Jacinta Passos, coração militante
Livros publicados
Apuração do texto poético de Jacinta Passos
Os originais dos livros de Jacinta Passos se perderam. Por isso, para esta edição, o princípio adotado foi o de reproduzir os poemas tal como apareceram nos quatro volumes publicados em vida da autora.
Da mesma forma que nestes livros, na presente edição os poemas são apresentados em ordem cronológica. A data de produção aparece entre parênteses, ao final de cada poema, mesma solução adotada em Canção da partida, porém diferente da usada no primeiro livro, onde o ano de produção aparece sozinho, em folha à parte, antes de um poema ou grupo de poemas. Poemas políticos não data os poemas novos, apenas os republicados. A Coluna, que contém um único e longo poema épico, também não é datado. Nos dois últimos casos, não foi possível identificar datas precisas de produção de cada poema, porém se conseguiu indicar, em notas, o provável período de criação do conjunto de poemas novos, no caso de Poemas políticos, e do longo poema de A Coluna.
Divulgar a poesia de Jacinta Passos entre leitores contemporâneos constitui o principal objetivo da atual edição: por isso, a ortografia e a acentuação dos poemas foram atualizadas. Houve necessidade de correção de pouquíssimos erros gramaticais ou de impressão, o que configura apuro linguístico da parte da autora e de seus editores e gráficos. Para esses casos, corrigiu-se o erro original involuntário, sem apensar nota de rodapé a respeito.
Em Canção da partida e Poemas políticos, Jacinta Passos agrupou poesias até então inéditas em livro, mas também seleções de poesias publicadas em livro(s) anterior(es), decerto aquelas que mais agradavam à autora. Nesta edição, foram evitadas repetições: cada poema aparece apenas uma vez, integrado ao conjunto/livro onde foi originalmente publicado. O leitor é notificado disso nos locais apropriados, e em seguida remetido às páginas, neste volume, onde estão as outras poesias que originalmente fizeram parte daquele livro. Essa solução, embora dificulte o reconhecimento imediato do conjunto de cada livro da autora, evita o contrassenso de repetir poemas dentro de um mesmo volume, além de representar uma economia, de espaço e preço. Não haverá prejuízo substancial para o leitor – que continua a ter acesso a toda a produção de Jacinta, podendo assim reconstituir o conjunto de cada livro.
Poeta rigorosa, Jacinta Passos fez modificações, às vezes sutis, em sinais gráficos, palavras ou expressões de seus poemas, quando republicados em livro, ou quando transpostos das páginas de jornal para o livro. Por exemplo, nos três poemas de seu primeiro livro (Momentos de poesia), republicados no segundo (Canção da partida) – intitulados "Canção simples", "Carnaval" e "Cantiga das mães" -, as aspas, indicando diálogos, foram substituídas por travessões. A atual edição reproduz a última versão de cada poema, pois ela contém modificações no texto realizadas pela autora, expressando assim a sua vontade. A adoção desse princípio, contudo, obrigou, em nome do bom senso, a substituir aspas por travessões também nos poemas não republicados do primeiro livro. Ao fazer isso, creio que não fugi às intenções da poeta: se ela promoveu aquela mudança nos poemas escolhidos para serem republicados, é provável que, caso fosse publicar de novo também os outros poemas, fizesse neles a mesma alteração.
Esta edição procura equilíbrio entre a vontade de oferecer ao leitor a plena fruição dos poemas – que se dá quando se lê apenas poesia, sem notas explicativas – e a necessidade de informar, sobretudo por se tratar da primeira edição de toda a obra de Jacinta Passos, cujos textos há muito não circulavam; e de uma edição que tem a pretensão de fixar seu texto e de tornar seus poemas compreensíveis para os leitores de hoje. Assim, esta edição inclui notas, porém tenta evitar excessos, apensando-as somente quando pareceram indispensáveis. As notas fornecem informações sobre data e local da primeira publicação de alguns poemas, pequenas alterações promovidas no texto pela autora, quando da republicação de algum poema etc. Quando foi possível, as notas identificam também referências que a autora fez a pessoas e locais, geralmente a membros de sua família e a pequenas localidades da sua infância e juventude, cujos sentidos talvez se perdessem, caso não constassem aqui. As notas esclarecem ainda referências históricas, abundantes em alguns poemas (especialmente em A Coluna), porém pouco familiares aos leitores de hoje, principalmente aos jovens. Espera-se que elas enriqueçam a leitura e sirvam de subsídio a futuros estudos sobre a obra da autora.