Morte e Vida Severina
Outro rio: o Ebro
Vou quase sem pre entre o gesso
do esqueleto do anim al
que veio cair de sede
nestas terras de Aragão.
O gesso tam bém perece,
não m orde m ais com o a cal.
Dir-se-ia que até a pedra
m orreu de sede e de sol.
Vou entre as estreitas hortas,
fresco o lábio vegetal,
do corredor tão estreito
que a vida habita em Aragão,
entre casas extraviadas
no deserto literal
e que ao passar alinhavo
com água de m eu carretel,
entre vilas desm aiadas
(hipnose de sol e azul)
e aldeias de entranhas secas
feitas do gesso geral
(sem que a água j am ais reflita,
água de cego cristal,
as torres de barro opaco
que o m ouro abriu a cinzel).
Disponho de um leito largo
com o cam a de casal,
m as é pouco deste leito
que cubro com m eu lençol.
Pois assim m esm o tão fraco
no duro chão m ineral,
só veia regando ainda
curtido couro anim al, sou destas terras ossudas
líquida espinha dorsal
e até m esm o fui trincheira
(quando do front de Aragão).