Dôr e Luz

Acúrcio Correia da Silva · Capítulo 22 de 22

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Dôr e Luz

XX em Paz...

XX

EM PAZ...

E tu, ó meu bom amigo

Das agras lides do estudo,

Foste em busca de outro abrigo

—Para ti findou-se tudo!

 

Finda-se tudo no mundo

Prás almas santas, louçãs,

Que ao Misterio azul, profundo,

Vão pedir outras manhãs...

 

Fugiste da noite escura

Prá célica luz viváz!

Descança na sepultura,

Amigo, descança em paz.

 

Olha as folhas a caír

Dos carvalhos desoládos:

Vái a Natúra dormir

Sob os gêlos branqueados...

 

Pelas noites de inverneira

Has-de ouvir, na terra fria, Os mugidos de agonía,

Que soluça a ventanêira...

 

E em noites de serenáda.

As humânas ilusões

Hão-de cantar á toada

Dos bandolins e violões...

 

Como leite a flutuar

No sôno doce das coisas,

Cairá brando o luar

Sobre a tristêza das loisas...

 

Ouvirás ao longe o brado

Das serranílhas cantadas

No luar de algum eirádo,

Ao chorar das guitarrádas...

 

É o sônho da vida airáda,

O brando sônho fugaz...

Mas tu, ó meu camaráda,

Deixa-os lá...—Descança em paz!

 

FIM

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Acúrcio Correia da Silva

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