Desejo Proibido
Prólogo
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.
– Quero m uito, m uito, m uito beij ar você agora.
– Cart...
– Sei que não deveria, m as, m inha nossa, eu quero. – Ele passou o polegar pela boca de Kat. – Quero descobrir qual o gosto do seu lábio superior. – Ele lam beu o próprio lábio. – E depois com parar com o inferior. – Ele expirou. – Estou desesperado para saber se sua língua tem sabor de pêssegos.
Os olhos de Kat se fecharam ao ouvir aquelas palavras.
– Nós... Eu... Por favor – m urm urou ela. – Não.
Aquela últim a palavra saiu de sua boca, m as fez seu estôm ago se contrair ao m esm o tem po. Ela ficou surpresa por ter energia para conseguir pronunciá-la.
– Seria tão ruim assim ? – Ele se m exeu, sua respiração atingindo o rosto de Kat com o um a neblina sensual. – Deus, você é tão linda.
Tudo no corpo de Kat estava se lançando ao hom em à sua frente. Seu peito rugia, suas pupilas se dilatavam e seu coração batia ferozm ente. Tinha consciência de que am bos estavam a um passo de cruzar um a linha perigosa que custaria toda a sua carreira.
– Carter – sussurrou ela de novo, em um a tentativa final de parar o que ela sabia, em seu coração, que era inevitável. – Não podem os fazer isso.
– Eu sei – respondeu ele, segurando o rosto dela. – Só um a provinha. Só um a. É tudo o que eu quero.
E, então, os lábios dele pressionaram os dela.
Ah, Deus.
Ela estava beij ando seu aluno.
Seu aluno lindo, perdido e problem ático que lhe fizera cócegas e com prara
um picolé. Que tinha
dito que ela era linda e lhe dera um presente m aravilhoso de aniversário. Um hom em que era tão cheio de contradições que fazia sua cabeça girar.
Sabia que aquilo era estupidez. Tinha prom etido que não seria estúpida, m as ali estava ela com ...
ah, Deus, a língua dele em sua boca. Seu gosto. Seu gosto forte, com um a pitada de fum aça. Era sublim e. Era com o se ela tivesse procurado por ele durante toda a vida. Ele fazia sua cabeça parecer leve e pesada, excitada e apavorada, tudo ao m esm o tem po.
Apesar de suas coxas estarem ardendo de tanto desej o, a luxúria não conseguia apagar o pânico que de repente surgiu dentro dela.
– Por favor – m urm urou ela contra os lábios dele.
– Pêssegos – gem eu ele, pegando a m ão de Kat e interpretando suas palavras erroneam ente.
Ele a beij ou com m ais intensidade, m ergulhando a língua ainda m ais fundo em sua boca e pressionando os quadris com firm eza contra sua barriga.
Kat balançou a cabeça, fazendo seus lábios deslizarem nos dele.
– Por favor, pare.
Mas aquelas palavras não chegaram aos ouvidos de Carter. Ela sabia. Ele estava envolvido dem ais.
– Por favor, eu não posso – disse Kat de novo, em purrando com um pouco m ais de força. – Pare, Carter.
As palavras dela finalm ente chegaram aos ouvidos dele.
– O quê? – perguntou ele em m eio ao entorpecim ento, sem parar os lábios.
– Pare.
Ela tentou afastá-lo m ais um a vez. Ele se distanciou, m as não o suficiente.
– Eu disse para parar!
Ela o em purrou com toda a força e, dessa vez, ele cam baleou para trás.
Carter ficou olhando para ela, totalm ente confuso, observando seus lábios verm elhos perfeitam ente cheios antes de ela cobri-los com a m ão. Recom pondo-se, percebeu, com um choque, que ela estava chorando. O coração de Carter despencou para a sola do pé.
– Pêssegos – m urm urou. Ele deu um passo na direção dela, m as parou quando ela ergueu a m ão. – Eu... O que foi que...? Droga, eu m achuquei você?
Ela balançou a cabeça.
– Não. Você não m e m achucou.
– Então o que foi?
Ele arriscou m ais um passo e respirou com m ais calm a quando ela não o interrom peu. A necessidade de estar perto dela, agora que a tinha provado, era forte dem ais.
– Nós acabam os de... Não posso acreditar... – Ela ergueu os olhos. – Você tem noção do que poderia acontecer se as pessoas soubessem o que acabam os de fazer?
Sim , m as, naquele m om ento, não dava a m ínim a.
– Pêssegos – disse ele, oferecendo a m ão para ela, que não a pegou. – Está tudo bem .
A cabeça dela se ergueu de supetão.
– Bem ?! – exclam ou ela. – Não tem nada de “bem ” com relação a isso, Carter. Sou sua professora!
– Não grite com igo – censurou ele, ficando nervoso. – Sei exatam ente o que você é. Tam bém sei que gostou disso tanto quanto eu.
– Mesm o assim – retrucou ela –, isso não pode acontecer de novo. Não vai acontecer de novo.
Um a dor ardente atravessou o peito de Carter e ele a escondeu com raiva.
– Que sej a, então! Com o se eu desse a m ínim a para se iria ou não acontecer de novo.
Os olhos dela encontraram os dele, que im ediatam ente reconheceu a m ágoa. Ele engoliu o próprio orgulho.
– Pêssegos, eu... Droga... Eu...
Ele hesitou, sentindo que, de algum a form a, “desculpe” não seria nem de perto o suficiente para consertar a situação.
– Vou para casa – m urm urou ela.
Carter reparou em quanto ela parecia cansada e pequena. Estava quase desesperado de desej o de cuidar dela e de m elhorar as coisas.
Ela com eçou a se afastar e ele deu um passo em sua direção.
– Pêsse...
– Não – im plorou, fechando os olhos. – Sim plesm ente... não. – Ela arqueou os om bros. – Carter, desculpe se eu... Eu não quis provocar você. O beij o foi... Preciso ir para casa. – E, de repente, disse: – Vej o você na terça.
Kat m anteve os olhos nos dele por um instante antes de se virar.
Carter ficou parado em silêncio e a observou ir em bora, certo de que ela levava m etade dele j unto.
15
O apartam ento inteiro de Carter trem eu quando ele bateu a porta após entrar. Arrem essou as chaves e a j aqueta na parede, j ogou o capacete no sofá e desm oronou sobre o balcão da cozinha. Sentia dificuldade para respirar desde que Pêssegos o deixara lá.
Ela o deixara.
Deus, aquilo doía.
Quando Carter colocou a boca na de Pêssegos, ele perdeu a cabeça. Era tão bom tê-la pressionada contra ele e, m esm o assim , ele a tocava com o se ela fosse se desm anchar sob as pontas de seus dedos. Ele nunca tinha beij ado um a m ulher daquele j eito antes. Se surpreendera com a própria ternura. O desej o, que habitava fundo dentro dele, o fazia querer invadi-la de form a selvagem , m as, no m om ento em que eles se tocaram , ele sabia que não poderia fazer isso com ela de j eito nenhum . Ele suprim iu o desej o e a abraçou com todo o cuidado que conseguiu. Seus lábios tinham se m ovido lenta e provocativam ente. Mas Carter queria m ais.
Sentindo a pulsação dela sob seus dedos, ele a beij ara com avidez. Mas não tinha sido suficiente.
Ele queria m ais. Queria que ela o tocasse.
Ele tinha fodido com tudo. Não devia tê-la beij ado. Pêssegos chegou a pedir que não o fizesse.
Mas ele não quis ouvir. Ele sim plesm ente não tinha m ais autocontrole.
Ele sabia – agora que tinha experim entado a sensação de Pêssegos em seus lábios – que tinha que provar aquilo de novo. E estava consciente de que isso era im possível, com o ela j á tinha dito a ele.
Mesm o assim , Carter não podia deixar de pensar que toda aquela determ inação que ela m ostrava era apenas um a fachada cautelosam ente construída para esconder seu desej o por ele. Ela o tinha beij ado tam bém , droga. Ela queria. Não queria?
Ele esfregou a m ão na testa ao perceber que a situação não estava a favor deles.
Carter não era idiota. Sabia que Kat tinha m ais a perder do que ele; se alguém descobrisse sobre o beij o, seria um problem ão. Mas ele não tinha que pensar naquilo. Sua raiva e seu lado egoísta com eçaram a crescer.
Ele relem brou o que tinha dito a ela. Que seja, então! Como se eu desse a mínima para se iria ou não acontecer de novo.
Ele era a porcaria de um m entiroso.
O fato era que as palavras dela haviam m achucado. Ele tinha sido m agoado antes, por m uitas pessoas na vida, m as Pêssegos parecia saber com o atingi-lo. Ele não era tão babaca a ponto de não conseguir adm itir isso. Ela o m agoara e ele estava puto.
Olhou para o relógio, um a baita de um a dor de cabeça se instalando em suas têm poras. Faltava pouco para as cinco e ele necessitava de algo que o aj udasse a relaxar. Precisava parar de pensar na Srta. Lane, com seus lábios m acios e sua língua sabor pêssego.
Ele pegou o celular e abriu a lista de contatos. Tocou três vezes.
– E aí, Carter? Com o foi seu encontro, quer dizer, sua aula?
– Vai à m erda, Max! – rosnou Carter, indo em direção ao banheiro.
– Ui, quanta hostilidade! Não foi m uito bem , suponho?
Carter tirou a cam iseta e se j ogou no canto da cam a.
– Não, não foi – resm ungou ele. – Escute, você tem algo planej ado para hoj e à noite?
– Nada concreto. Por quê? Está pensando em algum a coisa?
Carter passou a m ão pelo rosto.
– Preciso encher a cara, e rápido. Aonde podem os ir?
Max riu.
– Conheço um lugar perfeito, m eu cam arada. Venha para cá em um a hora.
– Chego aí em m eia.
– Continue andando! – disse o estranho sob o capuz. – Precisamos nos afastar deles. Eles vão matar você! Ande!
– Não posso! Meu pai!
O estranho não parou para escutar. Tiros ecoaram pelo ar. Kat gritou. Ela começou a correr, mas foi derrubada no chão. Ele era pesado em cima das costas dela e cheirava a cigarro.
A calçada era tão fria.
– Fique aqui – sussurrou ele em meio aos seus cabelos enquanto ela se debatia debaixo dele. – Você não pode voltar. Pelo amor de Deus, ele falou para você correr.
Kat se levantou da cam a de supetão, ofegante, rouca por causa do grito que m orria lentam ente em sua garganta. Seu rosto, bem com o suas roupas, estava m olhado de suor.
Ela se recostou na cabeceira da cam a, respirando fundo enquanto lem brava a si m esm a de que estava em seu quarto. Fazia algum tem po que não tinha um sonho assim , m as os efeitos dele ainda eram os m esm os.
Meio grogue, ela se levantou e foi até o banheiro, sabendo que um banho de banheira relaxaria os m úsculos de seu pescoço e de suas costas, que ainda estavam tensos.
Depois de um bom banho e de um a boa hora de lágrim as, ela colocou um agasalho de m oletom e o DVD de Escola do Rock para se distrair um pouco com Jack Black. Um a batida na porta a fez olhar para o relógio, tentando im aginar quem apareceria em sua casa depois das oito da noite de um sábado.
Seu coração acelerou quando ela foi espiar pelo olho m ágico.
Destrancou a fechadura e abriu a porta, parando-a em seu quadril. Kat ficou em silêncio por um instante, sem saber o que dizer.
– Posso entrar? – perguntou Beth em um tom baixo, m as firm e.
– Claro – respondeu Kat, afastando-se para deixar que ela passasse.
Beth entrou e ficou parada ali, de um j eito constrangedor, enquanto Kat fechava a porta.
– Posso pegar algo para você beber?
Kat colocou os cabelos atrás da orelha. Beth concordou com a cabeça.
Ela foi até a cozinha. Depois de servir um a bebida para Beth, Kat voltou ao sofá, sem dizer um a palavra, e se sentou. Beth a seguiu e se sentou na outra ponta, bebericando seu copo.
Kat pausou o film e quando Jack Black com eçou a cantar sobre notas dez e, então, se virou para a am iga.
– Com o você está?
Beth deu um sorrisinho.
– Estou bem . – Ela colocou o copo em cim a da m esinha de centro. – E você?
Kat cruzou os braços, sentindo-se estranham ente na defensiva.
– Estou bem . Cansada.
Beth j untou as m ãos em cim a do colo.
– Austin disse que você não estava bem . Foi por isso que vim : para ver se posso aj udar.
Kat suspirou, pensando na m ensagem que tinha enviado para Austin, na m entira que tinha escrito para fugir de sair para tom ar uns drinques com ele, incapaz de vê-lo após o beij o de Carter.
– Não preciso de nada. – Ela viu a am iga se m exer desconfortavelm ente. – Então, por onde você andou? Você não respondeu nenhum a das m inhas m ensagens.
– Eu sei – adm itiu Beth. – Desculpe. Adam está lidando com algum as questões fam iliares.
Os olhos dela se voltaram para a pilha de trabalhos de Carter, que estavam sobre a m esa de centro de Kat.
– Está tudo bem ? Você deveria ter ligado. – Kat piscou ao ver que a resposta de Beth foi o silêncio. – Eu m agoei você? Você parece, sei lá... Estranha. E toda aquela cena no m eu j antar de aniversário... Eu só... sinto que algo está errado.
Beth se aproxim ou de Kat no sofá. Ela suspirou e apertou os lábios.
– Não. – Ela pigarreou. – Não tem nada errado, eu... Só m e preocupo com você, sabe? O trabalho em Arthur Kill e as aulas particulares para Carter fora da prisão. Eu queria... quero... m e certificar de que você está bem .
Kat ficou olhando para Beth por um instante, tentando pensar no que ninguém tinha contado a ela.
Cansada dem ais para descobrir sozinha, procurou as palavras certas.
– Hoj e foi um dia bem ruim .
– Quer conversar sobre isso?
Kat soltou um a risada e balançou a cabeça enquanto m urm urava um em aranhado de palavras sem sentido.
– Não m uito – respondeu ela, sua garganta se fechando novam ente. – Sou só um a idiota m uito, m uito burra.
Beth se recostou no sofá.
– O que aconteceu, Kat? – Ela fez um a pausa antes de perguntar: – Ele m achucou você?
A cabeça de Kat se ergueu de supetão.
– O quê? – perguntou ela, incrédula. – Por que ele... Quem ?
– Carter – respondeu Beth. – Carter m achucou você? É dele que você está falando, não é?
As lágrim as que Kat tentou com todas as forças segurar rolaram por suas bochechas. Seu rosto se contraiu em desespero e um soluço saiu de sua garganta.
– Oh, Deus. – Beth puxou Kat para seu lado. – Eu sabia. Calm a, está tudo bem . Se ele m achucou você, podem os m andar esse babaca de volta para Arthur Kill. Adam e Austin podem ...
– Não, Beth! – soluçou Kat. – Eu fodi com tudo. Eu.
Beth perm aneceu em silêncio.
– Ele não m e m achucou. Ele j am ais m e m achucaria.
Kat não sabia por que, m as sem pre soube que Carter nunca faria algo que lhe causasse dor física.
Ela se sentia segura ao seu lado. Se sentira assim até m esm o quando ele arrem essara um a carteira pela sala de aula. Havia algo em seus olhos, na m aneira com o se m ovia perto dela, que fazia Kat se sentir im une a qualquer perigo. Ela sabia – bem lá no fundo – que ele a protegeria se fosse necessário.
– Kat, que diabos aconteceu?
Kat fungou.
– Ele m e beij ou. E eu o beij ei de volta.
16
– Ora, ora, depilem m inha virilha e m e cham em de Priscilla! Isso aqui é um a reunião da Arthur Kill!
A voz grave e estrondosa de Riley acertou a cabeça de Carter e de Jack com o um taco de beisebol, antes de seu corpo de m am ute atravessar a porta do apartam ento de Carter e esm agar os dois em um abraço m ortal.
– Oh, estou tão feliz – cantarolou ele sarcasticam ente enquanto Carter, m eio desaj eitado, resm ungava e se desvencilhava dele.
– Cara – disse ele, enquanto alongava as costas depois da sanfona que Riley tinha feito dela. – Se acalm e.
Riley deu um sorriso m alicioso.
– Estou vendo que a liberdade não m udou em nada esse seu tem peram ento rabugento. Eu, por outro lado, estou solto há 48 horas e tudo está incrível! – Ele se virou para Jack antes que Carter pudesse responder. – Com o andam as coisas, J.?
Jack riu e alisou a j aqueta.
– As coisas andam bem , Riley. É bom vê-lo. Vej o você na quinta para nossa reunião. – Ele passou por Riley e acenou. – Nos falam os em breve, Wesley.
Carter assentiu com a cabeça e fechou a porta enquanto Riley passeava pelo apartam ento, analisando-o com o se fosse um com prador em potencial ou algo do tipo. Carter suspirou.
– O que posso fazer por você, Moore?
Riley alisou o peito enorm e com as m ãos e sorriu.
– Tem cervej a? Estou m orrendo de sede.
Com duas cervej as em m ãos, Riley se lançou no sofá enquanto Carter m exia no celular, sentindo-se descontente. Já tinham se passado dois dias desde o beij o no Central Park e ele ainda não tinha tido notícias de Pêssegos. Não que ele esperasse ter, m as isso não o im pedia de estar inquieto. Não fazia ideia do que iria dizer a ela quando se encontrassem para a aula.
– Estou atrapalhando você? – perguntou Riley, indiferente, bebericando sua cervej a.
Carter balançou a cabeça, j ogou o celular para o lado e acendeu um cigarro.
– Então, com o é estar aqui fora? Quarenta e oito horas? Fico surpreso por você não ter aparecido antes.
Riley sorriu.
– Você m e conhece, Carter: lugares para ver, pessoas para com er.
Carter riu e ergueu as sobrancelhas em concordância.
– Não que você não sej a im portante para m im , nem nada desse tipo – acrescentou Riley com um a piscada pervertida. – Mas eu tinha que organizar algum as coisas.
Carter fez um a pausa.
– Está se m etendo com aquela galera da pesada de novo?
Riley franziu a testa.
– Não, cara. Esse erro não vou com eter de novo. Só tinha algum as pendências para resolver. Jack estava aqui para o de sem pre?
– Sim – respondeu Carter. – Diane veio m ais cedo. Ela teria adorado ver você.
Os dois hom ens bufaram .
Riley e Diane nem sem pre tiveram um bom relacionam ento. Dizer que ela não entendia o hum or boca suj a dele era eufem ism o.
– Ela m e quer – respondeu Riley de form a tranquila enquanto se recostava no sofá e erguia os pés. – O que posso fazer?
– Claro que quer.
Carter riu, m as parou abruptam ente quando o celular bipou com um a m ensagem que chegara.
Max. Droga.
– É o seu novo... brinquedinho fem inino?
Riley piscou.
– Não. Não é m eu novo “brinquedinho” – censurou ele antes de voltar a olhar para a tela.
– Está bem , está bem – respondeu Riley antes de acender um cigarro. – Relaxe, cara. Foi só um a pergunta.
Carter expirou e esfregou os dedos na testa.
– Eu sei... É que... Não é bem assim .
– As coisas estão indo bem com a Srta. Lane, suponho – com entou Riley.
Carter apagou o cigarro e soprou anéis de fum aça na direção do teto.
– Está tudo bem – disse ele secam ente.
Riley m urm urou com o se estivesse sonhando acordado.
– Caram ba – falou ele em um tom de voz que guardava apenas para m om entos de sedução e perversão. – Eu realm ente sinto falta daquela bundinha arrebitada naquelas saias. – Ele lam beu os lábios. – E aquelas pernas? Eu poderia ficar acariciando aquelas belezinhas por...
– Cale a porra dessa boca, Moore! – berrou Carter. Ele ergueu o braço e apontou de form a am eaçadora para Riley. – Dobre a língua quando falar dela.
Riley ficou três segundos atorm entado sob a m ira do dedo de Carter antes que seu rosto se enrugasse em um sorriso do tam anho da barragem de Hoover.
– Ora, pobre de m im . – Ele conteve um riso, erguendo as m ãos. – Você e a Srta. Lane, hein?
Legal.
O braço de Carter caiu instantaneam ente e um grunhido de satisfação e frustração saiu dele. Ele esfregou as m ãos no rosto e m urm urou em m eio a elas.
– Não é bem assim , tá? Bem , quero que... Quero que ela... Ah, cara!
Ele pegou sua cervej a sobre a m esa e se j ogou de volta na cadeira.
Riley riu e se inclinou para a frente, repousando os cotovelos nos j oelhos.
– Olha, cara, não estou interessado no com o, no porquê, ou qualquer coisa que sej a. Só fico feliz por ter vencido a aposta que tinha com igo m esm o.
Carter estreitou os olhos.
– Aposta?
– É. Apostei com igo m esm o quanto tem po vocês levariam para m eter quando você saísse. – Ele bateu no peito enorm e com os dois punhos. – Acho que ganhei, hein?
Carter piscou, chocado.
– Pelo am or de Deus, Moore. Nós nem sequer... Cara, não tem a ver com sexo.
– Ah, sim , eu sei, m as você entendeu o que eu quis dizer. – Riley sorriu e colocou o cigarro no cinzeiro. – Ei, por falar em com er m ulheres gostosas, tem um a galera que vai curtir uns bares hoj e à noite. Está a fim ?
Carter m eneou a cabeça.
– Não, cara. Tenho um as coisas para fazer e preciso com er algum a coisa.
Riley ergueu e abaixou as sobrancelhas.
– Ou alguém ...
Apesar de tudo, Carter não conseguiu não dar risada.
No final da aula de Kat em Arthur Kill, na tarde de terça-feira, ela se viu cam inhando em direção à sala de Jack. Seus pés e pernas estavam letárgicos, quase fazendo com que desistisse. Mas ela precisava fazer aquilo. Precisava de respostas e direcionam entos. E, para falar a verdade, m esm o tendo conversado com Beth a respeito de sua angústia quanto a m agoar Carter, necessitava ouvir m ais alguém .
Recom pondo-se, ela bateu de leve na porta.
– Entre.
Jack sorriu quando viu Kat espiar pela porta.
– Srta. Lane – disse ele, levantando-se. – Que bom vê-la. O que posso fazer por você?
Kat m ordeu o lábio e perm itiu que seu corpo deslizasse para dentro da sala. Fechou a porta, agarrando a m açaneta com o se sua vida dependesse daquilo.
Jack pareceu preocupado.
– Você está bem ?
Kat tentou sorrir para reconfortá-lo, m as não conseguiu. Ela pigarreou e coçou a nuca.
– Preciso fazer um a pergunta hipotética a você – m urm urou ela.
Jack franziu a testa.
– Hipotética.
Kat concordou com a cabeça.
– Bom – continuou Jack –, com certeza farei o m eu m elhor.
Ele gesticulou para que Kat se sentasse antes de voltar à sua cadeira e colocou os papéis que estava lendo de volta em um a pasta. Kat se sentou. Aquilo era um inferno. Ela cerrou as m ãos sobre o colo e desviou o olhar. Nunca tinha se com portado daquele j eito. Ela costum ava ser tão determ inada e estável.
– Srta. Lane – disse Jack, inclinando-se para a frente. – Tem certeza de que está bem ?
– Sim – respondeu ela roucam ente, com a garganta seca. – Eu só estava... Eu estava...
– Carter fez algo errado?
Kat balançou a cabeça. Não. Tudo que Carter fizera tinha sido, oh, tão perfeito.
– Eu o vi ontem – continuou Jack. – Ele parecia ansioso com relação a algum a coisa. Não quis m e dizer o que era, é claro...
– Com quem devo falar para deixar de dar aulas para ele?
As palavras saltaram de sua boca tão rápido que ela ficou surpresa por tê-las dito na ordem certa. Enquanto aquela pergunta pairava sobre eles, tudo o que ela sentia era dor. Não física, m as em ocional. Estava brava consigo m esm a por ter feito a pergunta que j am ais im aginou que faria. Seus olhos ficaram em baçados, m as ela engoliu as lágrim as. Já tinha chorado o suficiente por um a vida toda.
– Por que você iria querer fazer isso? – perguntou Jack em um tom suave. – Tem certeza de que ele não fez algum a coisa?
O sorriso que tocou os lábios de Kat era fraco, m as seguro.
– Tenho – m urm urou ela. – Com quem devo falar e quais são os procedim entos?
– Kat – disse ele –, por que você quer fazer isso? – Ele ergueu a m ão quando ela am eaçou se introm eter com um a resposta. – O que quero dizer é que se ele não fez nada de errado, nem violou a condicional, com o é que você vai j ustificar parar de dar aulas para ele?
Kat fechou a boca, a frustração descendo por seu pescoço.
– O fato é que – continuou Jack – se você quiser parar com as aulas, e você tem todo o direito de fazer isso, se assim desej ar, você precisa apresentar um a causa j usta para a diretoria.
– Mesm o? – perguntou ela em um tom baixo e derrotado.
Jack descansou os cotovelos na m esa.
– Isso vai suscitar perguntas e não sei ao certo se você iria gostar de respondê-las.
Bom . Era isso.
– Kat, posso?
Jack fez m enção de se levantar e apontou para a cadeira ao lado dela.
– Claro – respondeu ela, assistindo a ele dar a volta na m esa e se sentar ao seu lado.
– Não quero chatear você com o que vou dizer.
– Tudo bem , Jack. Estou disposta a ouvir praticam ente qualquer coisa agora.
Jack lim pou a garganta e ficou brincando com o prendedor de gravata.
– É visível que vocês dois têm ... apreço um pelo outro. Mas se você e Carter estiverem envolvidos em um relacionam ento que sej a m ais do que sim plesm ente professora/aluno, então preciso alertá-la. Preciso avisar que m esm o que Carter estej a em condicional, você ainda trabalha para a penitenciária e, assim , está violando as regras de ensino da instituição, incluindo a política de não confraternização com a qual você concordou e se com prom eteu por escrito, além de correr o risco de ser processada.
O rosto de Kat se retorceu. Tudo aquilo parecia m uito assustador.
– Jack, Carter e eu não...
– Mas – interrom peu Jack, colocando a m ão no braço de Kat – se vocês não ficarem j untos até que o período probatório da condicional term ine, então não deve haver problem as.
Kat j á sabia daquilo. Teria que esperar que o tem po contratual dela com Carter term inasse antes que eles pudessem ficar j untos. Se ela quisesse que ficassem j untos.
Era isso que ela queria?
Ela queria ver o que estava rolando entre eles, é claro; não podia negar essa vontade. Mas era inútil. As probabilidades estavam contra am bos.
– E para ser totalm ente franco – com pletou Jack –, se você e Carter estiverem j untos e ninguém souber até o final do período da condicional dele, então não deve haver problem as.
Kat ergueu a cabeça. Será que ele estava falando sério? Ela estreitou os olhos na tentativa de enxergar se havia algo m ais por trás daquela conversa. Mas ele estava falando totalm ente sério.
– Você está dizendo que...
– Só estou dizendo que o que os olhos não veem o coração não sente.
Por que ele estava disposto a ser discreto com relação ao relacionam ento dela com Carter? Ele não tinha nada a ganhar com aquilo.
– Por que você está dizendo isso?
Jack apertou a m ão de Kat.
– Ele precisa de você, Kat. Mesm o que ainda não tenha percebido, ele precisa de você.
Ela balançou a cabeça.
– Não posso fazer isso.
Jack sorriu.
– Kat, você é a única pessoa que pode. Você o coloca em seu devido lugar, não abaixa a cabeça para as grosserias dele. Tocou-o de um a m aneira que ninguém m ais conseguiu. Não se apresse e tente não se desesperar ou se preocupar. O que m ais posso fazer por você?
Kat agradeceu a Jack por seu tem po e pela com preensão. Ela confiava que ele m anteria o que tinha sido dito ali apenas entre os dois. Apesar do m edo que tinha da reação dos am igos e da fam ília ao seu relacionam ento com Carter, saber que havia pessoas que o enxergavam com o algo positivo fazia seu coração parecer m enos pesado.
Kat decidiu que iria com eçar a fazer o m esm o.
17
Kat se m exeu na cadeira enquanto Carter lia Hem ingway na biblioteca aquela tarde. Ele estava sentado com o tornozelo repousando no j oelho. Jeans preto, coturnos, cam iseta do AC/DC, tatuagens, anéis e um gorro preto cobrindo seus cabelos raspados.
O cum prim ento deles no início da aula tinha sido no m ínim o tortuoso, com Kat querendo correr para casa para se perder em alguns copos de qualquer bebida forte. Ela nunca tinha se sentido m ais perdida e desequilibrada. Sua m ente zum bia im piedosam ente com pergunta após pergunta, pontuadas por palavras de sua conversa com Jack e seu papo com Beth, antes de voltar ao beij o.
Oh, Deus, o beij o.
Durante a aula, ela fitou descaradam ente a boca de Carter. E pigarreou quando ele ergueu os olhos em sua direção, com o se sentisse que estava sendo observado, e interrom peu a leitura. As bochechas dela arderam . Ela desviou os olhos de volta para o livro.
Carter franziu a testa antes de continuar.
– “Havia tratado essa visita a Catherine m uito levianam ente, eu bebera dem ais e quase m e esqueci de aparecer; m as não poder vê-la fez com que m e sentisse solitário e vazio.”
– Certo, pare aí.
Kat colocou sua cópia com o texto virado para baixo na m esa entre eles, ao lado do pacote de Oreo e da Coca que Carter tinha trazido.
– Quanto a essas últim as páginas, o que você percebe na m udança da atitude de Henry com relação a Catherine?
Carter se inquietou e seus dedos ficaram encravados debaixo do gorro enquanto ele coçava a cabeça. Seus olhos se voltaram nervosam ente para os dela.
– Ele está, hum , confuso com relação aos seus sentim entos.
Ele pegou a lata de Coca e tom ou um longo gole.
– Com o é que você sabe disso?
Ela observou o pom o de adão dele subir e descer em sua garganta.
– Porque ele sente falta dela, sabe? Quando, hum , ela não está por perto.
Os olhos dele encontraram os de Kat por um breve segundo, tem po suficiente para ativar um desej o ardente por todo o seu corpo.
– Com o sabe que ele está confuso?
Carter sorriu com o canto direito da boca. Um a expressão perspicaz ilum inou as m açãs protuberantes de seu rosto.
– Um palpite.
Ele contem plou o texto. E coçou o m axilar.
– Ele fica... “vazio”. Ele fica sem chão sem ela.
Os olhos azuis de Carter pararam de ler as palavras de Hem ingway. O que Kat enxergou neles quase fez seu coração parar.
Em geral, quando Carter a fitava, Kat via sexo prim itivo e desej o. Aquilo sem pre estava presente nas íris dele, tingindo-as de um azul sem nuvens. Mas agora havia algo m ais ali; um a certa névoa de arrependim ento que rodeava cada m ilím etro de suas pupilas. Era tão claro que Kat sabia, sem que ele dissesse um a palavra, com o ele se sentia. Ele estava arrependido. E Kat se sentia exatam ente da m esm a form a.
Ela não fazia ideia de quanto tem po eles ficaram ali sentados – olhando um para o outro, perdidos um no outro. Só voltaram a si quando Carter a tocou. A m ão dele era quente e confortável sobre a dela, e a energia efervescente que sem pre estivera presente entre eles foi aliviada.
Parecia haver um a eternidade desde que ele a tinha tocado pela últim a vez.
Carter se inclinou para a frente.
– Pêssegos – disse ele, acariciando a pele dela com o polegar.
Ele m anteve os olhos na m esa, onde suas m ãos se uniam . A sensação das m ãos dele era tão boa.
A m ente de Kat com eçou a im aginar com o seria tê-las em outras partes de seu corpo.
Sua atração por Carter estava lentam ente se transform ando em algo m ais, algo assustador e irrevogável. Ela estava cansada de negá-lo, é claro, m as ainda tinha que traçar um cam inho tortuoso.
A m ão de Carter apertou a dela.
– Quanto a sábado...
– Está tudo bem .
– Não – respondeu ele com firm eza. – Não está. Foi... Bem , o beij o foi... – Ele ergueu as sobrancelhas. – Olha, o que quer que pense de m im , não beij ei você para ser um babaca. Mesm o.
– Eu sei, eu...
– A questão. – Ele fez um a pausa, suas sobrancelhas quase se encostando no m eio da testa. – A questão é: talvez eu não tenha palavras bonitas e tal, m as eu... falo sério com relação a você.
A tontura envolveu Kat, fazendo-a apertar ainda m ais a m ão de Carter.
– Eu sei que não é a situação perfeita. – Ele apontou para si m esm o. – Sou só um ... E você é...
Mas, estou falando sério, vou ficar feliz com qualquer coisa que você estej a disposta a m e dar a essa altura. Só ficar sentado aqui com você j á seria suficiente.
A sinceridade das palavras dele fez Kat querer cair em seus braços e nunca deixá-los. Incapaz de articular quão forte seu coração estava batendo, ela sim plesm ente disse: – Está bem .
Carter parecia satisfeito com a resposta dela.
– Está?
Ela sorriu.
– Estam os num a boa? – perguntou ele em voz baixa, observando-a com atenção.
Kat lim pou a garganta.
– Estam os.
Carter expirou, parecendo indeciso.
– Fico feliz, m as preciso que você entenda um a coisa, Pêssegos. – Ele lam beu os lábios. – Não m e arrependo e faria tudo de novo num piscar de olhos.
Meu Deus.
Percebendo que o estava encarando e m al conseguia respirar, Kat desviou os olhos de Carter e pegou um a pasta cheia de papéis em sua bolsa. Mude de assunto. Mude de assunto...
– Você vai querer isto aqui agora?
Ela colocou os papéis na m esa.
Carter fez um a carranca.
– O que é “isto”?
Ele puxou a pasta para perto de si.
– Seu m aterial da próxim a sem ana.
Carter piscou, confuso.
– Vou viaj ar – esclareceu Kat. – Com m inha fam ília, para Washington. – Os dedos dela dançaram ao longo da borda da m esa. – É o aniversário de quando m eu pai... Fazem os isso todos os anos.
Ficarei fora da cidade de dom ingo a dom ingo.
A expressão de Carter m udou im perceptivelm ente. Ele não parecia feliz. Depois de coçar a nuca, enfiou as m ãos nos bolsos.
– Hum , certo, está bem .
O vinco era profundo na testa dele.
– Faça só o que você conseguir – encoraj ou Kat. – Preparei m ais algum as leituras e um as perguntas para você, e precisam os conversar sobre um a avaliação...
Ela ficou sem fala com o olhar som brio e lúgubre de Carter.
– Me m ande m ensagem – disse ela sem pensar. – Ou m e ligue, se precisar de aj uda. Não hesite.
Eu... É... só m e ligar.
– Vou ligar.
Kat tentou sorrir, m as aquilo era m ais difícil do que ela esperava. Viaj ar para estar com sua fam ília naquela época do ano era um a coisa; deixar Carter por um a sem ana era outra. Ela se sentiu, de repente, m uito vazia.
Carter estava nervoso: nervoso e m ais do que chateado, para falar a verdade, apesar de ser sábado à noite.
Ele tom ou um bom gole da quinta Corona que foi entregue em sua m ão por Max e deslizou um dedo pela sobrancelha. Fala sério, sete dias. Com o isso era difícil! Ele só via sua Pêssegos três vezes por sem ana de qualquer form a, então, tecnicam ente, ele só estaria perdendo seis horas com ela.
Grande. Coisa.
Ele suspirou. Sim , era um a grande coisa m esm o. Sua últim a aula tinha sido no dia anterior e ele j á estava sofrendo a sensação desconfortável do desej o e do vazio na boca do estôm ago só de pensar em não vê-la.
Droga.
Paul, o m ecânico-chefe da oficina de Max, cutucou o cotovelo de Carter, que estava apoiado no bar.
– O que foi? – perguntou ele em m eio à m úsica. – Pela sua cara, parece que alguém m ij ou na Kala.
Carter se ergueu de sua posição arcada.
– Nada. Estou bem .
– Não m inta. – Paul deu um sorrisinho. – Você odeia esta boate, né? Tudo bem , pode adm itir para m im . Max adora, m as eu não vej o tanta graça.
Duas louras esculturais passaram desfilando por eles, fazendo os dois hom ens olharem para suas roupas m inúsculas e seus sorrisos sedutores.
Carter riu. Ele bateu sua garrafa na de Paul.
– Onde está Max? – perguntou ele, estreitando os olhos na direção da pista de dança na esperança de avistar o am igo.
– Lá fora, fum ando – respondeu Paul, apontando com a m ão. – Com aquela nova am iga dele, Laura. Ele j á está m am ado, chapado e choram ingando sobre algum negócio que ele tem que resolver hoj e.
Carter revirou os olhos, frustrado. Pelos papos que ele tinha ouvido dos outros rapazes da oficina, desde a partida de Lizzie, Max tinha ficado com m uitas m ulheres. Por m ais que ele fingisse estar tudo bem e vivesse para com er todas elas, Carter sabia que ele só estava tentando afogar a dor com sexo. Com a quantidade de cocaína que Max estava cheirando, era óbvio que essas transas de um a noite não estavam dando certo. O cara estava andando em terreno escorregadio.
– Ele precisa sair dessa – m urm urou Carter.
– Sem dúvida – concordou Paul. – Mas ele não vai ouvir nenhum de nós dois, você sabe disso.
Ele está envolvido dem ais. Quando aquela vaca foi em bora, levou as m elhores partes dele j unto.
Carter sabia que Max tinha m ergulhado de cabeça na cocaína após ser abandonado por Lizzie.
Tinha sido difícil dem ais para Carter, preso em Arthur Kill, não poder estar lá para aj udar o am igo.
– Foi tão ruim assim ?
Paul suspirou.
– Foi. Ele tentou agir com o se não estivesse m orrendo por dentro por perder a m ulher tão pouco tem po depois de perder o bebê. Fingiu estar bem enquanto enfiava aquela droga no nariz. – Paul tom ou um gole de cervej a. – Só estou esperando que algo aconteça, que a m erda bata no ventilador e...
– Não vou deixar que nada aconteça – censurou Carter.
Paul sorriu.
– Eu sei, cara. – Ele deu um tapinha no om bro de Carter. – Mas eu e você não podem os ficar colados nele o tem po todo. Ele é um hom em feito e um fora da lei. Fico preocupado.
Carter sabia o que Paul queria dizer. Apesar de sua am izade de quase vinte anos, Max fazia o que queria, não im portavam as consequências. A teim osia dele era o m aior m otivo de discussão entre os dois. Seu am igo estava em pedaços, isso estava claro com o água, m as Carter não sabia com o consertá-lo.
Carter e Paul ficaram observando a pista de dança se agitar.
– Aliás, j á está na hora de arranj arm os um a m ulher para você, Carter.
Paul apontou com a cabeça na direção de um grupo de m ulheres rebolando e se entregando à m úsica.
– Qual é, cara? – Carter suspirou. – Não preciso de m ulher nenhum a.
– Por quê?
– Porque m ulheres dão trabalho e são com plicadas pra caralho. Já tenho isso o suficiente com Max.
Além disso, ele não queria qualquer m ulher. Ele queria um a m ulher bem específica.
Rindo em concordância, Paul colocou m ais duas bebidas no bar. Ávido, Carter pegou o copo de Coca-Cola com Jack Daniel’s e virou m etade em um só gole. Era disso que precisava. Ele tinha que parar de pensar em sua Pêssegos e cair na farra. E tinha que parar de se preocupar, de criar fantasias, de ficar obcecado...
Carter parou com o copo nos lábios e piscou duas vezes.
Deus. Será que ele estava tendo alucinações? Quase quebrou o pescoço tentando ver – por cim a e por trás dos corpos que rebolavam ritm adam ente – a ruiva que estava dançando a uns nove m etros dele.
Minha. Nossa. Senhora.
Era Pêssegos.
E puta que pariu, ela estava usando o vestido m ais sexy que ele j á tinha visto. Era preto e de seda e com um decote tão grande nas costas que ele quase conseguia ver as covinhas acim a de sua bunda.
Deus! O decote nas costas significava apenas um a coisa.
Nada de sutiã.
Seu pau, im ediatam ente duro, com eçou a cutucar os botões de sua braguilha para correr na direção dela, enquanto seu coração batia com o um a porcaria de um m artelo. O corpo dela se m ovia com o água: com graciosidade e sem esforço. O cabelo estava preso em um coque que era sexy e elegante e os saltos que ela estava usando ficariam ótim os... nos om bros de Carter.
Ele engoliu em seco e sorriu enquanto ela dançava e m ovia os lábios de acordo com a letra da m úsica. As m ãos dela pararam nos quadris, fazendo com que o ciúm e explodisse pelo corpo de Carter. Aquelas deveriam ser as m ãos dele, os dedos dele apertando-a com firm eza. Ele viu que ela estava aparentem ente dançando com um a loira baixinha, que estava enrolada em um cara qualquer.
Ela era bonitinha, m as Pêssegos era sexo. Não, não era isso. Era um a foda quente, selvagem , em pé contra a parede, e Carter queria isso tudo para si.
E, aparentem ente, o cara que estava a um m etro e m eio de Pêssegos tam bém .
Um rugido nasceu em algum lugar profundo e som brio dentro do peito de Carter e ele cerrou os punhos quando o desgraçado se aproxim ou dela, m exendo no seu cabelo enquanto andava.
Antes que pudesse pesar suas ações, Carter estava se afastando do bar, com Paul berrando às suas costas. Ele abriu cam inho aos em purrões até Pêssegos e aquele idiota que na certa não gostava de ter a porcaria da cabeça em cim a dos om bros. Carter nunca tinha se sentido tão protetor com relação a nada em sua vida e seu corpo era pura adrenalina.
Assim que o babaca esticou o braço para pegar na cintura de Pêssegos, Carter o agarrou e o torceu. Com força. O im becil tropeçou quando Carter o em purrou para trás. Carter se aproxim ou da orelha dele para se certificar de que ouviria cada palavra.
– Não encoste um dedo nela. Encostou? Arranco seu braço inteirinho. Capisce?
O idiota nem sequer argum entou. Carter o largou e o fez “cai fora” com a boca. O cara não precisou ouvir duas vezes. Carter expirou um rosnado enquanto o otário desaparecia em m eio às profundezas da m ultidão antes de se virar para Pêssegos. Por sorte, ela não tinha percebido a confusão, ou m esm o Carter, o que era perfeito.
Ele parou atrás dela e ergueu as m ãos.
A loura que estava com Pêssegos percebeu a m ovim entação dele. A expressão dela congelou enquanto observava Carter dos pés à cabeça, intrigada e lasciva, m as Carter não deu a m ínim a. Ele só se im portava em tocar a criatura deliciosa à sua frente.
Pêssegos, sentindo que havia alguém atrás dela, com eçou a se virar. Carter segurou seus braços, m antendo-a na posição que estava – suas costas contra o peito dele – e colocou a boca em seu ouvido na m esm a hora em que as notas iniciais de “No Diggity ”, de Blackstreet e Dr. Dre, com eçaram a explodir pelos alto-falantes da boate. Ele se aproxim ou ainda m ais. O cheiro dela era incrível.
– Você tem noção do que está fazendo com todos os hom ens desta boate, Pêssegos?
O corpo dela ficou estático sob as m ãos dele. Ele afrouxou a pegada e deslizou as m ãos até os cotovelos dela. Sorriu quando viu que ela ficou toda arrepiada e a puxou contra ele.
– Você tem noção do que está fazendo comigo?
As m ãos dele deslizaram ainda m ais para baixo, pelos antebraços m acios, pelos pulsos, até chegar às m ãos. Carter esperou que ela lhe pedisse para parar, rezando por tudo o que era m ais sagrado para que ela não pedisse. Em vez disso, ela virou o rosto na direção de Carter, de m odo que seu nariz raspou no lado direito do m axilar dele.
– O que estou fazendo com você, Carter? – ronronou ela, entrelaçando os dedos nos dele e apertando as m ãos dele contra sua barriga.
– Você está m e fazendo querer assassinar todos os hom ens que estão olhando para você e pensando em tocá-la.
Ela gem eu e ele viu as curvas de um sorriso nos lábios dela. Seus lábios cheios e brilhantes.
– Está com ciúm e, Carter?
Ela m oveu os quadris, ah, tão lentam ente, contra ele.
Ele a puxou para trás e, dessa vez, ouviu-a ofegar quando seu pau pressionou aquela bunda deliciosa.
– Muito ciúm e. – Enterrando ainda m ais o nariz nos cabelos dela, ele se perdeu no cheiro m aravilhoso de pêssegos doces e suculentos. – Consegue sentir?
Ele pressionou o corpo contra o dela novam ente e gem eu quando ela girou os quadris em resposta.
Ele soltou as m ãos de Pêssegos, m as m anteve as suas na barriga coberta de cetim dela. Ele as desceu até chegar aos quadris. Com o ele tinha im aginado, eles se encaixavam perfeitam ente em suas m ãos grandes. Carter os apertou, m antendo-a próxim a dele, e se entregou à m úsica. Ele não conseguiu conter um gem ido quando ela com eçou a dançar, pressionando o corpo contra o dele.
As m ãos de Pêssegos encontraram as de Carter. Ela as segurou e com eçou a se m over m ais rapidam ente.
– O que você está fazendo?
– Estou dançando com você, Carter. Por quê? Com o é a sensação?
– Perfeita.
As m ãos dele subiram pela cintura de Pêssegos, de m odo que seus polegares estavam tocando as laterais dos seios dela. Ele daria tudo para senti-los. Para sentir os m am ilos dela enrij ecerem sob seus dedos. Para tê-los em sua boca. Para saborear todo o corpo dela. Ele pressionou os quadris contra ela novam ente e lhe deu um beij o suave no om bro. A resposta dela foi j ogar a cabeça para trás e entrelaçar o pescoço dele.
Carter grunhiu quando as unhas de Pêssegos rasparam em sua cabeça. Seus corpos se m oviam j untos de um lado para outro. A bunda dela estava encaixada perfeitam ente na pelve dele enquanto ele escorregava as m ãos preguiçosam ente pelas laterais do seu corpo. Quando elas chegaram na bainha do vestido, ele perm itiu que as pontas de seus dedos dançassem sobre a pele m acia.
As unhas dela se enterraram na cabeça dele. Ela gem eu.
– Eu quero você – m urm urou ele no ouvido de Kat, antes de lhe dar m ais um beij o atrás da orelha. – Meu Deus, não m e im porto que sej a contra as regras. Quero você.
Ela virou a cabeça, olhando-o diretam ente nos olhos, e sorriu com o um a leoa.
– Tam bém quero você.
Carter a virou, agarrou sua m ão e a puxou até um canto escuro da boate. Ele a pressionou contra a parede, nariz contra nariz, as m ãos em cada lado da cabeça dela.
– Repita – ordenou ele.
– O quê? – perguntou ela, os olhos grandes e vítreos de álcool.
– Diga que você m e quer – ordenou ele. – Preciso ouvir isso. Você não faz ideia.
– Eu quero você.
Antes que ela pudesse dizer m ais um a palavra, Carter segurou seu rosto e apertou a boca de Pêssegos contra a sua, deixando que a queim ação deliciosa da confissão dela penetrasse seus ossos, sua alm a. As m ãos dela estavam no pescoço dele, puxando-o para m ais perto enquanto suas línguas se roçavam . O gosto dela era incrível. Deus, ele quase tinha esquecido com o era. Ele grudou nela com o um carrapato, m as, porra, ele não podia evitar. Ele precisava se esfregar nela. Queria estar dentro dela.
O beij o era quente, fam into e m olhado.
Ele pressionava e ela pressionava de volta, acendendo o corpo dele com um desej o forte o suficiente para deixá-lo sem ar. E o cheiro dela? O cheiro dela deixava Carter tonto de um j eito que ele quase não ouviu seu nom e ser cham ado.
Três vezes.
Ele se afastou, traçando um cam inho de beij os gentis no m axilar dela.
– O que foi, gata? – grunhiu ele contra os lábios dela.
– Não fui eu – disse ela, virando a cabeça na direção de onde tinha vindo a voz.
Confuso, Carter se virou e viu Paul parado ali, parecendo com pletam ente desnorteado.
– O que foi? – rosnou Carter, protegendo a m ulher em seus braços.
– Foi m al, cara – gaguej ou Paul. – É o Max. Ele foi em bora. Não consegui im pedir. Ele estava resm ungando algo sobre aquele negócio e uns caras o seguiram e... Não sei, m as parecia que eles estavam aprontando algum a.
O coração de Carter se apertou. Sua boca ficou seca.
– Vou... Droga. Me dê um m inuto.
Paul assentiu com a cabeça secam ente e saiu.
Carter largou a cintura de Pêssegos e bateu a m ão na parede.
– Caralho!
Pêssegos segurou seu rosto.
– Ei. Se ele precisa de você, vá.
Os olhos dela eram calm os, m as exigiam sinceridade.
Ele descansou a testa na dela.
– Mas eu preciso de você.
Ele nunca tinha dito algo m ais verdadeiro.
Ela sorriu contra a bochecha dele.
– Eu sei, m as...
Carter pressionou os lábios contra os dela.
– Sem “m as” – m urm urou ele. – Pelo am or de Deus, por favor, sem “m as”.
Ela riu e acariciou o rosto dele.
O conforto que ele encontrava no toque dela era indescritível.
– O que eu ia dizer é que seria im possível fazer qualquer coisa hoj e.
Carter ficou arrasado.
– Vou viaj ar de m anhã e você tem um am igo para aj udar. Hoj e não é o dia.
Ele sabia que ela estava certa. Sabia que Max precisava dele. Sabia que levar Pêssegos para casa e m eter nela de todos os j eitos possíveis não era o cam inho que ele deveria seguir. Mas será que eles não podiam ter um a trégua?
– Você vai... Vou ter notícias suas na sem ana que vem ? – perguntou ele, não ligando a m ínim a para se estava parecendo carente.