Morte e Vida Severina

João Cabral de Melo Neto · Capítulo 3 de 25

Páginas do PDF

Morte e Vida Severina

Paisagens com Figuras

A Annibal M. Machado

Pregão turístico do Recife

A Otto Lara Resende

Aqui o m ar é um a m ontanha

regular redonda e azul,

m ais alta que os arrecifes

e os m angues rasos ao sul.

Do m ar podeis extrair,

do m ar deste litoral,

um fio de luz precisa,

m atem ática ou m etal.

Na cidade propriam ente

velhos sobrados esguios

apertam om bros calcários

de cada lado de um rio.

Com os sobrados podeis

aprender lição m adura:

um certo equilíbrio leve,

na escrita, da arquitetura.

E neste rio indigente,

sangue-lam a que circula

entre cim ento e esclerose

com sua m archa quase nula,

e na gente que se estagna

nas m ucosas deste rio,

m orrendo de apodrecer

vidas inteiras a fio,

podeis aprender que o hom em

é sem pre a m elhor m edida.

Mais: que a m edida do hom em

não é a m orte m as a vida.