Definitivamente Morto
Capítulo 18
— VOSSA MAJESTADE, NÓS tem os que parar – disse Am elia, e a rainha deu um pequeno aceno com a m ão que pode ter sido concordância.
Terry estava tão exausta que se apoiava pesadam ente contra o corrim ão das escadas, e Patsy parecia quase lívida na galeria. O nerd Bob parecia inalterado, m as ele esteve sabiam ente sentado num a cadeira desde o início. Com um sinal m udo de Am elia, eles com eçaram a desfazer o feitiço que lançaram e gradualm ente a atm osfera sinistra dim inuiu. Havíam os nos transform ado num bando indisposto de pessoas esquisitas num pátio em Nova Orleans, ao invés de testem unhas indefesas de um a encenação m ágica.
Am elia foi ao alpendre num canto e trouxe algum as cadeiras dobráveis. Sigebert e Wy bert não entenderam o m ecanism o, então Am elia e Bob dispuseram as cadeiras. Depois que a rainha e as bruxas se sentaram , restou um assento que eu peguei após um instante de silêncio entre m im e os quatro vam piros.
— Então nós sabem os o que aconteceu na noite seguinte – falei cansada. Eu estava m e sentindo um pouco tola num vestido elegante e sandálias de salto alto. Seria bom colocar m inhas roupas norm ais.
— Hã, com licença, você pode saber, m as o resto de nós não e querem os saber – disse Bob. Ele parecia inconsciente do fato de que devia estar trem endo nas bases na presença da rainha.
Havia algum a coisa de adorável a respeito do bruxo esquisito. E os quatro trabalharam tão duro; se eles queriam saber o resto da história, não havia razão para que não pudessem ouvir. A rainha não levantou obj eção.
Até Flor de Jade, que guardara a espada, parecia levem ente interessada.
— Na noite seguinte, Waldo atraiu Hadley ao cem itério com a história do túm ulo de Marie Laveau e a tradição vam pira de que os m ortos podem ressuscitar os m ortos— nesse caso, a sacerdotisa vodu Marie Laveau.
Hadley queria que Marie Laveau respondesse suas perguntas, que Waldo disse a Hadley que o fantasm a podia, se o ritual correto fosse seguido.
Em bora Waldo tenha m e dado um a razão para Hadley concordar em fazer isso na noite em que o encontrei, agora sei que ele estava m entindo. Mas eu posso pensar em várias outras razões para ela ter concordado em ir com Waldo ao Cem itério de St. Louis – falei. A rainha concordou silenciosam ente. – Acho que ela queria descobrir o que Jake seria quando acordasse – disse. – Acho que queria descobrir o que fazer com ele. Ela não podia deixá-lo m orrer, vocês viram isso, m as não queria adm itir a ninguém que criou um vam piro, especialm ente um que foi um Lobi.
Eu tinha um a plateia cativa. Sigebert e Wy bert acocoraram -se de am bos os lados da rainha e estavam envolvidos na história. Isso devia ser com o ir ao cinem a para eles.
Todos os bruxos estavam interessados em ouvir os bastidores dos acontecim entos que acabaram de testem unhar. Flor de Jade tinha os olhos fixos em m im . Som ente Andre parecia im une, e ele estava ocupado fazendo seu trabalho de guarda-costas, constantem ente checando o pátio e o céu por um ataque.
— Tam bém é possível que Hadley tenha acreditado que o fantasm a podia lhe dar conselhos sobre com o reconquistar o afeto da rainha. Sem ofensa, m adam e – acrescentei, lem brando tarde dem ais que a rainha se encontrava sentada a alguns m etros de m im , num a cadeira dobrável com a etiqueta de preço do Wal-Mart ainda pendurada no encosto de plástico.
A rainha acenou com a m ão num gesto negligente. Ela estava afundada em pensam entos, tão profundam ente que eu nem tinha certeza se teria m e ouvido.
— Não foi Waldo quem drenou Jake Purifoy – disse a rainha, para m eu espanto. – Waldo não poderia ter im aginado que, quando teve sucesso ao m atar Hadley e m e inform ou, culpando a Sociedade do Sol, esta bruxa esperta obedeceria à ordem para selar o apartam ento literalm ente, inclusive com um feitiço de stasis. Waldo j á tinha um plano. Quem m atou Jake possuía um plano separado— talvez culpar Hadley pela m orte e o renascim ento de Jake... o que a condenaria à prisão num a cela para vam piros. Talvez o assassino tenha pensado que Jake m ataria Hadley quando levantasse dentro de três dias... e provavelm ente, ele o teria feito.
Am elia tentou parecer m odesta, m as era um a batalha perdida. Devia ter sido fácil, j á que a única razão para ela lançar o feitiço era para im pedir que o apartam ento cheirasse a lixo quando fosse finalm ente reaberto. Ela sabia, e eu sabia disso. Mas fora um belo trabalho de m agia, e eu não ia puxar o tapete dela.
Am elia puxou sozinha.
— Ou talvez – ela disse alegrem ente, – alguém tenha pago Waldo para tirar Hadley do cam inho, de um j eito ou de outro.
Eu tive que levantar m inhas barreiras im ediatam ente, porque todos os bruxos com eçaram a transm itir sinais de pânico tão fortes que estar perto deles era insuportável. Eles sabiam que o que Am elia dissera aborreceria a rainha, e quando a Rainha da Louisiana ficava agitada, aqueles ao redor dela tendiam a ficar ainda m ais agitados.
A rainha pulou da cadeira, então todos nós ficam os de pé, rápidos e desaj eitados. Am elia tinha sentado sobre as pernas, então ela estava especialm ente desaj eitada, o que foi bem feito. Flor de Jade se afastara do resto dos vam piros, m as talvez quisesse m ais espaço no caso de ter que m anej ar sua espada. Andre foi o único quem notou isso, além de m im . Ele m anteve o olhar fixo na guarda-costas do rei.
Eu não sei o que teria acontecido em seguida se Quinn não tivesse entrado pelo portão. Ele saiu do enorm e carro preto, ignorou o quadro tenso com o se nem existisse, e cruzou o pátio até m im . Ele casualm ente lançou um braço ao redor de m eus om bros e inclinou-se para m e dar um beij o de leve. Eu não sei com o com parar um beij o com outro. Todos os hom ens beij am de form a diferente, não é? E isso diz algo a respeito de suas naturezas. Quinn m e beij ou com o se estivéssem os continuando um a conversa.
— Docinho – disse, quando fiquei sem palavras. – Eu cheguei num a hora boa? O que aconteceu com o seu braço?
A atm osfera relaxou um pouco. Eu o apresentei às pessoas paradas no pátio. Ele conhecia todos os vam piros, m as não encontrara os bruxos.
Ele se afastou de m im para encontrá-los e cum prim entá-los. Patsy e Am elia obviam ente ouviram falar dele e tentaram m uito não agirem im pressionadas dem ais ao conhecê-lo.
Eu tive que tirar o resto das notícias da noite de m eu peito. — Meu braço foi m ordido, Quinn – com ecei. Quinn esperou, os olhos atentos em m eu rosto. – Fui m ordido por um ... receio que saibam os o que aconteceu com seu funcionário. O nom e dele era Jake Purifoy , não é? – falei.
— O quê? – Sob as luzes brilhantes do pátio, vi que sua expressão era cautelosa. Ele sabia que algo ruim estava vindo; claro que, ao ver a com panhia reunida, qualquer um teria adivinhado.
— Ele foi drenado e deixado aqui no pátio. Para salvar a vida dele, Hadley o transform ou. Ele se tornou um vam piro.
Quinn não entendeu por alguns segundos. Eu observei enquanto a com preensão da enorm idade do que acontecera a Jake Purifoy o atingia. O rosto de Quinn se transform ou em pedra. Descobri-m e desej ando que ele nunca olhasse para m im desse j eito.
— A m udança foi sem o consentim ento dos Lobis – disse a rainha. – Obviam ente, um Lobi nunca concordaria em se tornar um de nós. – Se ela soou um pouco desdenhosa, eu não fiquei m uito surpresa. Lobis e vam piros possuíam um a aversão m al disfarçada um pelo outro, e apenas o fato de que eram unidos contra o m undo norm al evitava que aquela aversão se transform asse em guerra declarada.
— Eu fui até sua casa – Quinn disse para m im , inesperadam ente. – Queria ver se você tinha voltado de Nova Orleans antes de vir para cá para procurar por Jake. Quem queim ou um dem ônio em sua entrada?
— Alguém m atou Gladiola, a m ensageira da rainha, quando ela veio m e entregar um a m ensagem – respondi.
Houve com oção entre os vam piros ao redor. A rainha sabia a respeito da m orte de Gladiola, é claro; o Sr. Cataliades com certeza contaria a ela.
Mas ninguém m ais ouviu falar sobre isso.
— Muitas pessoas m orrendo em seu quintal, docinho – Quinn disse, apesar do tom ausente, e eu não o culpava por isso preocupá-lo.
— Só duas – respondi defensivam ente, após um a rápida contagem m ental. – Eu dificilm ente cham aria isso de m uito. – Claro, se você contasse as pessoas que m orreram na casa... eu rapidam ente interrom pi essa linha de pensam ento.
— Querem saber? – Am elia disse num a voz alta e artificialm ente social. – Acho que nós, bruxos, vam os descer a rua até aquela pizzaria na esquina da Chloe e Justine. Então se precisarem de nós, estarem os lá. Certo, pessoal? – Bob, Patsy e Terry se m overam m ais rápido do que achei que eram capazes até o portão aberto, e quando os vam piros não perceberam nenhum sinal de sua rainha, abriram cam inho e os deixaram passar. Já que Am elia não se incom odou em pegar a bolsa, eu esperava que ela tivesse dinheiro num bolso e as chaves no outro.
Oh, bem .
Eu quase desej ei seguir atrás deles. Espere um m inuto! Por que não?
Olhei desej osam ente para o portão, m as Flor de Jade se colocou na entrada e m e encarou, os olhos com o buracos negros no rosto redondo.
Ali estava um a m ulher que não gostava nem um pouco de m im .
Andre, Sigebert e Wy bert podiam definitivam ente m e pegar ou largar, e Rasul até podia achar que eu não seria m á com panhia para um a hora na cidade — m as Flor de Jade adoraria acertar m inha cabeça com sua espada, e isso era um fato. Eu não conseguia ler a m ente dos vam piros (exceto por pequenos vislum bres de vez em quando, o que era um grande segredo), m as podia ler a linguagem corporal e a expressão nos olhos dela. Eu não sabia a razão dessa anim osidade e, há essa hora, não acho que im portava nem um pouco.
A rainha estava pensando. Disse, — Rasul, nós devem os voltar para casa daqui a pouco. – Ele se curvou e foi para o carro. – Srta. Stackhouse – ela disse, voltando os olhos para m im . Eles brilhavam com o lâm padas som brias. Ela pegou m inha m ão e nós subim os as escadas até o apartam ento de Hadley, com Andre nos seguindo com o se fosse algo preso com corrente à perna de Sophie-Anne. Eu sentia o insensato im pulso de arrancar m inha m ão sob a da rainha, que obviam ente era fria, áspera e forte, apesar de ela ser cuidadosa em não apertar. Estar tão perto da antiga vam pira m e fazia vibrar com o as cordas de um violino. Eu não entendia com o Hadley suportou.
Ela m e guiou para dentro do apartam ento e fechou a porta atrás de nós. Acho que nem a excelente audição dos vam piros lá fora podia ouvir nossa conversa agora. Aquele era o obj etivo dela, porque a prim eira coisa que disse foi, — Você não irá m encionar a ninguém o que eu estou prestes a lhe contar.
Eu sacudi a cabeça, m uda de apreensão.
— Com ecei m inha vida no que se tornou o norte da França, há cerca de... m il e cem anos atrás.
Eu engoli em seco.
— Eu não sabia onde estava, é claro, m as acho que era a Lotharingia.
No últim o século, tentei encontrar o lugar onde passei m eus prim eiros doze anos, m as não consegui, m esm o se m inha vida dependesse disso. – Ela deu um a risada im petuosa ao fim da frase. – Minha m ãe era a esposa do hom em m ais rico da cidade, o que significava que tínham os dois porcos a m ais do que os outros. Meu nom e então era Judith.
Eu m e esforcei para não parecer chocada, apenas interessada, m as era difícil.
— Quando eu tinha uns dez ou doze anos, acho, um m ascate surgiu vindo da estrada. Não víam os um rosto novo há seis m eses. Estávam os entusiasm ados. – Mas ela não sorriu ou pareceu ter lem brado da sensação de entusiasm o, apenas do fato. Seus om bros subiram e desceram um a vez.
– Ele carregava um a doença que nunca vim os antes. Agora acho que era algum a form a de gripe. Após duas sem anas de estadia na cidade, todos estavam m ortos, exceto eu e um garoto um pouco m ais velho.
Houve um m om ento de silêncio enquanto pensávam os a respeito.
Pelo m enos, eu pensava, e im aginei que a rainha recordava. Andre podia estar pensando no preço das bananas na Guatem ala.
— Clovis não gostava de m im – disse a rainha. – Eu esqueci por quê.
Nossos pais... não lem bro. As coisas podiam ter sido diferentes se ele se im portasse com igo. Mas com o aconteceu, ele m e estuprou e então levou para a cidade vizinha, onde com eçou a m e oferecer. Por dinheiro, é claro, ou com ida. Apesar de a gripe ter se espalhado por nossa região, nós nunca ficam os doentes.
Eu tentei olhar para qualquer lugar, exceto para ela.
— Por que não m e olha nos olhos? – ela exigiu. Suas palavras e sotaque m udaram enquanto falava, com o se acabasse de aprender inglês.
— Sinto-m e tão m al por você – respondi.
Ela fez um som que envolvia encostar os dentes de cim a sobre o lábio inferior e fazer um esforço extra para inspirar ar e poder soprá-lo.
Soou com o “fffft!” — Não se incom ode – disse a rainha. – Porque o que aconteceu em seguida, quando acam pam os na floresta, foi que um vam piro o pegou. – Ela pareceu alegre com a lem brança. Um a viagem e tanto através das recordações. – O vam piro estava m uito fam into e com eçou com Clovis prim eiro porque era m aior, m as quando acabou ele pôde tirar um m inuto para olhar para m im e pensar que seria bom ter com panhia. Seu nom e era Alain. Durante cerca de três anos, eu viaj ei com Alain. Vam piros eram discretos então, é claro. Suas existências eram apenas histórias contadas por velhas j unto à fogueira. E Alain era bom em m anter as coisas assim . Alain foi um sacerdote e gostava m uito de surpreender os padres em suas cam as. – Ela sorriu saudosam ente.
Eu descobri m inha sim patia dim inuindo.
— Alain prom eteu várias vezes que m e transform aria, porque obviam ente eu queria ser com o ele. Eu queria a força. – Os olhos dela pousaram em m im .
Eu concordei sinceram ente. Podia entender aquilo.
— Mas quando precisava de dinheiro, para roupas e com ida para m im , ele fazia a m esm a coisa que Clovis fez com igo, m e vendia por dinheiro. Ele sabia que os hom ens perceberiam se eu fosse fria, e sabia que eu os m orderia se m e transform asse. Eu fiquei cansada das prom essas.
Eu assenti para m ostrar que prestava atenção. E estava prestando, m as no fundo de m inha m ente estava im aginando onde diabo esse m onólogo ia parar, e por que eu era a recipiente daquela fascinante e deprim ente história.
— Então, certa noite, nós entram os num a vila onde o chefe conhecia Alain pelo que ele era. Estúpido Alain esqueceu que j á tinha passado por ali e drenado a esposa do chefe! Então os aldeãos o prenderam com um a corrente de prata, o que era algo surpreendente de se encontrar num a pequena vila, isso eu posso dizer... e o j ogaram num a choupana, planej ando m antê-lo lá até o padre da vila voltar de viagem . Eles pretendiam colocá-lo sob o sol com algum a cerim ônia religiosa. Era um a vila pobre, m as eles em pilharam todas as peças de prata e todo alho que possuíam sobre ele, num esforço para m antê-lo subj ugado. – A rainha riu. – Eles sabiam que eu era hum ana e que ele abusou de m im – disse. – Então não m e prenderam . A fam ília do chefe discutiu sobre m e usarem com o escrava, j á que tinham perdido um a m ulher para o vam piro. Eu sabia com o seria aquilo.
A expressão no rosto dela era tão desoladora quanto absolutam ente arrepiante. Eu perm aneci im óvel.
— Naquela noite, eu puxei algum as tábuas soltas atrás da choupana e entrei m e arrastando. Disse a Alain que, quando ele m e transform asse, eu o libertaria. Nós barganham os por um tem po, e então ele concordou. Cavei um buraco no chão, grande o suficiente para o m eu corpo. Planej am os que Alain iria m e drenar e enterrar sob o catre onde estava deitado, disfarçando o buraco da m elhor form a possível. Ele podia se m exer o suficiente para isso. Na terceira noite, eu levantaria. Quebraria suas correntes e j ogaria o alho, apesar de queim ar as m ãos. Fugiríam os na escuridão. – Ela riu alto. – Mas o padre voltou antes de três dias corridos. No m om ento em que saí debaixo da terra, Alain j á se transform ara em cinzas ao vento. O lugar onde Alain esteve preso era a cabana do padre. Foi o velho quem m e contou o que aconteceu.
Tive a sensação de que conhecia o final daquela história. — Okay – falei rapidam ente. – Acho que o padre foi sua prim eira refeição. – Sorri brilhantem ente.
— Oh, não – disse Sophie-Anne, anteriorm ente Judith. – Eu disse a ele que era o anj o da m orte e estava o poupando, j á que foi tão virtuoso.
Considerando o estado de Jake Purifoy quando ele acordou pela prim eira vez, pude apreciar o esforço suprem o que deve ter sido para a nova vam pira.
— O que fez depois? – perguntei.
— Após alguns anos, encontrei um órfão com o eu, vagando pela floresta – ela disse, virando-se para fitar o guarda-costas. – Estam os j untos desde então.
E finalm ente eu vi um a expressão no rosto sem rugas de Andre: total devoção.
— Ele estava sendo forçado, com o eu fui – disse ela, gentilm ente. – E cuidei disso.
Senti um arrepio gelado subir pela espinha. Eu não teria conseguido encontrar algo para dizer nem que m e pagassem .
— A razão pela qual a entediei com m inha antiga história, – disse a rainha, recom pondo-se e endireitando-se na cadeira. – é para lhe dizer por que coloquei Hadley sob m inhas asas. Ela tam bém foi m olestada, pelo tioavô.
Ele a m olestou tam bém ?
Eu assenti. Não tinha ideia de que ele fora atrás de Hadley. Ele não progrediu para penetração de fato, apenas porque m eus pais m orreram e eu fui m orar com m inha avó. Meus pais não tinham acreditado em m im , m as eu convenci m inha avó de que estava dizendo a verdade na época em que ele sentiu que eu estava m adura, aos nove anos. Claro, Hadley era m ais velha. Tínham os m ais coisas em com um do que eu im aginava.
— Sinto m uito, eu não sabia – respondi. – Obrigada por m e contar.
— Hadley falou com freqü.ncia a seu respeito – a rainha disse.
É, obrigada, Hadley. Obrigada por m e deixar na pior... não, espere, isso era inj usto. Descobrir sobre a traição m aciça de Bill não foi a pior coisa que m e aconteceu. Mas tam bém não era tão distante em m inha lista pessoal.— Foi o que eu descobri – falei, m inha voz tão fria e dura quanto um talo de aipo.
— Você está aborrecida por eu ter m andando Bill para investigá-la e descobrir se poderia ser útil a m im – disse a rainha.
Respirei fundo e m e forcei a dim inuir a pressão nos dentes. — Não, eu não estou aborrecida com você. Você não pode evitar ser com o é. E sequer m e conhecia. – Outra tom ada de fôlego. – Estou aborrecida com Bill, que m e conhecia e seguiu em frente com o plano de um m odo bem m eticuloso e calculista. – Eu tive que conduzir a dor. – Além do m ais, por que você se im portaria? – Meu tom beirava à insolência, o que não era sábio quando se estava lidando com um a vam pira poderosa. Ela tocara num ponto m uito dolorido.
— Porque você era querida por Hadley – Sophie-Anne disse inesperadam ente.
— Você não saberia pelo m odo com o ela m e tratava, depois que se tornou adolescente – respondi, aparentem ente decidindo que honestidade im prudente era o curso a seguir.
— Ela se arrependia por isso, – a rainha disse – especialm ente depois que se tornou vam pira, e descobriu o que era ser um a m inoria. Mesm o aqui em Nova Orleans, existe preconceito. Conversávam os frequentem ente sobre a vida dela quando estávam os sozinhas.
Eu não sabia o que m e deixava m ais desconfortável, a ideia da rainha e m inha prim a tendo sexo, ou tendo conversa de travesseiro a m eu respeito depois. Eu não ligo que adultos façam sexo consentido, não im porta que tipo de sexo sej a, contanto que am bos os lados concordem . Mas eu tam bém não preciso necessariam ente ouvir os detalhes. Qualquer interesse m órbido que eu possa ter sentido foi afogado após anos de im agens das m entes do pessoal no bar. Aquilo estava se transform ando num a longa conversa. Eu queria que a rainha chegasse logo ao ponto.
— A questão é – disse a rainha – que estou grata por você— através das bruxas— ter m e dado um a ideia m elhor sobre com o Hadley m orreu. E tam bém você m e fez saber que existe um a tram a m aior contra m im do que apenas o coração cium ento de Waldo.
Eu fiz isso?
— Então, eu estou em débito. Diga-m e o que posso fazer por você agora.
— Ah. Mandar um m onte de caixas para que eu possa em pacotar as coisas de Hadley e voltar para Bon Tem ps? Conseguir alguém para levar as coisas que eu não quero para caridade?
A rainha olhou para baixo e eu j uro que ela estava reprim indo um sorriso. — Sim , acho que posso fazer isso – disse. – Mandarei um hum ano pela m anhã, para fazer essas coisas.
— Se alguém puder colocar as coisas que eu quero num a van e levar para Bon Tem ps, seria m uito bom – falei. – Talvez eu m esm a possa voltar com a van?
— Tam bém não é um problem a – ela disse.
Agora, o grande favor. — Eu realm ente tenho que ir com vocês a essa conferência? – perguntei, o que eu sabia que era forçar a barra.
— Sim – ela respondeu.
Okay , um m uro ali.
Ela acrescentou, — Mas irei pagá-la substancialm ente.
Eu m e anim ei. Um pouco do dinheiro que ganhei do serviço anterior para os vam piros ainda estava em m inha conta na poupança, e tive um grande alívio financeiro quando Tara “vendeu” seu carro para m im por um dólar, m as eu estava tão acostum ada a viver no lim ite que um pé-de-m eia era sem pre bem -vindo. Eu sem pre ficava com m edo de quebrar um a perna ou do carro ter problem as ou m inha casa pegar fogo... espere, isso j á aconteceu... bom , que algum desastre acontecesse, com o um furacão levar em bora o estúpido telhado de zinco que m inha avó insistiu em colocar, ou outra coisa.
— Você quer algo de Hadley ? – perguntei, m inha linha de pensam ento se distanciando do dinheiro. – Sabe, com o um a lem brança?
Algo cintilou em seus olhos, algo que m e surpreendeu.
— Você tirou as palavras da m inha boca – disse a rainha, com um adorável toque de sotaque francês.
Oh-oh. Não podia ser bom se ela m udou para charm e.
— Eu pedi que Hadley escondesse um a coisa para m im – ela disse.
Meu m edidor de conversa fiada soava com o o alarm e de um relógio. – E se você encontrasse durante a m udança, eu gostaria de ter de volta.
— Com o que se parece?
— É um a j oia – ela disse. – Meu m arido m e deu com o presente de noivado. Eu acabei deixando aqui antes do casam ento.
— Fique à vontade para olhar na caixa de j oias de Hadley – respondi im ediatam ente. – Se pertence a você, é claro que pode ter de volta.
— É m uito gentil de sua parte – disse ela, o rosto de volta à inexpressividade de vidro norm al. – É um diam ante, um grande diam ante preso num bracelete de platina.
Eu não lem brava de nada parecido entre as coisas de Hadley, m as não tinha olhado com cuidado. Tinha planej ado guardar a caixa de j oias intacta para poder verificar em m eu tem po livre, em Bon Tem ps.
— Por favor, olhe agora – sugeri. – Sei que seria um a gafe perder um presente de seu m arido.
— Oh – ela disse gentilm ente – você nem tem ideia. – Sophie-Anne fechou os olhos por um segundo, com o se estivesse ansiosa dem ais para falar. – Andre – disse, e com isso ele seguiu para o quarto— não precisou perguntar onde ficava, notei— e enquanto estava afastado, a rainha parecia curiosam ente incom pleta. Indaguei-m e por que ele não a acom panhou à Bon Tem ps e, num im pulso, perguntei.
Ela m e encarou, os olhos cristalinos enorm es e sem expressão. — Supostam ente, eu não devia estar lá – disse. – Sabia que, se Andre m ostrasse estar em Nova Orleans, todos assum iriam que eu estava aqui tam bém . – Im aginei se o contrário seria verdadeiro. Se a rainha estivesse aqui, todos assum iriam que André tam bém estava? E aquilo m e fez pensar em algo, um pensam ento que se foi antes que eu pudesse segurá-lo.
André voltou naquele m om ento, um m inúsculo aceno de cabeça dizendo à rainha que não encontrou o que ela desej ava recuperar. Por um instante, Sophie-Anne pareceu bem infeliz.
— Hadley fez isso num m om ento de raiva – a rainha disse, e achei que estivesse falando consigo m esm a. – Mas poderia ter m e trazido por baixo dos panos. – Então seu rosto relaxou naquele estado habitual de inexpressividade.
— Eu vou ficar de olho no bracelete – falei. Suspeitei que o valor da j oia não se encontrasse no apreço. – Esse bracelete foi deixado aqui na noite antes do casam ento? – perguntei cautelosam ente.
Eu suspeitava que m inha prim a Hadley tivesse roubado o bracelete por puro ressentim ento pela rainha estar se casando. Aquilo parecia algo que Hadley faria. Se tivesse sabido a respeito do bracelete que ela ocultara, eu teria pedido aos bruxos que voltassem no tem po durante a reconstrução ectoplásm ica. Poderíam os ter visto Hadley escondendo a coisa.
A rainha deu um curto aceno – Eu devo tê-lo de volta – a rainha disse. – Você entende que não é o valor do diam ante que m e preocupa?
Que um casam ento entre governantes vam piros não é um laço de am or, onde tudo pode ser perdoado? Perder um presente de seu esposo é um a ofensa m uito grave. E nosso baile de prim avera está program ado para daqui há duas noites. O rei espera m e ver usando seus presentes. Se eu não estiver... – Sua voz falhou, e m esm o Andre pareceu quase preocupado.
— Estou entendendo a questão – respondi. Eu j á havia notado a tensão vagando pelos corredores do quartel-general da rainha. Cabeças rolariam , e era a cabeça de Sophie-Anne que estaria na berlinda. – Se estiver aqui, você o terá de volta. Okay ? – Estendi as m ãos, perguntando se ela acreditava em m im .
— Está bem – ela disse. – Andre, não posso m ais perder tem po aqui.
Flor de Jade irá relatar o fato de que subi com Sookie. Sookie, nós devem os fingir que fizem os sexo.
— Desculpe, qualquer um que m e conheça sabe que eu não nam oro m ulheres. Não sei a quem você espera que Flor de Jade relate... – (Claro que sabia, e só podia ser o rei, m as não parecia diplom ático dizer “Eu sei qual é a sua” no m om ento.) – Mas se eles fizeram o dever de casa, é um fato concreto a m eu respeito.
— Talvez você tenha feito sexo com Andre, então – ela disse calm am ente. – E m e deixou assistir.
Eu pensei em várias perguntas, a prim eira sendo, “Esse é o procedim ento norm al com você?” seguido por “Não é legal perder um bracelete, m as tudo bem colidir as pélvis com alguém ?” Mas m antive a boca fechada. Se alguém estivesse apontando um a arm a para a m inha cabeça, eu de fato escolheria ter sexo com a rainha ao invés de Andre, não im porta qual sej a m inha preferência de gênero, porque Andre m e assustava com o o inferno. Mas se nós estávam os só fingindo...
De form a m etódica, Andre tirou a gravata, dobrou-a, guardou-a no bolso e desabotoou alguns botões da cam isa. Ele acenou com o dedo para que eu m e aproxim asse. Eu obedeci cautelosam ente. Ele m e tom ou nos braços e segurou de perto, pressionando-m e contra ele, depois inclinou a cabeça sobre m eu pescoço. Por um segundo, achei que ele ia m e m order, e senti um a fagulha de absoluto pânico, m as ele apenas m e cheirou. É um ato intencional para um vam piro.
— Coloque sua boca em m eu pescoço – ele disse, após outra longa fungada em m im . – Seu batom vai se transferir.
Eu fiz o que ele m andou. Ele era frio com o gelo. Isso era com o...
bom , era estranho dem ais. Pensei na sessão de fotos com Claude; ultim am ente eu passava um bocado de tem po fingindo ter sexo.
— Adoro cheiro de fada. Você acha que ela sabe que tem sangue de fada? – ele perguntou para Sophie-Anne, enquanto eu estava no processo de transferir m eu batom .
Minha cabeça levantou-se im ediatam ente. Fitei-o direto nos olhos, e ele retribuiu o olhar. Ele ainda m e abraçava, e com preendi que estava se certificando de que eu cheirava com o ele e vice-versa, com o se tivéssem os feito o negócio de fato. Andre definitivam ente não estava a fim da coisa real, o que era um alívio.
— Eu o quê? – Não tinha ouvido corretam ente, com certeza. – Eu tenho o quê?
— Ele tem faro para essas coisas – disse a rainha. – Meu Andre. –
Ela parecia levem ente orgulhosa.
— Eu andei passeando com m inha am iga Claudine m ais cedo durante o dia – falei. – Ela é um a fada. É de onde vem o cheiro. – Eu realm ente devia tom ar um banho.
— Você m e perm ite? – perguntou Andre e, sem esperar por um a resposta, cravou um a unha em m eu braço ferido, bem em cim a da atadura.
— Ei! – respondi em protesto.
Ele deixou um pouco de sangue escorrer para seu dedo e levou-o à boca. Experim entou-o com o se estivesse provando um gole de vinho, e finalm ente disse, — Não, esse cheiro de fada não é por associação. Está em seu sangue. – Andre olhou para m im de um m odo que significava que suas palavras eram caso encerrado. – Você tem um leve traço de fada. Talvez sua avó ou avô fosse m eio-fada?
— Eu não sei nada sobre isso – respondi, soando estúpida, m as não sabia m ais o que dizer. – Se um de m eus avós foi outra coisa além de cem por cento hum ano, ele não passou a inform ação adiante.
— Não, eles não fariam isso – disse a rainha, sucinta. – A m aioria dos hum anos descendentes de fadas esconde o fato, porque não acreditam de verdade. Preferem achar que seus pais são loucos. – Ela deu de om bros.
Inexplicável! – Mas o sangue explicaria por que você possui pretendentes sobrenaturais e não adm iradores hum anos.
— Eu não tenho adm iradores hum anos porque não os quero – falei, definitivam ente ressentida. – Posso ler suas m entes e o fato sim plesm ente os faz correr. Isso se não são desencoraj ados por m inha reputação com as esquisitices – acrescentei, voltando ao tom de m uita-honestidade.
— É um com entário triste sobre hum anos, que nenhum deles é tolerável para alguém que pode ler suas m entes – a rainha disse.
Acho que era a palavra final sobre o valor da habilidade de se ler m entes. Decidi que seria m elhor parar com a conversa. Eu tinha m uito em que pensar.
Descem os as escadas com Andre liderando, a rainha atrás, e eu os seguindo. Andre insistira para que tirasse m eus sapatos e os brincos para dar a entender que eu havia m e despido e então voltado a colocar o vestido.
Os outros vam piros esperavam obedientem ente no pátio e voltaram às posições de alerta quando com eçam os a descer. A expressão de Flor de Jade não m udou quando leu todos os sinais do que estivem os fazendo na últim a m eia hora, m as pelo m enos não pareceu cética. Os Berts pareciam cientes, m as desinteressados, com o se a im agem de Sophie-Anne observando seu guarda-costas engaj ado em sexo (com um a virtual estranha) fosse um a sim ples questão de rotina.
Parado no portão esperando por instruções, o rosto de Rasul expressava um leve ar pesaroso, com o se desej asse ter sido incluído na ação. Quinn, por outro lado, pressionava a boca num a linha tão reta que não caberia nem um alfinete. Havia um a reparação a ser feita.
Mas enquanto deixávam os o apartam ento de Hadley, a rainha havia dito especificam ente que eu não com partilhasse sua história com ninguém , ênfase em ninguém . Eu sim plesm ente teria que pensar num m odo de deixar Quinn saber, sem deixá-lo saber.
Sem discussão ou bate-papo social, os vam piros entraram no carro.
Meu cérebro estava tão cheio de ideias, conj eturas e tudo m ais que eu m e sentia com ressaca. Queria ligar para m eu irm ão, Jason, e contar que ele não era tão irresistível afinal, era o sangue de fada nele, só para ver o que tinha a dizer. Não, espere, Andre dera a entender que hum anos não eram afetados pela proxim idade das fadas com o os vam piros. Isto é, hum anos não queriam consum ir fadas, m as considerava-os sexualm ente atraentes (pensei na m ultidão que sem pre cercava Claudine no Merlotte’s). E Andre dissera que os outros sobrenaturais eram atraídos pelo sangue de fada tam bém , m as não do m odo com estível com o os vam piros. Eric não ficaria aliviado? Ele ficaria tão contente em saber que não m e am ava de verdade!
Foi o sangue de fada o tem po todo!
Eu observei a lim usine real se afastar. Enquanto com batia um a onda com posta por cerca de seis em oções diferentes, Quinn lutava contra apenas um a. Ele estava bem na m inha frente, o rosto zangado.
— Com o ela a convenceu, Sookie? – perguntou. – Se você tivesse gritado, eu estaria lá num instante. Ou talvez você quisesse fazer isso? Eu teria j urado que você não era o tipo.
— Eu não fui para a cam a com ninguém esta noite – falei. Fitei-o diretam ente nos olhos. Afinal, isso não era revelar nada do que a rainha m e contou, era só... corrigir um erro. – Tudo bem se outros pensarem assim – disse cuidadosam ente. – Só não você.
Ele m e encarou por um longo tem po, seus olhos buscando os m eus com o se estivesse lendo algo escrito atrás de m eus globos oculares.
— Você gostaria de ir para a cam a com alguém esta noite? – ele perguntou.
Ele m e beij ou. Ele m e beij ou por um longo, longo tem po, enquanto perm anecíam os colados no pátio. As bruxas não voltaram ; os vam piros haviam partido. Som ente um carro ocasional passando na rua ou um a sirene ouvida à distância m e lem bravam de que estávam os no m eio da cidade. Isso foi diferente de ser abraçada por Andre, m ais do que eu pude im aginar. Quinn era quente, e eu podia sentir seus m úsculos m ovendo-se sob a pele. Podia ouvi-lo respirar e sentir sua pulsação. Podia sentir a agitação de seus pensam entos, que agora estavam focados principalm ente na cam a que ele sabia que devia estar em algum lugar no apartam ento de Hadley. Ele adorava o m eu cheiro, m eu toque, a sensação de m eus lábios...
e um a grande parte de Quinn atestava o fato. Essa grande parte estava pressionada entre nós nesse exato m om ento.
Eu fui para a cam a com outros dois hom ens e, em am bas as ocasiões, não term inou bem . Eu não sabia o suficiente sobre eles. Agi por im pulso.
Você deve aprender com seus erros. Por um segundo, não m e senti especialm ente esperta.
Felizm ente para m inha habilidade de tom ar decisões, o telefone de Quinn escolheu aquele m om ento para tocar. Deus abençoe aquele telefone.
Eu estava prestes a j ogar m inhas boas resoluções pela j anela, porque estive com m edo e solitária por toda a noite, e Quinn parecia relativam ente fam iliar e m e queria m uito.
Quinn, no entanto, não estava seguindo os m esm os processos de pensam ento — longe disso— e praguej ou quando o telefone tocou pela segunda vez.
— Com licença – ele disse, fúria em sua voz, e atendeu o m aldito telefone. – Está bem – disse, após ouvir por um instante a voz do outro lado.
– Tudo bem , eu estarei lá.
Ele desligou o pequeno celular. — Jake está perguntando por m im – disse.
Eu estava tão m areada com um a estranha com binação de desej o e alívio que levei um tem po para ligar os pontos. Jake Purifoy, o em pregado de Quinn, estava experim entando sua segunda noite com o vam piro. Tendo se alim entado de algum voluntário, ele estava recom posto o suficiente para querer conversar com Quinn. Ele ficou em anim ação suspensa durante sem anas, e havia um bocado de coisas que ele precisava entender.
— Então você tem que ir – falei, orgulhosa por m inha voz estar praticam ente firm e com o um a rocha. – Talvez ele se lem bre de quem o atacou. Am anhã, tenho que lhe contar sobre o que eu vi esta noite.
— Você teria dito sim ? – ele perguntou. – Se não tivéssem os sido interrom pidos por outro m inuto?
Eu considerei por um tem po. — Se tivesse dito sim , eu teria m e arrependido – respondi. – Não porque eu não te quero. Eu quero. Mas tive os olhos abertos nos últim os dias. Sei que sou bem fácil de ser enganada. – Tentei soar obj etiva, não lam entosa, quando disse aquilo. Ninguém gosta de um a m ulher choram ingona, m uito m enos eu. – Não estou interessada em com eçar isso com alguém que só está com tesão de m om ento. Eu nunca fui o tipo de m ulher de um a só noite. Quero ter certeza que, se fizer sexo com você, é porque você quer estar por perto durante algum tem po e gosta de m im por quem eu sou e não o que sou.
Talvez um m ilhão de m ulheres aproxim adam ente tenha feito o m esm o discurso. Eu sinceram ente falava a sério tanto quanto qualquer um a desse um m ilhão. E Quinn m e deu um a resposta perfeita.
— Quem iria querer só um a noite com você? – disse, e então partiu.