Lendas dos Vegetais

Eduardo Sequeira · Capítulo 24 de 54

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Lendas dos Vegetais

Maias.

Buddha, apóz a conversão, ia sempre orar sob aquelle vegetal; a

rainha, sua esposa, despeitada por aquelle facto, mandou cortar a arvore, e Buddha, quando o soube, sentiu tamanho desgosto que declarou que se a arvore não tornasse a rebentar morreria de pesar. Mandou depois reunir cem bilhas de leite e regar com elle o tronco do vegetal, donde logo brotaram ramos, que cresceram rapidamente, attingindo a altura que hoje téem.

 

MAIAS.

 

No numero 4, vol. VI, outubro de 1889 da Revista de Guimarães,

o dr. Abilio de Magalhães Brandão descreve-nos assim a poetica lenda das maias:

«Houve antigamente um rei chamado Herodes que ao saber que tinha

nascido, em Belem, um menino, a que o povo, por toda a parte, chamava o

rei dos Judeus, tão furioso ficou que ordenou immediatamente aos seus

soldados que degolassem todas as creanças menores de dous annos, que

encontrassem em Belem.

Herodes presumia que o rei dos Judeus não escaparia d'esta carnificina,—

tal era o odio de morte que votava ao menino—que os prophetas tinham

vaticinado rei de Israel. Ao anoutecer do dia 30 de abril, cercaram os judeus

os muros de Belem, mas esperaram pela madrugada do dia 1.º de maio para

começarem a dar cumprimento ás ordens do malvado rei. Apesar de todas as

providencias e cautelas, ainda receiavam os judeus que lhes escapasse o

menino e por isso se informaram logo da sua morada—que tinha á porta um

ramo de maias como signal,—mas, ao romper do sol do 1.º de maio, todas as

casas appareceram milagrosamente com os mesmos ramos á porta.

Os judeus ficaram tão furiosos que entraram logo em todas as casas e

degolaram todos os meninos, como tinha ordenado Herodes, e só escapou o