Do erro em composição
Conclusão [Conclusio]
Há erros e erros.
Alguns erros perdoo, como o lapso e a falha.
Quanto às impropriedades, as lamento.
Os sacrifícios, procuro entendê-los e, se posso, aceitá-los.
Alguns erros condeno veementemente, como o engano e, de
modo bem mais complacente, o equívoco.
Outros, com convicção plena e fervor, defendo, como o desvio ou
a fenda.
Mas se não todos, certamente a maioria desses erros continuarão
a fazer parte de minha vida e, talvez, de minha música. Pois quanto a certos tipos de erro, Schoenberg tinha mesmo razão: eles de fato ocupam um lugar de honra.
São Paulo, julho de 2020