Desejo Proibido
Prólogo
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.
– Então, você recebeu o e-m ail de Carter? – perguntou ela, m udando logo de assunto. – Os detalhes foram suficientes?
Ben riu.
– Ah, sim . Foi por isso que liguei. Está tudo pronto para a reunião com Ford am anhã. O que Carter m andou foi fantástico. Agradeça a ele. Com o é que ele conseguiu aquilo?
– Não faço ideia. Não ousei perguntar.
– Bom , rendeu um a leitura bem interessante. Parece que nosso Austin tem brincado com quem não devia. A polícia federal iria se divertir à beça. E, se os acionistas ficarem sabendo, ter um ex-presidiário na diretoria da em presa será o m enor dos problem as dele.
Kat não tinha dúvidas. Desde que ela pedira a Ben para aj udar Carter com a reivindicação de sua em presa, Ben tinha trabalhado com o um cavalo, cobrando favores e fuçando qualquer tipo de suj eira que pudesse encontrar.
E não levou m uito tem po para achar.
– Vocês vão se encontrar am anhã? – perguntou Kat, entrando em seu carro no estacionam ento de Arthur Kill.
– Sim . – Ben riu. – Austin deve estar curioso para ter m arcado um a reunião em um sábado.
– Você m e m antém inform ada?
– É claro.
– Ótim o. – Kat repousou a cabeça no banco do carro. – Obrigada, Ben. De verdade. Você não tem ideia do que isso significa para m im .
– Claro que tenho, Kat. Por que você acha que concordei em fazer isso?
Kat sorriu.
– Você é m eu herói.
– Eu sei. Só se lem bre disso quando seu nam orado m ilionário quiser em prestar um dos seus carrões.
– Ele não tem nenhum carrão, Ben – respondeu Kat, rindo.
– Então ele é um bobo. Cuide-se, tá?
– Está bem . Mande um beij o para Abby.
Kat deixou Arthur Kill com um a bagagem no porta-m alas e um alvoroço no coração. Depois de encerrar a ligação, ela desligou o celular, ignorando as duas m ensagens de voz de sua m ãe. Elas não se falavam havia m ais de um a sem ana e, apesar de Kat sentir sua falta, o alívio de não ter que ouvir seu discurso diário incansável era m aior que tudo. A culpa tinha am eaçado aparecer, m as Kat a em purrara para o fundo do abism o que continuava aum entando entre as duas.
Este fim de sem ana seria dela e de Carter. Todo o resto era irrelevante.
A excitação floresceu dentro dela. Ele tinha sido incrivelm ente m isterioso com relação ao que havia planej ado e sobre o lugar onde iriam ficar, dando a ela indicações breves e dicas enigm áticas que ela passara toda a sem ana tentando desvendar.
Por sorte, o traj eto foi bastante fácil. Kat não era m uito boa com direções, m as sabia que estava seguindo rum o à costa, especificam ente aos Ham ptons, o que a confundia bastante, para dizer o m ínim o. West Ham pton Dunes era um a região extrem am ente próspera, repleta de pessoas que faziam m ais o estilo labrador, cachim bo e chinelo do que m etais, tatuagens e couro. Kat sorriu; tinha certeza de que Carter destoava por com pleto dali.
Quanto m ais perto chegava do endereço indicado no GPS, m aiores as casas pareciam . Não que ela devesse ficar surpresa após a confissão de Carter quanto à sua fortuna. Ele poderia bancar, com facilidade, qualquer casa na costa leste e ainda teria grana de sobra. Não que ela ligasse para nada daquilo. Ele podia ter apenas cinco dólares no bolso e ela ainda o am a...
O sorriso dela se alargou, sem m edo do rum o que seus pensam entos tinham tom ado. Ela aum entou o volum e do rádio e cantou j unto.
O céu se tornou um rosa e alaranj ado deslum brante acim a do agitado m ar cinzento e as dunas se estendiam por quilôm etros. Apesar de estar frio, Kat abriu a j anela e, depois de colocar os óculos de sol, deixou que a brisa do oceano soprasse dentro do carro. O cheiro era m aravilhoso. Tinha cheiro de liberdade e diversão. Tinha o cheiro do seu pai. Deus, com o tinha sentido falta da praia. Fazia tem po de m ais.
Virando um a esquina, Kat deparou com um terreno im enso de areia sobre o qual havia um a linda casa branca de dois andares com telhado azul. A casa era
extraordinária, feita de painéis brancos
com um a varanda em torno e sacadas no andar superior. O lugar fazia Kat se lem brar daquelas casas de fam ília enorm es que tinha visto no sul quando era criança com Nana Boo.
Parando o carro, Kat desligou o m otor e abriu a porta devagar. O ar redem oinhou em volta dela, j ogando os cabelos em seu rosto e atirando areia em sua pele. Ela olhou para a paisagem perfeita à sua frente, querendo nada m ais que entrar correndo no m ar.
Carter tinha perdido a conta de quantos m om entos em sua vida ele havia sentido decepção ou frustração. Desde o dia de seu nascim ento, as duas em oções pareciam segui-lo por onde quer que fosse, correndo paralelam ente a tudo o que fazia e a cada decisão que tom ava.
Do desej o de sua m ãe de “se livrar” dele e sua consequente intolerância com o filho quando criança até o dia em que seu próprio pai o m andara para um colégio interno quando ele tinha apenas 9 anos – apesar de o m enininho de cabelos escuros ter suplicado para não ir –, Carter tinha aprendido a se tornar im une à dor.
Ele estava acostum ado, deixava para lá e, de m uitas m aneiras – por m ais cínico que parecesse –, Carter tinha com eçado a esperar o pior das situações e das pessoas. Ao m enos dessa form a nunca seria pego de surpresa, e a arm adura arrogante e im prudente com a qual se cobria continuaria a protegê-lo de todo o sofrim ento que aquela gente à sua volta quisesse lhe causar.
Carter era um cara raivoso e aceitara esse fato específico anos atrás. Ele não gostava disso e odiava sua origem , m as, porra, com o é que deveria se sentir depois de tudo pelo que havia passado?
Tinha se resignado a ser daquele j eito para sem pre.
Bem , isso até Pêssegos ressurgir em sua vida.
Kat.
A m ulher fora um enigm a para ele desde o princípio. Ela o tinha deixado com pletam ente louco – ainda deixava –, m as, a partir da sua saída da prisão e das m udanças em seu relacionam ento com Kat, Carter tinha com eçado a perceber que, por m ais que ela às vezes pudesse irritá-lo, quando a aconchegava, adorm ecida em seus braços, na cam a, Carter vivenciava algo que até então era desconhecido para ele: paz.
Não era com o se seu cérebro se desligasse quando ela estava por perto ou com o se ele tivesse tido algum tipo brega de ilum inação espiritual ao gozarem j untos. O fato era que Kat parecia aj udar a abaixar o volum e de seu cérebro. A frustração, a raiva e a decepção que se contorciam dentro dele eram entorpecidas pela presença dela. Podia respirar m elhor, relaxar, sentir-se m ais ele m esm o – e Carter tinha se deleitado desavergonhadam ente com essa recém -descoberta fatia de serenidade.
É claro que sua Kat era um paradoxo. Seu toque e suas palavras o estabilizavam , ao passo que seus beij os o faziam flutuar. Em certos m om entos, ela o fazia querer quebrar a cidade toda de raiva, m as tam bém conseguia fazê-lo sorrir com o ninguém . Os abraços e carinhos dela o aturdiam tanto quanto os tapas verbais furiosos, e Carter ainda não tinha decidido se a raiva inflam ada de Kat o excitava m ais do que sua paixão sexual.
A j ustaposição era intensa e, para Carter, absolutam ente perfeita. Assim com o ela.
O fogo e a força de Kat, bem com o sua ternura e sensibilidade, eram o que a tornava tão especial.
Ela podia ser feroz, m as tam bém conseguia ser delicada e calm a: fogo ardente e calor relaxante.
Carter adorava o fato de ela o m anter alerta. Adorava a espontaneidade e a paixão que faiscavam entre eles, e adorava o fato de ela corresponder, com a m esm a intensidade, a cada toque, beij o e investida dele.
Ela era tudo o que ele queria ou precisava. No entanto, por m ais que devesse estar assim ilando seus sentim entos por aquela m ulher espetacular, Carter se via com pletam ente apavorado em relação a eles.
Ele era um cagão, sabia disso, m as era o desconhecido, a falta de fam iliaridade e a vulnerabilidade aos quais ele tinha se aberto que causavam um brilho de suor em sua testa e um alvoroço em seu coração. Sua arm adura fora arrancada quando ele se perdeu no corpo de Kat aquela noite.
Kat não a retirara com cuidado e delicadeza. Não. Ela a tinha estraçalhado com um a fom e selvagem , toques frenéticos e palavras sussurradas que o abateram , expondo seu peito e seu coração de um a form a perigosa.
Carter não conseguia m ais im aginar sua vida sem Kat, e pensar em perdê-la o enchia de um m edo quase sufocante. Decepção e frustração não eram nada com paradas à dor inevitável que a ausência dela causaria. Apesar daquela banca de m achão agressivo e da atitude não-estou-nem -aí, Carter se abrira com pletam ente. Kat se infiltrara em todos os espaços que ele achava estarem perdidos e selados dentro de si, trazendo-os de volta à vida.
Depois de observá-la pela enorm e j anela da frente da casa de praia, ele saiu em silêncio pela porta lateral e atravessou a am pla varanda. Ela parecia perplexa. Carter torcia para que fosse de felicidade. Nossa, com o ele estava nervoso. Nunca tinha feito algo assim antes e queria que o fim de sem ana fosse perfeito, um a chance para eles se reconectarem . Respirando fundo, correu até ela. Seu peito se aqueceu quando ela sorriu.
Ele retirou os óculos de aviador dela com delicadeza.
– Aqui está a m inha m enina – sussurrou ele. – Então, o que achou? – perguntou ele, apontando para a casa com o queixo.
– É m aravilhosa – respondeu ela. – Fazia tanto tem po desde a últim a vez que vim para a praia...
– Im aginei. – Ele coçou o queixo e lim pou a garganta. – Lem brei que você falou sobre a praia, sobre seu pai, sobre não vir para cá há m uito tem po, e achei que iria gostar.
Kat se atirou nos braços dele, quase o derrubando no chão. Ela j ogou os braços em torno de seu pescoço e deu um beij o sedento em seus lábios. Carter a envolveu e a abraçou com força, inspirando cada centím etro dela, todo o seu corpo queim ando.
Ele cam baleou para o lado, parando apenas quando seu quadril bateu no carro. Carter grunhiu na boca de Kat quando suas línguas se entrelaçaram e fez um m eio círculo para pressionar o corpo m acio dela contra o carro. Ela acariciou seu rosto. Carter se esfregou nela com o um gato. Não tinha estado dentro dela desde sua noite j untos e estava prestes a enlouquecer. Quando seus quadris giraram nos dela, ela arfou e enrolou as pernas nas coxas dele, querendo-o m ais perto. Carter correspondeu agarrando a bunda de Kat. Sentira falta de tê-la tão perto, tão receptiva. Ele lam beu e m ordiscou até que Kat ofegasse e m urm urasse seu nom e.
– Precisam os parar – sussurrou Kat.
Seu corpo traiu suas palavras quando ela segurou o rosto dele, puxando a boca de Carter de volta para a sua.
– Por quê? – perguntou ele, arqueando a sobrancelha. – Não há ninguém por aqui num raio de quilôm etros. Se quisesse foder você aqui m esm o – ele m oveu os quadris, fazendo-a arfar –, eu poderia.
Os lábios dela se curvaram para cim a contra o rosto dele antes de dar um beij o delicado bem no m eio de sua bochecha.
– Obrigada – sussurrou ela.
Carter a fitou, intrigado. Ela estava sensacional com os lábios inchados e o cabelo bagunçado pelo vento.
– Por ter m e convidado para vir aqui. Por saber que eu iria adorar.
– Você adorou?
– É tão lindo.
O alívio acalm ou o coração disparado dele.
– Quer ver lá dentro?
Com um beij o rápido nos lábios de Kat, Carter a segurou até que seus pés tocaram o chão novam ente. Ele pegou a m ala de Kat e a guiou pela varanda até a porta de entrada.
Ela deu passos hesitantes pelo corredor, olhando para a escada de m adeira que levava ao prim eiro piso. Estava calada quando tirou a j aqueta, atravessando a sala de estar, com Carter a seguindo em silêncio. Ela deu um a volta, parando na j anela de frente para o m ar e os bancos de areia cobertos de gram a com prida e am arelada.
Recostando-se na porta, Carter a observou. Ela estava perfeita ali na casa dele. Pensara a m esm a coisa ao vê-la pela prim eira vez em seu apartam ento, m as, de algum a form a, desta vez era diferente.
O presente dele estava se fundindo com o passado, deixando Carter estranham ente sossegado.
Depois de levar a m ala de Kat até o quarto no andar de cim a, Carter voltou e encontrou-a exam inando as obras ecléticas nas paredes. Ele sabia, de ter visto os quadros dela, que Kat gostava de aquarelas, m as sua garganta se fechou de pânico quando ela ficou im óvel em frente a um a seleção de fotografias em preto e branco que enfeitava a parede acim a da lareira acesa.
– Este é você – m urm urou ela, apontando para a foto de um m enino usando short e construindo um castelo de areia enorm e.
– Sim – assentiu ele, aproxim ando-se dela. – Eu tinha 7 anos.
Os dedos dela deslizaram pela im agem dele.
– Você está tão feliz. Quem tirou?
– Minha avó – respondeu. – Esta casa era dela. A casa sobre a qual eu falei a você; ela deixou para m im . – Ele deu um a olhada em volta. – Este era o nosso lugar. – Ele ergueu e abaixou um om bro só. – Vínham os bastante aqui. Só nós dois.
– Ela traz boas recordações para você?
– Sim , as poucas que eu tenho da m inha infância são daqui. – Ele engoliu em seco. – Eu queria dividir isso com você.
Ela deu um beij o suave no om bro dele.
Carter beij ou o topo da cabeça dela.
– Venha – sussurrou ele. – Vou pegar algo para você beber. Está tudo pronto para com eçar a preparar o j antar. Você gosta de m ariscos, certo?
Quando Kat assentiu com a cabeça, Carter quase encostou sua boca na dela.
– Ótim o, estou m orrendo de fom e.
As palavras dele eram carregadas de um a am biguidade inegável, m as Carter não iria se iludir. Os próxim os dias não serviriam só para ficar pelado com ela. Tratava-se de m ais do que isso. Tratava-se de verdade, honestidade e am adurecim ento. Agora que ela havia destruído sua arm adura de m achão, Carter sabia que precisava m ostrar a Kat tudo o que existia debaixo dela. Era desencoraj ador e assustador, m as ele faria isso por ela. Ele precisava.
Eles se beij aram novam ente, com carinho, m as com um a paixão prom etida.
– Por que você não vai lá para cim a e coloca um a roupa bem quente para não ficar com hipoterm ia enquanto eu preparo o j antar?
Estranham ente, ela não discutiu nem o questionou.
– Terceira porta à direita – inform ou ele. – Coloquei sua m ala na beirada da cam a.
– Obrigada – disse ela antes de desaparecer escada acim a.
– O que m ais?
Kat m ordeu o lábio enquanto pensava.
– Anchovas e azeitonas. – Ela fez um a cara de “eca”. – E lim ões. Odeio coisas de lim ão: torta de lim ão, m olho de lim ão. – Ela fez um a careta e trem eu.
– Você bebe Sprite – ponderou Carter em m eio a um a nuvem de fum aça.
– Isso é diferente – retrucou Kat com um tom que encerrava a conversa.
Carter revirou os olhos.
– O que você odeia? – perguntou ela.
– Tom ates – respondeu ele rapidam ente –, anchovas, abacaxi, qualquer tipo de peixe exceto m ariscos, e m acarrão com queij o.
– Macarrão com queij o? – Kat riu. – O que há de errado com você?
Carter franziu a testa.
– Eu odeio aquele troço.
– Certo – aceitou Kat. – Com ida preferida?
– Pêssegos.
– Claro, claro.
– Estou falando sério – defendeu ele. – Pêssegos e Oreo. – Ele sorriu. – Film e preferido?
– Não consigo escolher um só.
– Está bem , dois.
– Os Goonies e Forrest Gump. Você.
– Os fantasmas se divertem e Pulp Fiction – respondeu Carter enquanto apagava o cigarro. – Disco preferido?
– Rubber Soul e Revolver, dos Beatles. Sem pre foram um álbum só para m im . – Ela gesticulou para que ele respondesse.
– Para m im tam bém . – Ele fez um a careta. – Esses e The White Album, em patados.
Eles estavam j ogando o j ogo das perguntas havia m ais de um a hora. Kat observava, de seu lugar na varanda dos fundos, enrolada em um grande cobertor de lã, aconchegada e quentinha, enquanto Carter preparava o j antar na grelha e respondia cada pergunta que ela lhe lançava. O cheiro dos m ariscos a rodeava com o vento fresco, m isturando-se à m aresia e à fum aça do cigarro de Carter.
Além de estar inacreditavelm ente sexy com um blusão de lã preto de tricô e j eans escuros, Kat não conseguia acreditar em com o ele estava calm o. Parecia estar no lugar a que pertencia, acom odado e livre, com o se o peso que carregava consigo na cidade tivesse sido varrido pelas ondas que quebravam na praia a m enos de cem m etros dali.
– Você parece em paz aqui.
Carter term inou a cervej a.
– É assim que m e sinto. Há algo especial na praia. Faz eu m e sentir diferente.
– Diferente para m elhor?
– Sim . – Os olhos dele brilhavam , tranquilos e gentis. – Fico tão feliz por você estar aqui.
– Eu tam bém .
A com ida estava incrível. Kat disse a Carter repetidam ente quão boa estava e ele, em resposta, fez com entários obscenos sobre com o j á tinha ouvido aquelas palavras da sua boca antes. Kat tinha se convencido de que ia ser difícil se adaptar ao Carter brincalhão; estava tão acostum ada com o Carter inquieto, sério, m alcriado e pavio curto – e ela o am ava tanto – que o Carter fofo e querido parecia ridículo. Kat percebeu, nesse caso, que adorava estar errada. A honestidade e o sorriso dele se tornavam cada vez m ais fáceis à m edida que eles conversavam , em purrando Kat cada vez m ais fundo para o m ar de em oções que j á não a assustavam . Sua única preocupação era se elas iriam assustá-lo.
Depois de lavarem tudo, tarefa durante a qual Carter ficou deslizando as m ãos pela bunda de Kat, ele a levou pela varanda até a praia. Estava escuro, m as pequenas luzes cintilantes localizadas dos dois lados da trilha e a lanterna de Carter indicavam o cam inho.
Enquanto Kat colocava a cervej a e a sacola que Carter tinha entregado para ela carregar de lado e se sentava na areia fria, Carter com eçou a acender um a fogueira em um buraco repleto de troncos e toras, utilizando um a lata de fluido, um fósforo e m uito entusiasm o. Kat rolou de rir quando viu a expressão extasiada dele ao conseguir fazer o troço pegar fogo.
– Mim . Hom em . Fazer fogo para m ulher – gritou ele, batendo no peito e apontando orgulhosam ente para a fogueira.
Kat o cham ou de perdedor com pleto, o que encoraj ou Carter a atacar as costelas dela sem piedade com seus dedos longos e ligeiros. Ele grunhiu no pescoço dela enquanto fazia cócegas e riu quando ela tentou fazer cócegas nele tam bém . Riu alto – um a risada genuína, que veio do âm ago.
Foi m aravilhoso.
Carter se m oveu para que suas costas ficassem encostadas em um a pedra convenientem ente localizada ali e puxou Kat entre suas pernas, colocando o cobertor em torno dos dois. Ele pegou as cervej as e um pacote de m arshm allows, bolachas salgadas e chocolate em um a sacola. Kat ficou olhando de olhos arregalados para o pacote na m ão dele.
– Você trouxe m arshm allows?! – exclam ou ela.
Carter fez cara de paisagem .
– Hum , tem os um a fogueira aqui, Pêssegos. É claro que eu trouxe! Precisam os derretê-los para fazer sanduíches de m arshm allow com biscoito e chocolate na praia. – Ele brincou: – É a lei.
Eles com eram ao m enos três cada um antes de Kat j ogar a toalha e se soltar sobre o corpo de Carter.
– Estou tão cheia. Você sem pre m e faz com er dem ais. Vou ficar m uito gorda.
Carter estalou a língua perto do ouvido dela.
– Que besteira. – As m ãos dele deslizaram por debaixo das cam adas de roupa e seguraram a cintura dela. – Você é totalm ente perfeita. Adoro sentir você. Além disso, eu aj udo a queim ar as calorias depois.
– Tenho certeza disso – respondeu Kat, rindo ao ouvi-lo gem er. – Prim eiro, m e conte m ais sobre a casa e a vida com sua avó.
Carter lhe deu outra cervej a. Ela j á estava na quarta e precisava ir com calm a. Se o obj etivo de Carter era deixá-la bêbada para levá-la para a cam a, então ele não estava m uito longe de conquistá-
lo.
– Fale sobre seus am igos, suas nam oradas... Me conte tudo.
Carter riu. Eles continuaram observando as cham as flam ej arem e dançarem sob a luz do luar. O
vento tinha parado e o céu estava lim po, baixando a tem peratura, de m odo que a respiração deles era visível. Mas Kat não conseguia sentir o frio, envolvida em sua bolha abençoada.
– Está bem . – Carter esfregou as m ãos na barriga dela. – Bom , m eus am igos m ais próxim os trabalham com igo na oficina.
– A oficina de Max? Me fale de Max. Há quanto tem po vocês se conhecem ?
Carter sorriu.
– Quase vinte anos.
– Ele é um bom am igo?
– É, sim . Ele m orreu de rir quando eu disse que ia trazer você aqui.
Ele parecia confuso, quase triste.
Com um a am izade de duas décadas, era óbvio que havia m ais na história deles, m as Kat decidiu não forçar a barra. Assim com o descascar um a cebola, ele se revelava para ela de pouquinho em pouquinho. Carter não podia ser apressado. Ele lhe contaria quando estivesse pronto. Tinha que confiar nisso.
– Nunca tive um a nam orada – continuou ele. – Nunca estive com m eninas
tem po suficiente para
garantir um rótulo assim . Talvez sej a difícil de acreditar, m as eu era um com pleto im becil com as m eninas quando era novo.
A autorridicularização dele era adorável.
– Não acredito.
– Acredite.
A diversão desapareceu do rosto dele quando a abraçou m ais forte.
Suas palavras eram graves e sérias j unto ao ouvido de Kat.
– Quero que saiba de um a coisa. – Ele respirou fundo. – Jam ais vou ser desse j eito com você.
Prom eto. Você m erece m ais que isso. Estou longe de ser perfeito, m as j uro que vou fazer o m eu m elhor.
Kat relaxou no peito dele.
– Você tem noção de com o é um a boa pessoa, Carter?
Carter tocou a ponta de seu nariz no dela.
– Não sou um a boa pessoa, Kat...
– Besteira.
Ela se virou nos braços dele.
Antes que Carter pudesse argum entar, Kat continuou:
– Você salvou m inha vida. – Ela contornou os lábios dele com a ponta dos dedos. – Nunca m ais m e diga que você não é bom .
Carter a abraçou ainda m ais forte. Ela era tão quente e m acia.
– Sentir você é incrível. – Ele traçou um cam inho de beij os do pescoço à clavícula dela, lam bendo a pele delicada. – Seu gosto é tão bom . Seu cheiro é tão bom . – Kat ofegou o nom e dele. – Me diga que eu posso m e perder em você esta noite.
Sem dizer um a palavra, ela m exeu a m ão e o tocou por cim a da calça. Ele grunhiu e m ordeu o lóbulo dela. Ela o esfregou com firm eza, causando ofegos de desej o no peito dele, quase fazendo-o gozar com seus m ovim entos perfeitos. Abruptam ente, Kat se m exeu até ficar de j oelhos entre as pernas dele, deixando-o duro e dolorido com a pequena distância entre eles. Carter não gostou quando Kat se levantou. Ela pegou o lixo e o cobertor e, com o som de sua risada se espalhando pelas dunas de areia, correu na frente dele em direção à casa.
Ela queria que ele a perseguisse? Que. Com ece. O. Jogo.
Deixando que o fogo m orresse por si só, Carter pegou o restante do lixo e a cervej a e correu, da m elhor m aneira que conseguiu, de pau duro, atrás dela, chegando na porta dos fundos quando o vento a bateu. Abrindo-a com um resm ungo e largando tudo no chão, ele voou pela casa, sorrindo a cada peça de roupa am assada de Kat pelo cam inho.
Seu gorro, suas botas, suas m eias, seu cachecol, seu casaco... seu sutiã.
Ela gritou quando os pés pesados dele subiram a escada rapidam ente atrás dela, m as tudo o que Carter conseguiu ver foi um relance de cabelo ruivo enquanto ela corria para o quarto.
Caram ba, ela era rápida.
Chutando a porta do quarto e fazendo Kat gritar em um pânico excitado, ele conseguiu segurar o braço dela, puxando as costas desnudas contra seu peito. Ela tentou puxar o ar, m as os gem idos se tornaram densos e rápidos quando a boca de Carter se fechou fam inta em seu om bro. Ela ergueu os braços e segurou o pescoço dele, agarrando-o e suplicando por qualquer parte do corpo dele no seu.
– Você vai pagar por isso, m inha Pêssegos.
Carter a girou e entrelaçou os dedos em seus cabelos, abafando a boca de Kat com a sua, e, em três passos longos, ele a prensou contra a parede do quarto. Am bos expiraram profundam ente. As m ãos de Kat estavam em todo lugar. Ela batalhou contra a braguilha dele e envolveu seu pau em sua m ão perfeita e quente assim que o libertou. Ele largou sua boca e deixou a cabeça cair para trás.
Carter gritou quando o polegar dela passou por cim a da ponta úm ida, inspirando longam ente por entre os dentes.
– Não se eu fizer você pagar prim eiro – ronronou ela, lam bendo os lábios e se aj oelhando lentam ente.
Carter engoliu em seco quando a língua dela o tocou.
– Puta m erda.
Essa é a minha garota.
25
O vento estava fresco e o céu, azul na tarde seguinte enquanto Carter e Kat pilotavam Kala por Westham pton. Mais um a vez, ele tinha m antido segredo quanto ao lugar aonde a estava levando, adorando a m aneira com o ela reclam ara por não saber de todos os detalhes. Kat Lane parecia não gostar de surpresas. Ela havia trocado de roupa três vezes só para frisar isso, enlouquecendo-o aos pouquinhos. Ainda bem que ela era bonita pra caram ba, ou ele teria lhe dado uns bons tapas para que deixasse de ser atrevida. Ele tinha dito isso a ela, o que a fez rir lindam ente, beij ando-o com tanta intensidade que ele calou a boca.
Eles rodaram por quase um a hora até Carter com eçar a ver outras m otos à sua frente, seguindo na m esm a direção.
Reduzindo a velocidade para poder entrar em um a rua larga de pedras, Carter sorriu quando o cheiro denso de diesel atingiu suas narinas e o som pesado do rock ecoou em torno deles. Em m eio a grandes barracas e pequenas tendas havia um a fila de carros possantes que se estendia a perder de vista e, ao lado deles, estavam as Harley s, as Trium phs, as Yam ahas, as Ducatis e todos os outros tipos de m otocicletas dignas de deixar Carter de pau duro.
Ele estacionou ao lado de um glorioso Corvette am arelo 1969 e desligou o m otor. Desafivelou o capacete e o retirou. Kat se m exeu atrás dele. Ele se virou para olhar para ela. Estava adorável, com bochechas rosadas e olhos sonolentos.
Ele acariciou a m açã do rosto dela com o polegar.
– Você dorm iu em m im de novo?
Ela resm ungou e tirou o capacete.
– É tão relaxante ficar abraçada em você enquanto andam os de m oto. É ótim o.
As palavras dela se derreteram em partes secretas e caladas dele.
Kat deu um a olhada em volta.
– Que lugar é este?
Carter se levantou da m oto, puxando a perna por cim a dela com cuidado, e se espreguiçou.
– Este é o paraíso.
Ele se ofereceu para aj udar Kat e colocou os dois capacetes em um baú rem ovível no banco de trás de Kala.
– A m eca dos apaixonados por carros.
– Aqueles carros são lindos – m urm urou Kat, olhando para a fila de Mustangs e GTs.
Carter enfiou as m ãos nos bolsos e m exeu o corpo sem sair do lugar.
– Max e eu costum ávam os vir aqui com o pai dele quando éram os crianças. Eu queria m ostrar a você onde m eu am or por isso tudo floresceu.
Kat deu um pequeno passo em direção a Carter.
– Então m e m ostre.
Eles andaram e andaram , e analisaram os carros e as pessoas m alucas em torno deles. Carter m ostrou suas m otos e seus carros preferidos, explicando m odelos, torques e potências com o um a criança num a loj a de doces, babando em um a Vincent Black Night rara.
– Para que são as barracas e as tendas? – perguntou Kat enquanto eles passavam por um belo Ford Torino.
– As m aiores pertencem a negociadores de carros e especialistas: GT, Harley e GMC. Eles vendem peças a preços m ais baixos que os das loj as. Eles as usam para fazer prom oções e para contratar m ecânicos, coisas assim . – Ele deu um a olhada com placente para ela. – Riley costum ava ter sua própria tenda aqui, sabia?
– Sério?
Carter respondeu apertando a m ão dela.
– Ele é m eio m aluco, m as é um em presário perspicaz. E nunca se gabava disso. Conseguiu alguns belos acordos em peças para m im e m e aj udou com m inhas outras m otos e tal.
Carter a puxou na direção das outras barracas. Ele sorriu quando, após andarem por dez m inutos, ela parou na entrada de um a tenda específica que Carter conhecia bem . Kat perm aneceu em silêncio enquanto eles observavam um a j ovem loura fazer um a tatuagem do lado direito do quadril. Era o em blem a da Big Dog Motorcy les e Carter tinha que adm itir que era sexy pra caram ba.
– Está pensando em fazer um a? – perguntou ele enquanto a envolvia em seus braços.
Ela deu um a espécie de tossida e balançou a cabeça sob o queixo dele. Carter riu.
– Que pena. Acho que você ficaria linda com um pouco de tinta nesse seu corpo m aravilhoso.
Ele se esfregou na bunda dela.
– Não dói? – questionou ela, aproxim ando-se alguns passos, com Carter ainda conectado a ela com o um a concha de caracol.
– Nã... Bem , depende da parte do corpo em que você vai fazer, m as é m ais um desconforto do que um a dor.
– Em qual parte sua doeu m ais?
– Debaixo do bíceps.
Aquela tinha sido sinistra. As do peito tam bém tinham doído, m as Kat não precisava saber disso.
Nenhum desgraçado com um a agulha iria chegar nem sequer perto dos seios dela.
Ele colocou o braço por cim a do om bro dela, sorrindo quando ela enfiou a m ão no bolso de trás da calça dele, e a guiou de volta à m ultidão, em direção à barraca de com ida e bebida. Petey, um cara que Carter conhecia de sua vida de am ante de m otos, estava de pé em frente à grelha gigantesca, servindo coxas de galinha, bifes, ham búrgueres, costelas, salsichas, costeletas de cordeiro e chili que ele pegava de um a panela enorm e. Ele era grande com o um m am ute, cheio de tatuagens e careca, o que ele sem pre escondia debaixo de um a bandana verm elha.
Ele deu um sorriso largo, exibindo os três dentes de ouro.
– Carter!
Carter apertou a m ão de Petey.
– Sr. Yates.
– Quanto tem po, m eu am igo! Ouvi dizer que você estava em Arthur Kill.
– Infelizm ente. Ganhei condicional há algum as sem anas.
Petey sorriu.
– Está aqui com Max? Não vej o aquele lá há um tem pão. – O rosto dele ficou severo. – Soube o que aconteceu com Lizzie. Que m erda com plicada.
– É, foi m esm o. – Carter se virou e viu Kat parecendo bastante constrangida e pegou a m ão dela, puxando-a para seu lado. – Mas, não, estou aqui com m inha...
Que diabos ele deveria dizer? Minha Pêssegos. Minha Kat. Minha m ulher. Minha professora?
Ele pigarreou.
– Minha am iga Kat Lane. Kat, este é Petey. Ele é um a lenda por estas bandas, está aqui desde o início dos tem pos.
Kat sorriu para Petey e esticou a m ão.
– Prazer em conhecê-lo.
– Igualm ente. – Petey analisou Kat de form a apreciativa. – Bom , posso com certeza entender por que você é am iga dele. Você é deslum brante, m enina. – Ele deu um a olhada para Carter. – Nunca tinha visto Carter com um a garota antes. Este filho da puta deve gostar m uuuito de você.
– É, é – respondeu Carter m ostrando o dedo do m eio, fazendo Petey e Kat rirem . – Cale a boca e nos alim ente, m ané.
Com com ida no prato e um a cervej a cada um , eles se sentaram em um banco e conversaram , com eram e observaram o m undo girar. Kat fez perguntas sobre o tem po que ele tinha passado com Max e o pai de Max e em que tipo de confusão eles tinham se m etido. Ele contou a ela histórias sobre a prim eira vez que eles encheram a cara no banco de trás do Cam aro vintage prim eira geração do pai de Max e com o Max tinha passado a m anhã seguinte de ressaca, lim pando o vôm ito respingado no volante.
– Parece que vocês dois se envolveram em algum as confusões – concluiu Kat, sorrindo com a cervej a na boca. – Você gosta m uito dele, não é?
– Max é osso duro de roer, às vezes. Mas a intenção dele é boa. Ele j á passou por m uita coisa que não desej o para ninguém .
Carter respirou fundo, forçando-se a contar toda a história, torcendo para que ela não fugisse.
– Você sabe que fui pego com cocaína e, por isso, m e m andaram para Arthur Kill por três anos, certo?
Kat assentiu com a cabeça.
– Não era m inha.
– O quê?
– Quando tínham os 16 anos, Max salvou m inha vida – explicou ele. – Me tirou do cam inho de um a bala durante um roubo de carro que deu errado.
– Meu Deus.
– Eu devia a ele. – Carter ficou olhando para o horizonte. – Antes de eu ser preso, Max tinha um a m ulher, Lizzie. Estavam j untos havia anos. Ele idolatrava o chão em que ela pisava. – Carter tom ou um gole de cervej a. – Para resum ir, Max conseguiu se m eter em um as coisas bem sinistras. Drogas. A cocaína com a qual fui preso era um a arm adilha. Não era dele; ele não tinha nada a ver com aquilo.
Nenhum de nós tinha; m as algum traficante safado, com rancor por sabe-se lá que m otivo, avisou a polícia. Fiquei com a fam a e os 36 m eses de detenção.
Kat piscou.
– Por quê?
Carter expirou pesadam ente.
– Lizzie estava grávida.
– Oh.
– Com seu histórico na polícia, se Max fosse pego com aquilo, ficaria detido por anos. Eu não podia deixar aquilo acontecer. Um hom em precisa estar com a m ulher quando ela carrega um filho dele.
– Então você foi para a cadeia no lugar dele. – Os olhos de Kat cintilaram . – Assim , sim plesm ente?
Carter prendeu o lábio entre os dentes.
– Não tinha m uita coisa rolando na m inha vida naquela época. Nada de im portante. Não com o agora.
– Isso foi... Uau, Carter. Não sei o que dizer.
– Não tem o que dizer. – Ele deu de om bros. – Não fez m uita diferença. Pouco tem po depois de eu ter ido para Arthur Kill, Lizzie o deixou.
– E a criança?
A tristeza apertou o coração de Carter.
– Ele m orreu.
– Ele?
Carter assentiu com a cabeça.
– Christopher. Filho do Max.
– Meu Deus.
– Noivos, grávidos, planej ando a vida j untos, e daí... – Carter fechou os olhos. – Assim , sim plesm ente. Lizzie ficou m uito abalada. Os dois ficaram . – Carter passou a m ão na cabeça. – Então ela foi em bora. Depois de prom eter que ficaria com ele para sem pre, ela foi em bora sem dizer nada, sem deixar um bilhete. Nada. Max nunca superou perder Christopher e, depois, Lizzie. Agora ele tenta encontrar a resposta para tudo no álcool, na cocaína e nas m ulheres. – Carter sacudiu a cabeça.
– Ele está em um a espiral para baixo e não faço a m enor ideia de com o aj udá-lo. Ele não adm ite que precisa de aj uda. O triste é que tam bém perdi algo no dia em que a Lizzie foi em bora.
– O quê?
Os olhos dele encontraram os dela.
– Meu m elhor am igo.
Kat deslizou a m ão pelo banco e segurou o m indinho de Carter. Sem nenhum a palavra pronunciada, o toque dela era suficiente.
Ao longo da hora seguinte, ela ficou sentada com o queixo na m ão, observando Carter com atenção, sem j ulgar, interrom per ou com entar as coisas que ele lhe contava. Era libertador, purificador, quase com o um a terapia se abrir e ser honesto com Kat. Ele parou de falar e deu um sorriso constrangido. Ele a estava entediando horrores com a história de sua vida.
– Nossa, desculpe. Me m ande calar a boca.
– Nunca. – Ela suspirou. – Adoro ouvir você. Quero que m e fale sobre tudo. Carter, você é...
diferente de todo m undo que j á conheci. – Kat olhou para as m ãos deles, entrelaçadas em cim a da m esa. – Tenho um a coisa para perguntar.
– Manda.
– Você sabe que contei à m inha avó, Nana Boo, sobre você... e eu.
– Sim – disse Carter, sentindo seu coração apreciar aquelas palavras.
Ele havia gostado da atitude dela. Aquilo tornava o que eles tinham j untos m ais real, com o se o que com partilhavam fosse válido e verdadeiro.
– Bem ...
Ela hesitou e desviou o olhar.
– O que é?
Kat abaixou o rosto e falou com um suspiro longo.
– Ela convidou você para ir a Chicago passar o Dia de Ação de Graças com ela, conosco...
Quero dizer, você e eu, nós dois... e eu gostaria m uito de levar você para conhecê-la, m as vou entender se não quiser ir. Eu com preendo, eu realm ente...
Carter interrom peu a linda tagarelice dela com um beij o ardente. Ele se afastou e sorriu quando viu que seus olhos perm aneciam fechados e seus lábios ainda faziam um biquinho carente.
– Você fica m aravilhosa quando divaga.
– Para – retrucou ela, abrindo os olhos.
Carter riu.
– Então, está m e perguntando se eu gostaria de passar o Dia de Ação de Graças em Chicago com você e com sua avó.
Kat concordou com a cabeça.
– Ainda estou com o carro dela, que preciso devolver; podem os dirigir até lá.
Carter expirou, um a pontada de ansiedade subindo por sua espinha.
– E sua m ãe? Ela vai estar lá?
Kat balançou a cabeça.
– Não. Eles sem pre passam o Dia de Ação de Graças com a fam ília do Harrison. E o Natal com Nana Boo.
Carter assentiu com a cabeça, em bora não conseguisse afastar a sensação de precaução que pulsava em seu peito. E ele tinha que reconhecer: Kat não parecia nem um pouco preocupada. Estava linda e com esperança de que ele dissesse “sim ”, m as Carter não tinha 100% de certeza da resposta que deveria dar.
– Você não precisa tom ar um a decisão agora – disse Kat, percebendo a
inquietação dele. – Pense
a respeito.
– Vou pensar – prom eteu ele. – Obrigado por m e convidar.
– Im agine.
Som bras de palavras não ditas nublaram os olhos em geral cintilantes de Kat.
– Você está bem ?
– Sim . – A voz dela era pequenina. – Estou... Estou ótim a. Mesm o. Mas quero você só para m im por um tem po. Podem os voltar para casa?
Carter se inclinou no banco e a beij ou m ais um a vez.
– Sou todo seu. – Ele pegou a m ão dela. – Vam os dar o fora daqui.
Austin Ford olhou atentam ente para seu reflexo no espelho dourado do banheiro privativo de seu escritório e sorriu para o que viu. Ele tinha que confessar: era um cara bonito pra caram ba. Seu cabelo era farto e escuro, com um toque grisalho que lhe dava um ar de sofisticação, em vez de velhice. Seu rosto era firm e, com rugas de risadas ao redor dos olhos – que lhe conferiam calor –, e seu corpo era m agro e elegante, adornado de m aneira fantástica por um terno Arm ani.
No geral, a vida estava um a beleza.
Sim , ele ainda tinha problem as com um m em bro da fam ília que sem pre seria um a pedra em seu sapato. Mas aquela porcaria tam bém seria adm inistrada. Com os am igos que tinha e os favores que lhe deviam , Wes Carter logo estaria atrás das grades novam ente. Era só um a questão de tem po. Um a explosão de cabelos ruivos ondulados e grandes olhos verdes brilharam no fundo da cabeça de Ford.
Kat.
Austin sem pre se considerara um cara atraente, e perder o afeto de Kat para seu prim o im becil doía m ais do que estava disposto a adm itir. Que diabos Carter tinha que ele não tinha? Quem dera ele soubesse. Além disso, assim que o bandidinho estivesse atrás das grades e Kat percebesse que furada Carter era, iria querer um om bro am igo para chorar, um cavaleiro para salvar o dia. Os batim entos cardíacos de Austin se aceleraram e suas m ãos transpiraram , m as ele organizou as ideias rapidam ente. Agora não era hora de pensar em m ais nada, só de se preparar.
Ele aj ustou o nó da gravata de seda e respirou fundo.
Hora do show.
Austin saiu do banheiro e acenou com a cabeça para Adam , que estava, com o sem pre, parecendo um garotinho perdido.
– Recom ponha-se – censurou Austin. Ele apertou o botão para cham ar a secretária no telefone na ponta da m esa. – Precisam os resolver isso.
– Sim – disse seu irm ão.
– Pode m andá-lo entrar – ordenou Austin.
Apoiando-se na m esa, Austin olhou bem nos olhos de seu gerente de
contabilidade e do
advogado, am bos com expressões sérias de negócios que teriam feito qualquer hom em m aduro cagar nas calças.
Tudo estava perfeito.
Houve um a batida forte na porta antes de a m açaneta girar e um hom em alto e louro, usando um terno Gucci fabuloso, entrar confiantem ente no escritório. Austin ficou um pouco consternado com a m aneira tranquila com o ele entrou, m as disfarçou com um sorriso decidido e esticou a m ão.
– Sr. Thom as – cantarolou ele. – Bem -vindo.
– Sr. Ford – respondeu Ben.
Ben apertou a m ão de Austin com firm eza, m antendo contato visual o tem po todo. Ele não era nem um pouco cagão; j á havia estado em escritórios com o aquele m uitas vezes e estava acostum ado a lidar com caras com o Ford. Mas o que ele estava prestes a fazer não era nada parecido com o que j á tinha feito e, se não fosse tratado com cuidado, poderia ser um a catástrofe total e com pleta. Pessoas de quem gostava contavam com ele para m anter a calm a.
Ele engoliu em seco e se acom odou em um a das poltronas ridiculam ente luxuosas próxim as a um a m esa de vidro enorm e.
– Água? – ofereceu Ford enquanto tam bém se sentava.
A boca de Ben estava m ais seca que o Saara, m as ele não iria dar a Ford a satisfação de ver quão desconfortável estava.
– Não – respondeu de form a casual, abrindo a m aleta e m antendo os olhos fixos no que estava fazendo. – Estou bem . Isto não deve dem orar.
Ele ignorou o ruído sarcástico que veio de Ford.
– Sim , tenho certeza que não. Mas você foi um tanto vago nos detalhes quando nos falam os e m arcam os esta reunião. Será que poderia fazer o favor de nos explicar exatam ente por que está aqui?
– Estou aqui em nom e do m eu cliente. Sr. Wesley Carter.
O olhar de Ben pregou Ford à poltrona. Ele colocou a pasta em cim a da m esa de vidro e observou a aura de arrogância e controle penetrar lentam ente no rosto de Ford.
– O m otivo pelo qual fui vago com relação a esta reunião, Sr. Ford – com eçou Ben, apoiando com bastante calm a as m ãos na m esa –, é porque, com o você pode depreender, a situação é delicada.
Ford perm aneceu sem m over um m úsculo.
– Com o assim ?
Ben sorriu com a tentativa de indiferença e abriu o arquivo de Carter.
– Com o sabe, seu m aior acionista é o Sr. W. Carter de Nova York, conform e foi determ inado pelo testam ento da avó de... – Ben olhou para Austin com um brilho no olhar – de vocês.
Ford se recostou na poltrona e cruzou a perna direita sobre a esquerda, pronto para atacar.
– Estou plenam ente ciente disso, Sr. Thom as. O que está querendo dizer?
– Estou querendo dizer que m eu cliente pediu, em inúm eras ocasiões, que sua participação na em presa fosse reconhecida com um salário adequado e que sua opinião fosse levada em consideração em todas as decisões da em presa, incluindo aquelas de nível de diretoria. – Ben esperou. Não teve nenhum a resposta além de olhares severos e silêncio. – Ele não obteve nada disso.
– Sr. Thom as – com eçou Ford em um tom cauteloso. – Seu cliente foi preso e solto várias vezes nos últim os doze anos, sob acusações que variaram de tráfico de drogas a roubo de carros. Tenho certeza de que o senhor com preenderá que não é de interesse da em presa divulgar um com portam ento tão inescrupuloso.
Ben deu um sorriso form al.
– É claro, m as, m esm o assim , independentem ente de os outros acionistas ficarem sabendo – sobre o que falarei daqui a pouco –, você não acha que é im portante pagar ao m eu cliente um valor correto ou ao m enos oferecer um gesto de boa vontade?
Ford se m exeu na poltrona.
– E o que seria um gesto de boa vontade?
– Um aum ento de 60% na renda anual dele, voz ativa nas decisões da diretoria e a garantia de que as ações dele não serão diluídas com ou sem a am eaça de chantagem .
O ar em torno dos dois se tornou sufocante. Um dos hom ens de terno que estava em pé nos fundos da sala se m exeu, inquieto. Alguém pigarreou.
– Eu tom aria cuidado com a escolha das palavras, Sr. Thom as – alertou Ford. – As paredes têm ouvidos, você sabe.
– Ah – concordou Ben, inabalável. – Eu sei.
Ele largou um punhado de fotos em preto e branco na m esa.
Ford o fitou duram ente.
– O que é isto?
– Um seguro – respondeu Ben com m uita calm a. – Para garantir que esses pedidos serão atendidos sem retaliações ao m eu cliente.
– Retaliações? – repetiu Austin.
– Sim .
Ben colocou o dedo na fotografia de cim a, que m ostrava Austin em um j antar sorrindo e apertando a m ão de Raphael Casari, um crim inoso condenado pelo FBI por lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
– Pelo que sei, o Sr. Casari não é o tipo de suj eito que alguém iria querer envolvido em um negócio com o o seu, a não ser que existissem , vam os dizer, questões m ais desonestas por trás.
Ben sorriu.
– Fotografias não provam nada – disse Ford com indiferença.
Ben sorriu do novo.
– Verdade. Mas isto aqui talvez prove.
Ele j ogou outras duas pastas na m esa.
Os olhos de Ford passaram por cim a delas.
– O que é isto?
– Extratos. – Ben se inclinou para a frente. – Extratos financeiros que, por algum m otivo, foram bem m ais difíceis de encontrar que os outros. Sr. Ford, a palavra “desvio” significa algum a coisa para você?
Com aquele soco peso pesado, Ben sabia que o chão sob os sapatos de dois m il dólares de Austin Ford tinha ficado instável. Ele deu m ais um a olhada para as fotos e para a pasta e apertou o peito com a m ão. Fitou Ben duram ente. A am eaça que se espalhava por sua expressão, beliscando e aguçando, era apavorante. Ele não era m ais o m acho alfa. Estava pressionado contra a parede e não estava gostando.
– O. Que. Você. Quer? – perguntou por entre os dentes.
Os olhos de Ben encontraram o olhar furioso de Austin.
– Meu cliente é proprietário de 60% da WCS Com m unications, o que é equivalente a 600
m ilhões de dólares. – Ele arqueou um a sobrancelha. – Se ele fosse sacar essas ações em dinheiro, seria um grande baque para os seus investidores, não é?
– O. Que. Você. Quer? – repetiu Ford em um ofego que transbordava raiva.
– Quero que vocês honrem a proposta benevolente do Sr. Carter, efetivando-a im ediatam ente.
Quero um a confirm ação escrita em três vias dessa prom essa, assinada por você e pelo seu diretor financeiro, enviada por fax para m eu escritório e para m eu cliente ao final desta reunião hoj e. Quero que os fundos sej am transferidos para um a conta da escolha dele na m esm a hora e que seu nom e sej a colocado de novo na lista pública dos acionistas.
Foi a vez de Ben se inclinar para a frente. Ele abaixou a cabeça e fitou Ford com olhos severos.