Dôr e Luz

Acúrcio Correia da Silva · Capítulo 21 de 22

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Dôr e Luz

XIX Oração

XIX

ORAÇÃO

Já que atingímos a mansão da Luz,

Prostrêmo-nos a orar ante Jesus...

 

*

 

Ó Criadôr das estrêlas,

Que fulgem plo céu alem!

Fizeste coisas tão bélas,

—Faze-nos santos tambem...

 

Indescritíveis torturas

Lancínam os corações!

Pois estes são sepulturas

De mil mortas ilusões...

 

Tuas bênçãos perfumadas

São para os nossos martirios

Qual rócio das alvorádas

Prás urnas rôxas dos lirios...

Minha pobre alma de poeta

A Ti se acólhe, Jesus...

Como airáda borbolêta,

Fujo das Trevas prá Luz...

 

Das tuas chagas, meu Bem,

Pende a minha imensa esp'rança,

Como de uns beijos de mãe

Pende a vida da criança...

 

Ha uma dôr infinita

Na alma da Humanidade:

Pois o mundo hoje gravíta

Entre a dôr e a impiedade!...

 

Quem podéra, oh!—quem podéra,

Sob o céu azul, profundo,

Vêr florir a primavéra

Da crença geral no mundo...

 

Faze Tu, ó Deus clemente,

(Basta só um teu olhar...)

De cada homem um crente,

De cada peito um altar...

 

Pois não fizeste as estrélas,

Que palpítam, ceu além?...

Se fazes coisas tão bélas,

Faze-nos santos tambem...