Lendas dos Vegetais
Linho.
A mangerona (Origanum majorana L.) é a amarakos dos gregos.
Os romanos serviam-se da mangerona para tecer corôas aos recem-casados e em Creta esta planta é ainda hoje o simbolo da honra, tendo a virtude de afugentar das mulheres os mal intencionados seductores.
A lenda da mangerona é uma lenda grega. Amaracus era um
favorito do rei de Chypre que este estimava immenso e a quem confiava serviços da maior confiança e da mais alta responsabilidade.
Um dia encarregando-o o rei de lhe trazer um precioso vaso cheio
de perfumes, Amaracus deixou-o cahir no sólo onde se fez em pedaços.
Cheio de pesar e de susto pelo mal causado, cahiu com uma
violenta sincope e então os deuses amerciados da sua grande e irremediavel dôr transformaram-o n'uma planta odorifera que ficou tendo o nome do desastrado Amaracus.
LINHO.
Gubernatis escreve o seguinte do linho:
«A antiguidade indiana via no céo, na alva e na aurora, uma teia luminosa;
a esposa divina, a aurora, tecia a camisa nupcial, o vestido do esposo divino,
o sol. Os deuses vestiam-se com uma veste luminosa, d'um tecido branco ou
vermelho, de prata ou de oiro. Os padres, na terra, adoptaram o mesmo
costume branco na India, no Egypto, na Asia Menor, em Roma e nos paizes
christãos, chamando-se ainda hoje alva á camisa branca dos padres e dos
meninos de côro.
O linho era de tal fórma estimado no norte que, até ao seculo XII, na ilha de
Rugen, servia de moeda.
«Apud Ranos, escrevia Helmold, I, 38, 7, citado por Hehn (Kulturpflanzen u.
Hausthiere, Berlin, 1874) non habetur maneta, nec est in comparandis rebus
consuetudo nummorum, sed quidquid in foro mercari volueris, panno lineo
comparabis».
Güldenstadt, no seculo passado, deparou ainda com uso identico no
Caucaso. Nos contos populares falla-se muitas vezes de camisas ou vestidos
tecidos com fios tão extraordinariamente finos, que podiam ser guardadas
dentro da casca de uma noz. Hérodoto e Plinio mencionam um linho enviado
da Grecia por o rei Amasis, cujo fio era composto de 360 ou 365 fios, allusão
evidente aos dias do anno.
Na canção popular veneziana do grillo e da formiga, o grillo fia linho e a
formiga pede-lhe um fio evidentemente para continuar a fiar, pois os dois
animaes figuram na mitologia zoologica em estações differentes. Os fios de
linho são tidos como representando os raios do sol, e segundo uma
superstição popular siciliana, attrahem-os tambem.
Em Modica, na Sicilia, escreve o snr. Amabile, para fazer desapparecer as
dôres de cabeça produzidas pela insolação, queimam, com acompanhamento
de imprecações, estopa de linho n'um copo onde depois se deita agua;
colocam em seguida o vidro n'um prato branco e este sobre a cabeça do
doente; pretendem que, d'este modo, fazem desapparecer da cabeça e
passar para o linho toda a doença causada pelo sol.
No Valle Soana, no Piemonte, acreditam que vêr em sonhos, linho
mergulhado na agua é um aviso de morte por todo o anno.
O linho é simbolo da vida, da vegetação facil e abundante. É por isso que
na Allemanha, quando uma creança cresce vagarosamente ou lhe custa a
andar, na vespera do dia de S. João, a colocam núa no sólo, semeando-lhe
linho em redor, e logo que o linho principiar a rebentar deve a creança
começar a crescer e a andar».