Definitivamente Morto

Charlaine Harris · Capítulo 7 de 25

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Definitivamente Morto

Capítulo 6

EU NÃO SABIA com o faria isso. Não sabia quem reconheceria que eu podia aj udar. Havia um a m ultidão na escola prim ária, é claro. Um grupo de cerca de trinta adultos estava parado na rua diante da calçada da escola, e Bud Dearborn, o xerife, conversava com Andy no gram ado. A Escola Prim ária Betty Ford foi a m esm a escola que eu freqüentei. O prédio tinha sido quase novo então, um a estrutura de tij olos sim ples com um a entrada principal contendo os escritórios, j ardim de infância, classes da prim eira série e refeitório. Havia um a ala à direita para a segunda série, e outra à esquerda para a terceira. Um pequeno ginásio ficava atrás da escola com um parquinho ligado por um a calçada coberta. Era usado para as sessões de exercício das crianças nos dias de chuva.

É claro que havia m astros na frente da escola, um a para a bandeira am ericana e outra para a bandeira da Louisiana. Eu adorava passar por aqui quando elas trem ulavam na brisa num dia com o hoj e. Adorava pensar em todas as criancinhas ali dentro, ocupadas sendo crianças. Mas as bandeiras tinham sido tiradas hoj e, e som ente as cordas se m oviam com o vento forte.

A gram a verde da escola estava salpicada com ocasionais papéis de bala ou folhas de caderno am assadas.

A zeladora da escola, Madely n Pepper (sem pre cham ada “Miss Maddy ”), encontrava-se sentada num a cadeira de plástico do lado de fora da porta principal, com seu carrinho ao lado. Miss Maddy era zeladora há anos. Miss Maddy era um a m ulher bem lenta m entalm ente, m as era um a trabalhadora esforçada e absolutam ente confiável. Ela parecia a m esm a de quando freqüentei a escola: alta, robusta, branca e com longos cabelos tingidos de louro. Estava fum ando um cigarro. A diretora, Sra. Garfield, tivera um a longa discussão com Miss Maddy durante anos a respeito de seu hábito, um a batalha que Miss Maddy sem pre vencia. Ela fum ava do lado de fora, m as fum ava.

Hoj e, a Sra. Garfield estava com pletam ente indiferente ao m au hábito de Miss Maddy . A Sra. Garfield, esposa de um pastor m etodista episcopal, vestia um terninho m ostarda, m eia-calça sim ples e sapatos pretos.

Ela estava tão tensa quanto Miss Maddy, e m uito m enos cuidadosa em dem onstrar. Abri cam inho através da pequena m ultidão, incerta sobre com o agir e fazer o que era preciso.

Andy m e avistou prim eiro e tocou no om bro de Bud Dearborn. Bud tinha um celular no ouvido e virou-se para m e olhar. Assenti para am bos. O xerife Dearborn não era m eu am igo. Ele foi am igo de m eu pai, m as nunca teve tem po para m im . Para o xerife, as pessoas se dividiam em duas categorias: aqueles que infringiam a lei e podiam ser presas, e as pessoas que não infringiam e não podiam ser presas. E a m aioria delas eram pessoas que só não tinham sido flagradas infringindo a lei ainda; era nisso que Bud acreditava. Eu m e encaixava em algum lugar no m eio. Ele tinha certeza que eu era culpada de algo, m as não conseguia descobrir o m otivo.

Andy não gostava de m im , tam pouco, m as era um crente. Ele virou a cabeça para a esquerda quase im perceptivelm ente. Não pude ver o rosto de Bud Dearborn claram ente, m as seus om bros se enrij eceram de raiva, e ele inclinou-se um pouco para frente, toda sua postura corporal dizendo que estava furioso com seu detetive.

Abri cam inho através do nó de cidadãos ansiosos e curiosos, e escapei para a ala da terceira série nos fundos da escola. O play ground, do tam anho da m etade de um cam po de futebol, era cercado e o portão norm alm ente ficava trancado com um a corrente e cadeado. Tinha sido aberto, provavelm ente para a conveniência dos investigadores. Avistei Kevin Pry or, um j ovem e m agro patrulheiro que sem pre vencia a corrida de quatro quilôm etros no Festival das Azaléias, inclinado sobre um bueiro do outro lado da rua. O m ato no fosso estava alto, e as calças do uniform e escuro estavam em poeiradas de am arelo. Sua parceira, Keny a, que era tão rechonchuda quanto Kevin era m agro, estava do outro lado do quarteirão, e observei sua cabeça se m over de um lado para o outro enquanto perscrutava os quintais adj acentes.

A escola tom ava um quarteirão inteiro no m eio de um a área residencial. Todas as casas ao redor eram lares m odestos em terrenos m odestos, o tipo de vizinhança que possuía cestas de basquete e bicicletas, cães latindo, e garagens ilum inadas por giz na calçada.

Hoj e, cada superfície estava em poeirada de pó am arelo claro; era o início da época do pólen. Se você lavasse o carro na cidade em sua garagem , haveria um anel am arelo sobre o escoadouro. As barrigas dos gatos estariam tingidas de am arelo e cães grandes teriam patas am arelas.

Todas as pessoas com quem falasse teriam olhos verm elhos e carregariam um a caixa de lenços.

Notei vários lenços j ogados ao redor do play ground. Havia m arcas de gram a e lam a seca nas áreas onde as crianças se reuniam com freqü.ncia.

Um grande m apa dos Estados Unidos foi pintado no chão de concreto do lado de fora da porta da escola. O nom e de cada estado estava pintado clara e cuidadosam ente. A Louisiana era o único estado pintado em verm elho vivo, e um pelicano preenchia seu contorno. A palavra Louisiana era com prida dem ais para com petir com o pelicano e fora pintada na calçada bem onde o golfo do México devia estar.

Andy surgiu pela porta traseira, o rosto duro e com posto. Ele parecia dez anos m ais velho.

— Com o está Halleigh? – perguntei.

— Ela está na escola, debulhando-se em lágrim as – ele disse. – Tem os que encontrar esse garoto.

— O que Bud disse? – perguntei. Entrei pelo portão.

— Não pergunte – disse. – Se existe qualquer coisa que você possa fazer por nós, precisam os de toda aj uda possível.

— Vocês estão sem pessoal.

— Assim com o vocês.

— Onde estão as pessoas que estiveram na escola quando ele sum iu?

— Estão todas aqui, exceto pela diretora e a zeladora.

— Eu as vi do lado de fora.

— Irei buscá-las. Todas as professoras estão no refeitório. Há um pequeno palco num canto. Sente-se lá, atrás da cortina. Vej a se consegue pegar algum a coisa.

— Está bem – Eu não tinha um a ideia m elhor.

Andy partiu para buscar a diretora e a zeladora na frente da escola.

Eu pisei na entrada do corredor da terceira série. Havia desenhos brilhantes decorando as paredes do lado de fora de cada classe. Fitei os desenhos de pessoas rudim entares fazendo piqueniques e pescando, e lágrim as arderam em m eus olhos.

Pela prim eira vez, eu desej ei ser m édium ao invés de telepata. Então poderia visualizar o que acontecera a Cody, ao invés de ter que esperar alguém pensar a respeito. Eu nunca conheci um verdadeiro m édium , m as com preendia que era um talento m uito incerto para ter, um que às vezes não era específico o bastante, e específico dem ais em outras. Minha pequena peculiaridade era m uito m ais confiável, e eu m e fiz acreditar que podia aj udar esta criança.

Ao seguir para o refeitório, o cheiro da escola evocou um a torrente de m em órias. A m aioria delas era dolorosa, algum as agradáveis. Quando pequena, eu não tinha controle sobre m inha telepatia e nem ideia do que havia de errado com igo. Meus pais tinham m e levado a um a instituição de saúde m ental para tentar descobrir, o que logo m e separou dos outros. Mas a m aioria dos professores foi gentil. Eles com preendiam que eu estava dando o m eu m elhor para aprender— que de algum m odo ficava distraída constantem ente, m as não era por escolha própria. Inalar o cheiro de giz, desinfetante, papel e livros trouxe tudo de volta.

Lem brei de todos os corredores e entradas com o se tivesse acabado de sair. As paredes eram de cor pêssego agora, ao invés do branco apagado da qual m e recordava, e o carpete era um a espécie de cinza granulado no lugar do linóleo m arrom ; m as a estrutura da escola perm aneceu im utável.

Sem hesitação, deslizei por um a porta lateral até o pequeno palco que ficava nos fundos do refeitório. Se eu estava m e lem brando corretam ente, o espaço na verdade era cham ado de “sala m ultiuso”. A área de serviço podia ser fechada com portas corrediças e as m esas de piquenique que se alinhavam na sala podiam ser dobradas e em purradas para um canto. Agora as m esas ocupavam o local em fileiras ordenadas, e as pessoas sentadas ali eram todas adultas, com exceção dos filhos de algum as professoras que estiveram nas salas de aula com suas m ães quando o alarm e foi dado.

Encontrei um a pequena cadeira de plástico e sentei atrás das cortinas à esquerda do palco. Fechei os olhos e com ecei a m e concentrar. Perdi consciência do m eu corpo enquanto afastava todos os estím ulos e com eçava a deixar m inha m ente vagar solta.

É m inha culpa, m inha culpa, m inha culpa! Por que não percebi que ele não tinha voltado? Ou ele passou por m im ? Ele pode ter entrado num carro sem eu ter notado?

Pobre Halleigh. Ela estava sentada sozinha e a pilha de lenços ao lado m ostrava com o estava passando o tem po de espera. Ela era com pletam ente inocente da situação, então segui em frente com m inha sondagem .

Oh m eu Deus, obrigada Deus por não ser m eu filho que está desaparecido...

...ir para casa e com er alguns biscoitos...

Não posso ir ao m ercado e pegar carne para ham búrguer, talvez eu possa ligar para Ralph e ele possa ir ao Sonic... m as nós com em os fast food ontem à noite, não é bom ...

A m ãe dele é garçonete, quantos vagabundos ela conhece?

Provavelm ente um deles...

E continuou assim , um a ladainha de pensam entos inofensivos. As crianças pensavam em lanches e televisão, e tam bém estavam assustadas.

Os adultos, na m aioria, estavam ainda m ais assustados pelos próprios filhos e preocupavam -se com o efeito que o desaparecim ento de Cody teria sobre suas fam ílias e suas classes.

Andy Bellefleur disse: — O xerife Dearborn estará aqui num m inuto, e então nos dividirem os em dois grupos.

As professoras relaxaram . Aquelas instruções eram fam iliares, j á que as davam frequentem ente.

— Farem os perguntas a todos, um de cada vez, e então poderão ir.

Sei que todos vocês estão preocupados e tem os patrulheiros fazendo um a busca na área, m as talvez possam os conseguir inform ações que nos aj udarão a encontrar Cody .

A Sra. Garfield entrou. Pude sentir sua ansiedade adiantando-se com o um a nuvem escura, cheia de trovões. Miss Maddy estava bem atrás dela. Ouvi o som das rodas de seu carrinho de lim peza, carregado com a lata de lixo alinhada e produtos de lim peza. Todos os cheiros a cercando eram fam iliares. É claro, ela com eçou a lim par logo depois do fim das aulas.

Ela estaria num a das salas e provavelm ente não teria visto nada. A Sra.

Garfield devia estar no escritório. O diretor na m inha época, Sr. Hefferm an, ficou do lado de fora com a professora encarregada, até todas as crianças irem em bora, para que os pais tivessem chance de conversar com ele se tivessem perguntas a respeito do progresso dos filhos... ou falta dele.

Eu não saí de trás da cortina em poeirada para olhar, m as pude seguir o progresso das duas facilm ente. A Sra. Garfield era um a bola de tensão tão densa que carregava o ar ao redor, e Miss Maddy estava igualm ente cercada pelo cheiro de todos os produtos de lim peza e sons do carrinho. Ela sentia-se m iserável tam bém e, acim a de tudo, queria voltar à rotina. Maddy Pepper podia ser um a m ulher de inteligência lim itada, m as am ava o em prego porque era boa no que fazia.

Eu descobri um bocado de coisas enquanto fiquei sentada ali.

Descobri que um a das professoras era lésbica, apesar de ser casada e ter três filhos. Descobri que outra professora estava grávida, m as não contara a ninguém ainda. Descobri que a m aioria das m ulheres (não havia professores hom ens na escola prim ária) estava estressada pelas m últiplas obrigações com suas fam ílias, em pregos e igrej as. A professora de Cody estava bem infeliz, porque ela gostava do garotinho, apesar de achar a m ãe dele esquisita. Ela acreditava que Holly se esforçava para ser um a boa m ãe, e aquilo com pensava seu desgosto pelos adornos bárbaros de Holly .

Mas nada que eu tenha descoberto aj udou a descobrir o paradeiro de Cody até que m e aventurei pela cabeça de Maddy Pepper.

Quando Keny a veio atrás de m im , eu estava curvada com a m ão na boca, tentando gritar silenciosam ente. Eu não era capaz de levantar para procurar por Andy ou outra pessoa. Eu sabia onde estava o garoto.

— Ele m e m andou vir aqui para descobrir o que você sabe – Keny a sussurrou. Ela estava m assivam ente descontente com sua m issão e, apesar de sem pre m e achar legal, não pensava que eu poderia fazer algo para aj udar a polícia. Ela achava que Andy era um tolo por arriscar a carreira m e pedindo para sentar ali, escondida.

Então apanhei algo m ais, algo vago e fraco.

Levantei-m e de repente e agarrei o om bro de Keny a. — Procure dentro da lata de lixo, aquele no carrinho de lim peza, agora! – falei com a voz baixa, m as (eu esperava) urgente o bastante para aturdir Keny a. – Ele está na lata, ainda está vivo!

Keny a não era im petuosa o suficiente para surgir de trás da cortina, pular do palco e correr até o carrinho da zeladora. Ela m e lançou um olhar m uito, m uito severo. Saí de trás da cortina para observar enquanto Keny a descia a escadinha na frente do palco e aproxim ava-se de onde Maddy Pepper estava sentada, batendo os dedos contra a perna.

Miss Maddy queria um cigarro. Então percebeu que Keny a se aproxim ava dela e um alarm e surdo soou em seu cérebro. Quando a zeladora viu Keny a de fato tocando a m argem da enorm e lata de lixo, ela pulou de pé e gritou: — Não era m inha intenção! Não era m inha intenção!

Todos na sala se viraram com a com oção, e seus rostos dem onstraram expressões idênticas de horror. Andy se aproxim ou a passos largos, o rosto severo. Keny a estava inclinada sobre a lata, vasculhando, lançando um a tem pestade de lenços usados por sobre o om bro. Ela im obilizou-se por um segundo quando encontrou o que procurava. Ela inclinou-se, perigosam ente prestes a cair dentro da lata.

— Ele está vivo – gritou para Andy . – Cham e o 911!

— Ela estava lavando o chão quando ele voltou correndo à escola para pegar o desenho – Andy disse. Estávam os sentados sozinhos no refeitório. – Não sei se voce pôde ouvir tudo isso, havia tanto barulho na sala.

Eu assenti. Pude ouvir os pensam entos dela enquanto falava. Todos aqueles anos no em prego, ela nunca teve problem as com um aluno que não fossem facilm ente resolvidos com algum as palavras duras por parte dela.

Então, hoj e, Cody viera correndo para a sala de aula, com pólen nos sapatos e na calça, deixando um a trilha no chão recém -lim po de Maddy .

Ela gritara com ele, e ele ficou tão aturdido que escorregou no piso m olhado. O garotinho caíra de costas e bateu a cabeça no chão. O corredor possuía carpetes para reduzir o barulho, m as as salas de aula não, e a cabeça dele batera no linóleo.

Maddy achou que o tinha m atado, e apressadam ente escondeu o corpo no recipiente m ais próxim o. Ela se dera conta de que perderia o em prego se a criança estivesse m orta e, num im pulso, tentara escondê-lo.

Ela não tinha um plano e nem ideia do que aconteceria. Não sabia com o se livraria do corpo e não levou em conta o quanto se sentiria m iserável sobre a coisa toda, quanto se sentiria culpada.

Para m anter m inha participação em sigilo, que a polícia e eu concordam os ser absolutam ente a m elhor opção, Andy sugeriu a Keny a que ela subitam ente percebeu que o único lugar na escola que não foi vasculhado era a lata de lixo de Maddy Pepper.

— Foi exatam ente o que eu pensei – Keny a disse. – Que devia procurar, pelo m enos dar um a olhada para ver se um seqüestrador não teria j ogado algo lá dentro. – O rosto redondo de Keny a era ilegível. Kevin fitou-a, as sobrancelhas quase unidas, sentindo algo sobre a superfície da conversa. Kevin não era tolo, especialm ente no que dizia respeito à Keny a.

Os pensam entos de Andy eram claros para m im . — Nunca m ais m e peça para fazer isso novam ente – falei.

Ele assentiu em concordância, m as estava m entindo. Ele antevia um a série de casos resolvidos, m alfeitores presos, e o quanto Bon Tem ps ficaria segura quando eu lhe contasse quem eram todos os crim inosos e ele encontrasse um m odo de acusá-los por algo.

— Eu não vou fazer isso – respondi. – Não vou aj udá-lo o tem po todo. Você é um detetive. Tem que descobrir as coisas de m odo legal, para que possa construir um caso para o tribunal. Se você m e usar o tem po todo, ficará descuidado. Os casos serão arruinados. Você terá um a reputação ruim – falei desesperadam ente, im potente. Eu não achava que m inhas palavras teriam qualquer efeito.

— Ela não é um a Bola 8 Mágica – Kevin disse.

Keny a pareceu surpresa e Andy ficou m ais do que surpreso; ele achou isso quase um a heresia. Kevin era um patrulheiro; Andy era um detetive. E Kevin era um hom em quieto que ouvia todos os seus colegas, m as não oferecia com entários próprios com freqü.ncia. Ele foi notoriam ente criado pela m ãe; talvez tenha aprendido desde bebê a não oferecer opiniões.

— Você não pode sacudi-la e vir com a resposta certa – Kevin continuou. – Tem que descobrir as respostas por conta própria. Não é certo apoderar-se da vida de Sookie para que você possa fazer m elhor o seu trabalho.

— Certo – disse Andy, não convencido. – Mas acho que qualquer cidadão iria querer sua cidade livre de ladrões, estupradores e assassinos.

— E que tal adúlteros e pessoas que pegam cópias extras dos distribuidores de j ornal? Devo desm ascará-los tam bém ? Que tal crianças que trapaceiam nos exam es?

— Sookie, você sabe o que eu quis dizer – ele disse, pálido e furioso.

— É, eu sei o que quis dizer. Esqueça. Eu o aj udei a salvar a vida daquela criança. Não m e faça nem m esm o pensar em m e arrepender.

Fui em bora do m esm o m odo que cheguei, pelo portão dos fundos e pela lateral do terreno escolar, onde deixei m eu carro. Dirigi de volta para o trabalho cuidadosam ente, porque ainda estava trem endo com a intensidade das em oções que fluíram através da escola esta tarde.

No bar, descobri que Holly e Danielle haviam partido— Holly para o hospital para ficar com o filho, e Danielle para levá-la até lá, porque estava nervosa dem ais.

— A polícia teria levado Holly de bom grado – disse Sam . – Mas sei que Holly não tem ninguém aqui a não ser Danielle, então achei m elhor deixar Danielle ir tam bém .

— Claro, isso m e deixa atendendo sozinha – respondi acidam ente, achando que estava sendo duplam ente punida por ter aj udado Holly .

Ele sorriu para m im e, por um segundo, não pude evitar retribuir o sorriso.

— Liguei para Tany a Grissom . Ela disse que teria prazer em aj udar, só que com o funcionária em tem po integral.

Tany a Grissom acabara de se m udar para Bon Tem ps e viera direto ao Merlotte’s para pedir em prego. Trabalhara com o garçonete durante a faculdade, ela disse a Sam . E conseguira cerca de duzentos dólares por noite em gorj etas. Não ia acontecer em Bon Tem ps e eu lhe disse isso com franqueza.

— Você ligou para Arlene e Charlsie prim eiro?

Percebi que ultrapassei m eus lim ites, porque eu era apenas a garçonete, não a dona. Não cabia a m im lem brar Sam que ele devia ligar para as funcionárias com m ais tem po antes de cham ar a novata. A recém chegada definitivam ente era um a m etam orfa, e eu tem ia que Sam fosse parcial a favor dela. Sam não pareceu irritado, apenas direto.

— Sim , liguei para elas prim eiro. Arlene disse que tinha um encontro e Charlsie estava cuidando do neto. Ela tem dado algum as indiretas de que não vai trabalhar m ais. Acho que vai cuidar do bebê em tem po integral quando a nora voltar ao trabalho.

— Oh – falei, desconcertada. Eu teria que m e acostum ar com alguém novo.

Claro, garçonetes vêm e vão, e eu j á tinha visto algum as passarem pela porta dos funcionários do Merlotte’s em m eus— céus, agora cinco— anos trabalhando para Sam . O Merlotte’s ficava aberto até a m eia-noite durante a sem ana, e até um a nas sextas e sábados. Sam tentara abrir no dom ingo por um tem po, m as não com pensava. Então agora o Merlotte’s fechava aos dom ingos, a m enos que fosse alugada para um a festa privada.

Sam tentava alternar nossos turnos para que todas tivessem a chance de trabalhar nos turnos da noite m ais lucrativos, então alguns dias eu trabalhava das onze às cinco (ou seis e trinta, se ficássem os extra ocupados), e às vezes das cinco até a hora de fechar. Ele fez experiências com horários e dias até que todos nós concordam os com o que funcionava m elhor. Ele esperava um pouco de flexibilidade de nossa parte e, em retorno, era bom a respeito de nos deixar sair para funerais, casam entos e outros eventos.

Eu tive alguns outros em pregos antes de com eçar a trabalhar para Sam . Ele era, de longe, a pessoa m ais fácil com quem j á trabalhei. Ele se tornou m ais do que m eu em pregador em algum lugar ao longo do cam inho; ele era m eu am igo. Quando descobri que era um m etam orfo, isso não m e aborreceu nem um pouco. Ouvi rum ores na com unidade m etam orfa que os Lobis estavam pensando em se revelar publicam ente, do m odo com o os vam piros fizeram . Eu m e preocupava com Sam . Me preocupava se as pessoas em Bon Tem ps o aceitariam . Eles sentiriam que ele os enganou durante todos esses anos, ou deixariam passar?

Desde que os vam piros fizeram sua revelação cuidadosam ente orquestrada, a vida com o conhecíam os m udou, em todo o m undo. Alguns países, após o choque inicial, cederam e com eçaram a trabalhar para incluir os vam piros na vida preponderante; outros declararam vam piros inum anos e incitaram seus cidadãos a m atá-los no ato (m ais fácil falar do que fazer).

— Com certeza Tany a está bem – respondi, m as soei incerta, até m esm o para m eus próprios ouvidos.

Agindo num im pulso— só posso im aginar que a m aré de em oções que experim entei nesse dia tenha algo a ver com isso— m e atirei sobre Sam e dei-lhe um abraço. Senti cheiro de pele lim pa, cabelos, o leve perfum e doce de sua loção pós-barba, um a sugestão de vinho, um traço de cervej a...

o cheiro de Sam . Enchi m eus pulm ões com o se fosse oxigênio.

Surpreso, Sam retribuiu m eu abraço e, por um segundo, o calor de seu gesto quase m e deixou flutuando de prazer. Então nos separam os porque, apesar de tudo, aquele era o nosso local de trabalho e havia alguns clientes ao redor. Tany a entrou, então foi bom term os nos endireitado. Eu não queria que ela pensasse que isso era rotina.

Tany a era m ais baixa do que o m eu um m etro e setenta, um a m ulher de boa aparência na casa dos vinte e poucos anos. Seu cabelo era curto, liso e brilhante, um castanho m édio que quase com binava com os olhos. Tinha boca pequena, nariz arredondado e um belo corpo. Eu absolutam ente não tinha razão para desgostar dela, m as não fiquei feliz por vê-la. Me senti envergonhada. Eu devia dar um a chance j usta a Tany a para que m ostrasse seu verdadeiro caráter.

Mas eu descobriria m ais cedo ou m ais tarde. Você não pode esconder o que realm ente é, não de m im — não se é um a pessoa hum ana norm al. Eu tento não ouvir, m as não consigo bloquear tudo. Quando nam orei Bill, ele m e aj udou a aprender com o fechar a m ente. Desde então, a vida tem sido m ais fácil— m ais agradável e relaxante.

Tany a era um a m ulher sorridente, isso eu não podia negar. Ela sorriu para Sam , sorriu para m im e sorriu para os clientes. Não era um sorriso ansioso com o o m eu, o sorriso que dizia “Estou ouvindo um clam or em m inha cabeça e estou tentando parecer norm al por fora”; o sorriso de Tany a era m ais do tipo “Sou realm ente bonita e alegre e vou conquistar todo m undo”. Antes de pegar um a bandej a e com eçar a trabalhar, Tany a fez um a série de perguntas sensíveis, e pude perceber que ela possuía experiência.

— Qual é o problem a? – Sam indagou.

— Nada – respondi. – Eu só...

— Ela parece bem legal – ele disse. – Você acha que há algo de errado com ela?

— Nada que eu saiba – falei, tentando soar entusiasm ada e brincalhona. Eu sabia que estava dando o sorriso nervoso. – Escute, Jane Bodehouse está pedindo outra rodada. Vam os ter que cham ar o filho dela de novo.

Tany a virou-se e olhou para m im nesse instante, com o se sentisse m eus olhos em suas costas. Seu próprio sorriso tinha desaparecido, substituído por um olhar tão neutro que fez m inha avaliação de sua capacidade para ação de verdade ser instantaneam ente atualizada.

Ficam os paradas por um m om ento, nos avaliando fixam ente, e então ela sorriu para m im e seguiu para a próxim a m esa, perguntando ao hom em ali se ele estava pronto para outra cervej a.

De repente, eu pensei, Im agino se Tany a está interessada em Sam .

Não gostei do m odo com o m e senti quando pensei a respeito. Decidi que o dia foi exaustivo o suficiente sem criar um a nova preocupação.

E sem nenhum telefonem a de Jason.

Depois do trabalho, eu fui para casa com a cabeça cheia: Padre Riordan, os Pelts, Cody , o aborto de Cry stal.

Entrei na estrada de cascalho através da floresta e, quando segui pela clareira para estacionar nos fundos da casa, o isolam ento m e atingiu novam ente. Morar na cidade por algum as sem anas fez a casa parecer ainda m ais adorável e, apesar de adorar estar de volta ao velho lugar, ela não parecia a m esm a de antes do incêndio.

Eu raram ente fiquei preocupada por viver sozinha nesse local isolado, m as nos últim os m eses m inha vulnerabilidade ficou im pressa em m im .

Algum as vezes foi por pouco, e houve intrusos esperando por m im na casa em duas ocasiões quando cheguei. Agora eu tinha instalado algum as boas fechaduras nas portas, tinha olhos m ágicos na frente e atrás, e m eu irm ão m e deu sua espingarda Benelli para prevenir.

Eu tinha algum as luzes nos cantos da casa, m as não gostava de deixá-las acesas a noite toda. Estava pensando em com prar um a daquelas luzes com detector de m ovim ento. A desvantagem era que, j á que eu vivia num a enorm e clareira no m eio da floresta, frequentem ente havia roedores cruzando m eu quintal à noite, e a luz se acenderia quando algum pequeno gam bá peram bulasse pela gram a.

A segunda questão a respeito da luz se acender era... E daí?

O tipo de coisa da qual eu estava com m edo não se intim idaria com a luz. Eu só seria capaz de vê-la m elhor antes que ela m e devorasse. Além disso, não havia vizinhos para serem alertados ou acordados pela luz.

Estranho, refleti, m as eu raram ente tive m om entos de m edo quando m inha avó estava viva. Ela foi um a senhorinha durona para um a m ulher com m ais de setenta, m as não podia m e defender nem de um a pulga. De algum m odo, o sim ples fato de não estar sozinha m e fazia sentir m ais segura. Depois de pensar tanto no perigo, eu estava tensa quando saí do carro.

Passei por um a cam inhonete estacionada em frente, destranquei a porta dos fundos e atravessei a casa para abrir a porta da frente com a m iserável sensação de que estava prestes a passar por um a cena. O silencioso interlúdio em m inha varanda, observando as abelhas na pereira parecia ter acontecido há sem anas, ao invés de horas.

Calvin Norris, líder da com unidade de lobi-panteras em Hotshot, saiu da cam inhonete e aproxim ou-se das escadas. Ele era um hom em barbado na casa dos quarenta, e um hom em sério cuj as responsabilidades pesavam em cheio sobre seus om bros. Evidentem ente, Calvin havia acabado de sair do trabalho. Ele estava vestindo a cam isa azul e j eans que todos os chefes de pessoal da Norcross usavam .

— Sookie – ele disse, acenando para m im .

— Por favor, entre – respondi, em bora estivesse relutante. Contudo, Calvin sem pre foi cortês com igo e tinha aj udado a resgatar m eu irm ão alguns m eses atrás, quando Jason foi seqüestrado. Ao m enos, eu lhe devia a cortesia.

— Minha sobrinha m e ligou quando o perigo passou – ele disse pesadam ente, sentando-se no sofá depois que acenei com a m ão para lhe m ostrar que era bem -vindo para ficar. – Acho que você lhe salvou a vida.

— Fico realm ente contente por ouvir que Cry stal está m elhor. Tudo que fiz foi dar um telefonem a. – Sentei em m inha velha poltrona favorita e percebi que estava m orta de cansaço. Forcei os om bros para trás. – A Dra.

Ludwig conseguiu deter o sangram ento?

Calvin assentiu. Ele m e fitou atentam ente, os estranhos olhos solenes.

— Ela vai ficar bem . Nossas m ulheres abortam m uito. É por isso que esperávam os que... Bem .

Eu recuei com o fardo das esperanças de Calvin, de que m e tornasse sua com panheira, descansando pesadam ente em m eus om bros. Não tinha certeza do por que m e sentia culpada; por causa de seu desapontam ento, eu acho. Afinal, dificilm ente era m inha culpa que a ideia tivesse pouco apelo para m im .

— Acho que Jason e Cry stal vão se am arrar – Calvin disse, direto. – Tenho que adm itir, eu não sou louco por seu irm ão. Mas tam bém não sou eu quem vai casar com ele.

Não fiquei surpresa. Não sabia se este casam ento foi ideia de Jason, Calvin ou Cry stal. Jason certam ente não esteve pensando em casam ento esta m anhã, a m enos que tenha sido algo que esqueceu de m encionar durante a agitação da preocupação com Cry stal.

— Bem , para ser honesta, eu não sou louca por Cry stal. Mas não estou m e casando com ela tam pouco – Respirei fundo. – Farei o m elhor que puder para aj udá-los, se eles decidirem ... fazer isso. Jason é tudo que eu tenho, com o você sabe.

— Sookie – ele disse, e sua voz ficou subitam ente bem m enos segura.

– Eu quero conversar sobre outra coisa tam bém .

Claro que ele queria. De j eito nenhum eu ia m e esquivar desse tiro.

— Sei que algo que lhe foi dito, quando você veio à m inha casa, fez com que se afastasse. Eu gostaria de saber o que foi. Não posso consertar se não souber o que está quebrado.

Respirei fundo enquanto considerava m inhas próxim as palavras m uito cuidadosam ente. — Calvin, eu sei que Terry é sua filha.

Quando fui ver Calvin, na época em que ele saiu do hospital após ter levado um tiro, eu conheci Terry e sua m ãe, Mary Elizabeth, na casa dele.

Apesar de elas claram ente não m orarem lá, era igualm ente claro que tratavam o lugar com o um a extensão da própria casa. Então Terry m e perguntou se eu m e casaria com seu pai.

— Sim – disse Calvin. – Eu teria lhe contado se você m e perguntasse.

— Você tem outros filhos?

— Sim . Tenho outros três filhos.

— De m ães diferentes?

— De três m ães diferentes.

Eu estivera certa. — Por quê? – perguntei para ter certeza.

— Porque eu sou puro-sangue – ele disse, com o se fosse algo evidente. – Já que apenas o prim eiro filho de um casal puro-sangue se transform a num a pantera totalm ente, nós tem os que trocar.

Eu estava profundam ente feliz por nunca ter considerado seriam ente casar com Calvin, porque se tivesse, eu teria vom itado ali m esm o. O que eu suspeitava, após testem unhar o ritual de sucessão para líder do bando, era verdade.— Então não é o prim eiro filho concebido de um a m ulher que garante um m etam orfo puro-sangue... é seu prim eiro filho com um hom em específico.

— Correto – Calvin pareceu surpreso por eu não ter sabido. – O prim eiro filho de qualquer casal puro-sangue é o legítim o. Então se nossa população fica pequena dem ais, um m acho puro-sangue tem que acasalar com tantas fêm eas puros-sangues quanto puder para aum entar o bando.

— Okay – Esperei um m inuto para m e recom por. – Você acha que eu aceitaria que engravidasse outras m ulheres se fôssem os casados?

— Não, eu não esperaria isso de um a forasteira – ele respondeu, na m esm a voz direta. – Acho que é hora de m e estabelecer com um a única m ulher. Eu cum pri m eu dever com o líder.

Eu tentei não revirar os olhos. Se tivesse sido outra pessoa, eu teria zom bado, m as Calvin era um hom em honrado e não m erecia essa reação.

— Agora eu quero um a com panheira pela vida toda, e seria bom para o bando se pudesse trazer sangue novo para a com unidade. Ficou claro que reproduzim os entre nós por tem po dem ais. Meus olhos m al parecem hum anos e Cry stal dem ora um a eternidade para m udar. Tem os que acrescentar algo novo ao nosso caldo genético, com o dizem os cientistas.

Se você e eu tivéssem os um filho, que era o que eu estava desej ando, esse bebê nunca seria um legítim o Lobi; m as ele ou ela poderia acrescentar à com unidade, trazer sangue novo e novas habilidades.

— Por que você m e escolheu?

Ele respondeu quase tim idam ente, — Gosto de você. E você é realm ente bonita. – Ele sorriu então, um a expressão rara e doce. – Eu a observei no bar durante anos. Você é gentil com todos, trabalha duro e não tem ninguém para tom ar conta de você com o m erece. E sabe a nosso respeito; não seria nenhum grande choque.

— As outras espécies de m etam orfos fazem a m esm a coisa? – perguntei isso tão baixo que m al pude m e ouvir.

Olhei para m inhas m ãos, cerradas em m eu colo, m al conseguindo respirar enquanto esperava para ouvir a resposta. Os olhos verdes de Alcide encheram m eus pensam entos.

— Quando o bando com eça a ficar pequeno, é dever deles – disse lentam ente. – No que está pensando, Sookie?

— Quando fui à com petição de líder do bando de Shreveport, aquele que venceu— Patrick Furnan— fez sexo com um a j ovem Lobi fêm ea, apesar de ser casado. Eu com ecei a im aginar.

— Eu algum a vez tive chance com você? – Calvin perguntou. Ele parecia ter tirado suas próprias conclusões.

Calvin não podia ser culpado por querer preservar seu m odo de vida.

Se eu achava os m eios desagradáveis, o problem a era m eu.

— Você definitivam ente m e interessou – respondi. – Mas sou apenas hum ana dem ais para pensar em ter os filhos de m eu m arido por perto. Eu ficaria por dem ais... m e incom odaria o tem po todo, saber que m eu m arido fez sexo com quase todas as m ulheres que eu veria no dia a dia. – Pensando a respeito, Jason se adaptaria bem à com unidade de Hotshot.

Parei por um segundo, m as ele perm aneceu em silêncio. – Espero que m eu irm ão sej a bem -vindo à sua com unidade, apesar de m inha resposta.

— Eu não sei se ele com preende o que fazem os – Calvin disse. – Mas Cry stal j á abortou antes, de um puro-sangue. Agora ela abortou esse bebê do seu irm ão. Estou achando que talvez isso signifique que é m elhor Cry stal não tentar m ais ter um lobi-pantera. Ela pode não ser capaz de ter um filho de seu irm ão. Você se sente obrigada a falar a respeito com ele?

— Não caberia a m im discutir isso com Jason... m as Cry stal. – Encontrei os olhos de Calvin. Abri a boca para com entar que, se tudo que Jason queria eram bebês, ele não devia se casar; m as então reconheci que era um assunto sensível então parei enquanto podia.

Calvin apertou m inha m ão de m odo estranho e form al quando partiu.

Acredito que isso tenha m arcado o fim de sua corte. Eu nunca m e senti profundam ente atraída por Calvin Norris, nem pensei seriam ente a respeito de aceitar sua oferta. Mas seria m enos do que honesta se eu não adm itisse que fantasiei com um m arido firm e com bom em prego e benefícios, um m arido que viria direto para casa após o trabalho e consertaria coisas quebradas nos dias de folga. Existiam hom ens que faziam isso, hom ens que não m udavam para outra coisa a não ser sua própria m aneira, hom ens que estavam vivos durante vinte e quatro horas por dia. Sabia disso por ler tantas m entes no bar.

Receava que, o que realm ente m e atingiu a respeito da confissão de Calvin — ou explicação— seria o que isso m e revelaria sobre Alcide. Alcide acendera m eu afeto, e desej o. Pensar nele m e fazia im aginar com o seria estar casada com ele, de um m odo bem pessoal, ao contrário da especulação im pessoal a respeito do seguro de vida que Calvin havia inspirado.

Eu j á tinha abandonado com pletam ente a esperança secreta que Alcide havia inspirado em m im , após ter sido forçada a atirar em sua exnoiva; m as algo se apegou ao pensam ento, algo que eu m antinha secreto até para m im , m esm o depois de descobrir que ele estava saindo com Maria-

Star.

Tão recentem ente quanto neste dia, diante dos Pelts, eu tinha solidam ente negado que Alcide possuía qualquer interesse por m im . Mas algo solitário por dentro alim entou a esperança.

Fiquei em pé lentam ente, sentindo-m e duas vezes m ais velha do que m inha idade real, e fui para a cozinha procurar algo na geladeira para o j antar. Eu não estava com fom e, m as j antaria insensatam ente tarde se não preparasse algum a coisa agora, pensei severam ente.

Mas nunca cozinhei a refeição para m im naquela noite.

Ao invés disso, inclinei-m e contra a geladeira e chorei.