Não Conta Lá em Casa
Djibuti
Ignore o título deste capítulo! Ele é um a m entira deslavada. Um a m entira que nos enganou
direitinho. Foi com esse slogan que algum site de turism o descreveu o m enor país da África, por onde íam os passar dois dias ao deixar a Etiópia partindo em direção à Som ália. Dj ibuti é um país pequenininho ali no Chifre africano e faz fronteira com a Eritreia, a Etiópia e a tem ida Som ália.
Antes de partir, ainda durante nossa fase de pesquisas, li m uita coisa falando em “vida noturna”, “influência francesa”, “praias paradisíacas”… Entre as atrações turísticas do país, falava-se em grandes desertos com paisagens de outro planeta (onde foi film ada a versão original do longa-
m etragem Planeta dos Macacos) e até em m ergulhos no m ar Verm elho com afáveis tubarões-baleia! Tudo isso vindo de fontes bem confiáveis, com o o nosso m elhor am igo na estrada, o livro-guia Lonely Planet. Quem sabe não haveria m esm o um descanso em m eio a tanta provação?
Até o cético UFO, que j á havia alertado que achava bem im provável encontrarm os por lá anim ados grupos de turistas ocidentais bebendo m ay -thais em resorts à beira-m ar, j á brincava
com a possibilidade de um cenário m ais anim ador: “Quem sabe não rola um a piscininha?”
Pois bem , assim que desem barquei na capital de Dj ibuti, que tam bém se cham a Dj ibuti, com ecei a sentir saudades da Etiópia. O país é bem m ais pobre, m ais suj o, m enos organizado,
com bem m enos infraestrutura, e os locais não são tão am istosos com o os que conhecem os em Adis. Achar um lugar seguro e relativam ente tranquilo para guardar as m alas e dorm ir foi tarefa árdua. Achar um lugar lim po e decente para com er algum a coisa foi um a m issão quase
im possível. E encontrar internet Wi-Fi eu diria que foi um m ilagre! As tais praias eram verdadeiros depósitos de lixo a céu aberto. Pequenos trechos de areia preta e água suj a
frequentados por locais m al-encarados que, ou se m ostravam genuinam ente surpresos com a presença de turistas por ali, ou faziam questão de deixar claro que não éram os bem -vindos (sabe-se lá por que razão). O pequeno Dj ibuti, infelizm ente, não parecia nem de longe um a versão
africana da m oderna e asséptica cidade dos Em irados Árabes. Muito pelo contrário, parecia a sua antítese.
O verdadeiro propósito de nossa estadia nesse m inipaís africano era com eçar a j ornada
com destino à Som ália. Navios caça-pirata, m ilitares, rebeldes som alis e guias aventureiros e suas cam inhonetes dos anos 1980 foram o foco de nossas lentes, rendendo bem m ais do que podíam os esperar num prim eiro m om ento. Fizem os nosso trabalho e estávam os m ais do que
prontos para, por falta de um term o m elhor: dar o fora! Só que, pela prim eira vez desde que com eçam os o Não conta lá em casa, não acom panhei m eus colegas em um a m issão. Mas, antes
de entrar nos detalhes sórdidos dessa dram ática passagem , um a apresentação sobre o país m ais perigoso do m undo e nossos planos para entrar ali. Próxim a parada: Som ália (pelo m enos para Leo, Pesca e UFO).
INSCRIÇÕES MILENARES NAS PAREDES DAS CAVERNAS DE LAAS GAAL, EM SOMALILAND.