Definitivamente Morto

Charlaine Harris · Capítulo 20 de 25

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Definitivamente Morto

Capítulo 19

EU DORMI O SONO dos m ortos. Bem , provavelm ente não, m as tão próxim o quanto um hum ano poderia. Com o se fosse um sonho, ouvi os bruxos voltando da farra no pátio. Eles ainda se congratulavam com o vigor fornecido pelo álcool. Encontrei alguns lençóis de algodão de verdade entre a roupa de cam a (por que eles ainda eram cham ados de roupa de cam a?

Você j á viu um a roupa de cam a na vida?) e j oguei os acetinados pretos na lavadora, então foi bem fácil voltar a dorm ir.

Quando levantei, passava das dez da m anhã. Houve um a batida na porta e eu cam baleei pelo corredor para atender, depois de vestir um par de calças de exercício de Hadley e um a regata pink. Vi caixas através do olho m ágico e abri a porta m e sentindo realm ente feliz.

— Srta. Stackhouse? – disse um j ovem rapaz negro, que segurava as caixas desm ontadas. Quando assenti, ele disse, – Tenho ordens para lhe trazer quantas caixas você quiser. Trinta servem para com eçar?

— Oh, sim – respondi. – Oh, isso será ótim o.

— Tam bém tenho instruções – ele disse m eticulosam ente – para lhe trazer qualquer coisa relacionada à m udança que possa precisar. Tenho aqui fitas adesivas, algum as canetas, tesouras e etiquetas adesivas.

A rainha tinha m e dado um fornecedor pessoal.

— Você quer pontos coloridos? Algum as pessoas gostam de colocar obj etos da sala em caixas com um ponto laranj a, obj etos de quarto em caixas com pontos verdes, e assim por diante.

Eu nunca m e m udei, a m enos que conte levar algum as sacolas de roupas e toalhas para o apartam ento m obiliado de Sam , depois que a cozinha queim ou, então não sabia o m elhor m odo de proceder. Tive um a intoxicante visão de caixas enfileiradas com pontos coloridos de cada lado, para que não houvesse erros de qualquer ângulo.

Então voltei à realidade. Eu não levaria tanto assim para Bon Tem ps.

Era difícil fazer um a estim ativa, j á que isso era território desconhecido, m as sabia que não queria a m obília.

— Acho que não vou precisar dos pontos, m esm o assim obrigada – falei. – Vou com eçar trabalhando com essas caixas, e então posso cham á-lo se precisar de m ais, certo?

— Vou m ontá-las para você – disse. Ele tinha cabelo bem curto e os cílios m ais curvos que j á vi num a pessoa. As vacas tinham cílios assim bonitos, às vezes. Ele vestia um a cam isa do tipo para golfe e calças caqui bem acinturadas, j unto com tênis.

— Desculpe, eu não perguntei seu nom e – falei, enquanto ele sacava um rolo de fita adesiva de um a enorm e sacola de com pras. Estava preparado para trabalhar.

— Oh, perdão – disse, e foi a prim eira vez que soou natural. – Meu nom e é Everett O’Dell Sm ith.

— Prazer em conhecê-lo – eu disse, e ele parou o serviço para apertar m inha m ão. – Com o você veio parar aqui?

— Oh, eu estou na Escola de Adm inistração de Tulane e um dos m eus professores recebeu um telefonem a do Sr. Cataliades, que é tipo, o m ais fam oso advogado na área vam pira. Meu professor é especialista em lei vam pira. O Sr. Cataliades precisava de um a pessoa diurna; quero dizer, ele pode sair durante o dia, m as precisava de alguém para ser seu faz-tudo.

– Ele j á tinha m ontado três caixas.

— E em retorno?

— Em retorno, eu vou m e sentar à m esa do tribunal com ele nos próxim os cinco casos e ganho um a grana que estou realm ente precisando.

— Você tem tem po para m e levar ao banco de m inha prim a esta tarde?

— Claro.

— Você não está perdendo um a aula agora, está?

— Oh, não, tenho duas horas antes de m inha segunda aula.

Ele j á teve um a aula e acum ulou todas aquelas coisas antes m esm o de eu levantar. Bom , ele não ficou acordado m etade da noite assistindo sua prim a m orta andar por aí.

— Você pode levar esses sacos de lixo com roupas para o depósito m ais próxim o do Exercito da Salvação ou da Legião da Boa Vontade. – Isso desocuparia a galeria e m e faria sentir produtiva tudo ao m esm o tem po.

Eu tinha vasculhado as peças de roupa cuidadosam ente, para m e certificar de que Hadley não tinha escondido nada, e im aginei o que o Exército da Salvação faria com elas. Hadley era do tipo Apertado e Sum ário; é o m elhor j eito de descrever.

— Sim , senhorita – ele disse, apanhando um bloco de notas e rabiscando. Então esperou atentam ente. – Algo m ais? – incitou.

— Sim , não há com ida na casa. Quando você voltar esta tarde, pode m e trazer algo para com er? – Eu podia beber água da torneira, m as não podia criar com ida do nada.

Nesse m om ento, um cham ado do pátio m e fez olhar pelo parapeito.

Quinn estava ali com um saco de algo gorduroso. Minha boca com eçou a salivar.— Parece que o ângulo da com ida foi resolvido – eu disse a Everett, acenando para que Quinn subisse.

— O que posso fazer para aj udar? – Quinn perguntou. – Me ocorreu que sua prim a poderia não ter café e com ida, então eu trouxe alguns pãezinhos e um café tão forte que vai fazer crescer cabelo em seu peito.

Eu j á ouvi aquilo algum as vezes, m as ainda m e fazia sorrir. — Oh, é m eu obj etivo – respondi. – Pode trazer. Na verdade tem café aqui, m as não tive chance de fazer porque Everett aqui é um cara do tipo tom a-conta.

Everett sorriu por cim a de sua décim a caixa. — Você sabe que não é verdade, m as é bom ouvir falar – respondeu.

Apresentei os dois hom ens e, depois que Quinn m e deu o saco de com ida, ele com eçou a aj udar Everett a m ontar as caixas. Sentei-m e à m esa de j antar, com i cada m igalha dos pãezinhos na sacola e bebi cada gota de café. Eu fiquei coberta de açúcar, m as não liguei. Quinn virou-se para m e olhar e tentou esconder o sorriso.

— Está vestindo sua com ida, docinho – disse.

Olhei para m inha regata. — Mas sem cabelo no peito – respondi, e ele disse, — Posso checar?

Eu ri, então fui escovar os dentes e os cabelos, tarefas essenciais.

Verifiquei as roupas de Hadley nas quais tinha m e enfiado. A calça de ginástica preta vinha até a m etade do j oelho. Hadley provavelm ente nunca as usou, porque seriam grandes dem ais para o seu gosto. Em m im , eram bem j ustas, m as não j ustas do tipo que Hadley gostava, onde você podia contar as... ah, não im porta. A regata pink deixava à m ostra a alça do m eu sutiã cor-de-rosa, para não dizer nada sobre alguns centím etros em baixo, m as graças ao Peck’s

Tana-Lot 2 (localizado dentro do Peck’s Bunch-o Flicks, um a vídeo-locadora em Bom Tem ps), aquele em baixo estava bonito e bronzeado. Hadley teria colocado um a peça de j oalheria no um bigo.

Olhei-m e no espelho, tentando m e im aginar com um botão dourado ou algo assim . Não. Calcei sandálias decoradas com contas de cristal e m e senti bem charm osa por uns trinta segundos.

Com ecei a falar com Quinn sobre o que planej ei fazer naquele dia e, ao invés de gritar, eu saí do quarto para o corredor com m inha escova e elástico de cabelo. Inclinei-m e até a cintura, escovei o cabelo enquanto estava de ponta-cabeça e fiz um rabo de cavalo no topo. Eu tinha certeza de que estava centralizado, porque os m ovim entos eram autom áticos depois de todos esses anos. Meu rabo de cavalo ficava na altura do om bro agora.

Prendi o elástico, puxei o cabelo e m e endireitei, o rabo de cavalo voando por sobre os om bros para balançar no m eio. Quinn e Everett tinham parado os afazeres para olhar. Quando olhei de volta, os dois hom ens rapidam ente se inclinaram de volta às suas tarefas.

Okay, eu não sabia que tinha feito algo interessante, m as aparentem ente fiz. Dei de om bros e desapareci no banheiro principal para colocar um pouco de m aquiagem . Após outra olhada no espelho, m e ocorreu que talvez qualquer coisa que eu fizesse naquele traj e seria bem interessante, se você fosse um cara totalm ente funcional.

Quando sai, Everett tinha ido em bora e Quinn m e deu um pedaço de papel com o núm ero do celular de Everett.

— Ele disse para ligar quando precisar de m ais caixas – Quinn disse.

– Ele levou todas as roupas ensacadas. Parece que você não precisa de m im .

— Sem com paração – respondi, sorrindo. – Everett não m e trouxe gordura e cafeína esta m anhã, você sim .

— Então, qual é o plano e com o eu posso aj udar?

— Okay, o plano é... – Eu não tinha exatam ente algo m ais específico do que – vasculhar as coisas e escolher – e Quinn não podia fazer isso por m im . – Que tal isto? – perguntei. – Você tira tudo dos arm ários da cozinha e coloca onde eu possa ver, então faço a escolha entre “m anter ou j ogar”.

Você pode em pacotar o que quero m anter, e colocar o que quero j ogar na galeria. Espero que não chova. – A m anhã ensolarada estava ficando cheia de nuvens rapidam ente. – Enquanto nós trabalham os, eu lhe conto o que aconteceu aqui ontem à noite.

Apesar da am eaça de tem po ruim , nós trabalham os a m anhã toda, pedim os um a pizza no alm oço e recom eçam os à tarde. As coisas que eu não queria foram para os sacos de lixo e Quinn usou seu acréscim o m uscular ao carregar todos os sacos para o pátio, colocando-os no pequeno alpendre que continha as cadeiras de j ardim , ainda arm adas no gram ado.

Eu tentei adm irar seus m úsculos só quando ele não estava olhando, e acho que fui bem sucedida. Quinn ficou bem interessado em ouvir sobre a reconstrução ectoplásm ica e conversam os a respeito do que tudo aquilo poderia significar sem chegar a quaisquer conclusões. Jake não possuía inim igos entre os vam piros que Quinn soubesse, e ele achava que Jake foi m orto pelo em baraço que causaria a Hadley , ao invés de ser por qualquer pecado do próprio Jake.

Eu não vi sinal de vida por parte de Am elia, e im aginei se ela foi para casa com o Mórm on Bob. Ou talvez ele tenha ficado, e agora am bos estavam tendo horas fabulosas no apartam ento de Am elia. Talvez ele fosse um a verdadeira bola de fogo sob aquela cam isa branca e as calças pretas.

Olhei ao redor do pátio. Sim , a bicicleta de Bob ainda estava encostada contra o m uro. Já que o céu estava escurecendo a cada m inuto, eu coloquei a bicicleta no alpendre tam bém .

Passar o dia todo com Quinn estava atiçando m eu fogo a cada instante. Ele term inou de cam iseta regata e j eans, e eu m e descobri im aginando com o ele ficaria sem eles. E não achava que era a única conj eturando a respeito de com o as pessoas se pareciam nuas. Eu podia ter um vislum bre da m ente de Quinn de vez em quando, enquanto carregava sacos pela escada ou guardava potes e panelas num a caixa, e aqueles flashes não eram sobre abrir sua correspondência ou fazer lavanderia.

Eu tive suficiente presença de espírito prático para entender quando ouvi o

prim eiro soar de trovões à distância. A Big Easy3 estava prestes a ser inundada.

Então voltei a flertar com Quinn sem palavras— certificando-m e de que ele tivesse um a boa visão quando eu m e esticava para pegar um copo no arm ário ou inclinava para enrolar aquele copo em folhas de j ornal.

Talvez um quarto de m im estivesse em baraçada, m as o resto estava se divertindo. Diversão não foi um grande fator em m inha vida recentem ente— bom , nunca— e eu estava desfrutando m inha pequena viagem pelo lado selvagem .

No andar de baixo, senti o cérebro de Am elia acordar, após um reaj uste. Eu estava fam iliarizada com aquela sensação, por trabalhar no bar:

Am elia estava de ressaca. Sorri para m im m esm a quando a bruxa pensou em Bob, que ainda dorm ia ao lado. Tirando o básico “Com o eu pude?”, o pensam ento m ais coerente de Am elia foi de que precisava de café. E precisava m uito. Ela nem m esm o podia acender a luz no apartam ento, que estava escurecendo sem parar com a aproxim ação da tem pestade. A luz m achucaria dem ais seus olhos.

Eu m e virei com um sorriso nos lábios, pronta para contar a Quinn que teríam os notícias de Am elia em breve, apenas para encontrá-lo atrás de m im , o rosto concentrado num olhar inconfundível. Ele estava pronto para algo inteiram ente diferente.

— Diga que você não quer que a beij e, e eu m e afasto – disse, e então m e beij ou.

Eu não disse um a palavra.

Quando a diferença de altura se tornou um problem a, Quinn apenas m e levantou e colocou sobre o balcão da cozinha. O ribom bar dos trovões soou do lado de fora enquanto eu afastava os j oelhos para que ele se aproxim asse de m im tanto quanto possível. Prendi-o com as pernas. Ele puxou o elástico de m eus cabelos, um processo que não foi totalm ente livre de dor, e correu os dedos através do em aranhado. Ele agarrou m eus cabelos e aspirou fundo, com o se estivesse extraindo o perfum e de um a flor.

— Tudo bem ? – ele perguntou com a respiração irregular, enquanto seus dedos procuravam um a abertura por trás de m inha cam iseta e escorregavam por baixo. Ele exam inou m eu sutiã com o tato, im aginando com o abri-lo em tem po recorde.

— Bem ? – respondi confusa. Não tinha certeza se queria dizer “Bem ? Inferno, sim , depressa!” ou “Que parte de bem você quer saber?”, m as Quinn naturalm ente entendeu isso com o um sinal verde. Suas m ãos em purraram o sutiã de lado e ele percorreu m eus m am ilos, que j á estavam duros, com os polegares.

Achei que ia explodir e, apenas a antecipação segura de que coisas m elhores estavam por vir, m e im pediram de ceder naquele instante.

Contorci-m e ainda m ais para a ponta do balcão, então a grande saliência no j eans de Quinn pressionou-se contra o vão de m inha calça. Era incrível com o se aj ustavam . Ele se apertou contra m im , recuou, apertou novam ente, a protuberância form ada pelo tecido do j eans sobre seu pênis atingindo o local exato, tão fácil de alcançar através do tecido fino e elástico da m alha.

Mais um a vez e eu gritei, m e segurando a ele através do m om ento cego do orgasm o, quando podia j urar que fui catapultada para outro universo. Minha respiração era m ais com o um soluço, e abracei-o com o se fosse m eu herói. Naquele m om ento, ele certam ente era.

Sua respiração ainda era irregular, e ele m oveu-se contra m im novam ente, buscando seu próprio alívio, j á que tive o m eu tão ruidosam ente. Chupei seu pescoço enquanto m inha m ão descia, acariciando-o através do j eans, e então ele deu um grito tão desesperado quanto o m eu, seus braços apertando-se ao m eu redor convulsivam ente.

— Oh, Deus – disse – oh, Deus. – Ele fechou os olhos com força ao gozar, beij ando m eu pescoço, m eu rosto, os lábios, interm inavelm ente.

Quando sua respiração— e a m inha— ficou um pouco m ais firm e, ele disse, — Docinho, eu não chegava assim desde que tinha dezessete anos, no banco traseiro do carro de m eu pai com Ellie Hopper.

— Então, é um a coisa boa – m urm urei.

— Pode apostar – disse.

Ficam os abraçados por um m om ento, e m e dei conta da chuva batendo contra as j anelas e as portas, e do trovej ar se afastando. Meu cérebro pensava em apagar para um a soneca, e eu estava preguiçosam ente consciente de que o cérebro de Quinn estava igualm ente sonolento enquanto ele voltava a prender as costas de m eu sutiã.

No andar de baixo, Am elia fazia café na cozinha escura e Bob o bruxo despertava com o cheiro m aravilhoso, im aginando onde estavam suas calças. E no pátio, aglom erando-se silenciosam ente nas escadas, inim igos se aproxim avam .

— Quinn! – exclam ei, no m om ento em que sua audição afiada percebeu o arrastar de passos.

Quinn entrou em m odo de batalha. Desde que não estava em casa para checar os sím bolos do calendário, eu esqueci que estávam os perto da lua cheia. Havia garras nas m ãos de Quinn agora, garras com pelo m enos dez centím etros, ao invés de dedos. Seus olhos contraíram e tornaram -se com pletam ente dourados, com pupilas negras dilatadas. A m udança nos ossos em seu rosto o deixava alienígena. Eu tinha feito um a form a de am or com este hom em dez m inutos atrás, e agora m al o reconheceria se passasse por ele na rua.

Mas não havia tem po para pensar em nada, exceto nossa m elhor defesa. Eu era o elo fraco e teria m elhores chances se dependesse da surpresa. Deslizei do balcão, corri até a porta, e peguei o abaj ur do pedestal.

Quando o prim eiro Lobi irrom peu pela porta, eu o atingi em cheio na cabeça. Ele cam baleou, o seguinte atrás dele tropeçou sobre o predecessor, e Quinn estava m ais do que pronto para o terceiro.

Infelizm ente, havia m ais seis.