Desejo Proibido
Prólogo
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.
– Caralho, m ulher. Isso foi...
Ele fez um a pausa. E abriu os olhos, precisando de inspiração.
– Foi – term inou ela por ele.
Ela estava adorável envolta em seu brilho pós-coito. Carter a beij ou de novo.
– Sabe – disse ele, soltando seus lábios e olhando para ela. – Talvez Donne estivesse certo.
Ele traçou um cam inho com o indicador de seu nariz até aqueles lábios m aravilhosam ente inchados.
Kat tentou conter o sorriso, claram ente se recordando de sua aula no Central Park.
– Ah é? Com relação a quê?
Ele colocou um a m echa de cabelo enrolado atrás da orelha dela e contornou seu lóbulo com o polegar.
– Com relação a estar com alguém – m urm urou ele. – Com relação a isso ser com o o paraíso. – Kat fechou os olhos ao ouvir aquelas palavras. – Falei dem ais? – sondou ele com cautela na voz.
Ela balançou a cabeça.
– Não – respondeu Kat. – Foi exatam ente assim .
Ela reabriu os olhos.
O olhar de Carter desceu da testa até o queixo dela, assim ilando cada linha e cada contorno delicado. Ele percebeu que seu sorriso tinha aum entado.
– É indelicado ficar olhando – brincou ela.
Ele riu por ela ter usado as m esm as palavras que ele utilizara m ais cedo aquele dia e esfregou o nariz no dela.
– Não vou m e desculpar.
Ele a observou atentam ente por um instante, buscando por quaisquer sinais de arrependim ento.
– Você está bem ? – perguntou ele. – Quero dizer, quanto ao que contei a você hoj e. Quanto a quem eu sou.
– Estou m ais que bem .
Ele puxou os lábios dela até os seus e os beij ou.
Carter fechou os olhos e suspirou de contentam ento. Suas línguas se tocaram de form a breve e carinhosa, e os lábios de Carter ainda estavam se m ovendo quando ela se afastou. O coração dele parou por um instante.
Física e em ocionalm ente exausto, Carter deitou o corpo de Kat e repousou a orelha em seu peito úm ido, sorrindo ao ouvir o coração dela bater atrás das costelas. Os dedos dela se m overam sem pressa dos om bros à cabeça dele. Ele estava quase dorm indo quando a ouviu suspirar seu nom e.
– Carter?
– Sim ?
As m ãos dela ficaram im óveis.
– Obrigada.
Ele franziu a testa.
– Pelo quê?
Ela não respondeu e nem se m exeu.
Ele ergueu a cabeça e apoiou o queixo no esterno dela.
– Meu bem , pelo que você está m e agradecendo?
Um a lágrim a solitária escorreu pela têm pora de Kat. Ela engoliu em seco antes de responder.
– Por salvar m inha vida.
23
Carter congelou, seu queixo áspero repousando na pele lisa e m acia dela. Seus lábios se contraíram para dar um a resposta, m as nem pela própria vida ele fazia ideia do que dizer. Com um suspiro suave, ergueu o corpo dela e segurou seu rosto com as m ãos, apoiando o peso dos braços dos dois lados de sua cabeça.
– Kat – sussurrou, com o nariz a centím etros do dela. Esperou que ela olhasse para ele. – Você está aqui. – Contornou sua bochecha rosada com o polegar e observou a cor se intensificar com o toque dele. – Isso é tudo o que im porta.
Havia conflito nos olhos dela: m edo, afeição, m ágoa. Carter sentiu um certo desconforto. Ele sabia que ela não tinha se arrependido do que eles haviam feito. A m aneira com o ela o abraçara, m ontara nele e sussurrara palavras deliciosas em seu ouvido o asseguravam disso. Mas ele estava irrem ediavelm ente ciente dos perigos que a cercavam por causa das ações de am bos.
O fato de ele gostar de Kat não iria fazer diferença em com o as pessoas, em especial a m ãe dela, o enxergariam . Ele era um ex-presidiário e, assim , alguém nada confiável. Nenhum a palavra bonita ou frase sofisticada poderia m udar aquilo. Ela j am ais o veria de outra form a. Seu m edo e sua m esquinhez a cegariam para o que ele realm ente sentia pela filha dela.
O coração de Carter ficou apertado. Rezava para que aquilo que haviam experim entado j untos fosse suficiente para m anter Kat ao seu lado pelo m áxim o de tem po possível. Queria m ais com ela, dela, e estava disposto a assum ir os riscos para conseguir isso. Ela valia toda aquela m erda que seria atirada contra ele, e ele estaria lá para protegê-la da m elhor m aneira que pudesse.
Kat saiu do banheiro e voltou para a cam a, deixando que Carter envolvesse seus om bros com o braço, puxando-a para j unto dele. Ela abraçou sua cintura com carinho. A m ão dele m assageou suas costas em círculos reconfortantes enquanto os dedos dela dançavam em torno dos m am ilos dele. Por m ais nova que fosse aquela sensação de ficar abraçadinho com um a m ulher na cam a, a fam iliaridade de fazer aquilo com Kat era tão calorosa quanto as cobertas em torno dos dois.
Carter pressionou os lábios contra a cabeça dela.
– Onde você foi hoj e à noite?
Ele não queria chateá-la, m as estava ansioso por descobrir o que a tinha levado até a porta do apartam ento dele depois de ter gritado com tanta raiva. O que tinha engatilhado a percepção de que ele a tinha salvado em vez de tê-la im pedido de aj udar o pai?
– Fiquei peram bulando por um bom tem po. – Seus dedos apertaram a cintura de Carter. – Não sabia o que fazer. Eu estava... Sim plesm ente doía. Tudo doía.
Carter a abraçou forte.
– Então cheguei em casa. – Ela fez um a pausa. – Acho que peguei um táxi. – Os lábios dela tocaram a pele dele. – Liguei para m inha m ãe.
A m ão de Carter interrom peu o m ovim ento nas costas dela.
– O quê?
Kat bufou.
– Eu sei. Eu devo ser burra dem ais por ter ligado para ela, né?
– Pêsse...
– Assim que ouviu m inha voz – interrom peu Kat com firm eza –, ela com eçou a dizer quão decepcionada estava com o que tinha acontecido na casa da m inha avó. Disse que sou ingrata com as pessoas ao m eu redor, com quem se preocupa com igo. Que ela só quer o m elhor para m im e que sou m uito egoísta e estou m uito envolvida com você para perceber.
Ele engoliu em seco.
– Ela sabe sobre m im ?
Kat se ergueu para olhar para ele. Ela estava tão perto que Carter teve que afastar o rosto para conseguir enxergá-la m elhor.
– Ela sabe que eu gosto de você. – O indicador dela deslizou pelo lábio inferior dele. – Sabe que nós nos beij am os.
Um calafrio desceu pela espinha de Carter à m edida que a últim a sem ana com eçou a fazer sentido.
– Foi por isso que você fugiu da sua fam ília e dos seus am igos. Foi por isso que você voltou de Chicago. – Ele sorriu de m aneira irônica. – Eles sabem .
Kat balançou a cabeça.
– Eles acham que sabem o que está acontecendo, m as não sabem . Não fazem a m enor ideia. – A raiva era clara em sua voz. – Carter, você precisa entender, m inha própria m ãe pensa que m inhas escolhas estão erradas e que ainda sou um a criança que não conhece nada. Ela não sabe quanto am o m eu trabalho, quanto am o o que faço todos os dias, quanto am o... – Os olhos dela queim avam de fúria. – Você é a única pessoa que m e trata com o se eu fosse eu m esm a, que m e faz sentir que o que faço é correto e significativo. Não há balelas, não há segredos com você.
Os lábios dele se contraíram com o esboço de um sorriso.
– E com ecei a enxergar com o deve ter sido difícil revelar para m im quem você era. – A m ão dela escorregou pelo m axilar dele. – Carter, sei que só não m e contou porque teve m edo. Você é a única pessoa deste planeta que sabe o que passei. E quer saber de algo realm ente irônico? – Os olhos de Kat expressavam raiva. – Minha fam ília, m eus am igos, a polícia, o idiota do m eu terapeuta, todo m undo disse que você não era real, que era um a invenção da m inha cabeça, um resultado de estresse pós-traum ático. – Kat acariciou o rosto dele. – Mas você é a coisa m ais real na m inha vida.
Carter não conseguia responder. Estava sem palavras e louco pelo toque dela. “Kat” foi tudo o que ele conseguiu m urm urar antes de colar sua boca na dela. Três palavrinhas eram sussurradas de m aneira incansável pela m ente de Carter, borbulhando furiosam ente, deixando-o sem ar. Engolindo essas palavras e o m edo que sem pre as acom panhava, Carter deitou Kat de barriga para cim a e se
acom odou ao seu lado, colocando um a das pernas dela em cim a de seu quadril. Apesar de ela ter gem ido, o m ovim ento não tinha um a intenção sexual. Ele a queria de novo, m as queria m ais ainda garantir a ela que ele era real e que sem pre seria daquele j eito com ela.
– Fique com igo esta noite. – Ele j ogou o cabelo dela para trás, precisando ver seu rosto inteiro. – Por favor, Kat, só... só esta noite.
Ele buscou por um a resposta nas profundezas dos olhos dela.
– Mas não fique porque está chateada. Fique com igo porque você quer.
As palavras suplicantes saíram de lugar nenhum . Tudo o que Carter sabia era que estava falando sério e precisava que ela dissesse “sim ”.
O sorriso que surgiu no rosto dela poderia ter ilum inado toda a Broadway.
– Não vou a lugar nenhum .
O lobby da WCS Com m unications era exatam ente com o Carter se lem brava: pretensioso, repugnante e fedendo a dinheiro. Até a porcaria da m obília parecia desconfortável, com o se aquela porcaria tivesse sido roubada de um a câm ara de tortura. Carter riu da ironia daquele pensam ento em particular. O fato de estar naquele prédio j á era um a tortura por si só. Porra, ele estava quase subindo pelas paredes.
Respirando fundo, cam inhou na direção da m ulher de cabelos negros na recepção, odiando o barulho alto provocado por seus coturnos no piso de m adeira brilhante e esperou pacientem ente que ela encerrasse um a ligação.
– Tenho um a reunião às duas com o Austin – resm ungou ele quando ela desligou o telefone, esfregando o m axilar com a m ão.
– Sr. Ford.
Carter piscou.
– Com o?
– Sr. Ford – repetiu ela. – Você tem um a reunião às duas com o Sr. Ford. Não Austin.
Ela sorriu arrogantem ente.
– Tanto faz – censurou ele. – Só faça o seu trabalho e diga ao babaca que Carter está aqui, sim ? – O som do queixo dela caindo ecoou por todo o am plo recinto. – Obrigado, docinho.
Ele seguiu na direção do odioso sofá crem e situado a três m etros da recepção e se j ogou nele.
Carter tentou ficar confortável, m as as alm ofadas finíssim as eram tão gostosas quanto enfiar vidro no rabo. Todo aquele lugar parecia construído para deixar seus ocupantes irrequietos – e funcionava.
Não era de adm irar que a recepcionista estivesse tão irritada.
– Wes.
Os pelos do pescoço de Carter se arrepiaram e o canto de seu lábio se ergueu em um rosnado anim alesco ao som da voz de seu prim o. O desgraçado sabia que Carter odiava o prim eiro nom e, m as ainda insistia em usá-lo sem pre que estavam na com panhia um do outro.
– Estam os prontos para você – disse Austin, sua cara de paisagem j á instalada.
Carter seguiu Austin até seu escritório e tentou não vom itar com a arte intrincada nas paredes, a m esa ostentosa e a vista ridiculam ente incrível do restante do distrito financeiro de Nova York.
O filho da puta estava com certeza com pensando por algum a coisa.
Havia três outros hom ens na sala: Adam , que acenou de m aneira cordial com a cabeça para Carter quando ele entrou, e dois outros que ele nunca tinha visto antes.
– Sente-se – disse Austin, apontando para um a poltrona de couro de encosto alto situada perto da m esa gigantesca.
Carter se sentou deselegantem ente, repousando o tornozelo no j oelho. Expirou com im paciência e tam borilou os dedos nas coxas.
– Então – disse ele, dando um a olhada em torno da sala. – Quem são vocês?
Ele apontou para os dois hom ens de terno em pé perto da j anela.
– Este é Steve Fields, advogado da WCS, e David Fall – respondeu Austin. – Ele é diretor de finanças e contabilidade.
– E aí, Dave? – Carter sorriu ao não receber nenhum a resposta. – Sou o Carter. – Ele apontou para si m esm o antes de sussurrar alto. – Seu chefe.
Austin tossiu.
– Bom , na verdade, Wes...
– Pode parar com essa ladainha de “Wes”, Austin – latiu Carter, perdendo a paciência. – Só m e diga por que diabos estou aqui para que eu possa ir em bora o m ais rápido possível. Mal estou conseguindo tolerar toda a pretensão e baj ulação por aqui.
A raiva enfureceu os olhos de Austin.
– Está bem – respondeu ele. – Você está aqui para que possam os discutir a diluição im ediata das suas ações da WCS Com m unications.
– Ah é? – perguntou Carter, inclinando a cabeça para trás.
Austin ergueu as sobrancelhas em resposta e deu a volta na m esa para se sentar em seu trono de couro e m adeira.
– E com o você acha que isso vai ocorrer, Austin? – continuou Carter. – As ações estão em m eu nom e. Foram dadas a m im por nossa avó. O contrato que foi redigido é legalm ente irretocável em um nível que m esm o esse seu tim inho de advogados não vai conseguir alterar. – Ele gesticulou de m aneira indiferente na direção dos advogados. – Você não pode diluir as ações por causa das cláusulas que as regem . Vovô tentou por anos. Não vai rolar.
Austin olhou para Steve e David. Os dois hom ens se sentaram à direita de Carter. Adam perm aneceu em pé à sua esquerda. Carter estava sendo encurralado. Eles estavam usando táticas descaradas de intim idação.
– É por isso que você está aqui. – Austin deu um sorriso sem m ostrar os dentes. – Para que possam os discutir as cláusulas em detalhes.
Carter sorriu torto.
– Você quer discutir quanto vai custar para que esses idiotas se livrem de m im , certo? Não dá para ter um ex-presidiário com o dono de um a em presa bilionária, né? O que os j ornais iriam dizer? – Carter m eneou a cabeça e se virou para olhar pela j anela. – Deve ser um pé no saco de vocês o fato de eu possuir a m aior parte das ações da em presa que deveria ser sua, hein?
– Não tanto quanto deve ser um pé no seu saco o fato de que controlam os o seu dinheiro todos os m eses. – A cabeça de Carter se voltou de im ediato para Austin, cuj o rosto estava contraído e severo.
Ele se inclinou para a frente. – Eu levaria isso em consideração antes de com eçar com essa sua balela hipócrita, Carter. Eu m antive você fora da prisão um a vez; posso com certeza garantir que você volte para lá.
Carter ficou im óvel.
– Está m e am eaçando, Ford?
– Não – respondeu Austin. – Apenas lem brando você de que não é o único com cartas para j ogar.
Carter ficou em silêncio por um tem po considerável antes de continuar em um tom baixo e firm e.
– O dinheiro que eu recebo, tenho total direito a ele. É m eu. Na verdade, eu deveria receber m ais...
– Você receberia, se não tivesse um histórico crim inal.
Carter escondeu a pontada de raiva que coçou em sua garganta quando Austin o interrom peu. Na verdade, Carter não dava a m ínim a para a grana. Nunca tinha dado. Ele só se im portava com o fato de ser o herdeiro legítim o das ações sobre as quais Austin estava falando. Adam , colocando um docum ento que parecia bastante form al na frente de Carter, interrom peu o j ogo de “quem pisca prim eiro” entre Carter e Austin.
– Você não trouxe nenhum apoio legal – disse Adam . – Seria m elhor se...
– Eu sei ler, Adam . Só explique o que o docum ento diz e vam os direto ao ponto – latiu Carter, fazendo seu prim o se encolher. – Meu advogado pode analisar esta porcaria com calm a.
Adam ficou m exendo nos punhos da cam isa e expirou.
– Ao diluir suas ações atuais, o dinheiro que você recebe m ensalm ente seria triplicado. Por toda a vida – inform ou ele. – Em vez de pagar por um a aquisição das ações, estam os oferecendo a você novas ações da em presa. Ações equivalentes a cerca de cinco m ilhões...
Carter bufou, desdenhoso.
– Cinco m ilhões? Estão de palhaçada com igo?
Ele olhou incrédulo de Adam para Austin e de volta para Adam . Am bos perm aneceram em silêncio. Carter esfregou as m ãos no rosto, sem acreditar, ávido por um cigarro.
– Todos nós sabem os que as ações que eu possuo hoj e passam de quinhentos m ilhões – zom bou ele. – Eu esperava m e sentir im pressionado com sua oferta, não insultado. – Carter em purrou os papéis sobre a m esa de Austin e se largou de volta na poltrona. – Tentem de novo.
Austin ficou visivelm ente enfurecido e inspirou tão fundo que fez seus om bros se erguerem .
– Para alguém que afirm a não dar a m ínim a para o negócio, você com certeza parece ser bem protecionista e bem inform ado sobre ele.
– Austin. – Carter se enfureceu. – Há um a diferença grande pra caralho entre não dar a m ínim a e não gostar de ser ludibriado por um idiota que pensa ser um presente de Deus só porque usa um terno caro. Fui para a prisão, não para a porra de um a escola de retardados. Sua oferta é um a m erda. Você sabe. Eu sei. Então, com o eu disse, tente de novo.
O silêncio foi ensurdecedor.
– Está bem – resm ungou Austin. – Vou reunir m inha equipe financeira e os advogados para reavaliar e entram os em contato com você de novo.
– Mal posso esperar – retrucou Carter. – Posso m e retirar? – perguntou ele com as m ãos nos braços da poltrona.
Austin não respondeu, m as abaixou o queixo por um instante, seu olhar penetrante e raivoso.
– Porra, ainda bem – grunhiu Carter. – Tenho um a aula de literatura para assistir.
Quando Carter se levantou, percebeu que seus dois prim os reagiram instantaneam ente às palavras dele. Adam , que ainda estava em pé ao lado de Carter, se m exeu com certo nervosism o, enquanto Austin esfregava um a m ão na outra.
– Ah, sim – disse Austin quando Carter com eçou a atravessar o escritório. – Com o está Kat?
Carter congelou com a m ão na porta e apertou o aço gelado com os dedos. A pergunta ficou pairando no ar com o um cheiro podre. Era, para qualquer um m ais desinform ado, um a pergunta sim ples e educada. Para Carter, ela fedia a um a possessividade que ninguém , além dele, tinha nenhum direito de sentir. Com o é que ele conhecia Kat?
A cabeça de Carter doía. Ele se virou de m aneira lenta, tentando m anter um a expressão neutra.
Mesm o assim , quando seus olhos encontraram os de Austin, Carter soube que estava pisando em ovos. O desgraçado sabia. O que, exatam ente, não era claro, m as ele sabia de algum a coisa. Os olhos de Carter se voltaram para Adam , que agora parecia fascinado por seus próprios sapatos.
Carter respirou.
– Kat – respondeu ele, com a garganta apertada – está m uito bem .
Com o um a cobra pronta para dar o bote, Austin sorriu.
– Ah, que bom – disse ele com entusiasm o dem ais. – Eu esperava que ela estivesse bem .
– Esperava, é? – perguntou Carter, fervendo de raiva.
Seu olho direito se contraiu e suas narinas se inflaram .
– Certam ente – respondeu Austin, levantando-se. Ele deu a volta na m esa. – Ah, você não sabia?
Adam está noivo de Beth, que conhece Kat há anos. Som os am igos, Kat e eu. Eu sabia que ela ia visitar a fam ília em Washington e Chicago, então não a vej o desde sua festa de aniversário.
Carter engoliu em seco e m ordeu a língua com tanta força que pôde sentir o gosto de sangue.
– Festa de aniversário?
– Sim , sim – respondeu Austin. – Saím os para j antar. Depois, eu a levei para casa. Nos divertim os m uito – falou o babaca, com um sorrisinho. – Ela adorou m eu presente. É um a m enina ótim a. Linda, tam bém , m as acho que... você sabe disso.
Carter trem ia com um a violência feroz.
Austin e Kat tinham j antado j untos? Ela havia saído com ele. Estivera no carro dele. Sozinha?
Será que ela o tinha convidado para subir? Isso significava que eles...?
A ânsia subiu pela garganta dele ao m esm o tem po que um a dor agonizante se espalhava por seu corpo.
Austin continuou.
– Estou planej ando convidá-la para sair de novo, sabe? Um encontro para
aliviar a cabeça dela
do trabalho e de questões m enos im portantes. – Austin apontou para Carter e sorriu. – Com o os alunos.
Em m eio à névoa verm elha da fúria, Carter podia ver que aquele filho da puta o estava instigando, provocando, com o um a criança com um pedaço de pau entre as barras da j aula de um leão, esperando pela explosão inevitável, querendo que ele perdesse a cabeça e caísse direitinho nas m ãos gananciosas de Austin.
Era fato que a corda da sanidade na qual Carter estava se segurando com eçava a se dissolver de form a rápida, enquanto a força com que ele se agarrava a ela era, na m elhor das hipóteses, tênue.
Tudo o que ele m ais queria era pegar Austin pelo pescoço, arrancar as bolas dele com as próprias m ãos e arrem essá-lo da j anela do escritório.
Mas, e daí, com o ele iria ficar depois disso? Com o Kat ficaria? Ele seria m andado de volta para a prisão antes m esm o que pudesse dizer Vá se foder, Ford. A condicional seria algo do passado. Ele e Kat seriam algo do passado.
Com um esforço digno de Hércules e a im agem de sua Pêssegos na noite anterior, retorcendo-se e im plorando que ele a fodesse em sua cam a, Carter respirou fundo.
– Está bem , Austin – disse ele entre os dentes. – Vou dizer à Kat que você perguntou por ela.
Austin ficou perplexo. Carter se voltou novam ente para a porta.
– Mas eu esperaria sentado por essa ligação – acrescentou Carter, dando um a olhada para o prim o por cim a do om bro.
– Ah, é? – desdenhou Austin, não m ais escondendo o ciúm e agressivo em sua voz. – E por quê?
– Bem , com o você m encionou, ela está ocupada com seus alunos. E com igo – ele olhou para a própria braguilha antes de olhar para Austin com um sorriso presunçoso no rosto –, as m ãos dela estão sem pre ocupadas.
Sem esperar por um a resposta, Carter escancarou a porta do escritório, fazendo as dobradiças gem erem em protesto. A batida inevitável atrás dele foi tudo o que Carter ouviu enquanto atravessava o lobby com o um furacão, passando pela vaca de cabelos negros na recepção, enquanto acendia um cigarro e m ostrava o dedo do m eio para a placa de “Proibido fum ar” na saída da WCS.
Quando o relógio m arcou 16h05, Kat estava sozinha na sala de leitura da biblioteca, brincando com seu iPhone recém -com prado.
Ela havia tido algum as horas livres entre as aulas em Arthur Kill e a de Carter e conseguira passar em casa para fazer upload de todas as coisas de que precisava nele. Ela não podia viver sem suas m úsicas. Nem m ais um dia.
Tinha ficado m uito hesitante em colocar o cartão SIM resgatado de seu antigo telefone e, assim que o novo celular com eçou a bipar incessantem ente com cham adas perdidas, m ensagens de voz, e-m ails e m ensagens, ela logo percebeu o porquê. Ela deu um a olhada em tudo. Os nom es de Beth, de sua m ãe, de Ben, de Adam e de Carter, todos figuravam ali. Depois de ouvir cinco m ensagens de voz de sua m ãe, deletou as outras seis, não querendo nem precisando ouvir o ódio dela m ais um a vez.
O único nom e no qual ela parou foi o de Carter. Ele enviara um a série de m ensagens nos dias em que ela estava voltando de Chicago para Nova York, e cada um a delas parecia m ais desesperada que a outra. As m ensagens de Beth, por outro lado, eram curtas e sucintas: Me ligue.
Precisam os conversar.
Me desculpe.
Kat não se perm itiu ficar zangada. Beth não valia a pena e, além disso, qualquer coisa que ela tivesse para dizer a essa altura não adiantava porra nenhum a.
As m ensagens de Austin, com o sem pre, eram encantadoras e preocupadas: Oi, Kat, espero que você estej a bem . Me ligue.
Kat, Adam ligou. Ele e Beth estão preocupados com você. Eu tam bém estou. Independentem ente do que eles m e contaram , estou aqui se você precisar de um am igo. Bj o Estou pensando em você. Austin. Bj o
– Puta m erda – m urm urou Kat, deletando cada um a delas antes de j ogar o celular na bolsa.
Apesar de ele ter om itido seu parentesco com Carter, Austin era um cara educado, bonito e carism ático. Ela apreciava a com panhia dele e tinha gostado do beij o que eles tinham dado. Tinha sido... agradável.
Em retrospecto, Kat percebeu que nunca houve com ele aquela paixão ardente que ela sentia toda vez que estava com Carter. As pequenas centelhas de atração que sentia por Austin não eram nada em com paração ao inferno em cham as que acontecia toda vez que Carter a tocava, beij ava, fodia.
As entranhas de Kat se contraíram com a lem brança daquele corpo grande e rij o entre suas coxas, sua respiração pesada e os gem idos de mais em seu ouvido, as m ãos que não largavam seus quadris e a expressão deliciosa no rosto dele quando ele buscava e curtia cada orgasm o. Céus, ele era glorioso. Apagava todos os am antes que Kat j á tinha tido, deixando-a febril de desej o e fam inta por m ais. As dores de prazer que ele deixara em m úsculos que ela sequer sabia que existiam eram deliciosas.
Sua pele corou com a lem brança dos beij os sôfregos e da sensação dos anéis dele, que tinham beliscado suas coxas enquanto ele investia nela com tudo, deixando m arcas verm elhas intensas que ele lam bera com o form a de se desculpar. Puta m erda.
Ela olhou para a porta vazia da sala de leitura. Onde diabos ele estava? Kat sabia que Carter tinha “coisas” para fazer e, até onde ele sabia, ela ainda estava sem celular, o que explicava o silêncio.
Mesm o assim , Kat foi atingida abruptam ente por um pensam ento preocupante. Será que Carter iria com eçar a descuidar das aulas agora que eles tinham ficado íntim os? Será que ele pensava que ela não iria esculachá-lo por toda a Manhattan por ter se atrasado só porque ele tinha lhe dado tantos orgasm os?
A perna de Kat com eçou a se contrair à m edida que sua raiva aum entava. Ele teria a m aior surpresa se esse fosse o caso. Irritada e agitada, Kat se levantou e com eçou a peram bular pela sala de leitura, indo em direção à sua seção favorita: poesia.
Com a ponta do indicador tocando nas lom badas dos livros, Kat serpenteou pelo corredor entre duas estantes enorm es de m ogno. O cheiro de couro, tinta e m adeira era com plexo e reconfortante, e a lem brava da biblioteca de seu pai na casa que eles tinham em Westchester. O pai de Kat costum ava ler Rossetti e Blake para ela desde que ela era bem novinha, e sem pre que estava chateada ou m agoada. Ela parou quando chegou nos poetas rom ânticos, especificam ente Woodsworth, precisando das descrições dele do interior da Inglaterra e de seus narcisos ao vento para acalm ar seus pensam entos.
Já m ais calm a e bastante nostálgica após ler três dos poem as dele, Kat colocou o livro de Woodsworth de volta na prateleira e pegou um livrinho de capa preta com fonte dourada, recheado de sonetos, poem as e declarações de am or. Segurando o livro com um a das m ãos, ela folheava as páginas am areladas com a outra quando, de repente, cada pelo de sua nuca se arrepiou.
Alguém estava atrás dela.
Antes que pudesse pensar em quem era ou no que a pessoa estava fazendo, um a m ão grande segurou seu om bro e a girou, pressionando suas costas contra as prateleiras da estante. O livro que estava segurando caiu no chão, fazendo um barulho alto.
Tonta por ter sido girada tão rápido, Kat levou um m om ento para conseguir encontrar seu equilíbrio e se concentrar no rosto à sua frente e, quando o fez, quis im ediatam ente não tê-lo feito.
A ponta do nariz de Carter estava a centím etros do dela, enquanto sua respiração se espalhava por cim a dela em ondas fortes e quentes. Seu peito largo pressionado firm em ente contra ela.
Mas não foi isso que fez a garganta de Kat se fechar, em pânico. Foi a expressão no rosto dele.
Seus olhos estavam tão som brios que o azul era quase indistinto e os cantos de sua boca perfeita estavam curvados em um rosnado odioso. Ele estava furioso. Kat abriu a boca para falar, m as a m ão de Carter a cobriu de im ediato, segurando suas palavras na palm a que cheirava a cigarro e m enta.
– Não – disse. Ele fechou os olhos e sacudiu a cabeça. Suas narinas se inflaram e ele segurou Kat com m ais força. – Sim plesm ente não fale.
Os olhos de Kat se arregalaram , m as ela assentiu com a cabeça, fazendo com que o m etal dos anéis dele roçasse em sua pele. Ela o observou, fascinada por seu m axilar, que se apertava e se contraía, coberto de gotículas de suor espalhadas ao longo da linha do cabelo e das costeletas. Kat conhecia o gosto daquele suor.
Ele soltou o ar por entre lábios cerrados antes de finalm ente com eçar a falar.
– Acabo de chegar de um a reunião m uito... interessante.
Ele disse cada palavra em voz baixa, olhando para os próprios pés.
Com a m ão direita ainda cobrindo a boca de Kat e a esquerda apertando seu quadril, Carter ergueu a cabeça e deixou seu olhar se fixar no dela. Os olhos dele estavam repletos de todas as em oções concebíveis. A vontade esm agadora de abraçá-lo e sum ir com a dor que perm eava suas palavras atingiu Kat no estôm ago.
– Sabe com quem foi a reunião?
Kat franziu a testa, balançando a cabeça. O sorriso de Carter era lúgubre. Ele se aproxim ou dela, parando apenas quando seus lábios estavam ao lado da bochecha dela.
– Meu prim o – sussurrou. Ele se afastou para que ela pudesse ver seu rosto. – Austin Ford.
Um calafrio percorreu o corpo de Kat quando a fúria nos olhos dele se acendeu com aquelas palavras. Ela sabia que seu próprio rosto tinha ficado pálido de náusea. O que será que Austin tinha dito? A resposta de Carter foi im ediata. Seu m axilar relaxou ao m esm o tem po que sua m ão soltou a boca de Kat. A m ão esquerda dele perm aneceu segurando-a, seus dedos apertando o quadril dela com m ais força.
– É verdade? – m urm urou Carter por entre lábios que m al se m oviam .
Um pequeno V surgiu entre suas sobrancelhas enquanto seu olhar esvoaçava questionador pelo rosto dela.
Kat respirou fundo. Mesm o tendo sido pega de surpresa pelo com portam ento dele, precisava perm anecer calm a pelo bem de am bos.
– É verdade?
O barulho da conexão do punho de Carter com a estante de m ogno ao lado da cabeça de Kat ecoou pela sala com o um a bom ba nuclear.
– Não brinque com igo, Kat! – explodiu Carter. – Não ouse brincar com igo, porra!
– Não estou brincando – respondeu ela com calm a, piscando para assim ilar as palavras raivosas dele.
– Sim plesm ente sim ou não – continuou Carter. – É tudo o que eu quero.
O coração de Kat se apertou. O pavor subiu por sua espinha.
– Não sei, Carter. O que você está m e perguntando?
– Austin. Aquele desgraçado... – Ele soltou um longo sibilo, equilibrando-se ao apoiar seu corpo no de Kat. – Ele disse que... que vocês... Você fez?
– Fiz o quê? – sussurrou ela.
Os olhos de Carter alternaram rapidam ente entre a luz e a escuridão.
– Você fez sexo com ele?
A boca de Kat se abriu, fazendo um ruído audível.
– Querido.
– NÃO! – latiu ele. – Não faça isso. Não agora. Só diga sim ou não.
Ele deu um chute na prateleira debaixo antes de abaixar a cabeça e m urm urar no om bro de Kat.
– Você fez sexo com ele?
Kat ficou parada, paralisada, com Carter respirando na pele de seu pescoço.
– Fez, Kat? – perguntou ele de novo em um tom quase derrotista. – Por favor, m e conte.
Lentam ente, com o que para não alarm á-lo, Kat ergueu a m ão, que estava parada sem vida ao lado de seu corpo, até o rosto de Carter. Ele se encolheu com o toque dela. Sem se abalar ela continuou e logo as pontas de seus dedos estavam dançando de form a delicada sobre a bochecha e o m axilar de Carter.
Ele olhou para ela, sua expressão era furiosa.
– Não – m urm urou Kat, descendo a m ão do rosto dele até o pescoço. – Não fiz.
Ela traçou um pequeno círculo com a m ão, torcendo para que aquilo o acalm asse.
O alívio dele ficou evidente apenas na m aneira com o ele dim inuiu a força com que segurava o quadril de Kat. O rosto dele ainda continha m il e um a em oções e perguntas. Ele lam beu os lábios e trocou o peso do corpo de um pé para o outro.
– Não fez?
– Nunca, Carter.
Os olhos dele desceram pelo corpo dela. Não era do j eito sexual com o qual Kat tinha com eçado a se acostum ar; era com o se ele a estivesse vendo pela prim eira vez desde que a tinha girado e prensado contra os livros.
– Você não fez – sussurrou ele, aparentem ente vendo o que precisava ver.
Ele deu um passo desequilibrado para trás, soltando Kat, e ficou olhando para ela de um a m aneira que a fazia querer rir e chorar ao m esm o tem po. Estava desgastado e cansado, tinha se tornado a antítese com pleta da criatura raivosa que era antes. Kat se endireitou e fez m enção de dar um passo em direção a ele.
Carter ergueu a m ão para pará-la. Os olhos dele fitaram seus pés.
– Não – disse ele, franzindo a testa. – Eu estou... Eu... Só fique aí.
Mesm o com o coração partido, Kat se afastou. Ela ficou ali parada, observando Carter se transform ar lentam ente no hom em que ela conhecia. O aperto em seu m axilar se dissolveu, assim com o a tensão de seus om bros, m as a tristeza em seus olhos perm aneceu.
– Eu não sabia – m urm urou ele. – Não sabia que você o conhecia. Que você...
– Ele não é im portante...
– Você j antou com ele.
Carter ergueu o queixo, desafiando-a a negar.
Kat apertou os lábios em um a linha fina.
– Estávam os em um grupo. Com em orando m eu aniversário. Não foi um encontro nem nada do tipo...
– Ele levou você para casa – acrescentou Carter.
Kat confirm ou, e o rosto de Carter se com prim iu com o se ele estivesse sofrendo de um a terrível dor de cabeça.
– Você ficou sozinha com ele.
Kat m ordeu o lábio e suas m ãos se fecharam em punhos na cintura. Com o ela havia sido estúpida de esconder aquilo dele. Tinha xingado a própria fam ília por não ter sido honesta com ela e fizera exatam ente o m esm o com a pessoa m ais im portante de sua vida. Ela não era nada diferente deles.
– Me desculpe – disse ela. – Me desculpe por não ter contado, m as só descobri que vocês são parentes na sem ana passada, na casa da m inha vó.
Ele olhou na direção do teto.
– Aconteceu algum a coisa?
Kat expirou. O ruído foi a única confirm ação que ela deu.
– Você o beij ou?
Os olhos dela encontraram os dele brevem ente quando ela suspirou um “sim ” baixinho.
A cabeça de Carter se ergueu de im ediato. Ele a bateu com força nos livros atrás dele.
– Merda.
– Carter. – Kat deu um passo hesitante na direção dele. – Por favor, converse com igo.
– Não há nada para conversar – retrucou ele, olhando por cim a da cabeça dela.
– Há m uito o que conversar – falou Kat com firm eza. – Você está chateado e eu quero consertar as coisas. Você precisa m e deixar explicar.
– Explicar o quê? – censurou Carter. – Explicar que enquanto eu estava na prisão, querendo você m ais do que j á quis qualquer coisa na vida, você estava deixando m eu prim o enfiar aquela língua noj enta dele na sua garganta?
– Ei! – Kat deu m ais um passo, apontando um dedo para o rosto de Carter. – Isso não é j usto. Eu não sabia que ele era seu prim o e não sabia que você m e queria! Você m e tratava com o um a m aldita pária toda vez que eu o via. Com o é que eu ia saber?
Carter evitou os olhos dela e ficou arrastando o pé pelo chão.
Kat abaixou o dedo enquanto as palavras dele penetravam em seu coração... Querendo você maisdo que eu já quis qualquer coisa... Ele a queria tanto assim m esm o naquela época? Ela se aproxim ou dele e colocou as m ãos tim idam ente em seus quadris.
– Carter. – Ela subiu as m ãos para seus om bros. – Olhe para m im .
Ele a ignorou. Estava apertando os punhos com tanta força que suas articulações estavam brancas. As m ãos de Kat continuaram subindo até o pescoço dele, que estava verm elho de nervosism o, e seguiram até seu m axilar m arcado e coberto por aquela barba por fazer que a tinha arranhado tão m aravilhosam ente.
– Carter, olhe para m im . – Kat puxou o rosto dele para perto do seu. Os olhos dele fitavam o queixo dela. – Por favor.
Ele se m exeu m ais um a vez, relaxando a postura para que Kat não ficasse m ais nas pontas dos pés. Ele ficou olhando para ela, sem falar. Carter colocou as m ãos em sua cintura, apertando-a um a vez antes de fechar os olhos.
– Odeio o fato de ele ter tocado em você – sussurrou ele.
– Ele não tocou.
Um a expressão m istificada passou pelo rosto dele. Kat desceu a m ão pela têm pora de Carter.
– Ninguém nunca m e tocou com o você. – Ela deslizou o nariz pelo queixo dele, inspirando seu cheiro delicioso. – Ninguém nunca m e beij ou com o você.
– Kat – choram ingou Carter, pressionando a testa na dela.
– Eu nunca o quis.
– Pêssegos.
– Carter, m e escute – pediu ela, segurando as m ãos dele. – Eu gostava dele; ele era atraente. – Carter fez m enção de se afastar, m as Kat o segurou com firm eza. – E sim , nós nos beij am os. Mas sabe por que não fizem os m ais nada? Por que eu não consegui fazer m ais nada? Por que sem pre que ele m e cham ou para sair, m e recusei a responder?
Carter ficou olhando para o chão.
– Me pergunte por quê.
Um grunhido baixinho ribom bou na garganta dele.
– Por quê?
– Porque toda vez que estava com ele, cada vez que ele m e tocava, eu pensava em você.
Os olhos de Carter estavam desesperados por acreditar nela, m as algo na m aneira com o sua boca se contraiu e sua sobrancelha se ergueu lhe m ostrava que ele estava em dúvida.
– É a verdade – acrescentou ela. – Juro. Eu tam bém queria você. Há tanto tem po. Eu ainda quero tanto. Eu...
– O quê?
– Eu lam ento m uito que ele tenha chateado você e feito você m e odiar.
– Eu não odeio você – repreendeu ele. – Não poderia. É ele que eu odeio. Odeio o que ele transm ite: a ganância, a arrogância pretensiosa. E o fato de, desde que éram os pequenos, ele querer coisas que são m inhas que ele não tem direito nenhum de querer, porra.
O duplo sentido das palavras dele envolveram os pulm ões de Kat.
Minhas.
Baixinho, Carter contou a ela o que tinha acontecido na reunião, detalhando as intenções de Austin de rem over Carter da em presa da qual ele era proprietário legal.
– Austin e eu nunca nos dem os bem – explicou ele. – Adam e eu tem os idades m ais próxim as, então, quando crianças, nos encontrávam os e brincávam os j untos. Austin era o prim ogênito da nossa geração, aquele que iria assum ir a em presa do nosso avô. Estava sendo preparado para aquilo e se tornou presunçoso e arrogante. Aos 15 anos j á era um babaca m etido a espertalhão.
Carter fez um a pausa e, então, continuou.
– Me lem bro de um dia específico em que m inha m ãe tinha m e buscado com m eu pai para passar o fim de sem ana com eles; estávam os na casa dos m eus avós, o que era um pesadelo de qualquer form a, porque m eu avô não suportava olhar para m im .
Carter sacudiu a cabeça.
– Minha avó era com pletam ente diferente. Era legal. Fazia biscoitos e m e com prava presentes incríveis de Natal e aniversário. Ela era o único m otivo pelo qual passávam os tanto tem po na casa deles. Minha m ãe m e largava lá e vovó e eu nos divertíam os j untos.
Carter coçou a cabeça.
– Acho que era Dia de Ação de Graças. Austin com eçou no m inuto em que chegou. Ele era um esperto, aquele desgraçado. Sem pre dava a entender, com seus com entários, com o eu não era querido, com o ele tinha ouvido m inha tia dizer que eu era um a decepção para toda a fam ília. Ele era im placável. Adam sim plesm ente ficava parado ali, sem dizer um a palavra. Quando estávam os só nós dois, ele pedia desculpas pelo irm ão; m as nunca fazia isso na frente dele.
Carter sorriu ironicam ente.
– Nada m uda. Os com entários sobre m eu pai e o fato de que eu era m eio que um segredo continuaram por todo o fim de sem ana. E, então, eu explodi. Dei um soco na cara dele. Ele caiu no chão, m as eu não conseguia parar. Dei socos, tapas, chutes e, o tem po todo, tudo em que conseguia pensar era que queria que ele sofresse tanto quanto eu. Meu avô m e tirou de cim a dele e acabou levando uns golpes na confusão. Até que ele m e bateu tam bém . Disse que eu deveria ter sido dado para adoção e que eu não faria nada a não ser trazer vergonha à fam ília. Assim com o eu tinha feito desde o dia em que tinha sido concebido.
– Oh, Carter – sussurrou Kat, colocando a m ão no pescoço dele.
– Minha avó ficou um a fera. – Carter riu de leve. – Acho que puxei o tem peram ento dela. – Kat sorriu. – Ela m e tirou dali e m e levou para sua casa na praia. – Ele fez um a pausa, perdido na lem brança. – Ela chorou, eu m e lem bro. Chorou e pediu desculpas. Eu não sabia por que ela estava pedindo desculpas. Ela não tinha feito nada de errado. – Carter olhou para as próprias m ãos e sacudiu a cabeça. – Eu odiava vê-la chorar.
– Quantos anos você tinha?
– Seis. – Carter pigarreou. – Dois anos depois, m inha m ãe m orreu – continuou ele. – E eu fui enviado para um colégio interno, de acordo com o pedido da m inha m ãe em seu testam ento. Meu pai sim plesm ente aceitou...
Carter divagou, claram ente desconfortável.
– Fui expulso da m aioria dos colégios que frequentei. Eu odiava cada m inuto daquela m erda. Se não era expulso, fugia. Quando m ais velho ficava, m ais com eçava a perceber que se fizesse barulho suficiente, causasse problem as suficientes, m aiores eram as chances de os Fords terem que lidar com igo em vez de m e m andar para longe na esperança de que eu nunca m ais voltasse.
Kat traçou círculos com a m ão no om bro de Carter. O coração dela se partiu perante o m enininho que residia naquele hom em à sua frente.
– Não sei com o ele foi com você, Kat – disse Carter –, m as Austin Ford é perigoso. Ele é egoísta e ganancioso. – O ódio se acendeu em suas íris. – E eu fico enoj ado só de ele ter estado perto de você.
– Desculpe.
O que m ais ela poderia dizer?
Sem ligar para onde eles estavam , Carter enrolou os braços na cintura dela.
– Desculpe tam bém . Desculpe por ter assustado você.
– Você não m e assustou.
– Assustei, sim . – Carter deslizou a m ão pela lom bar de Kat. – E m e desculpe. Eu só estou...
– Eu sei.
Ela sabia quanto estaria m agoada se tivesse sido com ela.
Ele apertou os lábios.
– Pensar em você com qualquer outra pessoa m e faz querer destruir a cidade toda – confessou. – Mas com ele? – Carter balançou a cabeça lentam ente. – Pensar que você tinha estado com ele quase m e m atou.
O coração dele palpitava debaixo da m ão dela.
– Estou com você – sussurrou ela. – Prom eto. – Não quero m ais ninguém .
Os olhos dele brilharam .
– Tam bém não quero m ais ninguém . É tão perfeito quando estam os só nós dois, longe de tudo.
Kat lutou contra a névoa de satisfação que as palavras dele causaram , pensando por um instante.
– Sabe, tenho um am igo... Ben.
A sobrancelha de Carter se enrugou, o perigo saltitando em seu rosto.
– Ben? Um am igo, é? Devo m e preocupar?
Kat afastou a ansiedade deliberada envolta na pergunta dele revirando os olhos.
– Nem um pouco. Ele é advogado, entre outras coisas. – Ela m ordeu o interior do lábio. – Ele pode aj udar você. Com relação a Austin.
– Com o?
Kat riu.
– Ben consegue descobrir os podres de praticam ente qualquer um . Esse é o trabalho dele. – Ela deu de om bros. – Sei lá. Talvez ele consiga encontrar algo que você possa usar contra ele.
Os lábios de Carter se contraíram .
– Com bater fogo com fogo, você diz.
– Vale a pena tentar, certo?
Carter considerou a oferta.
– Sei que Austin é conhecido por fazer negócios com uns caras de caráter duvidoso. O Adam sem pre lim pou a barra dele.
Kat sorriu.
– Parece ser a especialidade do Ben.
Carter a fitou atentam ente.
– Você faria isso por m im ?
– Quero que você tenha o que é seu de direito. Você m erece isso.
Ele suspirou um tanto trêm ulo.
– Você é de outro m undo, sabia? – Seu polegar tocou no lábio inferior dela. – Obrigado. Fico devendo um a. – Ele fez um a pausa. – Talvez eu possa fazer algo por você. – E m ordiscou o lábio dela, hesitante. – Podíam os... Eu posso levar você... Digo, você quer... O que, hum , eu estava pensando. Eu... Droga. – Ele esfregou as m ãos no rosto. – Sou um fiasco nisso.
Kat fez m enção de se afastar, para lhe dar um pouco de espaço, m as a m ão dele foi direto para sua cintura, interrom pendo-a.
Carter fechou os olhos e falou em um longo suspiro.
– Tem planos para este fim de sem ana? Porque, se não tiver, eu gostaria de levar você a algum lugar. Se não quiser, vou entender; m as eu realm ente gostaria que viesse com igo. Quero passar algum tem po com você. Quero dizer, não sei...
Ele resm ungou um a série de palavrões variados antes de enfiar as pontas dos dedos nos bolsos da calça.
Kat entrelaçou um a m ão na outra.
– Só nós dois?
Os olhos de Carter se ergueram de im ediato, brilhando azuis e esperançosos.
– Sim .
Ela segurou o rosto dele, sorrindo calorosam ente.
– Eu adoraria.
Carter piscou, sem nem tentar esconder sua surpresa.
– Sério?
Kat riu.
– Foi o que eu disse, não foi?
O peito dele ribom bou com um a risada baixinha, zom bando de si m esm o.
Ele deu um a olhada para a porta vazia da sala de leitura e segurou a m ão dela, apertando-a gentilm ente entre seus dedos grossos.
Ele inclinou a cabeça para o lado.
– Sei que é contra as regras das aulas, m as, caralho, eu estou m orrendo de vontade de beij ar você.
Kat lam beu os lábios instintivam ente.
– Só um beij inho. – O polegar dele se infiltrou debaixo da blusa dela, roçando em sua barriga, fazendo seu sangue ferver. – Só um a provinha.
Kat gem eu ao ouvir as palavras que ele tinha dito na prim eira vez em que a tinha beij ado. Assim que seus lábios se encontraram , o corpo dela relaxou. Ela se esqueceu das regras e dos riscos.
Tam bém se esqueceu de Austin, de sua m ãe e de Beth.
Tudo o que im portava eram as m ãos dele no rosto dela, a força de seu corpo e a m aneira com o a língua dele possuía cada centím etro de sua boca. Ela agarrou o cinto da calça dele e o puxou m ais para perto, nem aí para se alguém visse.
24
Kat atendeu o celular quando tocou pela terceira vez.
– Ben, com o você está?
O sorriso dele podia ser ouvido em sua resposta.
– Estou ótim o. E você?
– Estou bem .
– Isso é bom . Isso é bom . Então, hum , Beth m e ligou ontem à noite. Ela disse que vocês ainda não conversaram .
Kat suspirou.
– Não.
Ben em itiu um ruído de com preensão.
– Kat, eu...
– Eu sei, Ben – interrom peu Kat bruscam ente. – Vou falar com ela quando eu estiver pronta, tá?
– Está bem .
Kat pressionou os lábios e respirou fundo, tentando afastar a tristeza que a dom inava cada vez que ela deixava de atender as ligações de Beth ou de sua m ãe.