Morte e Vida Severina
Vale do Capibaribe
por Santa Cruz, Toritam a:
cena para cronicões,
para épicas castelhanas.
Mas é paisagem em que nada
ocorreu em nenhum século
(nem m esm o águas ocorrem
na língua dos rios secos).
Nada aconteceu em bora
a pedra pareça extinta
e os om bros de m onum ento
finj am história e ruína.
(De que seriam ruína,
de que j á foram paredes?
Do forno em que o deus da seca
acendia a sua sede?)
E tam bém nada acontece:
raro o pobre rom anceiro
da cruz na estrada, m ais raro
o crim e não rotineiro
com acentos de gesta (ou
as façanhas cangaceiras)
que o vale possa ecoar
e sej a cantado em feira.
No m entido alicerce de
m orta civilização
a luta que sem pre ocorre
não é tem a de canção.
É a luta contra o deserto,
luta em que sangue não corre,
em que o vencedor não m ata
m as aos vencidos absorve.
É um a luta contra a terra
e sua boca sem saliva,
seus intestinos de pedra,
sua vocação de caliça,
que se dá de dia em dia,
que se dá de hom em a hom em ,
que se dá de seca em seca,
que se dá de m orte em m orte.