Desejo Proibido
Prólogo
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.
Eva fechou os olhos.
– Não im porta. Não posso perder m inha filha tam bém . Não vou perder. Você está se arriscando dem ais!
– Carter não é perigoso! – explodiu Kat. – Meu Deus, m ãe. Ele m e protege desde que eu tinha 9
anos!
A expressão de Eva se tornou perplexa.
– Com o assim ?
– Você não acreditaria em m im m esm o que eu contasse. Você não confia em nada do que digo.
– Isso não é verdade – argum entou Eva. – Eu só...
– O que, m ãe? – Kat bufou, exasperada. – Se preocupa? Fica assustada? Adivinhe só. Eu tam bém .
Eva se aproxim ou.
– Me ouça, Katherine. Venha para casa com igo. Vam os conversar. Não posso continuar brigando com você desse j eito. Quero que a gente volte a ser com o era antes disso tudo. – Ela j untou as m ãos.
– Você não vê? Isso tudo é por causa daquele m aldito em prego, por causa dele.
Kat m ordeu a língua, contendo o sarcasm o que am eaçava sair.
– Preciso ficar com Carter.
Ela se virou e seguiu em direção à porta.
– Katherine, espere!
Kat parou, respirou, e se virou lentam ente.
– Converse com igo – im plorou sua m ãe, a dor perm eando seus traços. – Quero... m elhorar essa situação. – A frustração e a m ágoa eram visíveis na form a arqueada de seus om bros. – Odeio o fato de estarm os assim . Eu quero... Quero m inha filha de volta. Por favor. Eu am o você.
Kat lutou contra a vontade de correr para a m ãe e buscar conforto em seus braços. Céus, ela estava cansada. Elas nunca haviam brigado daquele j eito antes, nunca tinham estado tão distantes um a da outra. Mesm o depois da m orte do pai de Kat, quando Eva se enclausurou, as duas ainda com partilharam m om entos de afeto e esperança. Parte do coração de Kat queria que houvesse um a solução para todos os problem as que as separavam agora, m as ela sabia que isso não iria acontecer.
Coisas de m ais tinham sido ditas. Não havia ponte longa o suficiente para atravessar o abism o que as separava.
– Até que você reconheça que Carter faz parte da m inha vida, não posso aceitar isso, m ãe.
Sem esperar que Eva respondesse, Kat correu escada acim a, precisando voltar para Carter, para que ele dissesse a ela que tudo ficaria bem . Precisava dele por perto, precisava sentir o cheiro dele, sentir a pele dele na sua. Precisava dos lábios dele em sua boca e da voz dele em seu ouvido.
O corredor para chegar até ele pareceu de repente ter um quilôm etro de distância. Ela esfregou a dor terrível que tinha se instalado em seu peito e abriu a porta do quarto, parando no vão, e prendeu a respiração.
Vazio.
Ela cham ou o nom e dele.
– Katherine, por favor – continuou a m ãe dela do corredor, depois de segui-la escada acim a.
Mas Kat não respondeu. Rapidam ente, ela entrou na suíte.
Vazia.
Com o coração esm urrando suas costelas, ela voltou correndo para o quarto, gritando o nom e dele.
A m ala não estava lá.
Kat passou pela m ãe, em purrando-a enquanto ela ainda m urm urava palavras com o “pazes” e “am or”, e voou escada abaixo, correndo para a porta dos fundos.
Cigarro. Ele está fum ando um cigarro. Ele prom eteu.
– Carter?
A porta dos fundos se escancarou, exibindo apenas um a cam ada grossa de neve nos am plos j ardins.
Vazios.
– Kat?
Kat se virou, quase tropeçando em si m esm a, quando viu o rosto gentil e preocupado de sua avó.
– Nana, onde ele está?
Ela balançou a cabeça, surpresa.
– Não sei, querida. Achei que estivesse no seu quarto.
– Não, ele não está lá. – Kat ofegou. – Ele m e prom eteu, Nana.
Kat pegou o celular no bolso e correu pela cozinha em direção à porta da frente.
– Por favor, atenda – m urm urou ela antes que caísse na caixa postal.
Seu pânico atingiu proporções épicas quando ela abriu a porta da frente e só
encontrou m ais
quietude. O ar explodia de sua boca em grandes plum as cinzentas no ar frígido, enquanto seu olhar buscava desesperadam ente o corpo alto e forte de Carter na vastidão branca.
Com olhos que derram avam lágrim as assustadas e raivosas, só o que Kat conseguia ver era um rastro de pegadas grandes que atravessavam a entrada de carros, indo para longe da casa.
Para longe dela.
A tela do celular de Kat ilum inou todo o quarto quando ela apertou o botão de rediscagem m ais um a vez.
Caixa postal.
Ela piscou as pálpebras pesadas sobre olhos pesados e m olhados.
Ela não tinha notícias de Carter há doze horas. Nenhum a m ensagem , nem ligação. Silêncio.
Sua cabeça latej ava, seu coração estava dilacerado e seu corpo, exausto de preocupação. Cada parte de seu corpo doía. O vazio era paradoxalm ente esm agador.
Mesm o assim , após m uitas lágrim as derram adas e centenas de passos cam inhados, ela não culpava Carter por nada daquilo. Com o poderia? Não poderia culpá-lo por encontrar um a saída, um a escapatória. Foram necessárias seis horas, diversas ligações histéricas e um sem -núm ero de m ensagens de texto para que Kat reconhecesse isso. Mas ela havia reconhecido.
Carter botava um a banca de im perturbável, desprovido de em oções e indiferente, m as Kat sabia que ele não era nada daquilo. Ele era irrem ediavelm ente sensível e frágil.
Se havia algum culpado, esse alguém era Kat, que o colocara em um a situação na qual ele se sentia claram ente desconfortável. Ela devia ter ouvido seus instintos e lido a ansiedade nos olhos dele. Ela queria lhe m ostrar que ele era bom o suficiente, provar a si m esm a que podia aj udá-lo, que era forte o bastante para apoiá-lo.
Ela fora tão egoísta.
Sim , ele tinha prom etido, Nana Boo disse quando Kat se deitou no colo dela. Sim , ela havia confiado que ele estava falando de coração, m as a verdade é que não estava. Ele só prom etera porque ela o obrigara. Ele sabia que ela precisava daquilo e tinha dado a ela. Ela não teria falado com a m ãe se ele não a tivesse obrigado e, em m uitos sentidos, Kat estava feliz por terem conversado.
Não que houvesse obtido m uito resultado.
Rom a não se fez em um dia, afinal de contas. Suas conversas após a partida de Carter foram desconfortavelm ente forçadas e curtas, m as pelo m enos aconteceram . Kat tinha visto, claro com o água, no rosto de sua m ãe: ela sabia que sua presença tinha forçado Carter a ir em bora. E, adm itisse ela ou não, parte de Eva tinha que se sentir responsável.
Kat se virou de barriga para cim a, apertando o celular com força contra o peito. Olhando pela j anela, viu que a neve ainda caía. Não podia evitar certa angústia ao im aginar onde Carter se encontrava, se estava em segurança. Ela ligara para o aeroporto, m as o voo m arcado não tinha sido
alterado. Não fazia ideia se ele tinha pegado outro voo para casa, m as algo dentro dela lhe dizia que não. Kat decidira, depois de arrum ar a m ala, que iria em bora da casa de Nana Boo e pegaria seu voo agendado para a tarde seguinte.
Nana Boo, é claro, havia im plorado que ela ficasse, dizendo que o Dia de Ação de Graças deveria ser passado com a fam ília. Mas, na verdade, estar na m esm a casa que sua m ãe, depois de todos os acontecim entos, sim plesm ente não fazia sentido para Kat. Ela m andara um a m ensagem para Carter dizendo a ele onde estaria, caso ele voltasse para procurá-la, e saiu de lá.
Fam ília ou não, ela precisava de espaço, quietude, tem po para pensar.
Assim com o Carter tinha precisado.
Deus, o que ele deve ter sentido, ouvindo a m ãe de Kat dizer aquelas coisas? As palavras de Eva aniquilaram cada pedacinho de certeza e autoconfiança que Kat e Nana Boo tinham aj udado a construir em torno de Carter no dia e na noite anteriores. Ela fechou os olhos. Céus, ela só queria dizer que o am ava.
Não im portava se ele nunca m ais quisesse ter nada com ela; Kat precisava que ele ouvisse isso.
Ela se perm itiu derram ar m ais algum as lágrim as por um tem po. Eram lágrim as por Carter e pela dor que ele com certeza estava sentindo. Lágrim as de raiva da m ãe por ter feito aquilo com o hom em que ela am ava; lágrim as por Nana Boo e a situação horrível na qual ela havia involuntariam ente se envolvido; e lágrim as por seu pai.
Com o sentia a falta dele!
Ela lam entava tanto que ele não estivesse lá.
Ela lam entava tanto por tudo. Estava tão triste e tão cansada.
Antes que pudesse pensar m ais em toda a confusão em que se encontrava, um sono abençoado e silencioso a dom inou.
Houve um barulho.
Aninhado na beirada da consciência de Kat, em um local entre a som bra e a luz, entre a realidade e os sonhos, havia definitivam ente um barulho.
Em m eio a um a névoa sonolenta, Kat j ogou o braço para fora da cam a, em busca do relógio, em um a tentativa de desligar o...
Toc toc toc.
Piscando para afastar o sono que grudava seus olhos, Kat se levantou, desorientada, ficando ciente de sua localização.
A suíte favorita da Nana Boo. O Hotel Drake, Chicago.
Com o celular agora sem bateria ainda apertado em sua m ão e as roupas quentes e úm idas do suor do sono, ela se m oveu até a beirada da cam a. Kat acendeu o abaj ur, subm ergindo o quarto em um a luz elegante. Ela prestou atenção, franzindo a testa de frustração, querendo que seu cérebro se sacudisse e acordasse para que ela conseguisse se concentrar adequadam ente.
Não havia nada.
Silêncio.
É claro que só havia silêncio. Por que ela tivera esperanças de haver qualquer outra coisa?
Talvez tivesse sido um so...
Toc toc toc.
Kat se levantou da cam a e atravessou o quarto até a am pla sala de estar da suíte, acendendo as luzes enquanto passava. Quem poderia ser? Ela não se lem brava de ter pedido serviço de quarto.
Xingando-se por não ter reparado em que horas eram , Kat arrastou os pés até a porta, esfregando o rosto ao m esm o tem po que aj eitava o cabelo desgrenhado.
Toc toc toc.
– Só um segundo – disse Kat ainda sonolenta. – Estou indo.
Ignorando o olho m ágico e resm ungando sobre as várias fechaduras na porta, Kat ainda estava falando com os próprios pés quando finalm ente abriu o troço.
– Desculpe – disse ela, suprim indo um bocej o. – Eu estava dorm indo. Qual o prob...
As palavras de Kat m orreram em sua garganta quando seus olhos viram a figura alta e inesperada em pé à sua frente. Ele sequer estava em pé, na verdade; estava apoiado na porta, com água pingando do queixo e das laterais de seu rosto cansado.
Seu rosto lindo, perfeito.
– Carter – gritou Kat, zonza, desequilibrada, e ainda acreditando que estava sonhando. – Onde é que... O que...
Os olhos dela desceram pelo corpo dele, incrédulos. Suas roupas estavam encharcadas, grudadas em seu corpo forte, e as articulações de seus dedos estavam brancas por conta do frio. Seus lábios estavam tingidos de azul-escuro e, enquanto o fitava com os olhos agora arregalados, Kat percebeu que ele estava trem endo.
– Meu Deus, você está congelando – exclam ou ela, caindo em si. – Entre e...
– Não – censurou ele, sacudindo a cabeça e lam bendo a água que caía em seus lábios. – Não posso.
O coração de Kat disparou.
– Por quê?
Ele m anteve os olhos no chão. Trem ia dos pés à cabeça e um ruído doído saiu de algum lugar fundo dentro dele.
– Carter, você vai ficar doente – ponderou Kat. – Por favor.
– Não! – disse ele em voz alta, alta dem ais para um hotel adorm ecido. – Eu preciso... – Ele abaixou a cabeça. – Tenho algo a dizer prim eiro.
Os j oelhos de Kat com eçaram a ceder. Era aquilo que ela m ais tem ia. Ele a estava deixando de vez. Seu coração pulou e seus órgãos internos se contraíram , preparando-se para o im pacto devastador das palavras dele.
Ela lim pou a garganta e expirou.
– Por favor, m e deixe dizer algo antes.
Ela entendeu o silêncio dele com o um a aceitação, apesar de seus olhos perm anecerem grudados no carpete azul roy al suntuoso sob seus pés.
Fechando os olhos e rezando para conseguir fazer aquilo, ela com eçou a pensar em todas as coisas que queria dizer a ele.
– Eu sinto m uito, Carter – com eçou ela. – Sinto m uito por tudo. Eu não devia ter trazido você aqui. Foi egoísta da m inha parte. Minha m ãe foi... Tudo o que ela disse é besteira, eu j uro. Ela é a única que pensa aquilo. Eu a odeio pelo que ela disse. Odeio por ela fazer você duvidar de tudo o que eu j á lhe disse. E não culpo você. Não o culpo por ter ido em bora porque eu teria feito o m esm o, e sinto m uito por não ter conseguido protegê-lo das coisas de que tinha tanto m edo. Céus, eu sinto m uito m esm o.
Kat apoiou a testa na porta, m orrendo de m edo de que aquela fosse a últim a coisa que diria para ele na vida. Mas ela falara o que precisava.
– Sinto m uito tam bém – disse ele, fazendo Kat erguer a cabeça. Ele ainda estava olhando para os próprios pés.
– Você não tem por que...
– Me deixe term inar, droga – repreendeu ele, fechando bem os olhos. – Preciso dizer isso sem você m e interrom per nem discutir com igo, está bem ?
– Sim – concordou Kat de im ediato.
– Tenho m uitas coisas para m e desculpar – disse ele entre os dentes, pressionando o punho cerrado contra a parede. – Eu estou... Isto é... Você é... Você é tudo para m im e sinto m uito por ter sido tão idiota a ponto de acreditar que poderia ser bom o suficiente para você.
Kat apertou os lábios e colocou a m ão na boca para im pedir que as palavras de protesto saíssem .
– Sinto m uito por ser fraco. Eu não consigo... Eu... Você m e abala, Kat. As coisas que m e diz. A m aneira com o... m e am a. Elas provocam coisas em m im , suas palavras... m e fazem sentir com o ninguém nunca m e fez sentir. Sinto m uito por ter feito tudo errado, eu fui um desgraçado – sou um desgraçado. Nunca vou poder apagar m eus erros. Odeio isso, m as j am ais conseguirei apagá-los. Sou quem sou por causa desses erros.
Ele apoiou ainda m ais o peso do corpo na porta. Kat ficou im óvel, desesperada para tocá-lo, reconfortá-lo.
– Sinto m uito por ter ido em bora – sussurrou ele. – Não devia ter ido, sei que prom eti, m as foi...
difícil pra caralho. – Ele pressionou a testa contra a parede. – Eu estava m orrendo de m edo que... ah, eu sabia que devia ter sim plesm ente ficado no quarto para não ouvir nada, m as eu queria saber o que ela... Peguei m inha m ala e fui em bora – adm itiu ele. – Saí de fininho com o esse covarde desgraçado que sou. Não sabia o que m ais podia fazer. As paredes estavam m e com prim indo.
– Carter.
– Me senti enoj ado quando a ouvi dizer aquelas palavras – continuou ele. – Enoj ado porque sabia que ela estava certa. Sei que você não concorda, m as ela é sua m ãe, Kat, e se preocupa com você.
Ela não quer a filha com alguém com o eu, e entendo isso; realm ente entendo. Porra, isso m e m ata, m as... entendo. – Ele ergueu um om bro. – Concluí que seria m elhor para todo m undo se eu fosse em bora. – Seus cílios longos tocavam as m açãs de seu rosto. – Eu não devia estar aqui, caralho.
E ele ficou parado ali, calado, sem se m exer.
Tudo o que Kat ouvia eram as batidas de seu coração. Sua pele estava pegaj osa e um pavor im potente apertava seu estôm ago sem parar.
– Então... Por que está aqui?
O canto da boca de Carter se contraiu.
– Sair daquela casa, Kat, foi a coisa m ais difícil que j á fiz na vida. – Ele colocou a m ão no peito, sobre o coração. – Quando saí senti essa dor, com o um a, não sei... Era... Me deixava sem ar. E
quanto m ais m e afastava de você, m ais dolorido ficava. Eu... pensei que estava m orrendo.
Ela sabia exatam ente do que ele estava falando. Não havia nada além de dor para Kat desde o m om ento em que percebeu que ele tinha ido em bora.
– Eu andei e andei – continuou Carter. – Estava tão bravo com igo m esm o. Sabia que tinha que continuar andando; e tentei. Você tem que acreditar em m im . Tentei com todas as forças. Mas, m eu coração... Deus, estava... se despedaçando.
Ele se endireitou tanto quanto seu corpo exausto perm itia e olhou para Kat pela prim eira vez.
Seus olhos se encontraram . Os dele estavam cansados, derrotados.
– Odeio ter causado tantos problem as para você – disse ele tristem ente. – Você teve que se defender de pessoas que deveriam estar felizes por você. Tenho m eus problem as, sou um cara nervoso e tenho um a personalidade terrível. Ainda tem um as m erdas sobre m im que preciso contar e não faço ideia de por onde com eçar, porque m orro de m edo de você fugir de m im . E sei que ter esperanças de que você não fuj a faz de m im um babaca egoísta, porque tenho consciência de que essa é a m elhor coisa que você poderia fazer.
– Eu...
– Espere – interrom peu Carter, sem ar, dando um passo cam baleante na direção dela.
Ele estava tão perto que Kat teve que erguer a cabeça para vê-lo, os olhos na m esm a altura do contorno acentuado de seu m axilar.
– Por favor, Pêssegos. Eu quero... – Ele expirou, frustrado. – Quero fazer a coisa certa. Sei que deveria ter ido em bora. Deveria ter pegado um avião e ido para casa em vez de ficar parado do lado de fora deste hotel, na neve, por quatro horas. Sei que você m erece coisa m elhor. Sei de tudo isso, Kat. Mas a verdade é... A verdade é...
Kat fechou os olhos, inclinando-se na direção dele. Ela trem eu quando a m ão gelada dele tocou em sua nuca e subiu para seu rosto.
– A verdade é – sussurrou ele, os lábios perto do ouvido dela – que m orro de m edo de ir em bora.
Não consigo. Fico desam parado sem você.
Kat apertou o braço dele, repousou a cabeça em seu bíceps e soltou um ruído baixinho e dolorido de alívio.
O nariz dele subiu até a têm pora dela.
– Sou seu. Você precisa saber disso. Céus. Me diga que você sabe.
– Eu sei – choram ingou ela. – Eu sei.
O corpo de Carter caiu sobre o de Kat, em purrando-a para trás, cam baleando para dentro do quarto do hotel. Ela conseguiu fechar a porta com a ponta do pé enquanto ele enterrava o rosto em seu pescoço e com eçava a trem er descontroladam ente, resm ungando palavras truncadas em sua pele.
Os braços dele se enrolaram na cintura dela, apertando com m ais força do que nunca.
– Kat – suplicou ele. – Eu... Não m e faça ir em bora. Por favor.
– Jam ais – prom eteu ela com fervor.
O corpo dele trem ia violentam ente.
– Vam os aquecer você. Por favor, m e deixe aj udá-lo. Você está tão gelado.
Ele deu um passo relutante para trás para que ela pudesse abrir o zíper de sua j aqueta e retirá-la.
Ficou parado em silêncio, olhando para baixo, a água pingando de seu queixo, enquanto ela com eçava a tirar sua roupa. Sem dizer nada, com o peito dele despido e arrepios eriçando os pelos de cada centím etro de sua pele, Kat pegou na m ão trêm ula de Carter e o guiou até o banheiro.
Deixando-o na porta, ligou todos os cinco grandes chuveiros, até a água ficar quente. Ela retirou os coturnos e as m eias dele, abriu sua calça e o aj udou a tirar a cueca antes de tirar as próprias roupas.
Por m ais que estivessem nus j untos, não havia nenhum a conotação sexual, nenhum clim a, nenhum a m ão desesperada ou beij os m aníacos.
Kat o pegou pela m ão e o guiou até o chuveiro, saindo da frente para que a água atingisse prim eiro o corpo dele. Perm aneceram ali debaixo do vapor, e ela foi aum entando a tem peratura gradativam ente, evitando que o corpo dele sofresse com o choque do calor.
Ela o puxou para seus braços.
– Me deixe esquentar você.
Ele enrolou os braços nela, apoiando o rosto em seu om bro.
Carter sacudiu a cabeça no pescoço de Kat.
– Não consegui ir em bora. Sei que devia ter ido, m as não pude.
– Eu sei. Está tudo bem .
– Estou com tanto m edo. Caralho. Estou com tanto m edo.
A voz dele se desestabilizou. Puxou-a m ais para perto, seu corpo grande engolindo o dela, fazendo Kat se curvar para trás.
– Não tenha m edo – insistiu ela, passando a m ão nas costas dele. – Estou aqui.
Carter tentou chegar ainda m ais perto.
– Não posso perder... Eu... Céus. Dói só de pensar nisso. – A voz dele ficou rouca. – Me aj ude – im plorou ele. – Me aj ude. Não consigo...
– Carter – disse Kat. – Acalm e-se. Por favor.
Enquanto m antinha os dois em pé e se m exia da m elhor m aneira possível, Kat conseguiu sentar-se com ele no piso do banheiro, um a m assa de m em bros pesados que nunca se desenrolaram ou perderam contato.
Ela nunca o vira daquele j eito antes. Todas as barreiras que ele levantara e cada pedacinho da arm adura que ainda restava – a arrogância, a indiferença, a raiva e o ódio – estavam se desintegrando à sua frente, deixando o corpo dele com as gotas d’água que o atingiam , deslizando por sua pele trêm ula e desaparecendo no ralo.
Ela o aninhou, puxando-o m ais para perto, envolvendo com os braços os om bros tatuados e enrolando as pernas em torno de sua cintura, enquanto ele pressionava o rosto áspero no peito dela.
Seus om bros trem iam e se agitavam com ofegos e soluços.
Ela o ouviu gem er ao m esm o tem po que seu corpo estrem eceu.
Oh, Deus.
Ele estava chorando.
Ela subiu as m ãos pelas costas e pelo pescoço dele, tentando acalm á-lo enquanto tentava se m anter inteira.
– Você está bem , m eu querido.
– Preciso... Preciso...
Ela deu um beij o no pescoço dele.
– Me diga do que você precisa.
– Deus, está... Está aqui. – Ele pegou a m ão dela e a levou até seu coração palpitante. – Nunca senti nada assim antes. – Ele lam beu os lábios. – Dói.
– Seu coração dói?
O rosto dele desabou.
Kat observou a água quente escorrer pelo rosto dele.
– É seu. Todo ele. – Ele piscou com os cílios encharcados. – Agora eu sei.
Carter fez um a pausa.
– Kat, eu... – Ele ergueu a cabeça e, com o nariz ao lado do dela, os braços enrolados em seu corpo e o vapor da água form ando um casulo em torno deles, abriu a boca, olhou nos olhos dela, e ofegou: – Eu... Eu... am o você.
31
Com os olhos passeando pelo rosto apavorado m as cheio de expectativa de Carter, Kat se viu sem palavras. Caram ba, o que ela sentia por ele em seu coração, em sua m ente e em sua alm a estava além das palavras. Ela abriu a boca repetidas vezes para dizer algo m em orável ou significativo, m as percebeu que a confissão dele a tinha deixado estupefata.
Ele me ama.
– Carter – ofegou ela, fechando os olhos. – Eu tam bém am o você.
A m ão dele tocou seu pescoço, acariciando delicadam ente sua pele com as pontas dos dedos, contornando o ponto de pulsação de Kat que batia a m il por hora.
O olhar dele perm aneceu fixo na clavícula dela.
– Minha Pêssegos. – Ele deu um beij o suave e m olhado na garganta dela. – Você é m inha – disse, com os lábios em seu m axilar.
Ela concordou com a cabeça, roçando o rosto no dele. A sensação da pele de Carter na sua fez partes de seu corpo se contraírem e se retorcerem , subj ugados.
– Inteirinha – sussurrou ela de m aneira apaixonada.
– Deus – m urm urou Carter, j unto a sua orelha. – É tão... Eu nem tenho palavras.
Ela sabia o que ele estava querendo dizer. O am or deles estava além das palavras, além da razão, além até m esm o deles dois. Era indescritível, inexplicável, m as inquebrável e inabalável. Sua conexão, o laço que com partilhavam , tinha levado dezesseis anos para ser construída. Mesm o que eles não tivessem se reencontrado, se houvessem seguido a vida, um dia m onótono após o outro, ainda assim teriam sido parte um do outro, um a parte silenciosa e integral que sem pre existiria, enquanto am bos vivessem .
Nenhum dos dois tinha o poder de parar ou negar aquilo.
Um a onda de força incrível tom ou conta do corpo de Kat, bom beando adrenalina por suas veias j á aquecidas pela declaração de Carter. Era um a sensação inspiradora, que ela não vivenciava havia m uito tem po. Por um m om ento, com Carter em seus braços e a determ inação preenchendo-a da cabeça aos pés, ela sentiu que nada poderia detê-la.
Kat chutou a m anta de cim a de seus pés. Estava um tanto sufocada, e, por m ais gostoso que fosse ter o corpo de Carter pressionado contra o seu, ela precisou se m exer para se refrescar.
Dando um a olhada no relógio, Kat saiu da cam a – onde ela e Carter estavam dorm indo havia cinco horas –, tirou a cam iseta e abaixou a tem peratura do term ostato de “sauna quente pra caram ba”
para apenas quente o suficiente. Ela correu para o banheiro, onde j ogou um pouco de água fria no rosto e tirou a calça de m oletom , trocando-a por um short de dorm ir.
A pele de Kat com eçou a resfriar de im ediato. Com um copo d’água na m ão, ela cam baleou de volta para o quarto e encontrou Carter, ainda deitado de barriga para cim a, usando apenas a cueca boxer. Ela sorriu ao ver que ele tam bém tinha chutado a m anta para longe. Sua barriga definida subia e descia, hipnotizando-a, à m edida que ele respirava.
Ele abriu um olho e esfregou a palm a da m ão no peito reluzente, enquanto ela voltava a se deitar a seu lado. Ele estava deliciosam ente am arrotado.
Ela deslizou as pontas dos dedos sobre os pelos da barriga dele.
– Oi.
Carter virou o rosto abobalhado, e am assado por causa do travesseiro, na direção dela, sorrindo de m aneira preguiçosa.
– Oi.
– Com o está o seu coração?
Ele pegou a m ão dela e a colocou do lado esquerdo de seu peito.
– Me diga você – pediu, fitando-a com um olhar intenso.
Kat m ordeu o lábio.
– Está batendo forte.
– Sem pre bate forte quando você está perto de m im .
Ela pegou o pulso dele e fez o m esm o, colocando a m ão enorm e acim a do seu seio esquerdo. Sem pressa algum a, Carter se apoiou sobre o cotovelo, olhando para a própria m ão e para o rosto dela com um a fascinação infantil.
– Está disparado.
O olhar dele subiu vagarosam ente até a curva do pescoço dela, parando fam into em seus lábios.
Seu silêncio fez os pelos da nuca de Kat se arrepiarem , enquanto o ar em volta deles engrossava e zunia.
– Eu faço isso com você? – perguntou ele, passando a m ão nos pelos arrepiados do braço dela.
– Toda vez que olha para m im .
As pontas dos dedos dele dançaram delicadam ente pela borda de renda do sutiã de Kat. Ela se agitou com aquela sensação deliciosa e seus olhos se fecharam por conta própria. Com toques leves com o plum as, Carter passou a m ão por cim a do seio direito, contornando cada curva, acariciando de leve, enquanto pulava de propósito os lugares nos quais Kat ansiava que ele tocasse.
Aproxim ando o corpo do dela, Carter com eçou a desenhar oitos com pridos na direção da clavícula de Kat, m apeando seu form ato e pressionando os pontos de pulsação na depressão de sua garganta. Kat não conseguiu conter o gem ido que aum entou de intensidade a cada toque daquela m ão carinhosa. Ele escorregou o indicador pelo seu pescoço, serpenteando consciente e eroticam ente por entre os seios, por cim a do tecido do sutiã, até a pele m acia da barriga.
Kat prendeu a respiração quando ele chegou ao um bigo. Carter o circundou
duas vezes antes de
m ergulhar o dedo nele de form a provocativa. Incapaz de continuar m antendo a cabeça ereta, Kat se apoiou nos travesseiros, entregando-se enquanto Carter continuava a exploração m aravilhosa de seu corpo.
– Sua pele é tão m acia aqui. – A m ão dele deslizou pelo cós do short dela. –
Tão m acia.
Kat ofegou quando os lábios dele pressionaram o m esm o local e ronronou quando a língua de Carter lam beu o m esm o traj eto que seu dedo tinha acabado de traçar.
– Carter – gem eu ela.
– O que foi, gata?
Ele se m oveu devagar até que seu corpo encobriu o dela.
As m ãos de Kat escorregaram dos cabelos até seus om bros largos, que se flexionavam poderosam ente sob seu contato. O peito dele pressionado contra o dela.
– Estou com saudades da sua boca.
O polegar dele dançou pelo m axilar dela enquanto seu olhar fixo queim ava os lábios de Kat.
– Por favor.
As palavras escaparam dos lábios de Kat com o um sussurro excitado.
O desej o desesperado borbulhou sob sua pele. A explosão inevitável de paixão, sem pre tão presente quando ela ficava ao lado dele, estava apenas a um toque de distância.
– Me diga o que você quer – disse ele num tom rouco. – Continue olhando para m im desse j eito e j uro por Deus que lhe darei o que quiser.
– Me beij e – im plorou ela. – Apenas m e beij e.
A boca de Kat, rosada, m olhada e m acia, enfeitiçava Carter. Eles j á tinham se beij ado um m ilhão de vezes, de m ilhares de j eitos diferentes, m as o pedido dela parecia tão enorm e que, por um a fração de segundo, ele não conseguiu fazer nada a não ser olhar. Um a im agem divina daquela boca em torno de seu pau surgiu im ediatam ente à sua frente, fazendo sua garganta secar e levando-o a soltar o peso de seu corpo sobre o dela.
Pele na pele, excitadas e quentes.
Carter tentou se acalm ar, m as parecia im possível. Era com o se seu corpo não lhe pertencesse.
Com o se algo tivesse tom ado conta, com o se estivesse sendo controlado por algum a coisa.
Algo m aior. Algo incom preensível.
Ele fechou os olhos e inspirou de form a calm ante.
Quem ele estava enganando? Kat o tinha dom inado. Kat detinha o controle sobre ele.
Ela o controlava desde que ele tinha 11 anos. Se não notara antes, com certeza percebia agora que a tinha am ado cada segundo, m inuto e hora durante aqueles dezesseis longos anos. Ele havia se perdido em um a rua solitária e escura em um a noite de partir o coração no Bronx, e hoj e, enfim , entendia que j am ais tinha tornado a se encontrar de verdade novam ente.
Dezesseis anos. Cinco m il oitocentos e quarenta e quatro dias.
Deus, com o sobrevivera sem ela por tanto tem po?
Ele a am ava desesperadam ente e, na realidade, aquilo o apavorava. Sentira sua falta sem nem sequer conhecê-la e fantasiara sobre ela sem pre que se perdia nas m erdas que o rodeavam ao passo que crescia. Se não estivesse tão hipnotizado, Carter teria rido da própria cegueira e da negação ridícula em que havia subm ergido desde que Kat retornara à sua vida.
O corpo dela se retorceu debaixo dele. Suas pernas se rem exeram no colchão e seus quadris se ergueram , rebolando na direção dele, buscando qualquer tipo de atrito. Ela era extraordinária. Ele abriu a boca, ofegando com ela. Todo o seu corpo trem eu quando pressionou os lábios contra os dela e ele grunhiu quando ela o puxou para baixo, intensificando o beij o rapidam ente.
Suas línguas se encontraram , saboreando e esfregando-se um a na outra dentro da boca de um ; depois, da do outro. Carter segurou a cintura e o rosto de Kat à m edida que a paixão dos dois estalava e chiava. Meu Deus, a ânsia dolorosa que latej ava entre as pernas dele era torturante. Ele pressionou os quadris contra a barriga dela, m ostrando o que ela fazia com ele. Não que ela fosse entender. Ela não fazia ideia.
Ele tinha sido tão estúpido de achar que conseguiria encontrar um a saída sem dizer aquelas três palavras para ela. As três palavras que j am ais havia pronunciado para outro ser hum ano em toda a sua vida. Elas o pegaram de surpresa, m as o alívio que sentiu ao pronunciá-las era m ais libertador do que qualquer carta de liberdade condicional.
Carter m oveu a boca dos lábios de Kat para seu m axilar e depois desceu pelo pescoço. Ela arqueou o corpo para trás, curvando-se para que ele pudesse ter acesso a qualquer lugar que lhe interessasse em seu corpo m aravilhoso. Ele com eçou com o peito, deslizando as alças do sutiã pelos braços dela de m odo que pudesse puxar os boj os, libertando-a para suas m ãos ávidas e sua boca exigente. Com os olhos fechados, Carter com eçou a lam ber, chupar e provocar. E gem eu quando ela arranhou suas costas, puxando-o m ais para perto enquanto sussurrava seu desej o por ele.
Carter deixou os lábios roçarem no quadril e na pele m acia de sua barriga, todo o cam inho até a borda da calcinha, que espiava tentadoram ente por debaixo do short. Ele a queria em sua língua.
Queria senti-la em sua boca e fazê-la gozar com tanta intensidade que ela veria estrelas. Queria devorá-la, enterrar todo o rosto ali e nunca m ais sair. Queria que ela ofegasse e ficasse m olhada.
Queria...
– Senti sua falta – ofegou Kat.
Estarrecido com a expressão de dor no rosto dela, Carter repousou o queixo em seu quadril.
– Senti sua falta enquanto você estava longe.
O coração de Carter se despedaçou.
– Eu senti a sua falta. – Carter tirou os cabelos desgarrados do rosto dela. Ele balançou a cabeça.
– Céus. – E a beij ou. – Fui um idiota de ter fugido de você.
Fugir de Kat foi com o ser queim ado vivo. A dor o tinha aleij ado, deixando-o im obilizado.
Quando os m eninos o visitaram em Arthur Kill e tentaram explicar com o Max tinha ficado arrasado com a partida de Lizzie, Carter encontrara dificuldade em com preender. Agora sabia exatam ente que tipo de padecim ento seu am igo havia encarado – e ainda estava encarando.
Carter não queria voltar a sentir aquela dor. Ele duvidava que pudesse sobreviver a ela um a segunda vez.
– Eu sei por que você se foi – sussurrou Kat. – E se ir em bora o aj udou a perceber que m e am a – continuou ela em um tom apressado –, então fico feliz que tenha feito isso.
Deus do céu, ela estava certa. Ele partiu e ficou despedaçado, desprotegido. Na realidade, Carter não podia negar que adm itir seus verdadeiros sentim entos tinha sido inevitável. E agora que aquela pose de m achão cuidadosam ente construída tinha ido pelos ares, ele finalm ente aceitava quão exaustiva ela era.
– Carter. – Kat pegou a m ão dele e a colocou em cim a de seu coração. – Me m ostre – sussurrou Kat. – Me m ostre o quanto você m e am a.
Enquanto os olhos de Carter analisavam o rosto dela, questionadores, seu cérebro fez um a retrospectiva de todas as vezes que eles gozaram em uníssono, pensando nas m aneiras com o a tinha tocado, beij ado, se m ovido dentro dela. Me mostre.
Na casa de praia.
No sofá.
Aquela prim eira vez que ficaram j untos, encharcados da chuva, desesperados, na cam a dele até o am anhecer.
Ele a am ava tanto j á naquela época.
Sem se dar conta, Carter havia m ostrado o que ela significava para ele usando seu corpo em vez de suas palavras inadequadas e insatisfatórias. Quando a sensação de ter o corpo dele dentro do dela se tornava esm agadora e se sentia incapaz de encontrar o ritm o em m eio às nuvens espessas do desej o, ele sim plesm ente a respirava, a beij ava ou a tocava em lugares que sabia que a fariam gem er seu nom e.
Aqueles tinham sido seus m om entos preferidos. Conectados um ao outro, m as sem se m over. Sem frenesi. Apenas estar ali. Aqueles eram os m om entos em que Carter m ais ficava em paz.
Ele colocou o cabelo dela para trás e a beij ou. Com carinho, pressionou sua boca de leve, a língua roçando nos lábios dela, gentil e am ável.
Você é tão linda, dizia o beij o dele. Você me deixa sem ar.
O gem ido de Kat m ostrava que ela tinha ouvido, sentido. Ele colocou a m ão em sua nuca, erguendo-a até seus lábios. Ela nunca resistia. Era incrível em sua generosidade. Tirando a cueca, ele se m oveu para cim a dela, beij ando seu queixo, seu pescoço e lam bendo seu peito. Mordiscou e roçou os dentes na barriga dela. Suas m ãos deslizaram pelas coxas de Kat, abrindo-as.
Eu sempre quis você.
As m ãos dela agarraram os lençóis quando ele traçou um cam inho de beij inhos de um lado a outro de seus quadris. Ele acariciou sua virilha e afastou as pernas dela ainda m ais, à m edida que elas acenavam para Carter, a pele desnuda ansiando por sua boca. Ele deu um beij o no topo do sexo de Kat, observando o brilho da um idade que se concentrava ali. Delicadam ente, afastando os lábios dela com a boca, ele deixou que sua língua procurasse seu calor inflam ado e com eçou a traçar círculos que fizeram os olhos dela revirar e sua espinha se curvar.
Puta m erda. Ela era a coisa m ais deliciosa que ele j á tinha provado. Os dedos dele se m overam , escorregando com facilidade pela pele encharcada, provocando e pedindo m ais com cada im ersão, giro e investida. Aos pouquinhos, Carter colocou dois longos dedos dentro dela e gem eu j unto a sua pele quando ela gritou e girou os quadris no rosto dele. Ela era tão quente. Ele os tirou e os inseriu de volta enquanto a chupava e a lam bia.
– Mais.
Eu daria o mundo a você, porra.
Ele gem eu e aproxim ou o rosto ainda m ais, sacudindo a cabeça de um lado para outro, ronronando na pele dela quando suas unhas arranhavam a cabeça dele. Sua língua se m oveu m ais rápido e ele penetrou os dedos m ais fundo, à m edida que ruídos com eçaram a explodir dela, ofegantes e suplicantes.
– Oh, m eu Deus. Você vai m e fazer gozar.
Sim , era para isso que ele vivia. Ela agarrou os om bros dele, puxando e em purrando enquanto seus quadris rebolavam contra ele, encharcando o queixo de Carter. Ela gem eu e gritou, palavras sem sentido saindo de sua boca até que o orgasm o explodiu e fez trem er seu corpo. Carter segurou as pernas de Kat quando se fecharam em sua cabeça e ela tentava se afastar da sua boca voraz. Devorou tudo até que ela im plorou que ele parasse.
Nunca vou deixar de amar você desse jeito.
Carter ergueu a cabeça e olhou para ela e para o brilho que inundava aquela pele sedosa. O peito de Kat se agitava num a respiração pesada e exaurida. Ele engatinhou sobre o corpo dela, salpicando sua pele de beij os, precisando do calor para se m anter firm e. Sabia que teria que ser delicado, carinhoso. A névoa de luxúria tinha com eçado a descer a ladeira, quente, frenética e densa, m as ele respirou e se conteve. Naquele m om ento, peito no peito, as m ãos dela agarrando seus om bros e as coxas enroladas em sua cintura foram o suficiente para acalm á-lo.
Ele gem eu em sua boca quando ela o beij ou, sentindo o próprio gosto nos lábios dele. Carter apoiou as m ãos na cam a, ao lado das costelas dela, com o pau preso entre seus corpos, m olhado, desej oso e grosso. Cada vez que ela se m ovia, se esfregava em toda a extensão dele, deixando-o louco, fazendo seus quadris se m exerem e girarem . Ele grunhiu quando ela m ordeu seu pescoço.
Sou seu, pode me marcar.
Ela ergueu as pernas e colocou os calcanhares na bunda dele. Am bos seguraram o pau dele, seu desespero transparecendo. Carter largou prim eiro e observou Kat o guiar, roçando a cabeça de seu pau na pele m olhada dela. Ele suspirou, franzindo a testa, extasiado. Ficar daquele j eito com ela deixava os ossos de Carter fracos. Ela estava encharcada e era tão m acia. Carter em purrou os quadris m ais para perto, com um pouco m ais de força.
Ele puxou o rosto dela para o seu, m ordiscando o lábio inferior carnudo. A m ão de Kat em purrou de m odo que – por um instante incrível – ele deslizou para dentro. A euforia que sem pre vinha com a união deles se acendeu nas costas dele e deixou seus quadris frenéticos.
– Minha m enina linda – sussurrou ele no pescoço dela, com eçando lentam ente a penetrar seu calor apertado. – Isso. – Um pouco m ais. – Puta m erda.
Ele ergueu a cabeça e penetrou, de pouquinho em pouquinho, até estar com pletam ente envolto por ela. Ele estava em casa. Um breve soluço escapou dela, m as Carter o capturou com seus lábios. O
desej o de penetrá-la m ais fundo era tanto que chegava a doer, e seus j oelhos se m overam para cim a, afastando as coxas dela, de m odo que ele pôde penetrar ainda m ais fundo. Os dedos dos dois se entrelaçaram ao lado da cabeça de Kat quando Carter recuou, soltando um grunhido longo. Ele arriscou um a olhada para baixo, para onde eles se uniam , e ofegou com a visão dela toda em torno do pau dele, reluzente e linda.
Ele arfou, penetrando-a novam ente.
– Sabe que eu faria qualquer coisa por você? – perguntou. – Sabe que penso sem pre em você? Às vezes, acho que sou doido. Você m e deixa louco. Fico louco quando não está com igo. Meu Deus, Kat, dói.
Ela se agarrou ao pescoço dele.
– Preciso tanto de você – continuou ele, sem fôlego. – Preciso de nós. Preciso sentir a gente assim , porque, j uro por Deus, m eu coração, ele só bate por você.
Ela apertou suas m ãos e lhe deu um beij o no pescoço. Suas testas se fundiram e ele se perdeu nos olhos sem iabertos de Kat. Carter continuou a se m over, de form a lenta, m as com firm eza, inclinando a pelve de m odo a atingir aquele ponto dentro dela que a fazia prender a respiração. Deu um a investida brusca e agarrou o quadril dela com m ais força do que provavelm ente deveria. Carter grunhiu quando ela lam beu seu m axilar, m ordiscando seu pom o de adão em resposta.
Ela o abraçou forte, braços envolvendo om bros, segurando firm e. Carter nunca tinha estado tão próxim o dela. Ela estava toda envolta nele e ele, à m ercê dela, derrotado, m as vitorioso. Mas, acim a de tudo, acim a de sua necessidade de gozar e de sua j ornada rum o ao êxtase eufórico, Carter se sentia total e inequivocam ente am ado. A sensação o envolvia da m esm a m aneira que Kat agora o fazia, assolando-o de um a form a fantástica e im possível de descrever.
Era a coisa m ais estranha e m ais incrível.
Era m uito m ais que fazer am or.
Era erótico, apaixonado, nu, de dentro da alm a – o que em geral teria apavorado Carter.
Mas não agora. Não com aquela m ulher em seus braços. Ao lado de Kat, ele poderia conquistar o m undo.
Carter nunca tinha se sentido tão exposto, m as tão seguro.
Nunca havia se entregado a alguém tão livrem ente, sem esperar nada em troca.
O corpo dele avançou ainda m ais.
– Não consigo chegar perto o suficiente – confessou ele com um rosnado de frustração.
Investiu com m ais e m ais força, rangendo os dentes e em itindo sons um tanto desconexos, ficando logo fora de si. Ele a apertou com força.
– Vou gozar. Kat.
O pescoço de Carter se ergueu de repente e ele gritou e xingou. Seu pau pulsava com um a força deslum brante à m edida que o orgasm o ricocheteava por seu corpo – provocando flashes brancos por trás de seus olhos e trovões em seus ouvidos –, latej ante, quente e im placavelm ente forte, dentro dela. Ele arfou no om bro de Kat enquanto todo o seu ser palpitava, se retorcia e se contraía.
Ele respirou com m ais facilidade. Sentia-se livre. Sentia-se bem . Será que ele ousava acreditar que era bom o suficiente?
Carter fechou bem os olhos, lutando contra a água salgada que am eaçava
cair deles, entorpecido
com a m ulher em seus braços, entorpecido com o que partilhava com ela, com o que partilhavam j untos. Ele deu um beij o no om bro de Kat. Seu corpo trem eu. Enterrou o rosto sob o m axilar dela e rem oveu o pau saciado de seu calor, acom odando-se no casulo form ado pelos braços e pernas de Kat. O único som era o do coração dela ecoando em seu ouvido.
O coração dele bateu de volta, em resposta.
Eu te amo, ele batia. Sou seu, mas, por favor, pelo amor de Deus, não me machuque.
– Obrigado – sussurrou. – Obrigado por m e perdoar. Por m e am ar. Não m ereço nada disso, Pêssegos. – Ele a abraçou forte. – Obrigado.
Kat m urm urou, um pouco sonolenta, ao lado da cabeça dele.
– Acho que isso nos deixa quites.
Carter fechou os olhos. Sabia que aquilo não era verdade. Por m ais difícil que tivesse sido ficar longe de Kat, Carter havia tido tem po bastante para considerar suas opções, e a única opção descartada era aquela que o levaria a afastar-se dela.
Ele não iria; não conseguiria ir em bora. Havia tentado e quase ficara destruído.
O que o deixava com apenas um a opção.
Ele ergueu a cabeça e tirou os cabelos do rosto adorm ecido dela.
– Pêssegos.
– Hum m .
Carter desenhou um círculo invisível sob os cílios dela e por sua bochecha corada, considerando suas próxim as palavras. Não havia m ais com o negar. Ele era responsável pela anim osidade entre Kat e sua m ãe. Eva, é claro, não dera um a chance a ele e certam ente daria risada se ele tentasse explicar seus sentim entos por sua filha; m esm o assim , Kat j á tinha perdido o pai e Carter não perm itiria que ela perdesse a m ãe.
– Tem os um a coisa m uito im portante a fazer antes de voltarm os para Nova York am anhã. Eu tenho um a coisa a fazer.
Ela se aconchegou nele.
– É?
Carter lim pou a garganta.
– Preciso conversar com sua m ãe.
Austin Ford andava de um lado para outro em seu escritório, com o um leão enj aulado, apertando os dentes com tanta força que Adam estava convencido de que eles iriam quebrar. Bem , ia com binar com o vaso de quatro m il dólares que j azia em um m ilhão de pedaços aos pés deles. Depois da visita inesperada de Ben, um fax que gerou m uita ansiedade tinha chegado da diretoria da WCS. A m ensagem era clara: Peguem suas trouxas, rapazes. Sua presença na WCS não é mais necessária.
Adam , por um lado, não ficara surpreso; em m uitos sentidos, aquilo tinha sido um enorm e alívio.
Ele havia seguido os passos do irm ão por tem po de m ais, pelos vales das associações agressivas e aquisições intim idadoras. Tinha se m antido afastado e observado em um silêncio hum ilhado e constrangedor enquanto Austin perm utava e assediava pessoas e em presas para benefício próprio.
Sim , ele era um baita de um em presário e tinha deixado a si m esm o e aqueles que estavam ao seu redor m uito ricos. Mas, com o passar dos anos, foi se transform ando em alguém pretensioso. Sua atitude era m enos cordial e m ais arrogante, e o sorriso irônico de decepção havia se tornado um escárnio que ninguém ousaria contestar ou encarar.
No entanto, Wes Carter tinha feito exatam ente isso.
Apesar de ser a sem ana de Ação de Graças, Austin intim idou todos os advogados e pessoas que lhe deviam favores a ficarem à sua disposição assim que o fax deslizou pelo aparelho. Ele queria encontrar um a brecha, um a ponta solta, um a cláusula, um foda-se. Ele precisava encontrar. Adam sabia que Austin preferia m orrer a deixar que Carter tom asse conta da WCS; m as era exatam ente isso que estava acontecendo. Não havia com o contornar, e um dos com parsas de Austin viera lhe dar a notícia.
O vaso tinha sido a prim eira baixa.
Adam observou o irm ão continuar sua j ornada furiosa pelo escritório.
– Você está m e dizendo – rosnou Austin – que não há j eito de parar isso?
O indicador dele bateu com tudo na m esa, pressionando o fax com força.
Rick, seu consultor, m exeu-se sem sair do lugar e lim pou a garganta.
– Sim , senhor.
Os olhos de Austin ficaram ainda m ais arregalados. Adam nunca tinha visto o irm ão tão desgrenhado. Seu cabelo estava bagunçado e um a cam ada fina de suor cobria suas bochechas e sua testa.