Jacinta Passos, coração militante

Janaína Amado · Capítulo 15 de 21

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Jacinta Passos, coração militante

Poemas

Eu uno dois oceanos

OLAS10

Separo duas Américas

OLAS

Eu sou um ser social

OLAS

Destino quem faz sou eu,

Destino quem faz sou eu

OLAS

Dos raios eu faço armas

OLAS

Das ondas, armas eu faço

OLAS

Contra roubo de trabalho

OLAS

sou feita de carne e aço,

Sou feita de carne e aço.

OLAS... OLAS... OLAS... ( 11 som distanciando-s e)

 

Poemas

Soma

Eu somei oito mais oito

Janaína

deu igual a dezesseis,

Janaína

mais pera mais coração

Janaína

mas não deu um passarinho

Janaína.

Por que foi que não deu,

Janaína?12

É prisão do bem-querer

Mote: É prisão do bem-querer Glosa: Se me dão um purgatório

e eu quero um alvorecer,

sistema do bem lhe faço

e barras o bem-fazer,

juízo de carcereiro

é prisão do bem-querer. 13

Quem vive da morte alheia

Mote: Quem vive da morte alheia

Glosa: Vende caixão de defunto,

lucra com guerra e com peia,

compra força de trabalho,

de peste e fome faz ceia,

merece morte, assim julgo

quem vive de morte alheia.14

Duas Américas

Nos muros de Aracaju

ai! que letras resistentes

nos muros de Aracaju,

Haiti francês e negro -

- Louverture, onde estás tu?15

Guatemala, Guatemala,

nos muros de Aracaju,

S. Domingos, você leu?

Chile, Bolívia e Peru,

há três anos escrevi

nos muros de Aracaju:

Independência nacional não é nacionalismo!16

Mais depressa, bandolero,

ilhas mestiças, depressa!

mande na ONU e não peça:

Independência nacional!

(não para ser igual a essa,

essa que rouba trabalho,

América, mais depressa!)

Propriedade social

se faz com armas, ó Eça!

Iroqueses sem família,

Vossas mães não são mais dessa

América, pintai de preto

o Presidente, depressa,

que seja linchado em Ohio,

às armas mande e não peça,

solapando a OEA

fuzil e voto, depressa!

Saia do Vietnã

ó quadrilha da possessa!

Ponha chiclet na boca

dos bobos de Mister dessa

América de ócio e roubo,

guerrilheiros, mais depressa!

De Havana vem pelos ares,

onda, som, fonema, guia.

Ilha maior que um continente!

que mudou a geografia.

(Ah! Cuba, perdi amor,

mais seis dentes perderia!

Ilha maior que um continente!

que mudou a geografia.)

Matéria expansiva eu sou,

expansiva e comprimida

no fundo desta prisão,

palavra diminuída,

presa a ideia, presos os pés,

palavra diminuída,

os braços arrebentando

ataduras de envolvida

- relações familiares,

domesticação vencida,

é corpo sem esqueleto -

relações de uma Era ida.

De Havana vem pelos ares,

onda, som, fonema, guia.

Ilha maior que um continente!

que mudou a geografia.

América Central, apêndice

de monopólios, então

eis América Central

pioneira da revolução!

As três Américas são duas

e eu sofro de comoção

social: quem mata e rouba e

muda nome de prisão?!

Velocidade eletrônica

mede teu tempo ancião

de outra Era, camarada,

meu relógio é a refeição!

Outro sistema, outra Era,

e eu dentro da prisão!

De Havana vem pelos ares,

onda, som, fonema, guia.

Ilha maior que um continente!