Morte e Vida Severina
Medinaceli
(Terra provável do autor anônim o do Cantar de Mío Cid )
Do alto de sua m ontanha
num a lenta hem orragia
do esqueleto j á folgado
a cidade se esvazia.
Puseram Medinaceli
bem na entrada de Castela
com o no alto de um portão
se põe um leão de pedra.
Medinaceli era o centro
(nesse elevado plantão)
do tabuleiro das guerras
entre Castela e o Islão,
entre Leão e Castela,
entre Castela e Aragão,
entre o barão e seu rei,
entre o rei e o infanção,
onde engenheiros, arm ados
com abençoados proj etos,
lograram edificar
todo um deserto m odelo.
Agora, Medinaceli
é cidade que se esvai:
m ais desce por esta estrada
do que esta estrada lhe traz.
Pouca coisa lhe sobrou
senão ocos m onum entos,
senão a praça esvaída
que im ita o geral exem plo;
pouca coisa lhe sobrou
se não foi o poem ão
que poeta daqui contou
(talvez cantou, cantochão), que poeta daqui escreveu
com a dureza de m ão
com que hoj e a gente daqui
diz em silêncio seu não.