Morte e Vida Severina

João Cabral de Melo Neto · Capítulo 9 de 25

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Morte e Vida Severina

Campo de Tarragona

Cam po de Tarragona

Do alto da torre quadrada

da casa de En Joan Miró

o cam po de Tarragona

é m apa de um a só cor.

É a terra de Catalunha

terra de verdes antigos,

penteada de avelã,

oliveiras, vinha, trigo.

No cam po de Tarragona

dá-se sem guardar desvãos:

com o planta de engenheiro

ou sala de cirurgião.

No cam po de Tarragona

(cam po ou m apa o que se vê?)

a face da Catalunha

é m ais clássica de ler.

Podeis decifrar as vilas,

constelação m atem ática,

que o sol vai acendendo

por sobre o verde de m apa.

Podeis lê-las na planície

com o em carta geográfica,

com seus volum es que ao sol

têm agudeza de lâm ina,

podeis vê-las, recortadas,

com as torres oitavadas

de suas igrej as pardas,

igrej as, m as calculadas.

Girando-se sobre o m apa,

desdobrado pelo chão

ao pé da torre quadrada,

se avista o m ar catalão.

É m ar tam bém sem m istério,

é m ar de m edidas ondas,

a prolongar o hum anism o

do cam po de Tarragona.

Foram águas tão lavradas

quanto os cam pos catalães.

Mas poucas velas trabalham ,

hoj e, m ar de tantas cãs.