Morte e Vida Severina
Fábula de Joan Brossa
Joan Brossa, poeta frugal,
que só com e tom ate e pão,
que sobre papel de estiva
com põe versos a carvão,
nas feiras de Barcelona,
Joan Brossa, poeta buscão,
as sete caras do dado,
as cinco patas do cão,
antes buscava, Joan Brossa,
m ístico da aberração,
buscava encontrar nas feiras
sua poética sem -razão.
Mas porém com o buscava
onde é o sol m ais tem porão,
pelo Clot, Hospitalet,
onde as vidas de artesão,
por bairros onde as sem anas
sobram da vara do pão
e o horário é m ais com prido
que fio de tecelão,
acabou vendo, Joan Brossa,
que os verbos do catalão
tinham coisas por detrás,
eram só palavras, não.
Agora os olhos, Joan Brossa
(sua trocada instalação)
voltou às coisas espessas,
que a gravidez pesa ao chão,
e escreveu um Dragãozinho
denso, de copa e fogão,
que com bate as m ercearias
com ênfase de dragão.