Definitivamente Morto

Charlaine Harris · Capítulo 2 de 25

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Definitivamente Morto

Capítulo 1

EU ESTAVA PENDURADA nos braços de um dos hom ens m ais bonitos que j á vi, e ele m e encarava nos olhos.

— Pense em ... Brad Pitt – sussurrei. Os olhos castanho-escuros ainda m e olhavam com interesse rem oto.

Okay , eu estava na trilha errada.

Recordei o últim o am ante de Claude, um leão-de-chácara num clube de strip-tease.

— Pense em Charles Bronson – sugeri. – Ou, hm m , Edward Jam es Olm os. – Fui recom pensada com o início de um brilho quente nos olhos de pestanas longas.

Num instante, você pensaria que Claude levantaria m inha longa saia farfalhante e arrancaria o corpete decotado para m e atacar até que eu suplicasse por m isericórdia. Infelizm ente para m im – e para todas as outras m ulheres da Louisiana – Claude j ogava em outro tim e. Loiras peitudas não eram o ideal de Claude, m as suj eitos durões e m ásculos, com talvez um pouco de barba por fazer, eram quem acendiam seu fogo.

— Maria-Star, vá até lá e puxe aquela m echa de cabelo para trás – Alfred Cum berland orientou por trás da câm era.

O fotógrafo era um negro corpulento com cabelos e bigodes grisalhos. Maria-Star Cooper deu um ligeiro passo em frente à câm era para arrum ar a m echa de m eus longos cabelos louros. Eu estava inclinada contra o braço direito de Claude, m inha m ão esquerda invisível (para a câm era, de qualquer form a) desesperadam ente agarrada à parte de trás de sua j aqueta preta, m eu braço direito levantado para descansar gentilm ente sobre seu om bro esquerdo. Sua m ão esquerda estava em m inha cintura. Acho que a pose devia sugerir que ele estava m e deitando no chão para seguir adiante com igo.

Claude usava a j aqueta com calças pretas, m eias brancas e um a cam isa branca folgada. Eu estava usando um vestido azul longo com um a saia am pla e anáguas. Com o j á m encionei, o vestido era sum ário na parte de cim a, com m angas curtas abaixadas nos om bros. Estava contente pela tem peratura no estúdio estar m oderadam ente quente. O refletor (que aos m eus olhos parecia um satélite) não era tão quente quanto eu tinha esperado.

Al Cum berland fotografava enquanto Claude ardia em cham as com igo. Eu fiz m eu m elhor para retribuir. Minha vida pessoal vinha sendo, por assim dizer, árida nas últim as sem anas, então eu estava m ais do que pronta para arder. De fato, eu estava pronta para explodir em cham as.

Maria-Star, que tinha um a linda pele m orena e cabelos escuros cacheados, estava de pé, pronta com um enorm e estoj o de m aquiagem , pentes e escovas para fazer reparos de últim o m inuto. Quando Claude e eu chegam os ao estúdio, fiquei surpresa ao descobrir que conhecia a j ovem assistente do fotógrafo. Não via Maria-Star desde que o líder do bando de Shreveport havia sido escolhido sem anas atrás. Não tive m uita oportunidade de vê-la, j á que a com petição para líder foi assustadora e sangrenta. Hoj e, eu tive o prazer de ver que Maria,Star tinha se recuperado totalm ente após ter sido atropelada por um carro em Janeiro últim o.

Lobisom ens se curavam rápido.

Maria-Star m e reconheceu tam bém , e fiquei aliviada quando ela retribuiu m eu sorriso. Minha situação com o bando de Shreveport era, no m ínim o, incerta. Sem ter exatam ente m e oferecido, eu sem querer tive um a participação na desastrosa disputa para o em prego de líder do bando. O filho de um dos com petidores, Alcide Herveaux, que eu achava ser talvez m ais do que um am igo, sentiu que eu o deixei na m ão durante a com petição; o novo líder, Patrick Furnan, sabia que eu possuía laços com a fam ília Herveaux. Fiquei surpresa quando Maria-Star bateu papo com igo enquanto abotoava m eu vestido e escovava m eus cabelos. Ela aplicou m ais m aquiagem do que j á usei na vida, m as quando olhei no espelho, tive que agradecer. Eu estava ótim a, em bora não m e parecesse com Sookie Stackhouse.

Se Claude não fosse gay, ele teria ficado im pressionado tam bém . Ele é irm ão de m inha am iga Claudine, e trabalha com o stripper na noite das m ulheres no Hooligan’s, um clube da qual agora é o dono. Claude é sim plesm ente de dar água na boca; um m etro e oitenta de altura, cabelos pretos ondulados e grandes olhos castanhos, um nariz perfeito e lábios cheios. Ele m antém os cabelos com pridos para esconder as orelhas; elas foram cirurgicam ente alteradas para parecerem arredondadas com o orelhas hum anas, não ponttdas com o no original. Se você estiver por dentro do m undo sobrenatural, vai conseguir ver a cirurgia na orelha, e saberá que Claude é um a fada. Não estou usando o term o pej orativo para sua orientação sexual. Quero dizer literalm ente; Claude é um a fada.

— Agora o ventilador – Al instruiu Maria-Star e, depois de um pequeno reposicionam ento, ela ligou o aparelho. Agora parecíam os estar parados num vendaval. Meu cabelo esvoaçou num a cortina loira, em bora o rabo de cavalo preso de Claude perm anecesse no lugar. Depois de algum as fotos para capturar aquela pose, Maria-Star soltou os cabelos de Claude e os aj eitou em seu om bro, para que soprassem para frente e form assem um pano de fundo para seu perfil perfeito.

— Maravilhoso – disse Al, tirando m ais um a foto. Maria-Star m oveu a m áquina algum as vezes, fazendo o vento soprar em direções diferentes.

Finalm ente, Al disse que eu podia m e levantar. Eu m e endireitei agradecida.

— Espero não ter forçado m uito o seu braço – falei para Claude, que parecia calm o e controlado novam ente.

— Não, sem problem a. Vocês têm suco de fruta por aqui? – ele perguntou a Maria-Star. Claude não era o Sr. Boas Maneiras.

A bela Lobi apontou para um a pequena geladeira no canto do estúdio.

— Os copos estão em cim a – disse a Claude. Ela o seguiu com os olhos e suspirou. As m ulheres frequentem ente faziam isso depois de realm ente conversarem com Claude. Era um suspiro de “que pena”.

Após verificar para ter certeza de que seu chefe ainda estava entretido com o equipam ento, Maria-Star m e deu um sorriso brilhante.

Mesm o ela sendo um a Lobi, o que fazia seus pensam entos serem difíceis de ler, eu estava notando o fato de que ela queria m e dizer algo... e não tinha certeza de com o eu ia reagir.

Telepatia não é divertida. Sua opinião sobre si m esm o sofre quando se sabe o que os outros pensam de você. E telepatia quase a im possibilita de sair com caras norm ais. Pense só (E lem bre-se, eu vou saber – se você é ou não).

— Alcide passou por m aus bocados desde que o pai foi derrotado – Maria-Star disse, m antendo a voz baixa.

Claude estava ocupado se exam inando num espelho enquanto bebia seu suco. Al Cum berland atendera um a cham ada no celular e se retirara para o escritório para conversar.

— Tenho certeza que sim – falei. Já que o oponente de Jackson Herveaux o m atou, era esperado que o filho de Jackson estivesse em seus altos e baixos. – Mandei um m em orial para o ASPCA, e sei que eles vão inform ar Alcide e Janice – respondi (Janice era a irm ã m ais nova de Alcide, o que a fazia um a não-Lobi. Me perguntei com o Alcide explicou a m orte do pai para a irm ã). Em reconhecim ento, recebi um cartão im presso de agradecim ento, do tipo que se ganha em funerais caseiros, sem nenhum a nota pessoal escrita.

— Bom ... – ela parecia incapaz de botar para fora o que quer que estivesse preso em sua garganta. Eu estava recebendo um brilho fugaz do teor. A dor m e atravessou com o um a faca, então a reprim i e m e revesti de orgulho. Aprendi a fazer tudo isso m uito cedo na vida.

Peguei um álbum de am ostras do trabalho de Alfred e com ecei a folheá-lo, m al olhando para as fotografias de noivas e noivos, bar m itzvahs, prim eiras com unhões, bodas de casam ento. Fechei o álbum e larguei-o. Eu estava tentando parecer casual, m as não acho que funcionou.

Com um brilhante sorriso que ecoava a expressão de Maria-Star, falei: — Alcide e eu não form ávam os um casal de verdade, você sabe. – Posso ter tido desej os e esperanças, m as eles nunca tiveram chance de se realizar. O m om ento nunca pareceu apropriado.

Os olhos de Maria-Star, bem m ais claros do que os de Claude, arregalaram -se de espanto. Ou era m edo?

— Ouvi dizer que você conseguia fazer isso – ela disse. – Mas é difícil de acreditar.

— É – respondi fracam ente. – Bem , fico feliz por você e Alcide estarem saindo e eu não tenho o direito de m e im portar, se for o caso. E não m e im porto. – Aquilo saiu m eio distorcido (e não era com pletam ente verdade), m as acho que Maria-Star entendeu a intenção: salvar m eu orgulho.

Quando não tive notícias de Alcide nas sem anas após a m orte do pai, eu soube que quaisquer sentim entos que ele nutrisse por m im haviam se apagado. Foi um golpe, m as não fatal. Realisticam ente, não esperei nada por parte de Alcide. Mas, m aldição, eu gostava dele e é sem pre doloroso quando se descobre que você foi substituída com aparente facilidade.

Afinal, antes da m orte do pai, Alcide sugerira que fôssem os m orar j untos.

Agora ele estava transando com esta j ovem Lobi, talvez planej ando ter filhotes com ela.

Reprim i aquela linha de pensam ento im ediatam ente. Que vergonha!

Não havia necessidade de agir com o um a cadela (o que, pensando bem , Maria-Star de fato era, pelo m enos três noites por m ês).

Dupla vergonha.

— Espero que sej am felizes – falei.

Sem palavras ela m e passou outro álbum , apenas com “OLHOS”

estam pado. Quando abri, eu percebi que os Olhos eram sobrenaturais. Eram fotografias de cerim ônias que hum anos nunca veriam ... um casal vam piro vestido em traj es elaborados, posando diante de um Ankh gigante; um rapaz se transform ando num urso, provavelm ente pela prim eira vez; a im agem de um a m atilha de Lobis com todos os seus m em bros em form a de lobo. Al Cum berland, fotógrafo do estranho. Não era de se adm irar que tivesse sido a prim eira escolha de Claude para suas fotografias, que ele esperava o lançariam num a carreira de m odelo.

— Próxim a tom ada – gritou Al, enquanto se lançava para fora do escritório, desligando o telefone. – Maria-Star, nós acabam os de ser agendados para um duplo casam ento perto da propriedade da Srta.

Stackhouse. – Im aginei se ele foi contratado para um trabalho hum ano norm al ou um evento sobrenatural, m as seria indelicado perguntar.

Claude e eu voltam os ao trabalho novam ente. Seguindo as instruções de Al, eu puxei a saia para m ostrar as pernas. Na época que m eu vestido representava, eu não acho que as m ulheres se bronzeavam ou raspavam as pernas, e eu era m orena e m acia com o bunda de nenê. Mas e daí? Os caras provavelm ente não andavam por aí com suas cam isas desabotoadas tam bém .

— Levante sua perna com o se fosse envolvê-lo com ela – Alfred instruiu. – Agora, Claude, esta é sua chance de brilhar. Aj a com o se fosse arrancar suas calças a qualquer instante. Querem os que as leitoras ofeguem quando olharem para você!

O álbum de fotografias de Claude seria usado quando ele entrasse no concurso de Sr. Rom ance, organizado todo ano pela revista Rom antic Tim es Bookclub.

Quando ele com partilhou sua am bição com Al (soube que eles se conheceram num a festa), Al aconselhou Claude a tirar algum as fotos com o tipo de m ulher que frequentem ente aparecia nas capas dos rom ances; disse que a aparência m orena de Claude contrastaria m elhor com um a loira de olhos azuis. Acontece que eu era a única loira peituda conhecida de Claude que estava disposta a fazer o trabalho de graça. Claro, Claude conhecia algum as strippers que fariam isso, m as elas esperavam ser pagas. Com sua diplom acia habitual, Claude m e contou isso quando estávam os a cam inho do estúdio fotográfico. Ele poderia ter guardado aqueles detalhes para si m esm o, o que m e faria sentir m elhor por aj udar o irm ão de m inha am iga— m as era bem típico de Claude com partilhar.

— Okay , Claude, agora tire a cam isa – disse Alfred.

Claude estava acostum ado com o fato de pedirem que tirasse suas roupas. Ele tinha peito largo, sem pelos, com um a m usculatura im ponente, então parecia ótim o de fato sem cam isa. Eu não m e im pressionei. Talvez estivesse ficando im une.

— Saia, perna – Alfred m e lem brou, e eu disse a m im m esm a que aquilo era apenas um trabalho. Al e Maria-Star certam ente eram profissionais e im pessoais, e seria im possível se sentir afetada por Claude.

Mas eu não estava acostum ada a levantar m inha saia na frente das pessoas, e parecia bem pessoal para m im . Em bora eu m ostrasse as pernas quando usava shorts e nunca tivesse ficado em baraçada por isso, de algum m odo aquela levantada estava carregada com um pouquinho m ais de sexualidade.

Apertei os dentes e levantei o tecido, arrum ando de vez em quando para que ficasse no lugar.

— Srta. Stackhouse, você tem que parecer estar desfrutando disso – respondeu Al. Ele m e perscrutou por cim a da câm era, a testa enrugada de um m odo definitivam ente infeliz.

Tentei não ficar aborrecida. Eu disse a Claude que lhe faria um favor, e favores deviam ser feitos com boa vontade. Levantei a perna para que m inha coxa se alinhasse com o chão, e aj eitei os pés descalços no que eu esperava que fosse um a posição elegante. Coloquei am bas as m ãos sobre os om bros nus de Claude e o encarei. A pele dele era quente e m acia ao toque— nada erótico ou insinuante.

— Você parece entediada, Srta. Stackhouse – Alfred disse. – Deve parecer que quer devorá-lo. Maria-Star, faça-a parecer m ais... m ais.

Maria se aproxim ou rapidam ente para abaixar as pequenas m angas bufantes do vestido. Ela se entusiasm ou um pouco dem ais e eu fiquei feliz pelo corpete ser apertado. A questão era que Claude podia parecer lindo e nu o dia todo e, ainda assim , eu não o desej aria. Ele era rabugento e tinha péssim as m aneiras. Mesm o se fosse hetero, não seria a m anteiga do m eu pão— após dez m inutos de conversa.

Assim com o Claude fez antes, eu tive que recorrer à fantasia.

Pensei no Vam piro Bill, m eu prim eiro am or em todos os sentidos.

Mas ao invés de luxúria, senti raiva. Bill estava saindo com outra m ulher há várias sem anas.

Certo, que tal Eric, chefe de Bill e antigo Viking? Eric o vam piro com partilhou de m inha casa e m inha cam a por alguns dias em j aneiro. Não, aquilo significava perigo. Eric conhecia um segredo que eu queria m anter escondido pelo resto da vida; m as, desde que teve am nésia quando ficou em m inha casa, ele não tinha consciência de que isso estava em algum lugar de sua m em ória.

Alguns outros rostos surgiram em m inha m ente— m eu chefe, Sam Merlotte, dono do Bar Merlotte’s. Não, de j eito nenhum , pensar em seu chefe pelado é ruim . Certo, Alcide Herveaux? Nem pensar, isso era um sinal de pare, especialm ente agora que eu estava na com panhia de sua atual nam orada... Okay , m eu m aterial de fantasia j á tinha acabado e eu teria que recorrer aos velhos favoritos da ficção. Mas estrelas de cinem a pareciam sem graça se com parados ao m undo sobrenatural que conheci desde que Bill entrou no Merlotte’s.

A últim a experiência rem otam ente erótica que tive, francam ente esquisita, envolvia m inha perna sangrando sendo lam bida. Aquilo foi...

inquietante. Mas m esm o sob essas circunstâncias, fez algo bem lá no fundo reagir. Lem brei de com o a cabeça calva de Quinn se m oveu enquanto ele lim pava o arranhão de um m odo bem pessoal, o aperto firm e dos dedos grandes e quentes em m inha perna...

— É isso aí – disse Alfred, com eçando a tirar as fotos. Claude colocou a m ão sobre m inha coxa quando sentiu m eus m úsculos com eçarem a trem er pelo esforço de m anter a pose. Mais um a vez, um hom em havia tom ado posse de m inha perna. Claude apertou m inha coxa o suficiente para dar algum apoio. Aquilo aj udou consideravelm ente, m as não era nem um pouco erótico.

— Agora algum as poses na cam a – Al disse, j usto quando eu decidi que não conseguiria agüentar m ais.

— Não – Claude e eu respondem os j untos.

— Mas é parte do pacote – falou Al. – Não precisam se despir, sabe.

Eu não faço esse tipo de foto. Minha m ulher m e m ataria. Vocês só se deitam na cam a com o estão. Claude se apóia num cotovelo e olha para você, Srta. Stackhouse.

— Não – respondi com firm eza. – Tire algum as fotos dele sozinho de pé na água. Seria m elhor.

Havia um a fonte falsa num canto e fotos de Claude, aparentem ente nu e com água pingando do peito, seriam extrem am ente atraentes (para qualquer m ulher que não o conhecesse de fato).

— O que você acha, Claude? – Al perguntou.

O narcisism o de Claude falou m ais alto.

— Acho que seria ótim o, Al – disse, tentando não soar entusiasm ado dem ais. Corri para o vestiário, louca para arrancar o traj e e vestir m eus velhos j eans. Procurei um relógio. Eu estava escalada para trabalhar às cinco e m eia e tinha que dirigir de volta para Bon Tem ps a fim de pegar m eu uniform e antes de ir para o Merlotte’s.

— Obrigado, Sookie – Claude gritou.

— Certo, Claude. Boa sorte com o contrato de m odelo. – Mas ele j á estava se adm irando no espelho.

Maria-Star m e viu saindo.

— Tchau, Sookie. Foi bom vê-la novam ente.

— Você tam bém – m enti. Mesm o através da m ente caótica e enevoada de um a Lobi, podia ver que Maria-Star não entendia por que eu desistiria de Alcide. Afinal, o Lobi era bonitão de um m odo rústico, um a com panhia divertida, e um heterossexual convicto de sangue quente. Além disso, agora ele possuía sua própria em presa de vistoria e era bem sucedido pelos próprios m éritos.

A resposta pipocou em m inha cabeça e eu falei sem pensar.

— Alguém ainda está procurando por Debbie Pelt? – perguntei, do m esm o m odo com o se cutuca um dente cariado. Debbie foi nam orada de altos e baixos de Alcide por um longo tem po. De m ão cheia.

— Não as m esm as pessoas – respondeu Maria-Star. Sua expressão se anuviou. Maria-Star não gostava de pensar em Debbie tanto quanto eu, em bora sem dúvida fosse por razões diferentes. – Os detetives que a fam ília Pelt contratou desistiram , disseram que estariam roubando da fam ília se continuassem . Foi o que eu ouvi. A polícia não afirm ou exatam ente, m as chegaram a um beco sem saída tam bém . Eu encontrei os Pelts só um a vez, quando vieram a Shreveport logo depois que Debbie desapareceu. É um casal bem selvagem .

Pisquei. Aquela era um a afirm ação bem drástica, vinda de um a Lobi.

— Sandra, a filha deles, é a pior. Ela era louca por Debbie e, pelo bem dela, ainda estão consultando pessoal, gente de fora. Quanto a m im , acho que Debbie foi seqüestrada. Ou talvez tenha se m atado. Quando Alcide a renegou, talvez tenha perdido a cabeça.

— Talvez – m urm urei, sem convicção.

— Ele está m elhor sem ela. Espero que continue desaparecida – disse Maria-Star.

Minha opinião teria sido igual, m as ao contrário de Maria-Star, eu sabia exatam ente o que havia acontecido com Debbie; foi a razão para que eu e Alcide nos separássem os.

— Espero que ele nunca m ais a vej a de novo – Maria-Star disse, o rosto bonito e som brio m ostrando um pouco de seu próprio lado selvagem .

Alcide podia estar saindo com Maria-Star, m as não confiava nela totalm ente. Ele sabia com certeza que nunca m ais veria Debbie novam ente.

E aquilo era culpa m inha, certo?

Eu a m atei a tiros.

Eu m eio que fiquei em paz com o ato, m as a verdade nua e crua continuava surgindo de volta. Não há com o você m atar alguém e conseguir sair da experiência sem m udar. As conseqü.ncias alteram sua vida.

Dois padres entram num bar.

Soa com o a abertura de um m ilhão de piadas. Mas estes padres não têm um canguru com eles, e não há um rabino sentado no bar, tam pouco um a loura. Já vi um bocado de louras, um canguru no zoológico e nenhum rabino. Mas j á vi estes dois padres várias vezes antes. Eles têm um com prom isso m arcado para j antarem j untos toda sem ana.

Padre Dan Riordan, barbeado e corado, era o padre católico que vinha à pequena igrej a de Bon Tem ps um a vez por sem ana aos sábados para celebrar a m issa, e Padre Kem pton Littrell, pálido e barbudo, era o padre episcopal que m inistrava a Sagrada Eucaristia na m inúscula igrej a episcopal em Clarice a cada duas sem anas.

— Olá, Sookie – Padre Riordan disse. Ele era irlandês; irlandês de verdade, não apenas um descendente. Eu adorava ouvi-lo falar. Ele usava óculos de lentes grossas e aros pretos e estava na casa dos quarenta.

— Boa noite, Padre. E olá, Padre Littrell. O que posso servir para vocês?

— Eu gostaria de um scotch com gelo, Srta. Sookie. E você, Kem pton?

— Ah, eu só quero um a cervej a. E um a cesta de tiras de frango, por favor. – O sacerdote episcopal usava óculos de aros dourados e era m ais j ovem que o Padre Riordan. Ele possuía um coração consciencioso.

— Claro. – Eu sorri para os dois. Já que conseguia ouvir seus pensam entos, eu sabia que am bos eram genuinam ente bons hom ens e aquilo m e deixava feliz. É sem pre desconcertante ouvir o teor da m ente dos sacerdotes e descobrir que não são m elhores que você, não só isso, eles não estão tentando ser.

Com o j á estava escuro lá fora, eu não fiquei surpresa quando Bill Com pton entrou. Não podia dizer o m esm o quanto aos padres. As igrej as da Am érica ainda não aceitavam a realidade dos vam piros. Cham ar suas políticas de confusas era o m ínim o. A Igrej a Católica estava, nesse m om ento, realizando um a convocação para decidir se a igrej a declararia todos os vam piros condenados e um anátem a aos católicos, ou os aceitaria no rebanho com o potenciais convertidos. A Igrej a Episcopal votara contra aceitar vam piros com o sacerdotes, em bora eles pudessem fazer a com unhão— m as um a fatia substancial do clero dissera que isto aconteceria sobre seus cadáveres. Infelizm ente, a m aioria deles não com preendia o quanto isso era possível.

Am bos os padres observaram descontentes enquanto Bill m e dava um rápido beij o no rosto e sentava-se em sua m esa favorita. Bill m al lhes lançou um olhar, m as desdobrou seu j ornal e com eçou a ler. Ele sem pre parecia sério, com o se estivesse estudando as páginas financeiras ou notícias do Iraque; m as eu sabia que ele lia a coluna de aconselham ento prim eiro e então os quadrinhos, apesar de frequentem ente não entender as piadas. Bill estava sozinho, o que era um a boa m udança. Norm alm ente ele trazia a adorável Selah Pum phrey. Eu a detestava. Já que Bill foi m eu prim eiro am or e o prim eiro am ante, talvez nunca o superasse por com pleto.

Talvez ele não quisesse que eu fizesse isso. Ele parecia arrastar Selah para o Merlotte’s a cada encontro que tinham . Eu im aginava que ele estava a esfregando em m inha cara. Não é exatam ente o que alguém faz se não se im porta m ais, não é?

Sem ele ter que pedir, levei sua bebida favorita, TrueBlood tipo O.

Coloquei-a habilm ente na frente dele sobre um guardanapo e m e virei para deixá-lo quando um a m ão fria tocou m eu braço. Seu toque sem pre m e afetava; talvez sem pre fosse assim . Bill sem pre deixou claro que eu o excitava e, após um a vida toda sem relacionam entos ou sexo, com ecei a m e orgulhar quando ele m ostrava que m e considerava atraente. Outros hom ens com eçaram a olhar para m im com o se eu tivesse m e tornado m ais interessante tam bém . Agora eu sabia por que as pessoas pensavam tanto em sexo; Bill m e dera um a educação esm erada.

— Sookie, fique um instante. – Encarei os olhos castanhos, que pareciam ainda m ais escuros no rosto branco de Bill. Seus cabelos eram castanhos tam bém , m acios e lustrosos. Ele era esbelto e tinha om bros largos, os braços duros m usculosos, com o os do fazendeiro que foi. – Com o tem passado?

— Estou bem – respondi, tentando não soar surpresa. Não era sem pre que Bill passava o tem po batendo papo; aquele não era seu ponto forte. Mesm o quando fom os um casal, ele não era o que se cham aria de conversador. E até um vam piro pode ser um workaholic; Bill tornara-se um aficionado por com putador. – As coisas estão bem para você?

— Sim . Quando você vai à Nova Orleans para reclam ar sua herança?

Agora eu fiquei realm ente atordoada (Isso é possível porque eu não consigo ler a m ente dos vam piros. É por isso que gosto tanto deles. É m aravilhoso estar com alguém que é um m istério para m im ). Minha prim a foi assassinada há quase seis sem anas atrás em Nova Orleans, e Bill estava com igo quando o em issário da Rainha da Louisiana veio m e contar... e entregar o assassino para que eu o j ulgasse.

— Acho que vou ver o apartam ento de Hadley talvez no m ês que vem . Ainda não falei com Sam sobre tirar alguns dias de licença.

— Sinto m uito que tenha perdido sua prim a. Você está de luto?

Eu não via Hadley há anos e teria sido m ais estranho ainda vê-la depois que se tornou um a vam pira. Mas sendo um a pessoa com poucos relacionam entos vivos, eu detestava perder m esm o um .

— Um pouco – respondi.

— Você não sabe quando pode ir?

— Eu não decidi. Lem bra-se do advogado dela, Sr. Cataliades? Ele disse que m e contaria quando o testam ento fosse lido. Ele prom eteu m anter o lugar intacto para m im e, quando o conselheiro da rainha lhe diz que o lugar ficará intacto, você tem que acreditar que perm anecerá intocado. Eu realm ente não estou m uito interessada, para dizer a verdade.

— Eu posso ir com você quando for à Nova Orleans, se não se im portar de ter um a com panhia para a viagem .

— Céus – falei, com um traço de sarcasm o. – Selah não vai se im portar? Ou você vai trazê-la tam bém ?

Aquela seria um a viagem alegre.

— Não. – E ele se fechou. Não se conseguia arrancar nada de Bill quando ele fechava a boca daquele j eito, eu sabia por experiência. Tudo bem , m e cham e de confusa.

— Eu te aviso – respondi, tentando entendê-lo. Em bora fosse doloroso estar na com panhia de Bill, eu confiava nele. Bill nunca m e causaria dano. E não deixaria ninguém fazer isso tam pouco. Mas existe m ais de um tipo de dano.

— Sookie – Padre Littrell m e cham ou e eu corri para atendê-lo.

Olhei para trás e vi Bill sorrindo, um pequeno sorriso com um bocado de satisfação por trás. Eu não tinha certeza do que aquilo significava, m as gostava de ver Bill sorrir. Talvez estivesse esperançoso em reviver nosso relacionam ento?

— Não tínham os certeza se você queria ser interrom pida ou não – disse Padre Littrell. Eu olhei para ele confusa.

— Ficam os um pouco preocupados ao vê-la socializando com o vam piro por tanto tem po e tão decididam ente – disse Padre Riordan. – O filho do inferno estava tentando enfeitiçá-la? – De repente, o sotaque irlandês não soou nem um pouco charm oso. Olhei para o Padre Riordan zom beteiram ente.

— Está brincando, certo? Você sabe que Bill e eu nam oram os por um bom tem po. Obviam ente, você não sabe m uito a respeito de filhos do inferno se acredita que Bill se parece com um – Eu tinha visto coisas m uito m ais som brias do que Bill em nossa tranqüila cidade de Bon Tem ps.

Algum as delas foram hum anas. – Padre Riordan, eu entendo m inha própria vida. Eu entendo a natureza dos vam piros m elhor do que você j am ais o fará.

Padre Littrell, – falei. – o senhor quer m ostarda de m el ou ketchup com suas tiras de frango?

O Padre Littrell escolheu m ostarda com um a expressão aturdida. Eu m e afastei, tentando desanuviar o pequeno incidente, im aginando o que os dois padres fariam se soubessem o que aconteceu neste bar há alguns m eses atrás, quando a clientela se j untou para m e livrar de alguém que estava tentando m e m atar. Já que esse alguém foi um vam piro, eles provavelm ente aprovariam .

Antes de ir em bora, Padre Riordan aproxim ou-se para “ter um a palavra” com igo.

— Sookie, eu sei que você não está m uito feliz com igo no m om ento, m as preciso lhe pedir algo em nom e de alguém . Se a deixei m enos disposta a ouvir por causa de m eu com portam ento, por favor, ignore isso e dê a essas pessoas a m esm a consideração que lhe seria dada.

Suspirei. Pelo m enos o Padre Riordan tentava ser um bom hom em .

Assenti relutantem ente.

— Boa garota. Um a fam ília em Jackson m e contatou...

Todos os m eus alarm es com eçaram a soar. Debbie Pelt era de Jackson.

— A fam ília Pelt, sei que j á ouviu falar deles. Ainda estão buscando notícias da filha que desapareceu em j aneiro. Debbie era o nom e dela. Eles m e ligaram porque o padre deles m e conhece, sabe que eu sirvo a congregação de Bon Tem ps. Os Pelts gostariam de vê-la, Sookie. Eles querem conversar com todos que viram a filha deles na noite em que desapareceu e tem em que, se aparecerem em sua porta, você pode não querer vê-los. Tem em que estej a zangada porque os detetives particulares que contrataram a entrevistaram , a polícia falou com você, e talvez você possa estar indignada a respeito de tudo isso.

— Eu não quero vê-los – respondi. – Padre Riordan, eu contei tudo que sabia – Isso era verdade. Só não contei à polícia ou aos Pelts. – Não quero m ais falar a respeito de Debbie. – Isso tam bém era verdade, realm ente verdade. – Diga-lhes que, com todo respeito, não há m ais nada a contar.

— Farei isso – ele respondeu. – Mas eu tenho que dizer, Sookie, estou desapontado.

— Bem , acho que foi um a noite ruim , afinal – falei. – Perder sua boa opinião e tudo m ais.

Ele partiu sem outra palavra, o que era exatam ente o que eu queria.