Entrevista: o diálogo possível

Cremilda de Araújo Medina · Capítulo 16 de 17

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Entrevista: o diálogo possível

16. Vocabulário crítico

 

Capitular — O m esm o que letra capitular, inicial m aiúscula de um a palavra que

abre um parágrafo. Com o era um a letra ornada na tradição gráfica até o

século XVI, em geral iniciava um capítulo. Jornalisticam ente é, hoj e,

utilizada, em corpo 30, 36 ou 48, da m esm a fam ília tipológica em que o

texto está com posto, para destaques na divisão da m atéria. (V. matéria)

Claro/negrito — Faz-se um destaque gráfico quanto à espessura e dosagem de

tinta do corpo das letras (tipos). O corpo claro é m ais delicado no seu traço,

enquanto o corpo negrito se realça pelo traço m ais espesso, m ais escuro.

Diagramação — Processo de planej am ento gráfico em que se distribuem , num a

página que reproduz proporcionalm ente o espaço de um j ornal (o

diagrama), as m assas de texto, fotos, ilustrações e dem ais com ponentes de

um a m atéria.

Edição — O uso técnico vale especificam ente para a finalização das m atérias

em um j ornal. O que tam bém se identifica, no j argão j ornalístico, com o

fechamento. O significado m ais am plo rem ete para um processo que se

desencadeia através de um a pauta e chega à etapa gráfica ou eletrônica da

publicação ou da em issão.

Entrevista — Técnica j ornalística e técnica das Ciências Hum anas em que se

obtêm inform ações através de um diálogo entre entrevistado e entrevistador

— este, na com unicação coletiva e no j ornalism o, conhecido com o repórter.

O entrevistado tam bém , tecnicam ente, pode ser denom inado fonte de

informação.

Enquete — Conj unto de entrevistas sobre determ inado tem a, em que são ouvidas

várias fontes de informação.

Espetacularização — Processo de seleção de determ inados traços do indivíduo ou

de um a situação com o fim de explorar os ângulos espetaculares. O m esm o

que vedetização, glamorização.

Humanização — Processo de seleção de determ inados traços do indivíduo ou de

um a situação com o obj etivo de pôr em destaque a vivência hum ana

com um e geral.

Lead — Cabeça de um a m atéria, ou abertura, que, segundo a técnica de redação

consagrada por m anuais norteam ericanos, deve apresentar um sumário

(lead sumário) do acontecim ento-notícia.

Lobbies de informação — Grupos de pressão que, através de seus relações-

públicas, assessores de im prensa ou j ornalistas, atuam j unto aòs m eios de

com unicação para divulgarem certas inform ações. Fazem -no diretam ente

ou por em issão de boletins ou m atérias, conhecidos por press-releases.

Matéria — Denom inação geral para a form ulação de um a notícia, de um a

reportagem , de um a entrevista ou qualquer conj unto de inform ações

veiculadas pelo j ornalism o.

Objetividade — Conceito epistem ológico que vale para a relação do repórter

com o Real, no m om ento em que sai a cam po para captar um a inform ação.

Neste livro, enfatiza-se o uso de dois outros conceitos: decifração e

interpretação do Real.

Pauta — Detonador de um a notícia ou de qualquer m atéria j ornalística.

Configuração de determ inado acontecim ento que apresenta certos

“sintom as” (j á cristalizados, em ergentes ou subj acentes) que se identificam

com o notícia. (V. periodicidade)

Periodicidade — atualidade — universalidade — difusão — Estas seriam , segundo

o teórico alem ão Otto Groth, as leis que regeriam a inform ação j ornalística.

Pirâmide invertida — Estrutura de m ontagem das inform ações em um a m atéria

j ornalística, em que se inicia pelos elem entos m ais significativos e a carga

inform ativa decresce para os traços m enos significativos.

Questionário — Trata-se de um a orientação de pauta em que se estabelecem

perguntas a serem propostas pelo repórter à fonte de inform ação. Pode ser

fechado, um script da entrevista rigidam ente pré-elaborado; ou pode ser

aberto, dando m argem para que o entrevistador e o entrevistado se

m ovim entem em um diálogo fluente, não previsível.

Timing — Tem po de elaboração que, no processo j ornalístico, adquire a

dram aticidade de um rígido prazo de fechamento. Ou sej a, um repórter que

está na rua precisa ter interiorizado o timing j usto para voltar à redação e

apresentar a m atéria que será editada para o dia seguinte ou para o m esm o

dia (rádio e televisão).

Reportagem — Todo trabalho de cam po desenvolvido na captação de

inform ações. Aí se incluem pauta, levantam ento de dados no arquivo da

em presa j ornalística (pesquisa), atividade do repórter através de sua

observação do acontecim ento e através das entrevistas que realiza.

Especificam ente se identifica com o reportagem j á editada um a m atéria

m ais am pla e m ais com plexa que a notícia.