Lendas dos Vegetais

Eduardo Sequeira · Capítulo 5 de 54

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Lendas dos Vegetais

Aboboreira.

Mas debalde esperou.

Veio o inverno, e de sempre olhar fixamente para os caminhos

cobertos de neve, pouco a pouco desappareceu-lhe a luz dos olhos...

Então, não podendo resistir a este ultimo golpe, a princeza morreu

de paixão.

Sepultaram-a perto do palacio, á beira da estrada, n'um local por

ella designado, voltada para o sitio d'onde sempre esperara o regresso do amante; pouco tempo depois, da sepultura da gentil donzella morta de amor, brotaram as plantas que lhe conservam o nome, e que dão uma flôr que pelo bello azul que a tinge faz recordar os castos olhos da candidissima princeza.

 

ABOBOREIRA.

 

Quando Ninive, condemnada pelos seus maleficios, estava

prestes a ser arrasada, Jonas, que queria ser espectador do facto tremendo que prophetisára, veio postar-se n'um local d'onde perfeitamente podia presencear o castigo da cidade maldita.

Porém no posto de observação escolhido, não havia uma só

arvore, e um sol de fogo, a prumo, tornava tão martyrisante a estada alli do propheta, que este, angustiado, pediu a Deus que o soccorresse, attenuando-lhe de alguma fórma a intoleravel ardencia dos raios solares. Ainda Jonas não tinha acabado a sua fervorosa prece, já uma planta se erguia do sólo, crescia rapidamente e envolvia-o tão bem, que o propheta, contentissimo e consolado, pensando que poderia gosar da bella frescura proporcionada pela folhagem do vegetal, terminou o pedido com um intenso agradecimento ao céo pelo beneficio prestado. Mas n'isto, tão repentinamente como brotára do sólo, a planta seccou e reduziu-se a pó, deitando assim n'um instante por terra as doces esperanças do santo propheta. Esta planta era a aboboreira.