrastando contra as paredes. Para o inferno com aquilo.

E para m inha surpresa, funcionou, até certo ponto. Entrei num aposento— um a sala de estar, im aginei— antes de term inar no que deve ter sido o quarto da rainha. Um leve m ovim ento no quarto desencadeou m eu m edo, e vasculhei ao longo da parede pela luz. Quando acendi o interruptor, descobri que estava no quarto com Peter Threadgill. Ele encarava Andre.

Havia um a cam a entre eles, e sobre a cam a encontrava-se a rainha, gravem ente ferida. Andre não estava com sua espada, m as tam pouco Peter a tinha. Andre possuía um a arm a e, quando acendi a luz, ele atirou bem no rosto do rei. Duas vezes.

Havia um a porta além do corpo de Peter Threadgill. Devia conduzir ao térreo. Com ecei a seguir lentam ente naquela direção, m inhas costas pressionadas contra a parede. Ninguém prestou atenção em m im .

— Andre, se você m atá-lo – a rainha dizia calm am ente – terei que pagar um a m ulta enorm e. – Ela tinha um a m ão pressionada a lateral, o belo vestido laranj a j á escuro e m olhado com seu próprio sangue.

— Mas não valeria a pena, m ilady ?

Houve um silêncio pensativo por parte da rainha, enquanto eu abria cerca de seis trancas.

— Com o um todo, sim – disse Sophie-Anne. – Afinal, dinheiro não é tudo.

— Oh, bom – disse Andre alegrem ente, levantando a arm a. Ele tinha um a estaca na outra m ão, eu vi. Não queria ficar por perto para ver com o Andre faria o negócio.

Atravessei o gram ado com m eus sapatos de noite verdes.

Incrivelm ente, eles ainda estavam intactos. De fato, os sapatos estavam bem m elhores que m eu tornozelo, que Flor de Jade m achucou seriam ente.

Com ecei a m ancar depois de dar os prim eiros dez passos.

— Cuidado com o leão – exclam ou a rainha, e eu olhei para trás para ver que Andre a carregava para fora do prédio. Im aginei de que lado o leão estaria. Então o enorm e felino apareceu bem na m inha frente. Num m inuto, m inha rota de fuga estava lim pa, no seguinte era barrada por um leão. As luzes de segurança externas estavam apagadas e, sob a lua cheia, a criatura parecia tão form osa e m ortífera que o m edo arrancou o ar de m eus pulm ões.

O leão fez um som baixo, gutural.

— Vá em bora – falei. Eu não possuía absolutam ente nada para com bater o leão, e estava no fim das forças. – Vá em bora! – gritei. – Saia daqui!

E ele se enfiou nos arbustos.

Eu não acho que este sej a o com portam ento típico de um leão.

Talvez tenha farej ado o tigre se aproxim ando, porque alguns segundos m ais tarde, Quinn apareceu m ovendo-se com o um silencioso e enorm e sonho pela gram a. Quinn esfregou a cabeça em m im , e fom os até o m uro j untos.

Andre soltou a rainha e pulou no topo com graça e facilidade. Por sua rainha, ele afastou a cerca de aram e farpado com as m ãos nuas e a cobriu com o casaco rasgado. Então desceu e cuidadosam ente levantou Sophie-

Anne. Ele se preparou e então atravessou o m uro com um único salto.

— Bom , eu não consigo fazer isso – respondi e, m esm o para os m eus ouvidos, soei rabugenta. – Posso m e apoiar em suas costas? Vou tirar os saltos.

Quinn posicionou-se j unto ao m uro e eu prendi as tiras das sandálias no braço. Não queria m achucar o tigre colocando peso dem ais em suas costas, m as queria sair dali tam bém m ais do que qualquer outra coisa, só isso. Então, tentando pensar em coisas leves, equilibrei-m e nas costas do tigre e finalm ente consegui alcançar o topo do m uro. Olhei para baixo e pareceu um a longa distância até a calçada.

Depois de tudo que encarei naquela noite, parecia estúpido reclam ar de um a queda de alguns m etros. Mas sentei-m e no m uro, dizendo a m im m esm a que era um a idiota, por uns instantes. Então m e inclinei sobre a barriga, pendurei-m e tanto quanto consegui para alcançar o chão, contei alto, “Um , dois, três!” E caí.

Fiquei ali no chão por alguns m inutos, espantada com os acontecim entos da noite. Ali estava eu, deitada num a calçada da histórica Nova Orleans, com os peitos para fora do vestido, m eu cabelo desabando, as sandálias num braço, e com um enorm e tigre lam bendo m eu rosto.

Quinn havia pulado com relativa facilidade.

— Você acha que seria m elhor voltar com o um tigre ou um suj eito enorm e pelado? – perguntei ao tigre. – Porque, sej a com o for, você vai atrair algum a atenção. Pessoalm ente, eu acho que as chances de levar um tiro aum entariam se fosse um tigre.

— Isso não será necessário – disse um a voz, e Andre inclinou-se sobre m im . – Estou aqui com a rainha no carro dela, e levarem os vocês para onde quiserem ir.

— É m uito gentil de sua parte – respondi, enquanto Quinn com eçava a m udar para hum ano.

— Sua Maj estade sente que deve a você – disse Andre.

— Eu não vej o dessa form a – falei. Por que eu estava sendo tão franca agora? Será que sim plesm ente não conseguia m anter a boca fechada? – Afinal, se eu não tivesse encontrado o bracelete e devolvido, o rei teria...

— Com eçado a guerra de qualquer form a esta noite – Andre disse, m e aj udando a levantar. Ele estendeu a m ão e, de m odo bem im pessoal, cobriu m eu seio direito com o escasso tecido verde-lim ão. – Ele teria acusado a rainha de rom per o lado dela do contrato, que diz que todos os presentes devem ser usados em honra à sim bologia do casam ento. Ele processaria a rainha e ela teria perdido quase tudo, além de ser desonrada.

Ele estava pronto para agir de qualquer m odo, m as quando a rainha m ostrou o segundo bracelete, ele partiu para a violência. Ra Shawn desencadeou-a, decapitando Wy bert por ter colidido com ele. – Ra Shawn devia ser o nom e de Dreadlock, assum i.

Eu não tinha certeza de ter entendido tudo, m as estava igualm ente certa de que Quinn poderia m e explicar num m om ento em que eu tivesse m ais células cerebrais disponíveis para a inform ação.

— Ele ficou tão desapontado quando viu que ela tinha o bracelete! E era o bracelete exato! – Andre disse alegrem ente. Estava se tornando um cam arada falante, esse Andre. Ele m e aj udou a entrar no carro.

— Onde estava? – perguntou a rainha, estendida sobre um dos bancos. O sangram ento tinha parado, e apenas o m odo com o apertava os lábios indicava a dor que sentia.

— Estava na lata de café que parecia selada – respondi. – Hadley realm ente possuía habilidades m anuais; ela abriu a lata m uito cuidadosam ente, enfiou o bracelete lá dentro e fechou de novo com cola. – Havia m uito m ais para explicar, sobre o Sr. Cataliades, Gladiola e Flor de Jade, m as eu estava cansada dem ais para oferecer inform ação.

— Com o você conseguiu passar pela revista? – perguntou a rainha. – Tenho certeza que os seguranças estavam verificando.

— Eu tinha parte do bracelete debaixo da atadura – falei. – Mas o diam ante era algo bem diferente, então tive que im provisar. Coloquei-o dentro de um absorvente interno. A vam pira que fez a busca não pensou em exam inar o tam pão e realm ente não sabia com o funcionava, j á que não tinha m enstruação há séculos.

— Mas foi rem ontado – disse a rainha.

— Oh, fui ao toalete das senhoras depois que tive m inha bolsa revistada. Eu tinha um pequeno tubo de supercola tam bém .

A rainha parecia não saber o que dizer. — Obrigada – ela falou, após um a longa pausa. Quinn havia em barcado no banco de trás conosco, nu, e eu m e inclinei contra ele. Andre ocupou o banco do m otorista, e nós partim os.

Ele nos deixou no pátio. Am elia encontrava-se sentada num a cadeira sobre a calçada, com um cálice de vinho na m ão. Quando surgim os, ela largou o copo m uito cuidadosam ente no chão e nos olhou dos pés à cabeça.

— Okay, não sei com o reagir – ela disse, por fim . O grande carro saiu do pátio com Andre levando a rainha para algum esconderij o seguro.

Eu não perguntei, porque não queria saber.

— Eu te conto am anhã – falei. – O cam inhão de m udanças estará aqui am anhã à tarde, e a rainha m e prom eteu pessoal para carregar e dirigir.

Eu tenho que voltar para Bon Tem ps.

A perspectiva de voltar para casa parecia tão doce que eu podia sentila na língua.

— Então, você tem m uito que fazer em casa? – perguntou Am elia, enquanto Quinn e eu com eçávam os a subir as escadas. Im aginei que ele pudesse dorm ir na m esm a cam a. Am bos estávam os cansados dem ais para fazer algo; aquela não era a noite para iniciar um relacionam ento, se é que j á não tinha com eçado um . Talvez sim .

— Bom , tenho um bocado de casam entos para ir – respondi. – Tenho que voltar ao trabalho tam bém .

— Tem um quarto de hóspedes vazio?

Eu parei na m etade do cam inho das escadas. — Posso ter. Você precisa de um ?

Era difícil dizer sob a luz fraca, m as Am elia parecia em baraçada.

— Eu tentei algo novo com Bob – ela disse. – E não funcionou exatam ente bem .

— Onde ele está? – perguntei. – No hospital?

— Não, bem aqui – disse. Ela estava apontando para um anão de j ardim .— Me diga que você está brincando – falei.

— Estou brincando – ela respondeu. – Este é o Bob. – Ela pegou um enorm e gato preto com peito branco que estava aconchegado num plantador vazio. Eu nem m esm o o tinha notado. – Ele não é lindo?

— Claro, traga-o j unto – falei. – Eu sem pre gostei de gatos.

— Docinho – disse Quinn. – Fico feliz por ouvi-la dizer isso. Eu estava cansado dem ais para m udar por com pleto.

Pela prim eira vez, eu realm ente olhei para Quinn. Agora ele tinha um a cauda.

— Você definitivam ente vai dorm ir no chão – respondi.

— Ah, docinho.

— Estou falando sério. Am anhã você será capaz de voltar a ser hum ano, certo?

— Com certeza. Eu m udei várias vezes ultim am ente. Só preciso de um descanso.

Am elia olhava para a cauda com olhos arregalados.

— Te vej o am anhã, Sookie – ela disse. – Vam os fazer um a pequena viagem . E então eu vou ficar com você por um tem po!

— Vam os nos divertir m uito – respondi cansada, cam baleando pelo resto do cam inho e m e sentindo profundam ente feliz por ter guardado a chave da porta dentro da calcinha. Quinn estava cansado dem ais para m e assistir recuperá-la. Deixei os retalhos do vestido caírem de volta no lugar enquanto destrancava a porta. – Muita diversão.

Mais tarde, depois que tom ei banho e enquanto Quinn estava no banheiro, eu ouvi um a batida fraca na porta. Eu estava suficientem ente decente em m inhas calças de pij am a e regata. Apesar de querer ignorar m ais do que tudo, eu atendi a porta.

Bill parecia m uito bem para alguém que participou de um a guerra. O sm oking nunca m ais seria funcional de novo, m as ele não estava sangrando e quaisquer cortes que tivesse sofrido j á tinham se curado.

— Eu tenho que falar com você – disse, e sua voz era tão baixa e fraca que eu saí do apartam ento. Sentei-m e no chão da galeria, e ele sentou com igo. – Você tem que m e deixar falar isto, apenas dessa vez – continuou.

– Eu te am ei. Eu te am o. – Levantei a m ão para protestar, e ele disse: – Não, m e deixe term inar. Ela m e m andou para lá, verdade. Mas quando a conheci— depois que vim a conhecê-la— eu realm ente... te am ei.

Quanto tem po depois de ter m e levado para a cam a esse suposto am or surgiu? Com o eu poderia sim plesm ente acreditar nele, j á que m entiu tão convincentem ente desde o prim eiro m om ento em que o conheci— fingindo desinteresse porque percebia m eu fascínio pelo prim eiro vam piro que encontrei?

— Eu arrisquei m inha vida por você – respondi, as palavras surgindo em seqü.ncia hesitante. – Dei poder a Eric sobre m im para sem pre, por sua causa, quando aceitei o sangue dele. Eu m atei alguém por você. Isso não é algo que considero leviano, m esm o que você pense assim ... m esm o que sej a experiência diária para você. Não é para m im . Não sei se posso não odiá-lo. Eu m e levantei, lenta e dolorosam ente, e para m eu alívio ele não com eteu o erro de tentar m e aj udar. — Você provavelm ente salvou m inha vida esta noite – eu disse, olhando para ele. – E o agradeço por isso. Mas não venha m ais ao Merlotte’s, não fique peram bulando em m inha floresta e não faça m ais nada por m im . Não quero vê-lo novam ente.

— Eu te am o – ele disse obstinadam ente, com o se esse fato fosse tão incrível e um a verdade tão inegável que eu devia acreditar. Bom , eu acreditei, e vej a onde aquilo m e levou.

— Essas palavras não são um a fórm ula m ágica – respondi. – Elas não vão abrir m eu coração para você.

Bill tinha m ais de cento e trinta anos, m as naquele m om ento eu senti que poderia igualá-lo. Arrastei-m e para dentro, fechei a porta e tranquei-a, forçando-m e a seguir pelo corredor até o quarto.

Quinn estava se secando e virou-se para m e m ostrar o traseiro m usculoso.

— Sem pelo – disse. – Posso com partilhar a cam a?

— Sim – falei e subi. Ele deitou do outro lado e adorm eceu trinta segundos depois. Após um m inuto ou dois, eu deslizei pela cam a e recostei m inha cabeça em seu peito.

Ouvi as batidas de seu coração.