Dôr e Luz

Acúrcio Correia da Silva · Capítulo 10 de 22

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Dôr e Luz

VIII os Poetas

VIII

OS POETAS

Acima companheiros!

Alegres como airádas borbolêtas,

Visitêmos os pálidos poetas,

Que andam a cismar entre os loureiros...

 

Seu vulto aos céus se alteia...

Vêde-os, rapazes, vêde-os...—São aquêles De olhar ardente!—Vêde-os, como êles

Trazem nos olhos o clarão da idéa!

 

Nas faces desmaiádas

Veem-se indicios da vigilia estóica,

Que passam a cantar em rima heroica

As antigas batalhas porfiádas...

 

Seus olhos amoraveis

Andam tristes, vermelhos de chorar,

Em noites silenciosas, ao luar,

As desgraças dos povos miseráveis...

 

Espiritos do bem,

«Almas de fogo, que um vil mundo encerra» Como os denominou quem foi na terra

Entre os maiores trovadôr tambem...

 

Ó pálidos poetas,

Eu vos saudo, ó almas desditosas,

Cantôres das batalhas ou das rosas,

Coroádos de lauréis ou de violêtas...