Lendas dos Vegetais
Platano.
O platano era particularmente venerado na Grecia, sendo
consagrado ao genio. Era sob os platanos que se reuniam os sabios gregos para discutirem os mais transcendentes assumptos, e sob elles que especialmente se abrigavam da chuva.
A formosa Europa, dormia sob um platano quando foi roubada por
Jupiter metamorphoseado em touro.
Xerxes atravessando a Lydia, apaixonou-se tanto por um
corpulento platano que o fez ornamentar de custosos collares e braceletes d'ouro.
Na Grecia quando alguns noivos se separam trocam, em signal
de fidelidade, duas metades de uma mesma folha de platano, e quando se tornam a encontrar apresentam-as, devendo as duas partes formar perfeitamente a primitiva folha. Se isto se não dér é porque aquelle cuja metade estiver defeituosa foi infiel durante a ausencia.
TREVO.
Diz Gubernatis que os druídas tinham o trevo em grande
veneração, e que S. Patricio para explicar o misterio da Trindade aos irlandezes se servia de trevo, mostrando-lhes as tres folhas do vegetal n'uma mesma haste.
Em França, Italia, Hespanha, e mesmo entre nós, o povo estima e
venera particularmente o trevo de quatro folhas e crê que a pessoa que encontrar uma d'estas plantas, sendo mulher, casará dentro de um anno e, sendo homem, terá no mesmo espaço de tempo grandes felicidades.
Aproveitamos do distincto sabio inglez, Brueyre a seguinte e
deliciosa lenda metereologica relativa ao trevo:
«N'uma tarde de verão, uma rapariga veio mugir as vaccas mais tarde que
o costume, e as estrellas começavam a scintillar no firmamento, quando ella
terminou a tarefa. Daisy, uma vacca encantada, era a unica que faltava para
mugir, mas o cantaro estava tão cheio, que a rapariga deixou-a sem lhe tirar o
leite.
Antes de pôr o cantaro á cabeça a rapariga cortou um punhado de hervas
differentes entre as quaes ia muito trevo, e com ellas fez uma almofada para
levar mais commodamente o cantaro.
Porém logo que colocou a almofada na cabeça viu centenas, milhares de
pequeninos trasgos correndo de todos os lados para a vacca, que estava
deitada no sólo, e agarrarem-se-lhe ás têtas, que mugiam em flores de trevo,
sugando-as depois com delicia. As hervas que estavam junto as têtas de
Daisy cresciam a olhos vistos, cercando por todos os lados a corpulenta
vacca, e os trasgos corriam por entre ellas, levando bem-me-queres,
verdeselhas, flores de digitalis e flores de trevo onde recolhiam o leite que
corria das quatro têtas ao mesmo tempo, como abundante chuva da
primavera. Sob uma das têtas a rapariga viu um trasgo maior que os outros,
que, para se banquetear mais á vontade, se tinha deitado de costas, ficando
os pés no ventre do animal, e com a têta agarrada nas mãos sugava
avidamente.
Chegando a casa a rapariga narrou o que tinha visto e todos foram
concordes que ella devia, para que tal facto se desse, ter entre as hervas que
collocara na cabeça trevo de quatro folhas, o que na verdade tinha
acontecido».