Diagnóstico por Imagem da Mama, 3ª edição

Daniel B. Kopans · Capítulo 4 de 35

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Diagnóstico por Imagem da Mama, 3ª edição

Prefácio da Primeira Edição

 

 

O desenvolvimento do Câncer de mama e seu prognóstico final é uma interação complexa e mal compreendida de fatores do hospedeiro e ambiente. Ainda não se sabe como evitar o Câncer de mama, e, após a disseminação, sua cura permanece esquiva. Foram reunidos dados mostrando que a morte por Câncer de mama pode ser adiada ou evitada por detecção e tratamento precoces. Não apenas é possível reduzir a mortalidade, mas a detecção precoce aumenta as opções terapêuticas e, muitas vezes, evita o trauma físico e psicológico da mastectomia.

A triagem não é a solução final, mas um avanço intermediário até que sejam descobertos métodos de prevenção ou cura. O otimismo gerado pelos estudos de triagem deve ser compensado pela constatação de que, infelizmente, nem todas as mulheres serão salvas pela detectação precoce. Todavia, pode-se obter uma redução de pelo menos 30% das mortes do Câncer de mama com a triagem. Esse reconhecimento levou a grande aumento do interesse na avaliação da mama e, em particular, na mamografia. Este livro foi escrito não como discussão ampla e profunda dos aspectos teóricos do diagnóstico por imagem da mama, mas para servir como orientação prática. Tentei oferecer uma visão geral concisa das principais questões em radiologia da mama. Espero que este livro seja útil como guia de referência na interpretação diária das imagens da mama. Apenas as modalidades com utilidade comprovada são discutidas em detalhes. Técnicas experimentais como transiluminação, Ressonância magnética e mamografia digital são resumidas, mas atualmente não devem ser consideradas relevantes do ponto de vista clínico.

A mamografia radiográfica é, sem dúvida, o exame mais importante na detecção precoce. A ultra-sonografia tem aplicação limitada, mas útil na análise de lesões específicas, enquanto a tomografia computadorizada da mama pode facilitar o posicionamento de guias para orientar o cirurgião até lesões clinicamente ocultas. Essas técnicas e suas aplicações são apresentadas em detalhes.

Diagnóstico por Imagem da Mama foi propositadamente organizado para abordar os mesmos tópicos de vários pontos de vista diferentes. A Introdução resume as principais questões envolvidas nos exames de imagem da mama e sua aplicação na triagem do Câncer de mama. O Cap. 2 apresenta uma revisão básica das considerações anatômicas e histológicas. O radiologista deve estar ciente da importância clínica do estadiamento, e isso é resumido no Cap. 3. Como o papel primário dos exames de imagem é detectar o Câncer de mama mais cedo, a definição de Câncer de mama precoce é abordada no Cap. 4.

A maior parte do livro é dedicada aos exames de imagem. A redundância é intencional, pois alguns podem desejar rever a imagem de uma patologia específica ou, ao contrario, desejar rever os possíveis diagnósticos de achados específicos em exames de imagem.

A mamografia é, sem dúvida, a técnica de imagem da mama mais importante. Para obter mamografias de alta qualidade, devem-se observar fatores físicos fundamentais, e, no Cap. 5, essa revisão precede uma discussão dos princípios de posicionamento da paciente. A controvérsia sobre a importância dos padrões parenquimatosos, que ocupou a atenção na última década, é abordada na seção seguinte. Então, apresenta-se um método organizado para análise da mamografia, estruturado do ponto de vista da leitura do exame. Houve um esforço para abordar muitas das questões que todos enfrentamos durante a interpretação mamográfica no dia-a-dia. Não há respostas exatas a muitas delas, mas são sugeridas diretrizes para ajudar a determinar as lesões que exigem biopsia diagnóstica, além de definir os achados que prescindem da biopsia. Outras orientações são apresentadas em um sumário separado dos sinais mamográficos primários e secundários de malignidade.

A importante distinção entre detecção e diagnóstico recebe destaque especial no Cap. 6, sobre ultra-sonografia. Essa modalidade não é eficaz para a detecção precoce exigida de um exame de triagem, embora seja importante na análise da lesão. Define-se a utilização eficaz da ultra-sonografia e apresenta-se uma conduta coordenada para problemas específicos.

O Cap. 7, intitulado Correlação Patológica, Mamográfica e Ultra-sonográfica, cataloga os vários processos que ocorrem na mama. Esses processos são agrupados segundo critérios anatômicos e histológicos. Sempre que possível, são fornecidos exemplos mamográficos e ultra-sonográficos de cada um.

O leitor perceberá que há grande superposição na morfologia das lesões, e, muitas vezes, os sinais secundários inespecíficos de Câncer tornam distúrbios benignos indistinguíveis de processos malignos. Reconhecendo essa superposição, as técnicas de posicionamento pré-operatório de guias para ajudar na biopsia de lesões impalpáveis são discutidas em detalhes no Cap. 9. Essas técnicas foram criadas para possibilitar intervenção precoce e diagnóstico agressivo de lesões inconclusivas, permitindo a orientação precisa do cirurgião. são destacadas a segurança e a precisão na tentativa de minimizar o volume de tecido excisado e, assim, preservar a estética. As mesmas técnicas podem ser aplicadas para posicionamento da agulha se a citologia por aspiração com agulha fina for aceita como técnica para evitar a biopsia a céu aberto de lesões benignas.

Embora o Câncer de mama seja raro em homens, incluímos um capítulo sobre a mama masculina, porque podem surgir nódulos, e os exames de imagem podem esclarecer o diagnóstico.

Há grande insegurança entre os profissionais da área de diagnóstico por imagem da mama a respeito do laudo radiológico. Desenvolvemos um método direto e honesto, resumido no Cap. 11.

Atlas de mamografia e ultra-sonografia também são incluídos neste livro, após os Caps. 5 e 6. são organizados de acordo com os critérios morfológicos encontrados nos exames de imagem. são apresentados para ressaltar o espectro de características que podem ser encontradas e oferecer ao leitor mais de um exemplo de achados específicos. Esperamos que sejam úteis como recurso na interpretação cotidiana dos exames de imagem.

 

Daniel B. Kopans, MD

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