Lendas dos Vegetais

Eduardo Sequeira · Capítulo 8 de 54

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Lendas dos Vegetais

Aconito.

brotaram petalas macias como a mão que tocou o arbusto e rosadas como as

faces da formosa cantora.

Nenhuma flôr na terra pôde depois para o futuro ser comparada em belleza

e perfume á deslumbrante rosa que Venus fez nascer».

Angelo de Gubernatis conta-nos da seguinte fórma a lenda da

roseira brava:

«A rosa canina passa na Allemanha por sinistra e diabolica.

Müllenhoff ouviu no Schleswig uma lenda em que o diabo, caído do ceu,

afim de para alli tornar a subir procurou fazer uma escada com os espinhos

da roseira brava.

Deus em castigo do facto condemnou o vegetal a não poder elevar-se mas

só ramificar-se para os lados; então, despeitado, o diabo voltou-lhe para o

sólo a ponta dos espinhos.

Outros pretendem que a roseira brava, recebeu esta maldição na occasião

em que n'ella se enforcou Judas, e é commemorando este facto que ainda

hoje chamam aos fructos, Judas-beeren (bagas de judas).

 

ACONITO.

 

O aconito é conhecido como planta venenosa desde a mais alta

antiguidade. Diz uma lenda grega que este veneno nascera no jardim d'Hécate da baba do cão Cerbero, quando Hercules o arrancou da entrada do Averno. O cão, ao contacto com a luz diurna, que pela primeira vez via, sentiu-se fortemente incommodado, expellindo pela negra e suja bocca torrentes de baba, que, ao tocarem o sólo, se transformaram em vegetaes venenosos como o liquido que lhes déra origem.