Desejo Proibido

Sophie Jackson · Capítulo 1 de 1 · parte 8/17

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Desejo Proibido

Prólogo

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.

– Claro. – Os olhos dela analisaram o rosto dele, com o se o estivessem m em orizando antes de passarem um tem po afastados. Ele gostou daquilo. – Acho que precisam os ter um a longa conversa.

As palavras dela deixaram Carter gelado.

– Está bem – cedeu ele, e então grunhiu de frustração. – Preciso ir. Desculpe.

– Vá – disse ela com um sorriso calm o. – Vej o você em breve.

Sem hesitar, sua boca foi ao encontro da dela novam ente, m ordiscando e chupando seus lábios desesperadam ente. Ele se afastou da parede.

– Cuide-se – ordenou ele com um dedo apontado para ela. – Me m ande m ensagem quando chegar em casa hoj e.

Pêssegos riu e bateu continência para ele.

– Estou falando sério – disse ele, nenhum tom de brincadeira em sua voz.

O sorriso dela desapareceu.

– Vou m andar. Prom eto. Vá cuidar de Max.

18

Carter ouviu Max antes de vê-lo. O idiota estava gritando algo sobre o deixarem em paz. Houve um a discussão e um grito. Carter entrou na sala de estar de Max, passou por Paul, que parecia furioso, e encontrou Max esparram ado no sofá, parecendo com pletam ente em briagado, com o nariz sangrando e um olho tão inchado que estava quase fechando.

– Puta que pariu – m urm urou Carter.

– Carter! – gritou Max com um sorriso largo e bêbado. – Dê só um a olhada nisso!

Ele ergueu a cam iseta para exibir vários hem atom as e um corte nas costelas.

Carter virou a cabeça na hora para Paul e Cam , que estava sentado em um canto da sala com um baseado na m ão e um a m ulher no colo.

– Onde é que vocês estavam quando tudo isso aconteceu, porra?

Paul ergueu as m ãos e balançou a cabeça.

– Não j ogue a culpa na gente, cara – avisou ele. – O idiota foi em bora, disse para a gente ficar onde estava. Fiz o que pude!

– Sem dúvida – ironizou Carter. – A polícia se envolveu?

Paul negou com a cabeça.

– Os caras se m andaram antes que a polícia aparecesse.

Carter foi até Max, que tinha calado a boca e relaxado enquanto observava seu am igo Al acender um e entregar a ele. Max gem eu quando inalou e soprou a fum aça, m as se encolheu e fez um a careta quando tentou se m over. Os babacas o tinham espancado.

– Eles estavam em quantos? – Carter perguntou a Paul.

– Não sei – respondeu ele. – Vi dois quando cheguei lá, m as pode ser que tivesse m ais.

É, sem dúvida. Max parecia ter apanhado de toda a Guarda Nacional.

Laura, o brinquedinho m ais recente de Max, ainda com a roupa que estava usando na boate, veio da cozinha com um a tigela de água e um a toalha. Ela deu um sorriso contido a Carter antes de se aj oelhar ao lado de Max e com eçar a tentar lim pá-lo. “Tentar” é a palavra de ordem aqui, visto que Max a em purrava para longe enquanto m urm urava palavrões.

– Pare com isso, O’Hare – ordenou ela –, antes que eu coloque você nos eixos de verdade!

Max sorriu para ela, o cigarro dependurado em seus lábios ensanguentados, e piscou com o olho saudável.

– Você sabe que m e deixa de pau duro quando fala desse j eito.

Laura revirou os olhos e continuou a lim par o rosto m utilado de Max.

– Precisam os levar você para o hospital, seu idiota – disse Carter.

Laura tirou a cam iseta de Max e o estrago que tinha sido feito nele pôde ser visto por todos.

Carter cerrou os dentes com o pulo que Max deu quando Laura passou a toalha por suas costelas.

– Estou bem – respondeu Max. – Além disso, o hospital faz perguntas.

– Max – argum entou Carter. – Se nós sim plesm ente...

– Não vou – falou Max em um tom que exigia com placência. – Os m édicos vão ligar pros m eganhas. Não preciso deles se introm etendo. Não que fossem encontrar algum a coisa. Os filhos da puta levaram m inha cocaína em bora.

Carter passou a m ão pelo m axilar e deu um suspiro, frustrado.

– Quanto?

– O suficiente. – Max o fitou, curioso. – Eu pensei que você estava no bar. Paul disse algo sobre você ter sum ido.

Carter evitou os olhos de Max e pegou os cigarros no bolso de trás.

– É – m urm urou ele. – Fui dar um a volta.

Max bufou e fez um a careta ao m esm o tem po.

– Um a volta, né? E qual é o nom e dela?

Ignorando a pergunta, Carter abriu o isqueiro. Ele balançou a cabeça, observando Max se agitar quando Laura tentou colocar um a bolsa de gelo no rosto dele.

– Onde é que você estava com a cabeça, porra?

– Não se preocupe. – Max fez um gesto bêbado com a m ão. – Vou recuperar a cocaína. Juro por Deus que vou. Você vai estar lá por m im , certo?

Carter suspirou e tragou fundo.

– Claro, Max.

Ele se levantou da cadeira e pegou o celular no bolso da calça quando o sentiu vibrar: um a m ensagem . Pêssegos.

Estou em casa e estou bem .

Carter sorriu. Ele deslizou o indicador por seu lábio inferior, lem brando-se da sensação da boca de Pêssegos na dele e de com o era tê-la em seus braços. Sabia que havia partes de si próprio – partes desconhecidas, inexploradas e latentes – que sussurravam certas palavras em um a tentativa de pôr um rótulo no que ele estava sentindo por ela. Até então, ele as tinha ignorado pronta e fervorosam ente e continuava desej ando-a por seu corpo e por seu intelecto. Ele não queria um a porcaria de um rótulo. Só queria sua Pêssegos de todas as form as que ela perm itisse.

Ele deu um a olhada no am igo m achucado, lutando contra a inquietação e a ansiedade que cresciam em seu estôm ago só de pensar em ser preso por causa da estupidez de Max. Nesse ritm o, Carter voltaria a Arthur Kill antes do Natal.

A m ensagem de sua garota brilhava intensa e claram ente. Ele pensou na sensação dela sob suas m ãos, na m aneira com o o corpo dela se m ovia contra o dele, nas prom essas que eles tinham feito.

 

Não, pensou Carter. Ele não podia se perm itir ser preso de novo. Ele não perderia sua Pêssegos.

O céu de Washington era cinza e tem pestuoso; o tem po estava tão som brio quanto a expressão das duas m ulheres que atravessavam o vasto cem itério. Kat cam inhava lentam ente com o braço da m ãe enganchado no seu, rum o à lápide que tinha m udado m uito pouco em dezesseis anos. A m ãe dela pressionou seu braço quando o túm ulo ficou visível.

Kat apertou a m ão da m ãe.

– Você está bem ?

Eva assentiu com a cabeça.

– Ver isso novam ente depois de tanto tem po é sem pre a parte m ais difícil.

Elas atravessaram a trilha, aproxim ando-se do túm ulo. Kat sem pre perm itia que sua m ãe conversasse prim eiro com ele, e, enquanto Eva colocava um a rosa de um verm elho intenso no m árm ore preto, Kat se virou e se afastou para lhe dar um m om ento de privacidade.

Vagando pela trilha, Kat perm itiu que sua m ente viaj asse de volta a Nova York.

O sábado tinha sido chocante – a despedida de solteira de sua vizinha teve um a reviravolta inesperada, m as bem anim adora. Um a onda de calor se apossou de Kat quando ela se lem brou da sensação de Carter dançando, esfregando-se e tocando nela.

As palavras ditas e as m ensagens trocadas desde aquela noite na boate apenas confirm avam que Kat queria Carter da m aneira que ela estava tentando reprim ir desde o dia em que tinham se conhecido. Queria estar com ele. Ele a despia de tudo o que ela conhecia e Kat tinha que adm itir que gostava disso. Era assustador, excitante e perigoso, m as ela estava ávida por ele.

Os lim ites inicialm ente traçados entre eles eram agora m eras m anchas, fundindo-se com o chão sob os pés de Kat. Ela se sentia preparada para ultrapassá-los, ciente, no fundo de seu coração, de que Carter a estaria esperando do outro lado.

Linhas suaves de lágrim as eram visíveis nas bochechas de Eva quando Kat se reaproxim ou dela.

– Você está bem ?

Um a expressão de contentam ento rodeava os olhos da m ãe.

– Agora estou – respondeu Eva, afastando-se. – Não se apresse, Katherine.

Kat fitou as letras douradas no m árm ore, que diziam a data da m orte dele. Parecia que tinha sido ontem . Ela fechou m elhor o casaco e se agachou para ficar no m esm o nível do nom e dele.

– Oi, papai – sussurrou ela. – Sinto m uito por fazer tanto tem po desde m inha últim a visita. A vida anda um a loucura. – Ela sorriu, contornando o D do nom e dele com o indicador. – O trabalho está indo bem ; m eus alunos são ótim os. – Ela riu de leve, orgulhosa. – Eles realm ente prestam atenção em m im agora e sinto que estou fazendo a diferença. Papai, eu... – Erguendo a cabeça na direção do céu raivoso, ela fechou os olhos. – Penso no que você m e disse aquela noite o tem po todo, sobre fazer a diferença, sobre retribuir. E preciso que saiba que estou tentando ao m áxim o fazer o que m e ensinou.

– Ela inspirou fundo. – Queria lhe contar que eu... estou gostando de... alguém

 

e tenho m edo de que

você pense coisas ruins a m eu respeito. – Kat deu um a olhada para a m ãe. –

Sei que m am ãe vai pensar.

Com o um film e em sua m ente, Kat relem brou todos os com entários e olhares repressores de Eva, nos últim os m eses, toda vez que seu em prego era m encionado.

– Ela não entende por que estou fazendo isso e, às vezes... às vezes, m e sinto pressionada.

Encurralada. Com o se eu estivesse tentando fazer o que vocês dois esperam , quando sei que deveria fazer o que eu m esm a acho certo. Foi isso que você m e ensinou e... ele faz eu m e sentir bem . Já com eteu alguns erros, com o todos nós, m as... – A m ão de Kat agarrou a ponta do m árm ore. – Você precisa saber que ele é um bom hom em . Tom ou alguns cam inhos errados na vida e consegue m e deixar m aluca, m as há bondade ali. Eu sim plesm ente sei que há.

Ao ver o túm ulo de sua avó ao lado do túm ulo do pai, Kat sorriu.

– Sei que, onde quer que você estej a, está feliz e cuidando de m im . Sinto no m eu coração todos os dias – Lágrim as escorreram por seu rosto. – Eu te am o tanto, papai, e sinto m uita saudade. Por favor, entenda com o m e sinto. Pode ser que eu m e apaixone perdidam ente por ele.

Quando aquelas palavras saíram da boca de Kat – por um a fração de segundo –, o vento parou e as nuvens se abriram acim a dela, perm itindo que um raio de sol brilhasse por entre elas. O calor m om entâneo atingiu suas costas, fazendo seu corpo relaxar. E, enquanto piscava por conta da claridade, ela sabia, no fundo de sua alm a, que seu pai tinha dado sua bênção a ela e Carter.

O voo de Washington para Chicago tinha sido confortável e Kat sorriu quando Harrison as encontrou no term inal do aeroporto. Eva o abraçou forte enquanto ele sussurrava palavras gentis em m eio a seus cabelos. Kat sem pre agradecera pela com preensão infinita que Harrison dem onstrava com relação ao luto de sua m ãe pelo ex-m arido. Ele aparentava saber do que ela precisava e nunca parecia m agoado quando ela fazia suas visitas anuais ao túm ulo de Daniel. Harrison e seu pai eram bons am igos havia m uitos anos quando ele faleceu e, apesar de a m ãe de Kat ter lutado contra isso, o fato de os dois estarem j untos fazia todo sentido. Observá-los se reencontrando após três dias separados, com beij os e sorrisinhos, despertava um a pequena pontada de saudade no peito de Kat.

Ela abraçou a si m esm a, tentando fazer seu corpo pensar que aqueles braços eram de um ex-presidiário de olhos azuis.

Não funcionou.

Harrison tinha chegado a Chicago um dia antes e alugado um carro no qual os três se em pilharam .

A m ãe de Eva, a quem Kat se referia carinhosam ente com o Nana Boo, sem pre organizava um a reunião nesta época do ano em sua enorm e propriedade nos arredores de Chicago. Era, com o ela dizia, um a m aneira de celebrar a vida de um hom em que tinha trazido tanta felicidade à sua filha, bem com o um a linda neta.

Enquanto eles dirigiam pela cidade e saíam para a área rural, Kat pegou o celular. Fazia alguns dias que não tinha notícias de Carter. Ela não podia negar que estava sentindo falta dele. Um a m ensagem de Austin apareceu assim que ela religou o celular.

Espero que você se divirta em Chicago. Me m ande um a m ensagem para eu saber que você chegou bem . Desculpe não poder ter ido j unto.

Ela engoliu em seco, resignada. Beth achou que seria um a boa ideia convidar Austin para ir a Chicago para a celebração. Kat não tinha se convencido e ficou aliviada quando Austin teve que cancelar por causa do trabalho. Mandar m ensagens que a livravam de ter que sair para tom ar uns drinques ou para j antar com ele era um a coisa. Vê-lo cara a cara? Ela preferiria m uito m ais que Carter estivesse lá. Deu um a olhada para a m ãe e im aginou a confusão que a presença dele iria causar. Kat expirou pesadam ente e com eçou a digitar um a m ensagem .

Só queria m e certificar de que você não está achando as atividades difíceis dem ais.

Ela zom bou daquilo em silêncio, sabendo que, sem dúvida algum a, Carter conseguiria term inar o trabalho m esm o que estivesse am arrado em um a cadeira e de olhos vendados. As bochechas de Kat ficaram im ediatam ente quentes quando aquela im agem passou por sua m ente; só que, em sua fantasia, ele estava nu. O celular vibrou em sua coxa. O coração de Kat respondeu batendo bizarram ente, em staccato.

Estou bem . O trabalho está indo bem . Só é chato fazer sozinho. Com saudades de m im , é?

Kat sorriu e balançou a cabeça com a arrogância dele. O fato de ele estar certo era irrelevante.

Oh, sim , Carter, com saudades im ensas de você (sarcasm o). Acabei de chegar a Chicago.

Achei que você estivesse em Washington! Você está com saudades de m im . Eu sei.

Kat bufou, fazendo com que sua m ãe lhe lançasse um olhar curioso.

– Com quem você está falando? – perguntou ela. – É o Austin?

O sorriso de Kat desapareceu.

– Hum , não. É só um am igo.

Eva assentiu com a cabeça, ainda em dúvida.

– Bom , espero que não sej am aquelas... pessoas daquele presídio, ou aquela criatura com quem você passa um tem po na biblioteca. Ainda não consigo acreditar que eles perm itiram que você ficasse sozinha com alguém tão perigo...

– Mãe.

A m ãe de Kat suspirou.

– Eles deviam deixar você em paz esta sem ana.

Ficam os em Washington por três dias. Viem os visitar m inha avó em Chicago. Você pode negar, m as sei que está m orrendo de saudades de m im .

Estou com saudades de você. Pronto. Feliz?

O ritm o feroz com que o coração de Kat batia confirm ava que ela estava feliz. Ela deu um sorriso largo, m ordendo o lábio inferior.

Está tudo bem , Carter. Tam bém sinto sua falta.

Ainda consigo sentir seu sabor na m inha língua.

Um gem ido escapou da garganta de Kat. A palpitação leve e zom beteira no peito dela se transform ou em batidas furiosas. O hom em era im placável. Kat deixou que sua m ente viaj asse por lugares som brios e pervertidos onde ela e Carter poderiam fazer coisas sobre as quais ela havia apenas lido.

Kat não era nenhum poço de pureza. Tinha tido quatro parceiros com quem havia curtido um sexo decente. Mesm o assim , sem pre que pensava em sexo ou variações do ato com Carter, ela só conseguia pensar que ele botaria no chinelo todas as suas experiências passadas. Era tão dom inador e intenso que Kat não tinha dúvidas de que ele seria exatam ente assim na cam a.

Ela queria que ele a dom inasse, a possuísse, a fodesse...

Ela colocou a m ão na boca, surpresa com os próprios pensam entos desavergonhadam ente indecentes.

Carter a queria; ele tinha dito isso. Mas será que tudo se resum iria a um a transa quente e apaixonada? Kat estava desesperada para descobrir.

O senso com um sugeria que hom ens com o Carter não eram para nam orar; e m uito provavelm ente correriam na direção contrária ao ouvir falar em “m onogam ia”.

Kat piscou para o próprio reflexo na j anela do Lexus.

Ela realm ente estava pensando em um relacionam ento com Carter?

Tipo, um relacionam ento duradouro?

Sim . Sim , estava.

Posso ligar para você am anhã, Carter?

Quando você quiser.

– Chegam os, Katherine.

A voz de Eva invadiu a fantasia de Kat para avisar que eles estavam estacionados na entrada de pedras da propriedade de Nana Boo.

A casa era tão linda e im ponente quanto Kat se lem brava. Um sorriso largo surgiu em seu rosto quando a enorm e porta de carvalho se abriu e Nana Boo apareceu com seu cachorro preto e branco, Reggie, em purrando-a para passar à frente. Pulando do carro, Kat bateu as m ãos nas coxas e assobiou. Reggie disparou na direção dela, latindo alegrem ente e balançando o rabo com o um chicote. Ele pulou, a língua para fora da boca.

– Reggie! – repreendeu Nana Boo. – Desça!

O cachorro obedeceu de im ediato, dando um a olhada encabulada para sua dona. Kat riu e correu até a avó, que a envolveu em seus braços, apertando com força. Aquela m ulher tinha cheiro de hortelã e lavanda.

– Ah, m inha m enina querida – disse Nana com ternura.

Kat apertou ainda m ais a avó ao ouvir suas palavras.

Mãos pequenas e enrugadas seguraram o rosto de Kat. Os olhos verdes brilhantes de sua avó em itiam nada além de am or e calor e Kat ficou instantaneam ente m ais calm a, m ais segura. Nana Boo sem pre teve um j eitinho de fazê-la se sentir m elhor. Era um dom de avó.

Eva abraçou a m ãe com força antes de todos entrarem na casa.

Nana Boo tinha preparado com idas e bebidas para serem servidas na noite seguinte aos cerca de 30 convidados. Ben estaria lá, assim com o sua esposa, Abby, e os pais dele, colegas do pai dela e vários m em bros de inúm eras instituições de caridade com as quais o pai de Kat tinha contribuído ou apoiado, e tam bém Beth e Adam .

Kat continuou suspeitando de que ainda havia algo acontecendo com sua m elhor am iga, e, apesar de Beth dizer o contrário, parte de Kat se preocupava de ter feito algo m uito errado que a chateara.

Ela colocou as m alas na cam a de seu quarto de infância e tentou ignorar um certo m au presságio que se instalava em seu estôm ago.

19

Na tarde seguinte, a casa estava cheia. Garçons serviam aperitivos e cham panhe enquanto Kat observava sua m ãe saçaricando entre as pessoas, com um sorriso firm e e um com portam ento tranquilo. Tendo crescido em um a fam ília de políticos e se casado com um dos m ais j ovens senadores do país, Eva conseguia fazer sala até para os m elhores deles.

Ben, Abby, Beth e Adam foram recebidos com um furacão de beij os e abraços dela e de Nana Boo. Enquanto Kat os via trocar gracej os, ficou im pressionada com quanto Beth estava parecida com sua m ãe. Tinha percebido isso durante seu j antar de aniversário, m as agora, vendo as duas m ulheres se abraçarem e conversarem aos sussurros, parecia que, em algum m om ento do cam inho, elas tinham se tornado am igas.

– Com o você está? – perguntou Kat, dando um beij o no rosto de Beth.

– Bem – respondeu ela, enquanto olhava para o noivo, que parecia m uito desconfortável. – E

você? Algum a novidade?

– Nada interessante.

Kat deslizou o pé pelo chão, seu rosto ficando quente com a avaliação m inuciosa que sua am iga estava fazendo dela.

– Algo que você queria com partilhar? – quis saber Beth, inclinando a cabeça para o lado.

– Neste m om ento, não – respondeu Kat com firm eza, m as dando um pequeno sorriso, tentando ao m áxim o fazer sua resposta não parecer defensiva.

Ela não sabia se tinha funcionado. Kat queria tanto contar para Beth, para todos eles. Mas algo – que a fazia sentir calafrios – a im pediu.

Nana Boo era a única pessoa a quem ela confiara plenam ente seus reais sentim entos por Carter.

O papo confidencial e tranquilo que tivera com a avó na noite anterior, depois que Eva e Harrison foram dorm ir, havia sido com pletam ente diferente das conversas com sua m ãe e com Beth. Tinha sido fácil, franco e repleto de risadas. Nana atualizou Kat sobre as últim as fofocas do clube de bridge, inclusive um senhor bonitão, Roger, que era seu novo parceiro de golfe.

– Ele é curto e grosso – revelou Nana, rindo. – Do j eito que eu gosto.

Encolhida no sofá com um chá de cam om ila, Kat se deixou viaj ar no tom de voz suave e nas palavras gentis da avó. Ela adorava com o Nana Boo sabia o que dizer para fazê-la sorrir, e o entusiasm o que a velha senhora em itia tinha com eçado a afastar a ansiedade som bria que habitava em Kat desde que a viagem com eçara. Kat se ouviu rindo e seu sorriso era totalm ente genuíno enquanto Nana detalhava sua im plicância para com a nova participante de sua turm a de salsa. “Um a biscate, m inha querida” tinha sido sua descrição sem papas na língua da recém -enviuvada Sra. Harper.

– Então – disse Nana Boo. – O que há de novo com você? Senti saudades.

Kat suspirou e puxou um fio solto de sua calça de m oletom .

– Tam bém senti, Nana – confessou Kat. – Estou... Estou bem . Ocupada.

Nana deu um leve suspiro.

– Kat, sei quando m inha única neta não está sendo ela m esm a.

Kat riu sem nenhum a alegria e enrolou o braço livre em torno de si m esm a.

– É com plicado.

– Que aspectos da vida não são? – questionou Nana com gentileza. – Querida, eu te am o m uito e quero aj udar, se puder.

– Obrigada.

– Sei das preocupações de sua m ãe, Kat. É a função dela.

– Eu sei – concordou Kat com um suspiro exasperado. – Mas ela se preocupa dem ais. Sou adulta, Nana. Posso tom ar m inhas próprias decisões. Posso cuidar de m im m esm a.

– Não tenho dúvidas, m inha querida. Você sem pre foi tão forte. Tão parecida com seu pai.

– E teim osa com o m inha m ãe? – perguntou Kat de m aneira sarcástica.

Nana Boo riu.

– Com certeza. – Ela ficou em silêncio por um instante. – Sei que seu trabalho preocupa m uito sua m ãe, m as tenho m uito orgulho de você. Espero que saiba que pode conversar com igo sobre qualquer coisa. Tenha absoluta confiança em m im , m eu anj o.

Kat fechou os olhos e repousou a cabeça no sofá, ciente da sinceridade das palavras dela.

– Eu... Eu estou... – Kat bateu a m ão na testa em um a tentativa de am enizar a palpitação persistente atrás de seus olhos. – Deus, não sei nem por onde com eçar.

– Com ece do com eço – encoraj ou Nana Boo.

E foi o que Kat fez. Nana ficou anim ada ao ouvir sobre Arthur Kill e as aulas particulares com Carter. E se surpreendeu, para dizer o m ínim o, quando ficou sabendo sobre o hom em que estava lentam ente roubando o coração de Kat. Mas, sendo um a rom ântica incorrigível, Nana Boo prom eteu que estaria do lado de Kat em todos os passos do cam inho – chegando até a convidar os dois para ir a Chicago no Dia de Ação de Graças.

– Quero conhecer o hom em que trouxe esse sorriso de volta ao seu rosto – disse Nana Boo, em ocionada.

Kat não sabia ao certo se ela e Carter j á estavam no estágio de conhecer a fam ília um do outro, m as prom eteu pensar no assunto. Ela não conseguia expressar quanto o apoio e a confiança de sua Nana significavam para ela. Palavras sim plesm ente não pareciam suficientes.

– Só m e prom eta que vai tentar conversar com sua m ãe, Kat – pediu ela. – Você não precisa contar tudo, apenas tente.

– Prom eto.

Mas, ao tocar no assunto de seu trabalho aquela m anhã, Kat foi recebida com bufadas e dedos tam borilantes. Eva a interrom pia constantem ente com com entários críticos e venenosos. Seu tom de voz era no m ínim o condescendente e desdenhoso, e a paciência de Kat com eçou a se esgotar. Algo estava prestes a explodir. Kat estava farta daquele papinho “ah, é tão perigoso”. Ela só queria, um a vez na vida, ser tratada com o adulta. Queria com preensão, não j ulgam ento.

À m edida que a festa se desenrolava, a conversa tranquila e educada com eçou a ficar séria entre Beth, Adam e Eva, enquanto Kat perm anecia no canto da sala, sorrindo gentilm ente para aqueles que se aproxim avam dela e diziam palavras tão respeitosas acerca de seu pai. A distância inexplicável entre ela e Beth, j untam ente com os olhares exasperados de sua m ãe, fazia seu coração doer.

– ... fora do presídio com aquele m arginal, Carter.

Eva cuspiu o nom e de Carter com o se fosse um palavrão, chegando aos ouvidos de Kat e fazendo-a se afastar de seu posto seguro perto da parede e se m eter na conversa.

– Mãe, ele não é... – Kat com eçou um a explicação, m as parou quando três pares de olhos desaprovadores pairaram sobre ela.

O peso em seu estôm ago aum entou e ela ficou tentando entender por que, m esm o estando rodeada da fam ília e dos am igos, se sentia tão sozinha. A voz de Carter era tudo o que ela queria ouvir.

Precisava conversar com ele e se reconfortar em sua sinceridade extrem a, precisava da garantia de que os riscos que estava disposta a correr com ele valeriam a pena.

– Deixe para lá – m urm urou ela antes de pedir licença e correr escada acim a até o banheiro, com Reggie seguindo logo atrás.

Deixando o cachorro no corredor, Kat fechou a porta e apoiou a testa nela.

Deus!, estava se sentindo sufocada. Ela queria o pai. Queria ver o rosto dele, ouvir sua voz calm a e paciente e sentir seu cheiro quente e intenso de cerej as. Ele saberia o que dizer para consertar tudo.

Ele sem pre sabia. Ou então ele a apertaria contra o peito com tanta força que ela esqueceria por que estava tão chateada. As lágrim as am eaçaram cair, m as aquela não era a hora.

Pegou o celular e digitou um a m ensagem rápida para Carter. Os polegares de Kat voavam na tela.

Está ocupado? Quer conversar?

A batida na porta do banheiro coincidiu com o m om ento em que Kat pressionou o botão de “enviar”. Abrindo a porta lentam ente, não se surpreendeu ao ver Beth parada do outro lado.

– Oi.

– Oi – respondeu Beth. – Você está bem ?

Chega de balela. Cartas na m esa.

– Não.

Os olhos de Beth fitaram o chão.

– Não achei m esm o que estivesse.

Kat ergueu os om bros inquisitivam ente.

– O que está acontecendo, Beth? – perguntou ela. – Sinto que estou por fora de algum a coisa.

Você m e apoiou tanto quando com ecei na Arthur Kill. Ficou lá sentada com igo enquanto eu abria m eu coração com relação ao Carter e agora... Sei lá.

– É... difícil de explicar.

– O que é difícil? Achei que você estivesse do m eu lado. Isso tudo é por causa do Austin?

A cabeça de Beth se ergueu de supetão.

Kat fechou os olhos de arrependim ento.

– Lam ento se dei a entender qualquer coisa a ele, m as só nos beij am os aquela única vez e fui clara quanto a levarm os as coisas devagar; isso se levássem os. Estou tão confusa com relação a tudo.

Eu não...

O rosto de Beth foi tom ado por um a expressão incrédula.

– Você... está dorm indo com Carter?

O tem peram ento de Kat esquentou.

– Não que isso sej a da sua conta, m as não, não estou.

– Isso está saindo de controle, Kat. Você nem sequer o conhece – continuou Beth, tornando-se incisiva. – Ele contou a você sobre todas as vezes que foi preso, contou os m otivos?

– Com o é que...

– Sua m ãe tem razão. Você está se colocando em risco, seu trabalho, sua...

– Você não o conhece. Ele é diferente.

– Ah, Katherine, por favor. – Beth cruzou os braços. – Esse é o tesão falando, nada m ais.

– Não fale com igo com o se eu fosse criança, Beth – censurou Kat, aproxim ando-se dela. – Já basta a m inha m ãe. Não preciso ouvir isso da m inha am iga.

– Estou falando com você com o um a criança porque você está agindo com o tal, e porque a am o e quero o m elhor para você. E tam bém porque fiquei de boca fechada por tem po dem ais. Ele. É. Seu.

Aluno. E um crim inoso, Kat. Você está colocando a sua carreira em risco por um a paixonite estúpida que não vai dar em nada.

– E o que é que você sabe sobre essa história toda?

A voz de Kat soou bem m ais alta do que ela pretendia.

– Sei um bocado m ais que você – revelou Beth.

– Então por que não m e esclarece, hein?

– Está tudo bem aqui?

A voz preocupada de Adam veio do topo das escadas.

– Não – respondeu Kat.

Adam olhou nervoso para a noiva, que olhou de volta para ele balançando a cabeça de leve.

As m ãos de Kat pararam firm em ente nos quadris enquanto olhava de Beth para Adam .

– Parece que estou um pouco por fora aqui. Alguém vai m e contar o que está acontecendo?

Adam pegou a m ão de Beth. Seus olhos eram determ inados, porém cautelosos, quando ele respirou fundo e disse:

– Ele é m eu prim o.

Kat viu os olhos de Beth fitarem o chão.

– Quem é seu prim o? – perguntou ela, im paciente.

Quando Adam abriu a boca para responder, o celular de Kat com eçou a cantar em sua m ão. Ela fez um a careta e olhou para a tela.

Carter.

Adam se esticou para tocar na tela do celular com o dedo.

– Ele é m eu prim o.

Kat lentam ente apertou o botão de “recusar” enquanto as palavras de Adam zum biam em sua cabeça, seu cérebro tentando conferir sentido a elas, colocá-las em um a ordem que Kat conseguisse entender.

Carter era prim o de Adam .

Eles eram parentes.

Mas isso significava...

– Meu Deus.

Kat perdeu o equilíbrio e se agarrou à porta.

Austin.

Beth tentou segurá-la, m as Kat em purrou o braço dela para longe. Beth pareceu im ediatam ente arrependida.

– Eu queria lhe contar, m as...

– Você sabia – sussurrou Kat. A cabeça dela m artelava com um a em oção tão pesada que quase a fazia cair de j oelhos. – Quando lhe contei sobre o beij o com Carter, você sabia.

Adam quase engasgou.

– Você o beij ou?

– Sim – respondeu Beth com firm eza. Ela colocou a m ão no peito de Adam , m as m anteve os olhos em Kat. – Eu realm ente sabia. Adam m e contou. Mas, Kat, não era m eu papel.

– Mentira!

Kat bateu a m ão na porta do banheiro. Tudo com eçava a se encaixar: a distância entre ela e Beth, os olhares pesados entre Adam e Austin quando ela contou onde trabalhava e sobre a condicional de Carter. A falta de sinceridade deles berrava dentro dela.

– Você podia ter m e contado em qualquer m om ento; qualquer um de vocês podia – disse Kat, enfurecida. – E Austin! Mas todos vocês escolheram não contar porque, com o todas as outras pessoas na m inha vida, vocês m e tratam com o um a criança que não sabe nada da vida.

– Eu achei que você fosse superar isso – protestou Beth. – Pensei que fosse passar para outra antes de se envolver dem ais. Todos nós pensam os que se você desse um a chance a Austin...

– Espere. “Nós”?

– Adam m e contou que Carter j á teve alguns problem as sérios. Ele não é flor que se cheire e é seu aluno, Kat. Você entende as consequências disso? Você beij ou seu aluno!

– É. Beij ei. Duas vezes – explodiu Kat. – E gostei m uito!

– Katherine!

Os três se viraram e viram Eva parada com um a expressão de noj o direcionada à filha.

– Você... Você beij ou aquele... aquele hom em ? – perguntou ela, seu tom de voz perigosam ente baixo.

Sem ar e tentando entorpecer a vergonha do que estava prestes a fazer, Kat em purrou Beth e Adam do cam inho e seguiu em direção ao seu quarto. A repressão estava atingindo proporções épicas e as m arteladas em seu cérebro a estavam deixando quase histérica. Nós? Todos eles sabiam , todos tentaram m antê-la longe de Carter. A nova am izade form ada entre sua m ãe e Beth, a persistência de Austin. Tudo fazia sentido agora. Kat se sentiu enj oada.

– Preciso sair daqui – m urm urou ela, entrando com o um furacão dentro do quarto e pegando sua m ala, enfiando nela os artigos de higiene e as roupas do dia anterior. Colocando-a no om bro, ela se virou e quase derrubou sua m ãe, que estava parada na porta.

– Aonde você vai?

Eva olhou para a m ala e para a m ão de Kat, que a segurava com m uita força.

– Desculpe, m as preciso... Preciso sair daqui, m ãe – respondeu Kat, evitando o olhar que ela sabia que a faria se sentir pequena e m iserável ao m esm o tem po. – Desculpe.

– D-desculpar? – gaguej ou Eva. – Você não vai a lugar algum . Você vai ficar aí e m e explicar que diabos está acontecendo!

Mas Kat sabia que não podia, não iria explicar. Estava rodeada de pessoas que se recusavam a entender – pessoas que m entiram para ela e a tratavam com o um a estúpida. Havia m uito para processar, m uitas perguntas sem respostas. Ela precisava ficar sozinha.

– Não posso, m ãe. Tenho que ir... Só por esta noite.

Aquilo era m entira. Kat soube assim que as palavras saíram de sua boca. Seu plano era entrar no carro e não parar até que a gasolina acabasse.

– Não vou perm itir, Katherine. Você vai largar essa m ala, se recom por e pedir desculpas a Beth.

Com o ousa se com portar dessa m aneira?

Kat latiu um a risada sarcástica.

– Pedir desculpas? Eu? Não tenho nada por que m e desculpar!

– Chega! Pelo que ouvi hoj e à noite – disse Eva em um tom grave –, há m uitas coisas pelas quais você precisa se desculpar. – Os olhos dela se arregalaram , descrentes. – Meu Deus, Katherine, o que você estava pensando? Ele é perigoso.

Kat colocou as m ãos na cabeça.

– Meu Deus!

– Ele é exatam ente com o aquelas criaturas que m ataram seu pai: cruéis, sem coração. É com alguém assim que você quer ficar? Você entende quanto está m e m achucando? Quanto você estaria m achucando seu pai se ele estivesse aqui?

Kat ficou sem ar. Ela ficou olhando desesperançosa para a m ãe. Seus olhos com eçaram a arder de lágrim as furiosas.

– Lam ento ter decepcionado você. – Ela deu a volta na m ãe, segurando os soluços. – Preciso sair daqui.

Eva segurou seu braço.

– Você não vai em bora. Você está aqui por seu pai!

Aquilo foi a gota d’água.

– Sei por que estou aqui, m ãe – gritou Kat. – Eu estava lá na noite em que aquelas criaturas o m ataram , lem bra?

O choque do tapa no lado esquerdo do rosto de Kat ardeu m uito m ais do que o

tapa em si. Sua

 

m ãe nunca tinha batido nela antes, m as, lá no fundo, por baixo de toda a raiva confusa que estava consum indo sua alm a, Kat sabia que tinha m erecido. Ela percebeu um ofego da m ãe, m as não ficou para ouvir o que ela precisava dizer. Kat libertou o braço dos dedos de Eva, saiu do quarto com o um furacão, passou por Adam e Beth e desceu as escadas correndo.

Ben estava lá em baixo, com pletam ente perplexo.

– O que está acontecendo?

Ele a seguiu até a saleta dos casacos.

– Me em presta o seu carro? – gaguej ou Kat, pegando seu casaco.

Ela podia ouvir as vozes de sua m ãe e de Beth ficando m ais altas enquanto elas desciam as escadas.

Ben balançou a cabeça.

– É alugado. Não posso. – Ele fez um carinho no braço dela. – Fique e vam os resolver isso.

Um a m ão pequena e pálida apareceu em seu braço, segurando um chaveiro com as chaves de um carro.

– Pegue o m eu, querida – disse Nana Boo. Kat se virou para ela, surpresa. – Vai ser um a desculpa para você voltar.

– Nana – choram ingou Kat, pegando as chaves. – Lam ento m uito, m uito m esm o. Não posso expli... Oh, Deus. Eu só... Eu preciso...

– Eu sei – interrom peu a avó com um pequeno sorriso de com preensão e colocou a m ão no rosto de Kat. Ela acariciou sua bochecha com o polegar. – Vá. Eu cuido de sua m ãe.

Kat sussurrou um “obrigada” e, com a m ala na m ão, correu para fora, em direção ao Jaguar XJ, destrancando-o ao se aproxim ar.

Ela j ogou a m ala dentro, colocou a chave na ignição e pisou fundo enquanto acelerava pelo cam inho de entrada, distanciando-se dos am igos e da fam ília. Kat tentou ao m áxim o ignorar o alívio intenso que a consum iu à m edida que os quilôm etros passavam e torceu para que a culpa tom asse seu lugar.

Nunca tom ou.

Carter tinha tido um a sem ana horrível. E, com o ele era um babaca, tinha tornado a sem ana de todo m undo um a porcaria tam bém .

Ele sabia que andava de pavio curto com os caras do trabalho e suas sessões de aconselham ento e visitas dom iciliares haviam sido repletas de grunhidos nada cooperativos e sacudidas de om bros sim plesm ente porque não podiam exigir que ele lidasse com tudo aquilo. A única coisa boa daquela sem ana tinha sido a aula de Carter com Ross. Ele enchera de porrada todos os equipam entos em que conseguiu encostar e, apesar de aquilo ter feito ele se sentir m elhor, ainda estava nervoso pra caralho.

Aquilo estava com eçando a deixá-lo louco. Por isso tinha decidido ficar em casa em um sábado à noite enquanto Max e os m eninos iam para a balada. Ele realm ente não estava no clim a para os problem as de Max. O rosto do idiota ainda estava um caos com pleto, m as ele estava determ inado a sair, encher a cara e foder qualquer coisa que respirasse em vez de lidar com a própria dor. De novo.

Carter acendeu outro cigarro e com eçou a dedilhar os acordes iniciais de “Fans”, do Kings of Leon, em um a tentativa de relaxar. Ele deu m ais um a olhada para o celular.

Não. Nenhum a notícia ainda.

A razão pela qual ele estava um a pilha de nervos era sim ples. Pêssegos. Aquela m ulher ia causar um ataque cardíaco nele bem antes de qualquer m aço de Marlboro ou bebida alcoólica. Lidar com o fato de ela estar longe por um a sem ana era um a coisa. Ela ignorá-lo, depois de terem trocado m ensagens três dias antes, era outra.

Por nada no m undo ele conseguia entender aquilo.

A últim a notícia que tivera dela era um a m ensagem perguntando se ele podia conversar. Ele tinha gostado do fato de ela ter m andado m ensagem para ele e gostava ainda m ais de ela querer conversar.

Para falar a verdade, ele nunca tinha tido um relacionam ento com um a m ulher que englobasse conversas ao telefone. Mas estava m ais que entusiasm ado para conversar com Pêssegos.

Ele em purrou o celular silencioso pelo couro. Não ia ligar para ela de novo. As outras quatro vezes que ele tinha tentado ligar caíram na caixa postal e suas sete m ensagens não tinham sido respondidas.

Ele passou a m ão pelo esterno para aliviar a queim ação que o estava afligindo há dias e continuou dedilhando e cantarolando.

A batida na porta do apartam ento foi tão inesperada quanto inconveniente. Se Max achava que podia aparecer e arrastar a carcaça m iserável de Carter para a balada, ele teria um a bela surpresa.

– Vai se foder – m urm urou ele, soltando as cinzas do cigarro no cinzeiro cheio.

Mas as batidas retornaram e, dessa vez, não cessaram . Jogando o violão no sofá, Carter atravessou o apartam ento descalço com o um furacão até a porta. Girando a m açaneta, ainda m urm urando palavrões, ele abriu a porta com tudo, pronto para socar qualquer desgraçado que estivesse perturbando sua desoladora festa de um a pessoa só.

Segurando a porta antes que ela batesse na parede, a expressão feroz em seu rosto afundou com o um a pedra na água.

– P-Pêssegos?

Ela estava parada ali, parecendo levem ente bêbada, de j eans preto j usto e um m oletom verm elho.

Bizarram ente, ela estava usando chinelos. Seu cabelo estava preso em um rabo bagunçado e os olhos estavam verm elhos e borrados de rím el, com o se ela tivesse passado dias chorando, ou – pela m aneira com o ela estava balançando – bebendo.

– O que você está fazendo aqui?

Ela se apoiou no caixilho da porta e esboçou um sorriso, m as foi forçado e desapareceu rapidam ente. Os olhos dela estavam vazios, sem seu brilho usual.

– Vim ver você – respondeu ela com um a cutucada brincalhona no nariz de Carter. Ele franziu a testa. – Posso entrar?

– Hum , sim , sim , claro – respondeu ele.

Ele a observou entrar com o um anim al tím ido e fechou a porta. Mantendo a m ão na m açaneta, ele fechou os olhos por um instante, tentando se recom por. Ele respirou fundo, se virou e a encontrou olhando diretam ente para ele de um a m aneira que fazia seu coração disparar.

– Pêssegos – com eçou ele –, com o você sabia onde...

As palavras de Carter foram engolidas pela boca de Pêssegos quando ela a pressionou contra os lábios dele. Ela o atacou com tanta força que as costas dele bateram com tudo na porta atrás. As m ãos dela estavam repentinam ente por toda parte: seu cabelo, seu rosto, seu peito – ah –, sua bunda.

Ela era deliciosa. Tão deliciosa, pressionada contra ele, ávida por ele, querendo-o. Ele ficou im aginado se ela estaria m olhada e gem eu quando a língua dela veio ao encontro da sua. Ela grunhiu alto em resposta e pressionou os quadris contra os dele, im plorando por ele. Ele queria possuí-la: com força, ali m esm o, esprem idos contra a porta, m as tudo aquilo parecia sim plesm ente... errado?

Ela o beij ava com um desespero que não era sexy. Era carente e cheio de pânico.

As m ãos dele, apertadas na cintura dela, subiram até seu rosto, e ele a afastou. Ela ofegou no rosto dele, com os olhos fechados e os lábios ainda fazendo um biquinho delicioso.

– Pêssegos – ofegou ele antes de engolir em seco. – Droga. Só... espere um segundo.

– Não – respondeu ela, seus olhos queim ando nos dele. – Eu quero você. Quero você agora. – Ela lam beu o pescoço dele. – Dentro de m im , m e fodendo, m e possuindo.

– Caraaaalho – gem eu Carter, girando os quadris contra ela, pressionando sua ereção na barriga m acia de Pêssegos.

– Isso! – Ela prendeu o lábio inferior dele entre os dentes. – Sei que você está com tesão, Carter.

Diga que você m e quer. Diga que você m e quer e que você quer isso tanto quanto eu.

– Querer? – rosnou ele, incrédulo.

Ele se abaixou, agarrando a parte posterior das coxas dela, e a ergueu do chão para que as pernas dela se enrolassem em sua cintura, o calor dela pressionado perfeitam ente contra o um bigo dele, os chinelos dela caindo no chão.

– Pêssegos, eu não quero isso.

Ele pressionou o rosto contra o pescoço dela, inspirando o arom a de seu cabelo de pêssegos, e m ordeu sua pele, fazendo-a ofegar. Ele chupou o lóbulo de sua orelha.

– Meu Deus.

Ele ergueu o rosto e posicionou o nariz ao lado do dela.

– Eu preciso disso, porra.

Seus lábios se encontraram de novo, apaixonados e prim itivos. Carter nunca tinha vivenciado nada parecido. Era arrebatador, inebriante. Aquilo tom ou o corpo dele, pronto para entrar em erupção com o um vulcão: pronto para entrar em erupção dentro dela.

As m ãos dela agarraram sua nuca enquanto Carter atravessava a sala de estar, tropeçando no sofá. Ele se apoiou no sofá por um segundo enquanto suas m ãos subiam e passavam por debaixo do m oletom dela, sua pele m acia nas m ãos dele.

Voltando a se m over com um grunhido, enquanto Pêssegos levava sua boca até o m axilar dele e com eçava a m ordiscar do j eito m ais sexy e sensual possível, Carter foi para o quarto, querendo por tudo o que era m ais sagrado que a cam a fosse encontrá-los na m etade do cam inho.

Carter estava m ais excitado do que j á tinha estado em toda a vida quando seus j oelhos bateram na lateral da cam a. Pêssegos afastou os lábios dos dele e puxou seus om bros com força, derrubando-o e fazendo-o cair na cam a, em cim a dela. A sensação das pernas dela enroladas na cintura de Carter enquanto ele a prendia na cam a era incrível. Ele inclinou o pescoço dela para trás e com eçou a beij ar, lam ber e m order do pescoço até a clavícula e até o pescoço de volta. Ele ficou repentinam ente frenético com a necessidade de consum i-la: cada parte dela.

Não havia palavras para descrever o gosto de Kat. Nenhum a fantasia tinha sequer se aproxim ado.

“Perfeição” parecia insanam ente adequado.

Ele grunhiu, pressionando os quadris contra o corpo dela de novo, fam into por qualquer atrito e observando-a, surpreso, enquanto ela curvava as costas de prazer. Ele tinha que penetrá-la, precisava possuí-la, tinha que senti-la em torno dele.

Carter ergueu o tronco e analisou o rosto dela em busca de qualquer sinal de hesitação. Se ele encontrasse algum , ficaria devastado, m as precisava saber que Kat tinha certeza. Podia sentir o cheiro doce de Am aretto em sua respiração, o que significava que ela não estava tão sóbria quanto ele gostaria, m as a m aneira com o respondia ao seu toque sugeria que estava tão pronta quanto ele.

Seus olhos se conectaram e um lam pej o de algo de cortar o coração atravessou o verde das íris dela. Ele se afastou, preocupado.

– Pêssegos – m urm urou ele, m as os dedos dela pressionaram seus lábios com força.

– Não – sussurrou ela. – Não pense. Por favor. Preciso que você não pense e só fique com igo.

Ela puxou o rosto dele de volta para o dela e sufocou-o com beij os dem orados que deixaram Carter em cham as.

Ele tentou ouvir seu instinto, tentou ouvir a parte sensível de seu cérebro, m as a boca e as m ãos dela o distraíam dem ais.

Engolindo sua consciência em um único e longo gole, ele pegou no zíper do m oletom dela e o abriu em um m ovim ento fluido.

Deus.

Sem sutiã.

Ele lam beu os lábios e só ficou olhando. Ela era m aravilhosa; seus m am ilos enrij ecidos ansiavam pelos lábios e pela boca de Carter.

– Você é... Deus, você é perfeita.

Antes que ela pudesse responder, a boca de Carter envolveu o seio direito, onde ele esvaziou as bochechas e chupou o m ais forte que conseguiu. Frutas doces. Os seios dela eram tão perfeitam ente pesados e volum osos em suas m ãos. Com um gem ido gutural, as pernas de Pêssegos se apertaram ainda m ais em torno dele e suas unhas arranharam o tecido de sua cam iseta. Ela ofegou e choram ingou nos cabelos raspados dele.

– Preciso sentir você – grunhiu ela, puxando a bainha da cam iseta dele. – Por favor, m e deixe sentir você contra m im .

Sem hesitar um segundo, Carter soltou o m am ilo dela, agarrou a gola da cam iseta e a arrancou.

Ele a esm agou de volta no colchão, grunhindo com a sensação da pele desnuda dela contra a dele.

Enquanto ele continuava idolatrando-a, ela liberou os braços do m oletom e, então, ele agarrou suas m ãos e as puxou para cim a da cabeça, prendendo-as no colchão.

Suas línguas se encontraram de novo em pleno ar, contorcendo-se e dançando em m eio a gem idos suaves e confissões silenciosas de sensações grandiosas e assustadoras dem ais para serem ditas em voz alta. Pêssegos entrelaçou os dedos nos de Carter e ergueu a cabeça da cam a, buscando urgentem ente o que Carter estava m ais que disposto a lhe dar. Ele queria dar a ela tudo, qualquer coisa.

Porra, ele j á tinha dado. Ele sabia, em seu coração, que era dela.

– Diga – disse ofegante contra o rosto dele quando ele com eçou a lam ber seu m axilar. – Diga que você m e quer. Eu preciso... Eu preciso ouvir. Preciso ouvir.

Carter rosnou no peito dela.

– Eu quero você. – Os dentes dele rasparam no esterno dela. – Sem pre quis.

Minha vida toda.

– De novo – grunhiu ela, sua voz trêm ula. – Me diga que isto é certo. Me diga que nós estam os certos.

Carter, perplexo com as palavras dela, olhou para cim a.

O que ele viu sugou cada gram a de ar que havia dentro dele. Os olhos dela estavam fechados, apertados, seu rosto era quase um a careta de dor e um pequeno brilho podia ser visto no canto interno de seu olho direito.

Continuar: parte 9 de 17