Definitivamente Morto

Charlaine Harris · Capítulo 10 de 25

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Definitivamente Morto

Capítulo 9

O PELO DO CACHORRO ficava na Kings Highway, não m uito distante do Centenary College. Era um velho arm azém de alvenaria. As enorm es j anelas defronte à rua eram cobertas por cortinas opacas crem e, notei, ao virarm os à esquerda do prédio para entrarm os por um beco que levava a um estacionam ento nos fundos.

Estacionam os no lote pequeno e abandonado. Apesar de m alilum inado, pude notar que o chão estava coberto de latas vazias, vidros quebrados, cam isinhas usadas e coisas piores. Havia várias m otocicletas, alguns poucos veículos com pactos caros, e um a ou duas Suburbans. A porta dos fundos possuía um letreiro que dizia PROIBIDA A ENTRADA— SOMENTE FUNCIONÁRIOS.

Em bora m eus pés definitivam ente com eçassem a protestar por causa dos saltos altos com os quais não estavam acostum ados, tivem os que cam inhar cuidadosam ente através do beco até a porta da frente. O frio descendo pela m inha espinha se intensificou quanto m ais chegávam os perto da porta. Então foi com o se eu tivesse batido contra um a parede, a m agia m e agarrou de repente. Eu parei no ato. Lutei para seguir em frente, m as não conseguia m e m exer. Eu sentia a m ágica. O Pelo do Cachorro havia sido enfeitiçado. Alguém pagou a um bruxo m uito bom um a bela som a em dinheiro para envolver a porta com um feitiço para repelir.

Eu lutei para resistir à com pulsão de dar as costas e ir em bora em outra direção, qualquer outra direção. Quinn deu alguns passos à frente e se virou, olhando-m e com algum a surpresa, até que percebeu o que estava acontecendo.

— Eu esqueci – disse, aquela m esm a surpresa soando em sua voz. – Realm ente esqueci que você é hum ana.

— Isto soa com o um elogio – falei com algum esforço. Mesm o com a noite fria, m inha testa estava m olhada de suor. Meu pé direito se m oveu alguns m ilím etros.

— Aqui – ele disse, m e envolvendo de m odo sem elhante a Rhett carregando Scarlett O’Hara. Assim que sua aura se enrolou ao m eu redor, a com pulsão desagradável de ir em bora dim inuiu. Soltei um profundo suspiro de alívio.

A m agia não conseguia m ais m e reconhecer com o hum ana, pelo m enos não decisivam ente. Em bora o bar ainda parecesse pouco atraente e levem ente repelente, eu podia entrar sem querer ficar doente. Talvez fosse efeito retardado do feitiço, m as depois que nós entram os, o bar ainda parecia pouco atraente e repelente.

Eu não diria que todas as conversas cessaram quando entram os, m as houve um a definitiva calm aria no barulho que enchia o bar. Um a j ukebox tocava “Bad Moon Rising”, que era com o o hino nacional dos Lobis, e a m ulticolorida coleção de Lobis e m etam orfos pareceu se reorientar.

— Hum anos não são perm itidos neste lugar! – Um a m oça saltou do balcão num m ovim ento m uscular e se aproxim ou. Ela usava m eias arrastão, botas de salto alto, um espartilho de couro verm elho— bom , um espartilho que desej ava ser feito de couro verm elho, provavelm ente era m ais parecido com napa— e um a tira preta de tecido que eu im aginei que ela cham ava de saia. Era com o se ela tivesse puxado um tubinho até em cim a, e então abaixado. Era tão apertado que achei que enrolaria para cim a im ediatam ente, com o um a persiana.

Ela não gostou do m eu sorriso, entendendo-o corretam ente com o um com entário sobre seu conj unto.

— Tire seu traseiro hum ano daqui – ela disse, rosnando. Infelizm ente, não soou tão intim idante, j á que ela não tinha qualquer prática em estabelecer am eaça, e eu senti m eu sorriso aum entar. A adolescente m alvestida tinha o controle de im pulso fraco dos Lobis m uito j ovens, e levantou o punho para m e socar.

Então Quinn grunhiu.

O som veio do fundo de seu estôm ago e era estrondoso, o som profundo penetrando em cada canto do bar. O bartender, um tipo m otoqueiro com barba, cabelo consideravelm ente com prido e tatuagens que cobriam os braços nus, estendeu as m ãos para baixo do balcão. Eu sabia que ele estava puxando um a espingarda.

Não pela prim eira vez, im aginei se não devia com eçar a andar arm ada aonde quer que eu fosse. Em m inha vida cum pridora das leis, eu nunca vi a necessidade até alguns m eses atrás. A j ukebox então parou de tocar e o silêncio do bar se tornou tão ensurdecedor quanto o barulho de antes.

— Por favor, não pegue a arm a – falei, sorrindo brilhantem ente para o bartender. Pude sentir o estiram ento dos lábios, aquele sorriso radiante dem ais que m e fazia parecer m eio louca. – Viem os em paz – acrescentei, num im pulso m aluco, m ostrando as m ãos vazias.

Um m etam orfo sentado no balcão riu um latido agudo de diversão aturdida. A tensão com eçou a partir um a noz. A m oça baixou a m ão e deu um passo para trás. Seu olhar deslizou de Quinn para m im e vice-versa. As m ãos do bartender estavam à vista agora.

— Olá, Sookie – disse um a voz fam iliar. Am anda, a Lobi ruiva que conduzira a Dra. Ludwig no dia anterior, encontrava-se sentada num a m esa em um canto escuro (na verdade, o lugar parecia cheio de cantos escuros).

Com Am anda, havia um hom em robusto de trinta e poucos anos.

Am bos estavam com drinques e tigelas de salgadinhos. Possuíam com panhia à m esa, um casal sentado de costas para m im . Quando se viraram , eu reconheci Alcide e Maria-Star. Eles se viraram cautelosam ente, com o se qualquer m ovim ento súbito pudesse desencadear violência. O cérebro de Maria-Star era um a m istura colorida de ansiedade, orgulho e tensão. Já Alcide era contraditório. Ele não sabia com o se sentir.

Então éram os dois.

— Oi, Am anda – eu disse, m inha voz tão alegre quanto o sorriso.

Aquilo não serviria para o silêncio acum ulado.

— Estou honrada por ter o legendário Quinn em m eu bar – Am anda disse, e eu percebi que, quaisquer que fossem seus outros em pregos, ela era dona do Pelo do Cachorro. – Vocês dois saíram para um a noite na cidade ou existe algum a razão especial para a visita?

Já que não tinha ideia do por que estávam os ali, eu tive que m e virar para Quinn por um a resposta, o que não m e fez parecer m uito bem , em m inha opinião.

— Existe um a razão m uito boa, em bora tenha desej ado visitar seu bar há tem pos – Quinn disse num estilo cortês e form al que surgiu do nada.

Am anda inclinou a cabeça, o que pareceu ser um sinal para Quinn continuar.

— Esta noite, m inha com panhia e eu fom os atacados num local público, com civis ao redor.

Ninguém pareceu realm ente aborrecido ou espantado com isso. De fato, Srta. Desafio-da-Moda encolheu os om bros nus e m agros.

— Fom os atacados por Lobis – disse Quinn.

Agora conseguim os um a grande reação. Cabeças e m ãos se m exeram , e então ficaram im óveis. Alcide levantou-se parcialm ente e então sentou de novo.

— Lobis do bando Presas Longas? – Am anda perguntou. Sua voz era incrédula.

Quinn deu de om bros.

— O ataque foi para m atar, então eu não parei para fazer perguntas.

Am bos eram Lobis j ovens m ordidos e, pelo com portam ento, eles estavam drogados.

Mais reações chocadas. Estávam os criando sensação.

— Você se m achucou? – Alcide m e perguntou, com o se Quinn não estivesse ali.

Inclinei a cabeça para trás para que m eu pescoço ficasse visível. Eu não estava m ais sorrindo. Por agora, os hem atom as deixados pelas m ãos do garoto estariam bem escuros. E eu estava pensando m uito.

— Com o am iga do bando, eu não esperava que algo m e acontecesse aqui em Shreveport – falei. Achava que m inha posição com o am iga do bando não havia m udado com o novo regim e ou, pelo m enos, esperava que não. De qualquer form a, era m eu ás na m anga, e eu o j oguei.

— O Coronel Flood disse que Sookie era um a am iga do bando – Am anda disse inesperadam ente.

Os Lobis trocaram olhares, e o m om ento pareceu se equilibrar na balança. — O que aconteceu com os filhotes? – perguntou o m otoqueiro no balcão.— Estão vivos – Quinn disse, dando-lhes prim eiro as notícias im portantes. Houve a sensação geral de que o bar todo suspirou; de alívio ou pesar, eu não saberia dizer. – A polícia está com eles – continuou. – Já que os filhotes nos atacaram na frente de hum anos, não houve com o não envolver a polícia.

Nós havíam os conversado a respeito de Cal My ers a cam inho do bar.

Quinn apenas vislum brara o Lobi tira, m as certam ente o reconheceria pelo que era. Eu im aginei se m inha com panhia agora levantaria a questão da presença de Cal My ers na delegacia, m as Quinn não disse nada.

E, sinceram ente, por que com entar sobre algo que os Lobis j á sabiam com certeza? O bando se uniria contra forasteiros, não im porta o quanto estivessem divididos entre si. Envolvim ento policial em assuntos dos Lobis era indesej ável, óbvio. Em bora a presença de Cal My ers na força aj udasse, qualquer exam e m inucioso levantaria a possibilidade dos hum anos descobrirem a existência de criaturas que preferiam anonim ato. Eu não sabia com o eles voaram (se arrastaram ou penderam ) sob o radar durante todo esse tem po. Tinha a convicção de que o custo em vidas hum anas foi considerável.

Alcide disse, — Você devia levar Sookie para casa. Ela está cansada.

Quinn colocou um braço ao m eu redor e m e puxou contra si. — Quando receberm os a garantia de que o bando vai investigar a fundo esse ataque não provocado, vam os partir.

Hábil discurso. Quinn parecia ser um m estre em se expressar diplom ática e seguram ente. Ele era m eio arrebatador, sinceram ente. O poder fluía dele num curso constante, e sua presença física era inegável.

— Com unicarem os tudo isso ao líder do bando – Am anda dizia. – Ele investigará, tenho certeza. Alguém deve ter contratado esses filhotes.

— Alguém os transform ou para com eço de conversa – disse Quinn. – A não ser que seu bando tenha se degradado a ponto de m orderem m arginais de rua, e m andá-los para fazer o trabalho suj o?

Okay, atm osfera hostil agora. Olhei para o m eu enorm e acom panhante e descobri que faltava pouco para Quinn perder a calm a.

— Obrigada a todos – falei para Am anda, m eu sorriso brilhante surgindo nos cantos da boca novam ente. – Alcide, Maria-Star, bom vê-los.

Vam os em bora agora. Longa viagem de volta à Bon Tem ps. – Dei um pequeno aceno para Bartender-Motoqueiro e Garota-Arrastão. Ele assentiu e ela fez um a careta. Provavelm ente não estaria interessada em se tornar m inha m elhor am iga. Soltei-m e do braço de Quinn e peguei sua m ão. – Vam os, Quinn. Vam os pegar a estrada.

Por um pequeno instante ruim , os olhos dele não m e reconheceram .

Então se desanuviaram , e ele relaxou. — Claro, docinho.

Ele disse adeus aos Lobis, viram os as costas e saím os. Apesar de a pequena plateia incluir Alcide, em quem eu confiava de m uitas form as, foi um m om ento desconfortável para m im . Eu não conseguia sentir m edo ou ansiedade vindo de Quinn. Ou ele possuía incrível foco e controle, ou realm ente não estava com m edo de um bar cheio de lobisom ens, o que era adm irável e tudo m ais, m as m eio... irreal.

A resposta correta era “incrível foco e controle”. Descobri quando chegam os ao estacionam ento m al-ilum inado. Movendo-m e m ais rápido do que pude perceber, m e vi contra o carro e a boca dele estava sobre a m inha.

Após um segundo aturdido, eu estava no m esm o ritm o. Perigo com partilhado faz isso, e era a segunda vez— em nosso prim eiro encontro— que nos vim os am eaçados. Isso era um m au presságio?

Descartei esse pensam ento racional quando os lábios e dentes de Quinn desceram para encontrar aquele ponto vulnerável e sensível onde o pescoço se liga à curva do om bro. Fiz um ruído incoerente porque, j unto com o tesão que sem pre sentia quando era beij ada ali, senti inegável dor dos m achucados ao redor do pescoço. Era um a com binação desconfortável.

— Desculpe, desculpe – ele m urm urou contra m inha pele, seus lábios nunca parando o assalto. Eu sabia que, se baixasse m inha m ão, seria capaz de tocá-lo intim am ente. Não estou dizendo que não era tentador. Mas estava aprendendo um pouco de cautela ao continuar... Provavelm ente não m uito, refleti com o fio de pensam ento que não estava ficando m ais e m ais envolvido com o calor que surgiu em m eu feixe de nervos m ais abaixo, aquele que encontrou o calor gerado pelos lábios de Quinn. Oh, céus. Oh, oh, oh.

Eu m e m ovi contra ele. Era um reflexo, okay ? Mas um erro, porque a m ão dele deslizou para baixo de m eu seio e seu polegar com eçou a acariciar. Eu estrem eci e m e contorci. Ele estava m eio sem fôlego tam bém .

Era com o pular na frente de um carro que j á estava acelerando pela estrada escura.

— Okay – m urm urei, afastando-m e um pouco. – Okay, vam os parar isso agora.

— Hm m m – ele disse em m eu ouvido, sua língua lam bendo. Eu m e contorci.— Não vou fazer isso – falei, tentando soar categórica. Então m inha resolução aum entou. – Quinn! Eu não vou fazer sexo com você nesse estacionam ento asqueroso!

— Nem m esm o só um pouquinho de sexo?

— Não. Definitivam ente não!

— Sua boca (aqui, ele beij ou) está dizendo um a coisa, m as seu corpo (ele beij ou m eu om bro) diz outra.

— Escute m inha boca, garoto.

— Garoto?

— Tá legal. Quinn.

Ele suspirou e se recom pôs. — Tudo bem – disse. Seu sorriso era pesaroso. – Desculpe. Eu não planej ei pular em você assim .

— Ir a um lugar onde você não é exatam ente bem -vindo e sair ileso, diversão e tanto – falei.

Ele respirou fundo. — Certo – disse.

— Eu gosto m uito de você – falei. Pude ler a m ente dele m uito claram ente, nesse instante. Ele gostava de m im tam bém ; agora m esm o, gostava um bocado. Queria gostar de m im contra a parede. Afastei o pensam ento. – Mas tive algum as experiências que foram avisos para que eu desacelerasse. Eu não fui devagar com você esta noite. Mesm o com as, hã, circunstâncias especiais.

De repente, eu estava pronta para m e sentar no carro. Minhas costas doíam e eu sentia um a leve cãibra. Preocupei-m e por um segundo, então pensei em m eu ciclo m ensal. Certam ente era o suficiente para m e esgotar, coroando um a excitante e dolorida noite.

Quinn m e observava. Estava se perguntando a m eu respeito. Eu não sabia dizer exatam ente com o que estava preocupado, m as de repente, ele perguntou, — Qual dos dois era o alvo do ataque no teatro?

Okay , sua m ente definitivam ente não estava focada em sexo agora.

Bom . — Você acha que era só um de nós?

Aquilo o fez se deter. — Eu achei que sim – respondeu.

— Nós tam bém tem os que nos perguntar quem os contratou. Acho que foram pagos de algum a form a— com drogas, dinheiro, ou am bos. Acha que eles vão falar?

— Eu não acho que eles vão sobreviver à noite na cadeia.