Desejo Proibido

Sophie Jackson · Capítulo 1 de 1 · parte 13/17

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Desejo Proibido

Prólogo

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.

– Se isso não acontecer, Sr. Ford, tenho certeza de que a polícia ficaria interessada em saber que tipo de negócios você tem com Casari. – Ele ergueu um a fotografia. – Considerando que ele é procurado pela polícia federal por crim es que datam de uns trinta anos.

Ben soltou a foto, de m odo que ela planou elegantem ente de volta à m esa, flutuando de um lado para outro em um silêncio gracioso. Ele pegou sua m aleta e se levantou ao m esm o tem po que Ford saltou de sua poltrona, chegando tão perto que Ben pôde sentir a respiração dele em seu queixo.

– Vocês estão j ogando um j ogo m uito perigoso, Thom as – rosnou Ford. – Você e Carter. E é m elhor que saibam de um a coisa: eu não perco. Eu sem pre ganho. Sem pre ganho, porra.

– Bom – declarou Ben em voz baixa, olhando-o cara a cara. – Não parece ser o caso desta vez, não é? – Ben se aproxim ou. – E, um pedido m ais pessoal, fique longe de Kat.

Após um instante de silêncio tenso, Ben deu as costas para Austin Ford e cam inhou em direção à porta do escritório.

– Isto não term inou, Thom as – disse Austin, fervilhando. – Diga ao seu cliente que isto não term inou!

– Vou dizer – falou Ben em tom casual. – Ah, e aliás – acrescentou, alegre, abrindo a porta e virando-se para Austin –, você pode guardar as fotos e os extratos. Eu tenho cópias.

26

As nuvens se aproxim avam escuras e estrondosas quando Carter e Kat chegaram de volta a casa. Os dois correram e gritaram , rindo em m eio a palavrões quando os céus se abriram sobre eles. O brilho de um raio fez Kat berrar quando eles finalm ente entraram , fazendo Carter rir. Kat m ostrou o dedo do m eio a ele e com eçou a tirar as roupas encharcadas enquanto o cabelo escorria em seu rosto.

Ela subiu para se trocar e Carter a seguiu, após ter acendido a lareira na sala de estar, a preocupação m arcando cada passo seu. Ela não era a m esm a desde que eles haviam saído da convenção. Carter não era o hom em m ais entendido em com portam entos fem ininos, m as algo estava errado.

Ele ficou tentando se lem brar em que m om ento ela havia ficado tão quieta, tão distante. Será que era por causa do que ele contara sobre Max e seu passado? Será que ela se chateara com aquela coisa de ele tê-la apresentado com o um a “am iga”?

Com os olhos fixos na porta do banheiro onde ela estava se trocando, ele tirou o j eans e a cam iseta e, depois de enxugar a cabeça com um a toalha, colocou a calça cinza de estim ação e um m oletom azul-escuro do departam ento de polícia de Nova York. Ah, que ironia.

Kat ressurgiu m om entos depois e largou as roupas m olhadas em um a sacola.

– Ben m andou m ensagem . A reunião correu bem . Segundo ele, aquelas inform ações que você passou sobre os negócios de Austin com Casari foram tiro e queda.

– Claro que foram . Nem m esm o Austin é im une a um pouquinho de chantagem .

Kat balançou a cabeça e colocou as m ãos nos quadris. Seu rosto ficou verm elho de irritação. Ela estava sexy dem ais.

– Não consigo acreditar que Beth tentou m e j untar com esse cara. Ele é m uito m ais crim inoso que você... E ela ainda tem a audácia de ficar criticando você e...

– Ei. – Foda-se aquilo tudo. Carter não queria perder nem m ais um m inuto pensando em Austin Ford. – Kat, j á passou, está bem ? – Ele esfregou as m ãos nos braços dela.

– Eu fico tão brava...

– Eu sei. Tam bém fico. Mas ele não vale a pena.

Kat bufou, m as concordou com a cabeça.

– Então ouça – continuou ele. – Acendi a lareira na sala e tenho um a coleção im ensa de DVDs.

Que tal a gente ver TV, se esquentar, e esquecer aquele im becil, hein?

O sorriso dela era fraco.

– Me parece ótim o.

 

Franzindo a testa, ele envolveu a cintura dela com o braço.

– Tem m ais algum a coisa incom odando você?

Ela enterrou o nariz no pescoço dele, escondendo o rosto.

– Não.

Carter não estava convencido. Mesm o assim , conteve o desej o de forçar a barra. Ele não estava gostando daquilo, m as que escolha tinha? Confiava nela o suficiente para se abrir; e precisava ser paciente para que ela fizesse o m esm o.

De volta ao andar de baixo, Carter serviu um pouco de vinho tinto enquanto Kat perm aneceu perto da porta de vidro, observando aquelas nuvens m aravilhosas passearem por cim a do m ar. O céu estava com pletam ente preto.

– Adoro ouvir a chuva quando estou confortável e quentinha do lado de dentro – disse em voz baixa quando um trovão ribom bou acim a deles.

Carter entregou um a taça a ela.

– Eu tam bém – confessou ele, tom ando um gole de vinho. – Vovó e eu costum ávam os fazer m uito isso aqui.

– Ah é? Eu e m eu pai tam bém .

Depois de pegar um m onte de petiscos na cozinha, Kat se acom odou enquanto Carter travava um a luta contra o DVD play er. Kat riu quando ele m ostrou a capa do film e que iriam assistir: Os fantasmas se divertem.

– Não acredito que você tem isso! – exclam ou ela. Ele se sentou e colocou as pernas dela em seu colo. – Ei, Carter, 1988 ligou. Querem o film e deles de volta.

– É excelente – disse ele casualm ente, colocando o film e para rodar. – Cale a boca.

Carter logo ficou envolvido pelo film e, m as tudo o que Kat conseguia fazer era observá-lo. Podia ver a criança que habitava dentro dele em cada ronco de risada. Parecia tão relaxado; em m om ento algum tirou a m ão do j oelho dela, acariciando-o com o polegar enquanto bebia, com ia e fum ava com a outra.

A conexão deles era m aravilhosa e perm itia que Kat refletisse sobre o dia que haviam com partilhado. Descobrir que ele tinha sido preso no lugar do am igo deixara Kat boquiaberta. Ele era m ais leal e altruísta do que Kat poderia im aginar. A confiança e a honestidade dele para com ela eram a coisa m ais linda e seu coração precisava lhe dizer isso. Ela deixou os olhos passearem pelo perfil m arcante de Carter, sentindo-se pesada com aquela em oção esm agadora.

– No que você tanto pensa aí? – perguntou Carter, os olhos ainda grudados na TV.

– Nada – respondeu ela, pegando um punhado de Pringles.

– Mentirosa. – Ele se endireitou no sofá e a fitou. – Eu j á disse antes, você é péssim a nisso. O

que foi?

Ela balançou a cabeça, o que só fez o sorriso de Carter se alargar ainda m ais.

– Tenho m aneiras de fazer você falar, sabe disso – am eaçou ele com um brilho m alicioso nos olhos.

Ele colocou a taça de vinho na m esa e se m oveu com o um predador por entre os j oelhos dela, abrindo suas pernas e subindo o m oletom que ela estava usando até o peito. Com um sorriso, deu um beij o acim a do um bigo de Kat. Ela deslizou a m ão pela textura aveludada da cabeça dele. As m ãos de Carter subiram por sua cintura e a acariciaram lentam ente, seus dedos ásperos tocando-a com o se ela fosse quebrar.

Kat fechou os olhos.

– Tenho tantas coisas para dizer a você – confessou ela com um longo suspiro.

Carter acariciou sua barriga.

– Então vai m e contar o que está incom odando você desde que voltam os?

Kat lam beu os lábios, observando Carter subir pelo seu corpo, dando beij os no cam inho.

– Kat – grunhiu Carter, frustrado, subindo até ficar deitado entre as pernas dela, com os braços posicionados dos dois lados de sua cabeça. O rosto dele se contorceu. – Você não gostou de hoj e?

– É claro que gostei! – exclam ou Kat. – Foi fantástico. Eu m e diverti tanto! Adorei ter passado o dia com você. Eu...

Carter brincou com as pontas dos cabelos dela, esparram ados pelas alm ofadas do sofá.

– Foi o que eu disse para o Petey sobre você ser m inha am iga?

Ele fez um a careta.

Kat riu.

– Não. Por quê?

– Porque soou ridículo pra caralho. Fui pego de surpresa – respondeu ele. Depois, m urm urou no pescoço dela: – Precisa saber que você é m uito m ais que isso para m im .

O coração de Kat palpitou. Ela colocou as m ãos no rosto dele e puxou a boca de Carter para a sua.

– Tire seu agasalho – pediu ela com firm eza. – Quero sentir você.

Carter tirou o m oletom im ediatam ente e a observou adm irado enquanto ela tam bém tirava o dela, ficando sem inua. Transpirava sensualidade; e a cor de sua pele de porcelana sob a luz fraca despertava nele a vontade de lam bê-la dos pés à cabeça.

– Sente-se – ordenou ela roucam ente.

Ele obedeceu, boquiaberto, enquanto Kat m ontava nele e atacava sua boca. Ele gem eu. A sensação da nudez dela contra ele era incrível. Os m am ilos de Kat enrij eceram , m arcando a pele dele com linhas invisíveis de posse, assim com o sua boca declarava sua possessão com cada m ovim ento da língua e dos lábios. As m ãos dele se em aranharam nos cabelos dela, segurando-a bem perto.

– Meu Deus, Carter – ofegou ela, enviando faíscas de luxúria pela pele dele. – Quero m ostrar a você. Quero...

Ela se levantou de repente, deixando as m ãos de Carter segurando nada a não ser ar, e tirou a calça, que form ou um a poça a seus pés. Carter gem eu, reconhecendo a expressão no rosto dela, o desej o som brio em seus olhos. Ela se aproxim ou da orelha dele e passou a língua no lóbulo. Os dedos dele se m overam entre as pernas dela.

– Nada de provocar – sussurrou ela, afastando-o. – Eu te quero tanto.

Ainda bem .

Ele tirou o pau da calça, segurou os quadris dela com firm eza, fazendo-a m ontar nele, e a puxou para baixo, deslizando com facilidade para dentro dela. Am bos ofegaram em uníssono quando as luzes piscaram com a força do tem poral. Prendendo a respiração, Carter se m oveu lenta e profundam ente, arrancando um gem ido da garganta dela enquanto Kat agarrava seus om bros e cavalgava. Ele segurou o rosto dela com as m ãos, grunhindo quando seus lábios se encontraram . Ela tinha gosto de vinho e desej o.

O estouro alto de um trovão sacudiu a casa.

Kat forçou-se para baixo, recebendo-o com m ovim entos breves e giros lentos da pelve, circundando-o enquanto ele deslizava as m ãos pelas curvas de sua cintura até a protuberância deliciosa de sua bunda.

Ela com certeza era um a visão a se adm irar. Kat m ovia-se sobre ele, controlada, gananciosa, dom inadora e intensa, deixando-o sem ar. Ele nunca a tinha visto daquele j eito antes. Havia algo nos olhos dela, um a paixão que fazia o coração de Carter disparar e seus quadris se m exerem , e, quando suas bocas se encontraram , aquilo ficou ainda m ais quente e poderoso. O fervor com que ela o fodia trouxe todas as em oções concebíveis à tona. Ela estava se soltando de um a m aneira que ele nunca tinha visto, selvagem e desavergonhada.

Era m agnífico.

Era diferente.

Eles dois j untos era diferente. Era prim itivo, quente e arrebatador com o sem pre, m as o desespero entre eles era tão denso que Carter quase podia sentir o gosto. Com o se estivesse lendo seus pensam entos, Kat cavalgou com m ais força, arranhando a pele dele com as unhas, curvando as costas, recebendo-o ainda m ais fundo, fazendo todo o corpo de Carter pegar fogo.

– Bom pra caralho – disse ele, a voz rouca. – Não pare. Vá até o fim .

Ele continuou m urm urando palavras incoerentes, suplicando enquanto envolvia o tronco dela com os braços e m ovia os quadris para cim a, com força. Ela estava sensacional, com a cabeça j ogada para trás, gritando, o pescoço alongado. O orgasm o de Carter com eçou a aflorar, intenso entre suas pernas, subindo para seu estôm ago, que tensionava e relaxava em m icroespasm os enquanto eles fodiam .

– Você consegue sentir? – ofegou ela.

Kat se m oveu com m ais força, fazendo Carter revirar os olhos. Ele pressionou os lábios no om bro úm ido dela, concordando com a cabeça, grunhindo.

– Som os nós. Som os eu e você – com pletou ela.

Ele tentou segurar o orgasm o, m as as palavras dela e a m aneira com o seu corpo o possuía tornavam qualquer tentativa fútil. Am bos o destruíam com pletam ente de m aneiras m aravilhosas.

Carter lam beu o m axilar de Kat, enrolando os cabelos dela em seus punhos, o prazer vibrando em cada veia, em cada órgão.

Ela se sentou novam ente nele, com força, ávida.

Caralho! Carter se perdeu nas sensações que o corpo dela provocava, deliciando-se nela, no que ela dava a ele.

A um idade, o calor, o coração acelerado quase explodindo no peito.

Os ofegos, os gem idos, as palavras pervertidas, o orgasm o praticam ente levando-o à loucura.

E, então, ela estava gritando o nom e dele, agarrando-o, contraindo-se em torno dele.

Os quadris dele se m ovim entaram para cim a.

– Goze com igo.

A boca de Kat buscou a dele, fam inta e m olhada, enquanto os braços envolviam seu pescoço. Ela gem eu e arfou.

– Agora. Agora. Oh!

Quando toda a energia de Carter com eçou a se desviar para seu pau, ele se largou no sofá, observando, com um a adm iração ofegante, Kat continuar a se m over nele. Ela subia e descia, ela pedia e suplicava, ela rebolava e se contraía, ela se m ovia e arfava, até que, com um berro furioso, Carter se despedaçou dentro dela. A garganta de Carter se fechou enquanto o orgasm o explodia dentro dele com o um foguete e sufocava seu corpo com um calor branco, o nom e dela saindo de seus lábios em um gem ido agonizante.

Luzes ofuscantes o cegaram , enquanto seu corpo se contorcia e trem ia debaixo dela. Ele a segurou com firm eza, torcendo para que ela o m antivesse preso à Terra e im pedisse que seu coração parasse de um a vez por todas. Ela se contraiu em torno dele, fazendo-o ej acular. Ele j ogou a cabeça para trás com um grito de prazer quase doloroso.

– Deus do céu!

– Wes – gritou ela, desm oronando, se debatendo e se retorcendo no colo dele. – Wes. Oh, Deus.

Oh, Deus. Eu am o você!

Com o clarão de um raio e um estouro ensurdecedor de um trovão, a sala foi im ersa na escuridão.

27

Enquanto eles iam parando gradualm ente, ainda enrolados um no outro, suas respirações pesadas e ofegantes preenchiam a sala, ilum inada apenas pela lareira que ainda flam ej ava. Os olhos de Carter foram se abrindo, à m edida que as palavras de Kat pairavam sobre eles.

Com o um a estátua, Kat perm aneceu no colo dele. Seus braços continuaram envolvendo o pescoço de Carter e seu rosto se m anteve colado no dele. O cérebro de Carter se m ovia a m il por hora, e ele podia sentir o coração dela batendo no m esm o ritm o do seu.

Ele m oveu o polegar com delicadeza, tocando as covinhas deliciosas na lom bar dela, e respirou fundo.

– Pêsse...

– Shhh – interrom peu ela em um tom baixo e ansioso. – Só isso. Shhh. Não diga nada.

Ele fez m enção de m over a cabeça para poder olhar para ela, m as ela o segurou firm e.

– Não se m exa. Por favor.

Confuso, Carter continuou abraçado a ela na m esm a posição, aconchegado no calor dela. Ele expirou um tanto trêm ulo, preocupado, ao ver que ela perm aneceu im óvel e em silêncio. Por que ela estava tão quieta, droga? Será que tinha se arrependido de dizer aquelas palavras para ele? Talvez tivesse sido um m ero im pulso inspirado pelo sexo incrível que tinham acabado de fazer.

Talvez ela não estivesse falando sério.

Surpreendentem ente, o coração de Carter parou com aquele pensam ento em particular.

– Kat – suspirou ele. – Por favor.

– Desculpe.

A voz dela era trêm ula.

Carter engoliu em seco. Ele a ouviu fungar e tentou m exer a cabeça para olhar para ela, m as Kat era forte dem ais.

– Kat – suplicou ele. – Olhe para m im .

– Não consigo.

– Por que não?

– Porque eu... não consigo. Eu não devia...

Ao ouvir aquelas palavras, ele segurou os pulsos dela atrás de seu pescoço e os afastou, m antendo o corpo dela próxim o ao dele com um a das m ãos em seu rosto. O olhar dele peram bulou, questionador, pelo rosto de Kat. Viu que ela estava chorando, sua expressão era de dor, e im ediatam ente um a sensação enorm e de desconforto se aloj ou dentro de Carter.

Ele afastou os cabelos úm idos do rosto dela.

– O que você não devia ter feito?

Se tinha sido apenas um tropeço, então ele queria ouvi-la dizer. Por m ais m asoquista que isso parecesse, se Kat falara aquelas palavras sem ter a intenção, ele precisava saber. Queria acreditar nela, de verdade, m as havia m uitas coisas em sua cabeça que o faziam duvidar. Odiava ter qualquer dúvida, m as não conseguia evitar. Ele havia sido program ado daquele j eito: para ser desconfiado e descrente. Carter fechou os olhos por um m om ento, tentando ao m áxim o se livrar da incerteza que estava se espalhando por ele.

Kat olhou para baixo, para seus corpos ainda conectados.

– Eu não devia ter dito aquilo.

Carter desabou e a observou enxugar as lágrim as. Ele deixou que suas m ãos caíssem ao lado do corpo, derrotadas. A sensação quente de pós-coito dentro dele ficou fria.

– Está tudo bem – disse ele em um a voz rouca. – Acontece.

Ele não fazia ideia se aquilo era verdade, m as queria fazê-la se sentir m elhor.

– O que acontece?

Kat colocou a m ão carinhosam ente no peito dele, contornando a tinta preta cursiva com as pontas dos dedos.

Mantendo os olhos nas cham as que trem ulavam na lareira, ele respondeu: – Tenho certeza de que as pessoas dizem coisas assim o tem po todo. Você sabe, quando se deixam levar pelo m om ento.

Houve um segundo de silêncio total em que Kat ficou tensa em seus braços. Raios ilum inavam a sala.

Os olhos de Carter se fecharam quando a m ão dela tocou seu queixo, aproxim ando o rosto dele do dela.

– Você acha que m e deixei levar pelo m om ento?

Ele deu de om bros.

Kat balançou a cabeça de um lado para outro e lim pou a garganta.

– Não m e deixei levar, Wes.

O nom e dele nunca soava tão bem quanto na voz de Kat. Ele fixou os olhos nos dela, buscando por qualquer relance de m entira, m as tudo o que seus lindos olhos diziam era a verdade.

– Não deixou?

A cabeça de Kat continuava balançando, enquanto ela fazia um “não” silencioso com a boca.

O peito dele se agitou enquanto tentava recuperar a linha de pensam ento e a habilidade de falar.

– Por... – Sua garganta se fechou e ele não conseguiu falar. Carter engoliu em seco e tentou de novo. – Se você não se deixou levar pelo m om ento – m urm urou –, por que está pedindo desculpas?

Kat desenhou círculos invisíveis em torno do um bigo de Carter. Ela ficou em silêncio por um a era, deixando-o um a pilha de nervos.

– Pedi desculpas porque não queria ter dito daquela m aneira. Eu não sabia se você ia querer ouvir. Estava com m edo de que não quisesse ouvir.

Aos poucos, ela ergueu a cabeça.

 

– Eu não queria falar quando estivéssem os j untos desse j eito.

– Por quê?

– Porque é clichê. Piegas.

– Kat.

Ele segurou os pulsos dela e a em purrou para trás, saindo de dentro dela. Pegou as m ãos dela e colocou-as sobre o próprio peito. Carter respirou, se recom pondo.

– Você estava falando sério?

A voz dele parecia tão estranha. Ele se sentiu pequeno. Minúsculo. Fraco. Frágil.

Kat encostou a testa na dele. Ela trem eu.

– Sim – sussurrou ela. – Estava. Por tudo o que sou, eu estava falando sério.

Dizer aquelas três palavras para ele – por m ais assustador e inesperado que tenha sido – havia deixado todo o corpo de Kat m ais leve. Ela o am ava com cada pedacinho de si, dentro e fora, bom e m au, passado e presente.

Os dedos dele estavam repentinam ente no rosto dela, tocando seus lábios.

– Quero ouvir. – Ele sacudiu a cabeça, atônito. – Eu não sabia quanto até agora. Nunca m ais se desculpe por dizer isso.

– Mas...

Ele a interrom peu de novo com um beij o ardente que fez seus dedos do pé se apertarem . Era cheio de desej o, gratidão e um gem ido longo que vinha de suas entranhas. Queria ouvi-la dizer que o am ava. Queria que ela o am asse. O corpo de Kat se aconchegou no dele, aliviado.

– Posso confessar um a coisa? – perguntou Carter baixinho quando seus lábios se separaram . – Você é a prim eira pessoa, a prim eira pessoa de toda a m inha vida a dizer essas palavras para m im .

Kat piscou.

– Mas sua fam ília... – com eçou ela, provocando um a expressão surpresa e sardônica nele. Certo.

É claro que não. – Sua avó? – arriscou ela. – Am igos?

Os olhos de Carter fitaram a boca de Kat.

– Eu sem pre fui o “tesouro” da vó; e ela, de fato, m e am ava, m as nunca disse as palavras. E m eus am igos? – Ele riu. – Não som os exatam ente do tipo que abraça e troca afagos. Max é com o um irm ão para m im , m as... Não, não dizem os isso um para o outro.

Kat estava abism ada. Com o é que o hom em à sua frente nunca tinha ouvido alguém lhe dizer que ele era am ado? Que tipo de pais perm itiriam isso? Com o é que ele tinha conseguido viver por tanto tem po sem que lhe dissessem com o ele era especial?

Sem palavras, ela o beij ou novam ente.

– Não se desculpe, pelo am or de Deus – pediu ele. – Ouvir essas palavras de você... Não im porta onde ou com o as disse. O que im porta é que sim plesm ente disse.

Ela o abraçou forte. Com os lábios perto do ouvido dele, Kat sussurrou m ais um a vez: – Eu am o você.

Ele a apertou e lhe deu um beij o carinhoso no pescoço.

– Obrigado por ter sido m inha prim eira.

Ela enterrou o nariz nos cabelos raspados dele.

– Obrigada a você por ser o m eu prim eiro.

Carter se afastou, olhando questionador para ela.

– Eu j á disse a outras pessoas que as am ava – esclareceu ela. – Você sabe, fam ília. Mas nunca tinha m e sentido assim com relação a ninguém , Carter.

O sorriso de Carter ilum inou a sala.

– Uau. – Ele lam beu os lábios e soltou a cabeça no encosto do sofá. – Olhe só para você.

Ele continuou encarando-a, m antendo-a prisioneira. Às vezes sua boca se abria para falar, m as ele a fechava de novo.

– Está tudo bem – acalm ou ela, descendo as m ãos pelas laterais do corpo dele. – Pare de pensar tanto nisso.

O corpo dele trem eu com a risada. Ele beij ou a testa dela.

– Você m e conhece tão bem .

– Conheço.

Ela se endireitou. Kat conseguia ver a batalha: o m edo de acreditar nela e a esperança de que fosse verdade. Seu coração ficou apertado.

– Eu não disse aquilo para ouvir nada de volta. Está tudo bem .

– Mas...

– Não, Carter, é sério, não preciso ouvir isso de você. E não quero que pense que precisa dizer.

Ela acariciou seu rosto.

Carter a encarou.

– Por que você m e am a, Pêssegos?

A incom preensão com pleta na expressão dele doeu em Kat. Ela deslizou o polegar pelo m axilar dele enquanto um trovão estourava no céu.

– Eu o am o porque você é m uito especial. – Ela deu um beij o na bochecha direita dele. – Você é generoso. – No nariz. – Atencioso. – No lábio superior. – Intenso. – No lábio inferior. – E você é, sem dúvida, o hom em m ais lindo que j á vi.

Ele encostou a testa no queixo de Kat.

– Deus, eu...

Carter ergueu a cabeça de supetão, os olhos ferozes.

– Preciso m ostrar a você quanto... Por que eu... Tem m ais.

Ela segurou o rosto dele em um a tentativa de acalm á-lo.

– Me m ostre o que quer que queira m e m ostrar. Não vou a lugar algum .

Ele a ergueu de seu colo. Com o celular ilum inando o cam inho no escuro, ela correu com as roupas para o banheiro do andar de baixo, se lim pou, e voltou para ele a tem po de ele enrolar um grande cobertor em seus om bros. Carter estava segurando um a lanterna.

Ele esticou a m ão para ela.

– Venha com igo.

Kat pegou na m ão dele e deixou Carter guiá-la escada acim a e pelo corredor. Ele parou em frente à terceira porta depois do quarto deles e colocou a m ão na m açaneta. Ele a girou e abriu a porta. Ela rangeu alto, com o se não fosse aberta há m uito tem po. Kat foi atingida por um a raj ada de ar gelado e um arom a m ofado e antigo.

Com apenas a lanterna e o brilho interm itente da lua em m eio às nuvens da tem pestade, era difícil enxergar m uita coisa. O pequeno quarto estava decorado com papel de parede escuro, interrom pido apenas por pôsteres de carros e j ogadores de beisebol. Um painel de cortiça estava pendurado ao lado do guarda-roupa, coberto de desenhos e canhotos de ingressos. Lençóis brancos para proteger da poeira escondiam a m obília e a pequena cam a estava desarrum ada, com o colchão à m ostra e sem uso. Kat se virou para olhar para Carter, que a fitava pacientem ente.

– Este era o seu quarto – afirm ou ela.

Ele ilum inou as paredes com a lanterna, parando em um a im agem de um a Trium ph. Os dois ficaram em silêncio até que Carter colocou um braço em torno dos om bros de Kat e a levou até a cam a, onde ela se sentou. Ele passou a m ão nos cabelos dela m ais um a vez antes de ir até o guarda-roupa. Resm ungou e xingou quando o abriu e com eçou a tirar caixas de vários tam anhos. Rem exeu-as até pegar um livro pequenino preso por um elástico de borracha.

Carter se levantou e voltou para a cam a, sentando-se ao lado dela, respirando fundo. Ele colocou o livro nas pernas, agora cruzadas, de Kat, olhando fixam ente para ele, com o se o livro fosse saltar e atacá-lo. Kat colocou a m ão no j oelho direito de Carter e deu um aperto reconfortante.

Carter coçou o queixo com a lateral do polegar.

– Isto é um a espécie de... É um diário – gaguej ou. – Parece idiota, eu sei, m as depois... – Ele fez um a pausa. – Só acho que vai explicar m elhor as coisas.

– Você quer que eu leia?

Carter riu sem alegria algum a.

– Sim , eu... Porra, Kat, não sei.

O nervosism o dele era desconcertante.

– Ok.

Com dedos tensos, ela rem oveu o elástico do livro enquanto Carter abria a pequena j anela do quarto e acendia um cigarro. Kat colocou o elástico na cam a e abriu a capa.

O que ela viu a fez piscar de surpresa e engolir um ofego de choque.

A cabeça dela se voltou de im ediato para Carter, que ergueu os om bros, desculpando-se.

Colado torto na prim eira página am arelada estava um artigo reportando a m orte do senador Daniel Lane. Havia um a foto em preto e branco dele e da m ãe de Kat tirada no dia de sua eleição.

Ele estava tão feliz e tão bonito. Eva estava linda tam bém . Trazia no rosto um sorriso que Kat não via fazia m uito tem po. O coração de Kat ficou apertado com a saudade da m ãe que tinha dito à filha que ela podia ser o que quisesse.

Os olhos de Kat leram rapidam ente o artigo, sabendo o que iria encontrar, os detalhes que iria ler. Palavras saltavam em frente a ela sob a luz da lanterna: “pavoroso”, “perturbador”, “hem orragia cerebral”, “polícia atirou em dois suspeitos”. Ela engoliu em seco e deixou que seus dedos deslizassem pelo rosto de seu pai.

Com m uito cuidado, certificando-se de não danificar o papel, Kat virou a página. Havia m ais artigos detalhando o funeral, a fundação criada em hom enagem a seu pai e os eventos a que Eva tinha ido em m em ória de Daniel. Em cada foto granulada de sua m ãe, Kat percebeu com o ela envelhecera.

A beleza e o resplendor, tão notáveis na prim eira fotografia, tinham desaparecido por com pleto.

Os olhos dela se encheram de lágrim as. Enquanto eles percorriam o artigo, Kat percebeu que, todas as vezes que seu nom e aparecia, estava sublinhado ou circulado. Era a m esm a coisa em todos os artigos, inclusive no prim eiro.

Ela continuou folheando o diário em silêncio, observando os artigos que ele tinha coletado. Parou ao deparar com um a página coberta de garranchos. A prim eira data era um m ês após a m orte de seu pai.

Sonhei com ela de novo. Toda vez que fecho os olhos, ela está lá. Ela me assombra e não sei por quê. Desde aquela noite, ela está dentro do meu cérebro. Queria poder tirá-la dali como vovó costumava fazer com o sorvete de chocolate no freezer, mas aí... Acho que eu sentiria saudades dela.

Duas sem anas depois:

Senti o cheiro dela hoje. Eu estava com Max e passamos por uma banquinha. Pêssegos.

Pêssegos doces. O cabelo dela tinha cheiro de pêssegos. Comprei alguns. Max me chamou de louco. Acho que ele tem razão.

Dois dias depois:

Estou louco mesmo. Sei que estou. Eu a vi. Sei que vi. Mas é impossível.

Natal:

Briguei com meu pai. Ele me chamou de ingrato. Eu o chamei de babaca. Ele encontrou meus cigarros. Fiquei deitado na cama e fechei os olhos e a vi e senti o cheiro do cabelo dela de novo. Doideira, né? Aquilo me acalmou. Acho que se a ajudei aquela noite, então talvez ela não se importasse se eu a usasse dessa forma. Talvez ela não ligasse. Talvez ela nem sequer se lembre de mim.

Kat continuou lendo. As passagens eram curtas, não m ais que cinco linhas cada, m as colossais em seus significados. A m ão que cobria sua boca aberta e incrédula ficou m olhada de lágrim as. Ao m esm o tem po, a cam a se m exeu com o peso de Carter. Ele abraçou os próprios j oelhos. Ficou atipicam ente im óvel ao lado dela.

Ano-novo:

O mundo, para mim, é o mundo apenas, Graciano:

Um palco onde cada homem representa um papel.

E o meu é triste.

Fevereiro:

Em Belmonte está uma jovem que há pouco recebeu grande herança.

É muito linda e, mais do que esse termo,

De virtudes admiráveis.

– Carter – soluçou Kat ao ler as palavras de O mercador de Veneza.

– Me desculpe. Merda. Eu não devia ter... Eu só queria que você entendesse.

– O que você queria que eu entendesse?

Ela precisava que ele explicasse. Ler os pensam entos m ais profundos dele era quase dem ais.

Ele pegou o diário das m ãos dela, folheando-o, sorrindo ironicam ente de algum as de suas palavras e fechando os olhos com outras.

– Aquela noite – com eçou ele em voz baixa. – A noite em que nos conhecem os. Foi a m ais longa, a m ais assustadora da m inha vida. – Ele sorriu. – Mas eu não m udaria nadinha, por nada no m undo. – Ele tocou no diário quase com o um a reverência. – Eu com ecei isto quando tinha 11 anos. Dezesseis anos atrás.

A voz dele parecia distante para os ouvidos de Kat.

Os olhos de Carter pousaram nos cabelos dela.

– Kat, seu cheiro era... Foi com o se ele tivesse tom ado conta do m eu cérebro. Eu não conseguia pensar em m ais nada. Ele m e acalm ava quando eu estava prestes a m atar m eu pai, e, m esm o quando estava em Arthur Kill, eu retornava àquela noite e pensava em você. Aquelas eram as noites em que eu dorm ia m elhor.

Ele colocou o diário de lado e segurou as m ãos dela.

– Não quero assustar você com isso, não m esm o; m as ouvir aquelas palavras e não conseguir dizê-las de volta... – Ele sacudiu a cabeça. – Eu esperava que isto fosse aj udar você a enxergar. – Ele olhou para ela. – Entende, Kat? Entende o que significa para m im ?

A em oção a im pediu de responder.

– Hoj e, quando a apresentei ao Petey – continuou ele com um sorriso torto –, não fazia a m enor ideia do que dizer para ele. Pensei em dezenas de rótulos, incluindo “m inha nam orada”, m as isso sim plesm ente... não parecia grande o suficiente. – O rosto dele se contraiu para dem onstrar seu desgosto pela palavra. – E eu não podia dizer “m inha Pêssegos” porque esse j eito de cham ar você é exclusivam ente m eu.

Sim . Ela era com pletam ente dele.

– Kat – sussurrou ele, puxando-a para m ais perto. Suas testas se tocaram e Carter fechou os olhos. – Não sei o que vai acontecer quando voltarm os à cidade. Não faço ideia. Mas o que sei é que não quero m ais ninguém além de você. Quero ficar com você pelo tem po que m e quiser. Quero m ais noites com o esta e quero poder andar na rua segurando sua m ão e sabendo que, um a vez na vida, todos os outros caras invej am o que é m eu.

Kat apertou o m oletom com as m ãos.

Carter a envolveu em seus braços e sussurrou em seu pescoço: – Você é tudo para m im , Pêssegos. Sem pre foi. Sempre. Você é a m elhor coisa que j á aconteceu na m inha vida. – Ele a beij ou. – Você é meu tudo.

28

Ir em bora da casa de praia foi difícil para Kat. Tantas coisas tinham acontecido naqueles dois dias que eles passaram lá. Ela se agarrou a Carter ao lado do carro, sem querer nunca m ais ficar longe dele, m as sabendo que a vida real esperava pelos dois.

A volta para a cidade foi longa e sem m uitos acontecim entos, com exceção da hora em que Carter passou com Kala pelo carro de Kat, voando com o um m orcego fugindo do inferno, costurando por entre o tráfego com o um lunático. Ela não sabia ao certo se ele tinha reparado nela, m as com o ele ficava sexy pilotando aquela coisa...

Depois de m andar um a m ensagem para Carter avisando que tinha chegado bem em casa, ela se preparou para um a noite entediante desfazendo a m ala. Ele havia prom etido dar um pulo por lá m ais tarde, o que, depois de um fim de sem ana inteiro j untos, ainda provocava um delicioso frio na barriga de Kat.

Fred sorriu quando ela se aproxim ou do balcão do hall de entrada, a m ala fazendo ruídos ao ser arrastada pelo piso de m árm ore.

– Boa noite, Srta. Lane – cantarolou ele. – Com o você está?

– Estaria m elhor se m e cham asse de Kat – aconselhou ela com um olhar brincalhão.

– Perdão. Kat.

– Meu am igo, o Sr. Carter, virá aqui m ais tarde. Pode deixá-lo subir direto, ok?

Fred pegou um a caneta e fez um a anotação.

– É aquele cavalheiro alto com as... tatuagens?

Kat deu um sorriso torto.

– Sim , o próprio; m as ele realm ente não é tão assustador quanto parece.

Fred ergueu as sobrancelhas.

– Vou confiar em você.

Kat riu.

– Boa noite, Fred.

– Boa noite, Kat – respondeu ele, tocando no boné.

Ela se virou de costas para a portaria, seguindo na direção dos elevadores. Enquanto Kat apertava o botão para cham ar o elevador, um a silhueta se m oveu atrás dela, cham ando sua atenção.

Quando percebeu de quem se tratava, Kat se virou, cheia de raiva.

– O que está fazendo aqui? – repreendeu ela.

O rosto de Beth não dem onstrou nenhum sinal de surpresa pela reação de Kat.

– Vim conversar com você.

Kat soltou um a risada sarcástica.

– Não tem os nada para conversar.

Ela se virou de novo para o elevador e apertou o botão que j á estava aceso, torcendo para que ele se apressasse.

– Você parece bem – m urm urou Beth. – Parece m uito bem .

– Por que você se im porta? – questionou Kat sem m udar o tom de voz. Ela se virou, cruzando os braços defensivam ente. – Olha, é m elhor ir em bora logo. Tenho certeza de que Adam e Austin estão ansiosos para que você volte correndo para contar a eles todos os m eus segredos perversos.

– Eles não sabem que estou aqui – respondeu Beth, a ansiedade visível em seus olhos arregalados. – Eu disse a Adam que ia com prar sorvete.

A raiva de Kat se transform ou em confusão.

– Lam ento m uito, Kat. De verdade.

Kat perm aneceu indiferente.

– E...? – perguntou ela, erguendo os om bros com desinteresse.

Ela estava intrigada quanto ao que tinha causado aquele ataque repentino de consciência em Beth – e se aquilo fosse um a arm adilha, ah, ela iria ver só.

– E eu queria que você soubesse disso.

– Ok – disse Kat, apertando o botão do elevador m ais um a vez. – Já pediu desculpas. Agora sua consciência está lim pa e você pode ir em bora.

Geralm ente, a atitude brusca de Kat a faria se sentir m al, m as um pedido rápido de desculpas não apagaria os segredos que pairavam no ar entre as duas com o um gás tóxico.

– Você está apaixonada por ele, não está?

Kat ficou im óvel, sem piscar, torcendo para que sua cara de paisagem fosse suficiente.

– Sei que está – disse Beth baixinho. – Posso ver. – Ela se aproxim ou. – Ele é bom para você?

Ele a trata bem ?

Kat m ordeu o interior da boca. Ela perm aneceu em silêncio, lutando contra a vontade de sair correndo para longe dali. Sabia que confiar em Beth seria um erro.

– Você parece feliz – continuou Beth em um tom de que Kat se lem brava com carinho. – O am or lhe cai bem . Sei que ele deve ser um bom hom em para fazer você brilhar desse j eito. – Os olhos dela se ergueram até o rosto de Kat. – Sei que pode ser um pouco tarde dem ais, m as consigo adm itir quando estou errada. – Ela suspirou com desânim o. – Adam m e explicou algum as coisas. Ele m e contou sobre Carter e Austin. A m aneira com o Austin agia quando eles eram pequenos.

– É – retrucou Kat secam ente. – Carter tam bém m e falou sobre isso.

O rem orso se espalhou pelo corpo de Beth, pesando em seus om bros, deixando-a m enor.

– Sei que Carter não é m á pessoa e que você está segura com ele. Eu deveria ter confiado no seu j ulgam ento e não confiei. Por isso, peço desculpas.

A paranoia subiu pela espinha de Kat.

– Então agora você pode ir confirm ar tudo para o Austin, não é?

– Não foi por isso que eu vim – m urm urou Beth para o chão antes de

 

com eçar a rem exer em sua

bolsa. Ela pegou duas pastas m arrons. – Eu queria entregar isto a você.

Kat olhou para as pastas.

– E o que é isto?

– São em pregos.

Kat arqueou um a sobrancelha, incrédula.

– Em pregos de professora com datas de início para depois do Ano-Novo – acrescentou Beth. – Um desses é na escola onde estou trabalhando atualm ente. Acho que você se encaixaria perfeitam ente... – Ela lim pou a garganta e olhou para o teto. – Sei que entendi tudo errado e vou sem pre lam entar isso, m as quero que sej a feliz e sei que Carter a faz se sentir assim . Mas, se vai ficar com ele, precisa tom ar cuidado. Se Austin souber que vocês estão apaixonados, ele pode usar isso...

– Com o é que é? Foi você que tentou m e j untar com esse cara. Por que, se sabe com o ele é?

– Ele não é m á pessoa, Kat – respondeu Beth com firm eza. – O que não quer dizer que ele não tom e decisões ruins. Ele precisa dar satisfação a m uita gente im portante, que quer Carter fora de cena tam bém . Ele está sob m uita pressão. Ouvi falar da visita de Ben ao escritório. Austin está ficando louco tentando encontrar um j eito de tirar Carter do cam inho. Adam disse que nunca viu o irm ão tão bravo assim , tão perigoso e... – Ela colocou a bolsa no om bro, respirando fundo. – Só dê um a olhada nas ofertas. Se você é professora do Carter e vocês estão j untos, am bos estão correndo risco. Pense em Ward, na diretoria, na política de não confraternização com a qual você concordou. Há m uitas coisas em j ogo.

– Você acha que não sei...

Kat calou a boca. Ela j á tinha falado dem ais.

O sorriso de Beth era pequeno, m as consciente.

– Pense a respeito. Estou aqui se você quiser conversar. Podem os ir tom ar um café ou... – Beth esticou a m ão na direção de Kat, m as a abaixou antes de tocá-la. – Me desculpe, sinto sua falta.

Beth hesitou antes de fechar o casaco. Com m ais um olhar arrependido, ela se virou, atravessou o saguão e foi em bora.

Carter deu um beij o nos cabelos de Kat e acariciou sua têm pora. Eles estavam com pletam ente vestidos, debaixo das cobertas, na cam a dela. Carter a colocara ali depois de ela quase tê-lo sufocado quando ele chegou ao apartam ento m eia hora antes. Ela havia se agarrado a ele, que precisou acalm á-la e tranquilizá-la enquanto ela explicava o que tinha acontecido com Beth.

– Estou com tanto m edo, Carter. Tenho m edo de que ela estej a fazendo isso para ter provas de que estam os j untos. Tenho m edo de que ela vá falar com Austin e ele use isso contra você. Eu nunca pensei que m andar Ben lá fosse... Estou m orrendo de m edo de que ele o am eace e tire você de m im .

E eu não posso... Não posso perder você, eu...

Carter a beij ou, engolindo suas preocupações. Os trem ores de m edo subiam pela espinha dela sob o toque dele. Ele odiava aquilo. Iria m atar Austin se ousasse tirar sua Pêssegos dos seus braços.

Ele que tente, aquele filho da puta.

– Ele não pode fazer nada; não vou deixar. – Sua voz ficou som bria, am eaçadora. – Se ele quer a porra daquela em presa, pode ficar com ela. O dinheiro não significa nada. Só o que eu quero é você.

Ela assentiu com a cabeça, sem esperança, transform ando a raiva de Carter em pânico. Ele a estava perdendo.

– Não podem os deixar que ele vença – disse, erguendo o queixo de Kat. – Depois desse fim de sem ana, tem que m e prom eter que não vai deixar que ele vença.

Ela balançou a cabeça, m as não o convenceu. Carter segurou o m axilar dela.

– Me prom eta, gata. Preciso ouvir.

– Não vou deixar que ele vença. Prom eto.

Ele grunhiu um a m istura de frustração com desej o.

Sua língua repousava flácida e inútil dentro da boca. Ele apertou os dentes. Por que não conseguia lhe dizer com o se sentia? Seu corpo estava em com bustão com o turbilhão de em oções que experim entava por ela e ele sim plesm ente não encontrava palavras para expressar nenhum a delas.

Ele beij ou seu pescoço e enrolou os dedos em seus cabelos, xingando a si m esm o em silêncio.

– Se eu aceitar algum daqueles em pregos, não serei m ais sua professora – m urm urou Kat tristem ente contra a bochecha áspera dele.

Ele pensaria em ter um a nova professora e no antagonism o que sentiria com relação a ela depois.

Agora não era hora.

– Mas eu ainda teria você, certo?

Ela deslizou a m ão pelo rosto dele.

– Você m e teria por inteiro.

Ele agarrou a parte de trás do j oelho dela e a puxou para cim a, até seu quadril. Ela enfiou as m ãos debaixo de sua cam iseta, as unhas arranhando as costas dele, enquanto colocava a língua dentro da boca de Carter. Ele podia sentir o gosto do m edo de Kat e se afastou com a m esm a veem ência para acalm á-la.

– Fodam -se eles, Kat – rosnou Carter. – Volte para m im . Fique aqui comigo. Agora m esm o – exigiu. – Não pense neles. Pense só em nós.

Havia tanta coisa a discutir. Tanto para pensar. Havia tanta coisa que podia separá-los. Carter apertou os olhos, enviando seu pavor para o m ais longe possível. Enquanto estivessem j untos, tudo estaria bem .

– Me faça esquecer. Por favor – im plorou ela. – Me faça esquecer todos eles.

Carter a deitou, subindo em cim a dela.

– Qualquer coisa.

29

Os dias se passaram , se transform ando em sem anas, e Kat e Carter iam se apegando m ais e m ais.

Com cautela e cuidado, continuaram a se encontrar na biblioteca três vezes por sem ana, fazendo o que deviam fazer, enquanto à noite idolatravam o corpo um do outro em um a tentativa de m anter longe as coisas que am eaçavam destruí-los. Durante aquelas horas deliciosas e abençoadas em que seus m em bros se em aranhavam e seus nom es se tornavam ofegos frenéticos de prazer, tudo se distanciava, deixando-os im aginar com o seria estar j untos sem preocupações nem recrim inações.

Carter observava sua Pêssegos atentam ente, ciente de que a tensão da situação tinha com eçado a m acular a resolução dela. Por fora, ela parecia a m esm a, linda e controlada. Mas ele percebera que, quando estavam j untos, ela o abraçava com um pouco m ais de força, o tocava com m ais frequência, com m ais fervor, com o se estivesse m orrendo de m edo de que o que eles haviam construído fosse desm oronar à sua volta a qualquer segundo.

Carter não era ingênuo. Sabia dos obstáculos e se preocupava tanto quanto ela. Seu prim o era um im becil da pior espécie e com certeza estava planej ando um a retaliação que seria certeira e rápida.

Max ainda estava se rendendo à cocaína sem se im portar com aqueles que se preocupavam com ele, e a m ãe de Kat telefonava incessantem ente, apesar de Kat insistir em não querer falar com ela.

Toda essa m erda em torno da bolha deles não era nada boa. Carter sabia que tinha que ser forte pelos dois. E faria qualquer coisa que o aj udasse a ver aquele sorriso que tanto adorava no rosto de Kat. Esse foi o m otivo de ele insistir para que ela desse um a olhada nas pastas de ofertas de em prego, frutos das boas intenções de Beth, quando, duas sem anas depois, elas ainda perm aneciam intocadas na m esa de centro do apartam ento. Foi tam bém o m otivo pelo qual ele havia concordado em acom panhá-la quando ela foi devolver o carro da avó em Chicago, a tem po das com em orações do Dia de Ação de Graças.

Ter concordado com aquilo e fazer aqueles program as fam iliares horrorosos indicavam o quanto ele estava m aluco. Mas, na verdade, pensar em Kat longe dele por qualquer período de tem po era torturante. Ele sim plesm ente teria que agir que nem hom em e calar a boca.

A m ão pequenina de Kat atravessou o console central do carro e repousou na perna de Carter, que sacudia para cim a e para baixo. Sem poder pular do Jaguar de Nana Boo e correr de volta para seu apartam ento, Carter se contentou em aniquilar a unha do polegar, que ele roía deselegante e enlouquecidam ente.

– Querido, relaxe. – Kat olhou para ele e, depois, tornou a olhar para a estrada. – Vai ficar tudo bem .

Carter bufou.

Bem ? Bem? Ela estava louca?

A confiança que ela depositava tanto nele quanto na situação era m otivadora, m as o cérebro de Carter estava em ritm o acelerado desde que eles tinham deixado o apartam ento. Meu Deus, o vôm ito nervoso e atrapalhado de palavras que com certeza aconteceria quando ele conhecesse o m em bro da fam ília preferido de Kat era suficiente para revirar seu estôm ago. Seus nervos estavam prestes a explo...

– Eu am o você.

Os olhos de Carter se fecharam por um breve m om ento antes de se virarem para a criatura de tirar o fôlego ao seu lado. Sua m ão caiu ruidosam ente sobre seu colo.

– E Nana Boo tam bém vai am ar. – Ela sorriu, os olhos brilhando. – Eu sei.

Com o é que ela fazia aquilo? Sabia exatam ente o que dizer para acalm á-lo e, apesar de a necessidade de saltar do carro ainda pesar em seu estôm ago, suas palavras tornavam tudo m ais tolerável.

Ele deu um beij o em sua testa.

– Obrigado.

Apesar de o agradecim ento parecer um tanto grosseiro e inadequado perante a m aneira com o ela o fazia se sentir, era tudo o que Carter tinha a oferecer. Ele se recostou no banco, segurando a m ão dela com firm eza em sua coxa, os dedos entrelaçados, protegendo-se nela. Respirando fundo, ele ficou olhando pela j anela do carro, observando o m undo passar. Eles tinham um longo traj eto pela frente: nove horas, um a parada para passar a noite em um hotel e m ais seis horas até Chicago.

Ele olhou para o relógio.

Só faltavam m ais oito horas e m eia.

Maravilha. Tem po m ais que suficiente para se irritar.

O celular tocou no bolso de sua calça. Ele deu um a olhada na tela: Max estava ligando.

– Fala, cara.

– Onde diabos você está?

As palavras de Max eram altas, agudas e m al articuladas.

O idiota estava cheirando às nove da m anhã. Aquela m erda estava saindo de controle.

Carter suspirou.

– Estou a cam inho de Chicago, Max. Onde você está? – O som distante da voz de um a m ulher ressoou ao fundo. – Quem está aí com você?

Continuar: parte 14 de 17