Morte e Vida Severina

João Cabral de Melo Neto · Capítulo 18 de 25

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Morte e Vida Severina

Volta a Pernambuco

Volta a Pernam buco

 

A Benedito Coutinho

Contem plando a m aré baixa

nos m angues do Tij ipió

lem bro a baía de Dublin

que daqui j á m e lem brou.

Em m eio à bacia negra

desta m aré quando em cio,

eis a Albufera, Valência,

onde o Recife m e surgiu.

As j anelas do cais da Aurora,

olhos com pridos, vadios,

incansáveis, com o em Chelsea,

vêem rio substituir rio,

e essas várzeas de Tium a

com seus estendais de cana

vêm devolver-m e os trigais

de Guadalaj ara, Espanha.

Mas as laj es da cidade

não m e devolvem só um a,

nem foi um a só cidade

que m e lem brou destas ruas.

As cidades se parecem

nas pedras do calçam ento

das ruas artérias regando

faces de vário cim ento,

por onde iguais procissões

do trabalho, sem andor,

vão levar o seu produto

aos m ercados do suor.

Todas lem bravam o Recife,

este em todas se situa,

em todas em que é um crim e para o povo estar na rua,

em todas em que esse crim e,

traço com um que surpreendo,

pôs nódoas de vida hum ana

nas pedras do pavim ento.