Morte e Vida Severina
Imagens em Castela
Im agens em Castela
Se alguém procura a im agem
da paisagem de Castela
procure no dicionário:
meseta provém de m esa.
É um a paisagem em largura,
de qualquer lado infinita.
É um a m esa sem nada
e horizontes de m arinha
posta na sala deserta
de um a am pla casa vazia,
casa aberta e sem paredes,
rasa aos espaços do dia.
Na casa sem pé-direito,
na m esa sem serventia,
apenas, com seu cachorro,
vem sentar-se a ventania.
E quando não é a m esa
sem toalha e sem terrina,
a paisagem de Castela
num grande palco se am plia:
no palco raso, sem fundo,
só horizonte, do teatro
para a ópera que as nuvens
dão ali em espetáculo:
palco raso e sem fundo,
palco que só fosse chão,
agora só freqüentado
pelo vento e por seu cão.
No m ais, não é Castela
m esa nem palco, é o pão:
a m esm a crosta queim ada,
o m esm o pardo no chão;
aquele m esm o equilíbrio,
de seco e úm ido, do pão,
terra de águas contadas
onde é m ais contado o grão;
aquela m aciez sofrida
que se pode ver no pão
e em tudo o que o hom em faz
diretam ente com a m ão.
E m ais: por dentro, Castela
tem aquela dim ensão
dos hom ens de pão escasso,
sua calada condição.