Lendas dos Vegetais

Eduardo Sequeira · Capítulo 2 de 54

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Lendas dos Vegetais

Carvalho.

Esteve um momento pensativo, e depois, apanhando um pouco

do musgo que lhe servira de leito, resguardou cuidadosamente com elle os botões das flores prestes a desabrochar, para que o frio, a chuva e os insectos lhes não causassem damno algum.

E em seguida, batendo as azas, voou para o ceu a dar conta a

Deus da missão de que fôra encarregado.

E foi desde então que na terra começou a haver rosas musgo...

 

CARVALHO.

 

Hercules, o lendario gigante invencivel, regressando um dia de

praticar uma d'aquellas suas tão memoraveis façanhas, deitou-se em pleno campo para dormir a sesta. Antes porém de se confiar aos braços de Morpheu, no sólo, junto a si, na previsão de qualquer repentino e inesperado ataque, espetou a pesada máça, mais forte que o ferro, e com que esmagava tudo quanto lhe oppunha obstaculo aos seus designios.

Dormiu o bom do gigante por muito tempo e quando acordou era

quasi noite; procurou logo a arma predilecta, e com assombro viu em lugar d'ella uma pujante e formosissima arvore! A máça, ao contacto do sólo, enraizara, desenvolvera tronco, lançara ramos, folhas e fructo.

Hercules furioso arrancou o vegetal e, quebrando-lhe os ramos,

fez do tronco uma nova e formidavel clava, mais sólida e forte que a que antes possuira.

Porém, dos fructos esparsos pelo sólo, nasceram ao depois novas

identicas arvores, que para sempre ficaram sendo o emblema da força e do vigor.