O Caçador de Androides

Philip K. Dick · Capítulo 15 de 23

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O Caçador de Androides

Capítulo 14

 

— PODEMOS CONVERSAR? — perguntou Roy indicando Isidore.

Pris, vibrando de felicidade, respondeu:

— Tudo bem , até certo ponto. — A Isidore, disse:

— Desculpe-nos. — Levou os Baty s até um canto da sala e conversou com eles em voz baixa. Voltaram em seguida para j unto de J. R. Isidore, que se sentia em baraçado e deslocado.

— Este é o Sr. Isidore — apresentou-o Pris. — Está cuidando de m im . — As palavras saíram -lhe dos lábios envolvidas num sarcasm o quase m alicioso. Isidore piscou.

— Estão vendo? Ele m e trouxe um pouco de com ida natural.

— Com ida! — ecoou Irm gard Baty e dirigiu-se em passos flexíveis até a cozinha a fim de verificar. — Pêssegos — disse, im ediatam ente pegando um a tigela e um a colher.

Sorrindo para Isidore, com eu, com pequeninas dentadas anim ais. Seu sorriso, diferente do de Pris, transm itia um calor sim ples e não possuía veladas conotações. Indo atrás dela — sentia-se atraído por ela — disse Isidore:

— Vocês são de Marte.

— Som os, desistim os de lá. — Sua voz subia e descia, enquanto que, com a sagacidade de um a ave, seus olhos azuis faiscavam para ele. — Que prédio horrível este onde vocês m oram . Ninguém m ais m ora aqui, não é? Não vim os nenhum a outra luz.

— Eu m oro lá em cim a — explicou Isidore.

— Oh, eu pensei que você e Pris, talvez, estivessem m orando j untos. — Irm gard Baty não dava a im pressão de desaprovar. Falava sério, obviam ente, com o um a m era declaração de fato.

Azedam ente, m as ainda sorrindo, Roy Baty disse:

— Bem , eles pegaram Polokov.

O j úbilo que aparecera na face de Pris ao ver os am igos desfez-se im ediatam ente.

— Quem m ais?

— Pegaram Garland — continuou Roy Baty. — Pegaram tam bém Anders e Gitchell e hoj e, um pouco m ais cedo, pegaram Luba. — Deu as notícias com o se elas, perversam ente, o agradassem , com o se tivesse prazer em contá-las. Com o se apreciasse o choque que via na face de Pris. — Eu não acreditava que eles pegariam Luba, Lem bra-se que eu continuei a dizer isso durante...a viagem ?

— Então, isso deixa... — disse Pris.

— Nós três — com pletou Irm gard com um tom de apreensiva urgência na voz.

— Esse é o m otivo per que estam os aqui. — A voz de Roy Baty trovej ou com um novo e inesperado calor hum ano; quanto pior a situação, m ais parecia ele apreciá-la. Isidore não conseguia entendê-lo absolutam ente.

— Oh, Deus — exclam ou Pris, abalada.

— Bem , eles tinham aquele investigador, aquele caçador de cabeças — disse agitada Irm gard — cham ado Dave Holden. — Os lábios dela gotej aram veneno ao pronunciar o nom e. — E Polokov quase o pegou.

— Quase o pegou — repetiu Roy, seu sorriso nesse m om ento de proporções im ensas.

— De m odo que ele está no hospital, esse tal Holden — continuou Irm gard. — E, evidentem ente, deram a lista dele para outro caçador, e Polokov quase o pegou, tam bém . Mas tudo term inou com ele aposentando Polokov. Depois, ele foi atrás de Luba. Sabem os disso porque ela conseguiu com unicar-se com Garland e ele m andou alguém capturar o caçador e levá-lo para o prédio da Mission Street. Entenda, Luba telefonou-nos depois que o agente de Garland capturou o caçador. Ela tinha certeza de que tudo acabaria bem , certeza de que Garland o m ataria. — E acrescentou:

— Mas evidentem ente algum a coisa saiu errada na Mission. Não sabem os o quê. Talvez nunca venham os a saber.

— Esse caçador tem nossos nom es? — perguntou Pris.

— Oh, tem , sim , querida — respondeu Irm gard. — Mas ele não sabe onde nós estam os. Roy e eu não vam os voltar para nosso apartam ento. Colocam os no carro tudo o que pudem os e resolvem os ocupar um destes apartam entos abandonados, neste velho prédio infestado de ratos.

— Isso é prudente? — perguntou Isidore, reunindo coragem . — T-t-todos ficarem em um único lugar?

— Bem , eles pegaram todos os outros — retrucou Irm gard em tom de voz tranqüilo. Ela tam bém , com o o m arido, parecia estranham ente resignada, a despeito de sua agitação superficial.

Todos eles, pensou Isidore, são estranhos. Sentiu isso, m as sem poder determ inar o m otivo. Com o se um desligam ento peculiar e m aligno lhes saturasse os processos m entais. Exceto, talvez, Pris. Ela, sem dúvida algum a, estava profundam ente am edrontada. Pris parecia quase certa, quase natural. Mas...

— Por que você não vai m orar com ele? — perguntou Roy a Pris, indicando Isidore. —

Ele poderia lhe dar certo grau de proteção.

— Um debilóide? — perguntou Pris. — Eu não vou m orar com um debilóide. — Suas narinas se dilataram de indignação.

Rapidam ente, Irm gard contestou-a:

— Acho que você está sendo tola em ser esnobe num a ocasião com o esta. Caçadores de cabeças m ovem -se com grande rapidez. Ele pode tentar liquidar tudo esta noite m esm o. Pode haver um bônus para ele se conseguir fazer o trabalho...

— Cristo, fechem a porta — disse Roy, dirigindo-se para ela. Bateu-a com força com um golpe e, em seguida, fechou-a a chave sem dem ora. — Acho que você deve ir para o apartam ento de Isidore, Pris, e tam bém acho que Irm e eu devem os ficar neste m esm o edifício. Desta m aneira, podem os nos aj udar m utuam ente. Tenho alguns com ponentes elétricos no m eu carro, sucata que arranquei da nave. Vou instalar um aviso de dupla ação, Pris, de m odo que você nos possa ouvir e nós possam os ouvi-la e tam bém preparar um sistem a de alarm e que qualquer um de nós pode disparar. É óbvio que as identidades artificiais não deram certo, nem m esm o a de Garland. Claro, Garland pôs a própria cabeça no nó, trazendo o caçador de cabeças para a Mission Street. Isso foi vim erro. E Polokov, em vez de se m anter tão longe quanto possível do caçador, resolveu abordá-lo. Nós não vam os fazer isso. Vam os ficar na m oita. — Não parecia preocupado o m ínim o. A situação parecia despertar-lhe um a energia quase m aníaca. — Eu acho... — inalou barulhentam ente, prendendo a atenção de todos ali na sala, inclusive Isidore.

— Eu acho que há um m otivo por que nós três ainda continuam os vivos. Acho que se ele tivesse a m enor pista sobre o lugar onde estam os agora, j á estaria aqui. A idéia toda por trás de caçada de cabeças é trabalhar rápido com o o diabo. É nisso que está o lucro.

— E se ele esperar — concordou Irm gard — nós escapulirem os, com o fizem os antes. Aposto que Roy tem razão. Aposto que ele tem nossos nom es, m as não nossa localização. Pobre Luba, na Casa da Ópera, bem à vista de todo m undo. Nenhum a dificuldade para encontrá-la.

— Bem — disse afetado Roy —, ela quis a situação dessa m aneira. Acreditava que ficaria m ais segura com o um a figura conhecida do público.

— E você disse para ela fazer o contrário — lem brou Irm gard.

— Isso m esm o — anuiu Roy. — Disse a ela e disse a Polokov para não tentar passar por um agente do W.P.O. E disse tam bém a Garland que um de seus próprios caçadores o pegaria, o que foi possível, concebível e exatam ente o que de fato aconteceu. Balançou-se para a frente e para trás sobre seus grossos calcanhares, sua face transbordando de sabedoria.

— E-e-eu acho pelo que e-e-estou ouvindo que o Sr. Baty é o líder natural de vocês.

— Oh, sim , Roy é um líder — garantiu Irm gard.

— Ele organizou nossa... viagem . De Marte até aqui.

— Neste caso — opinou Isidore — é m elhor vocês fazerem o que e-e-ele sugere. — Sua voz fraquej ou, de esperança e tensão. — Eu acho que seria s-s-sensacional se você fosse m orar com igo, Pris. Eu ficaria em casa uns dois dias, longe do trabalho... Eu tenho férias vencidas. Para ter certeza de que você ficaria bem . — E talvez Milt, que era m uito inventivo, pudesse proj etar um a arm a que ele pudesse usar. Algum a coisa im aginativa, que m atasse caçadores de cabeças... o que quer que eles fossem . Tinha na m ente um a im pressão indistinta, m al entrevista, de algum a coisa im placável que conduzia um a lista im pressa e um a arm a, que desem penhava autom aticam ente a função banal e burocrática de m atar, um a coisa sem em oções, ou m esm o um a face, um a coisa que, se m orta, era im ediatam ente substituída por outra parecida com ela, E assim por diante até que todas as pessoas que fossem reais e vivas tivessem sido elim inadas.

Incrível, pensou, que a polícia não possa fazer coisa algum a com relação a isso, Não posso acreditar nisso. Estas pessoas devem ter feito algum a coisa. Talvez tenham em igrado de volta para a Terra ilegalm ente. Fom os avisados — a TV nos avisa — para com unicar o pouso de qualquer nave fora dos cam pos aprovados. A polícia tinha que estar vigilante para casos com o esses.

Mas, m esm o assim , ninguém m ais era deliberadam ente assassinada. Isto era contra o m ercerism o.

— O debilóide — disse Pris — gosta de m im .

— Não o cham e assim , Pris — disse Irm gard, Lançou um olhar de com paixão a Pris. — Pense no que ele poderia cham ar você.

Pris nada disse. Sua expressão tornou-se enigm ática.

— Vou com eçar a arm ar o aparelho de alarm a — disse Roy. — Irm gard e eu vam os ficar neste apartam ento. Pris, você vai com o Sr ... Isidore. — Dirigiu-se para a porta, andando com espantosa velocidade para um hom em tão pesado.

Num instante, desapareceu pela porta, que voltou a fechar-se com um estrondo. Nesse m om ento, Isidore teve um a m om entânea, estranha alucinação: viu por um m om ento um a estrutura de m etal, um a plataform a de polias, circuitos, baterias, torretas e engrenagens — e, em seguida, a figura desleixada de Roy Baty desapareceu. Um a vontade de rir subiu dentro dele. Nervosam ente, suprim iu-a. E sentiu-se confuso.

— Um hom em de ação — disse Pris em voz distante. — É um a pena que ele sej a tão desaj eitado com as m ãos, fazendo coisas m ecânicas.

— Se nós form os salvos — retrucou Irm gard em tom de repreensão, severo, com o se a repreendendo —, será por causa de Roy.

— Mas valerá a pena? — perguntou Pris, principalm ente para si m esm a. Encolheu os om bros e, em seguida, inclinou a cabeça na direção de Isidore. — Muito bem , J. R., vou-m e m udar para seu apartam ento e você pode m e proteger,

— T-t-todos vocês — respondeu im ediatam ente Isidore.

Solene e em voz baixa, um pouco form al, Irm gard Baty lhe disse:

— Quero que saiba que apreciam os m uito o que está fazendo, Sr. Isidore. O senhor é o prim eiro am igo que penso que encontram os aqui na Terra. Isto tudo é um a grande bondade sua e, talvez, algum dia, possam os retribuir o que está fazendo por nós. — Deslizou para ele e deu-lhe um a palm adinha no om bro.

— Você tem algum a ficção pré-colonial que eu possa ler? — perguntou-lhe Isidore.

— Perdão? — Interrogativam ente, Irm gard olhou para Pris.

— Aquelas velhas revistas — explicou Pris. Juntara um as poucas coisas para levar consigo. Isidore tom ou-lhe a trouxa das m ãos, sentindo aquela alegria que vem apenas da satisfação de um obj etivo atingido. — Não, J. R., nós não trouxem os nenhum a conosco, pelas razões que expliquei.

— E-e-eu vou à biblioteca am anhã — disse ele, saindo para o corredor. — E vou arranj ar para v-v-você e para m im algum a coisa para lerm os, de m odo que você possa ter algum a coisa para fazer, além de esperar.

Levou Pris escada acim a para seu apartam ento, escuro, vazio, congestionado de coisas, m orno. Levando as coisas dela para o quarto, im ediatam ente ligou o aquecedor, as luzes e o único canal de seu aparelho de TV.

— Eu gosto daqui — disse Pris, m as no m esm o tom desligado e rem oto de antes.

Andou de um lado para o outro, as m ãos enfiadas nos bolsos da saia, na sua face um a expressão am arga, quase de indignação em seu grau de desagrado. Em contraste com o que dissera pensar.

— O que é que há? — perguntou ele, colocando-lhe as coisas em cim a do sofá.

— Nada. — Parou à j anela panorâm ica, puxou para os lados a cortina e olhou abatida para fora.

— Se você pensa que eles andam à sua procura... — com eçou ele.

— É um sonho — explicou ela — induzido pelas drogas que Roy m e deu.

— P-p-perdão?

— Você realm ente pensa que existem caçadores de cabeças?

— O Sr. Baty disse que eles m ataram seus am igos.

— Mas Roy Baty é tão louco com o eu — retrucou Pris. — Nossa viagem foi entre um hospital para doentes m entais na Costa Leste e aqui. Todos nós som os esquizofrênicos, com vidas em ocionais defeituosas... o efeito de achatam ento, é assim que cham am a isso. E nós tem os alucinações coletivas.

— Eu não pensei que aquilo fosse verdade — disse ele, aliviado.

— Por que não pensou? — Girou para fitá-lo atentam ente, num olhar tão sério que ele sentiu que enrubescia.

— P-p-porque coisas com o essas não acontecem . O g-governo j am ais executa pessoa algum a, por qualquer crim e. E o m ercerism o...

— Mas, com preenda — explicou Pris —, se o indivíduo não é hum ano, então toda a coisa se torna diferente.

— Isso não é verdade. Mesm o anim ais, m esm o enguias roedores, serpentes e aranhas, são sagrados.

Pris, ainda olhando-o fixam ente, disse:

— Assim não pode ser, pode? Com o você disse, m esm o anim ais são protegidos pela lei. Toda a vida. Todo ser orgânico que se contorce, estrebucha, cava, voa, anda em bandos, põe ovos ou... — Interrom peu-se porque nesse m om ento Roy Baty entrou abruptam ente, abrindo com violência a porta do apartam ento. Trazia a reboque um a extensão de fio.

— Os insetos — disse ele, sem dem onstrar o m enor em baraço por tê-los ouvido sem que eles soubessem — são especialm ente sacrossantos. — Tirando um quadro da parede da sala de estar, ligou um pequeno aparelho eletrônico ao prego, deu um passo para trás, exam inou o trabalho e voltou a recolocar o quadro no lugar. — Agora, o alarm a. — Puxou o fio que se arrastava e que term inava num aparelho com plexo. Sorrindo seu estranho sorriso, m ostrou o aparelho a Pris e Isidore. — O alarm a. Estes fios correm por baixo do tapete. São antenas. Captam a presença de um a ... — hesitou — entidade m entacional — disse obscuram ente — que não é um a de nós quatro.

— Bem , toca, e depois o quê? — perguntou Pris. — Ele vai entrar aqui com um a arm a. Não podem os cair sobre ele e m atá-lo a dentadas.

— Este aparelho — continuou Roy — tem um a unidade Penfield. Logo que o alarm e soa, ela em ite um estado de espírito de pânico para o. .. intruso. A m enos que ele aj a com grande rapidez, o que pode fazer. Um pânico enorm e. Aum entei a freqüência até o m áxim o. Nenhum ser hum ano pode perm anecer nas vizinhanças por m ais de alguns segundos. Tal é a natureza do pânico: leva a m ovim entos circulares aleatórios, fuga sem finalidade e espasm os m usculares e neurais. — E concluiu: — O que nos dará oportunidade de pegá-lo. Possivelm ente. Tudo dependendo da com petência dele.

— O alarm e não nos afetará? — quis saber Isidore.

— Bem , e daí? — disse Roy, voltando a seu trabalho de instalação. — De m odo que am bos saem correndo daqui no m aior pânico. Isto nos dará tem po para reagir. E eles não m atarão Isidore. Não figura na lista deles. Este o m otivo porque ele é útil com o proteção.

— Você não podia arranj ar coisa m elhor, Roy ? — perguntou brusca Pris.

— Não — respondeu ele —, não posso.

— A-a-am anhã eu posso conseguir um a arm a — disse Isidore entrando na conversa.

— Você tem certeza de que a presença de Isidore aqui não vai disparar o alarm e? — perguntou Pris. — Afinal de contas, ele é...você sabe.

— Com pensei as em anações cefálicas dele — explicou Roy. — A som a delas não provocará coisa algum a. Será necessária a presença de m ais um ser hum ano. Um a pessoa. — Fechando a cara, olhou para Isidore, dando-se conta do que dissera,

— Vocês são andróides — disse Isidore. Mas não se im portou Isto não fazia diferença algum a para ele. — Agora estou com preendendo por que eles querem m atar vocês — continuou. — Na realidade, vocês não são vivos.

— Tudo nesse instante fazia sentido para ele. O caçador de cabeças, a m orte dos am igos deles, a viagem para a Terra, todas essas precauções.

— Quando usei a palavra "hum ano" — disse Roy Baty a Pris —, usei a palavra errada.

— Tudo bem , Sr. Baty — tranqüilizou-o Isidore. — Mas o que é que isso m e im porta?

Quero dizer, eu sou um especial. Eles tam pouco m e tratam m uito bem , com o, por exem plo, eu não posso em igrar. — Descobriu que com eçara a gritar. — Vocês não podem vir para cá. Eu não posso. .. — Acalm ou-se.

Após um a pausa, Roy Baty observou laconicam ente:

— Você não gostaria de Marte. Não está perdendo coisa algum a.

— Eu estava m e perguntando quanto tem po dem oraria antes de você com preender — disse Pris a Isidore. — Nós som os diferentes, não?

— Foi isso provavelm ente o que fez com que Garland e Polokov com etessem erros — disse Roy Baty. — Estavam tão danadam ente certos de que conseguiriam passar por hum anos, Luba, tam bém .

— Vocês são intelectuais — disse Isidore. Sentia-se excitado novam ente, por ter com preendido. Em oção e orgulho. — Vocês pensam abstratam ente, e eu não. .. — Fez um gesto, as palavras enredando-se um as nas outras. Com o sem pre. — Eu gostaria de ter um intelecto, com o vocês têm . Neste caso, eu passaria no teste, não seria um debilóide, Acho que vocês são m uito superiores. Eu poderia aprender um bocado com vocês.

Após um intervalo, Roy Baty disse:

— Vou acabar de instalar o alarm a. — E voltou a trabalhar.

— Ele não com preende ainda — disse Pris num a voz seca, quebradiça — com o nós saím os de Marte. O que fazíam os lá.

— O que não podíam os evitar de fazer — grunhiu Roy Baty.

Irm gard estava na porta aberta que dava para o corredor e eles a notaram no m om ento em que falou:

— Não acho que tenham os que nos preocupar com o Sr. Isidore — disse, séria. Dirigiuse em passos rápidos para ele e olhou-o no rosto. — Com o ele disse, tam pouco o tratam m uito bem . E ele não está interessado no que fazíam os em Marte. Conhece-nos, gosta de nós, e um a aceitação em ocional com o esta... é tudo para ele. É difícil para nós entenderm os isto, m as é verdade. — A Isidore disse, m ais um a vez bem perto dele e observando-o com atenção:

— Você poderia ganhar um bocado de dinheiro nos denunciando, com preende isso? — Virando-se, anunciou: — Está vendo, ele com preende, m as ainda assim não vai fazer coisa algum a.

— Você é um grande hom em , Isidore — disse Pris.

— Um crédito para sua raça.

— Se ele fosse um andróide — disse convicto Roy —, nos denunciaria am anhã às dez. Iria para o trabalho e isso seria o fim . Estou arrasado de adm iração. — Seu tom de voz não podia ser decifrado. Isidore, pelo m enos, não podia com preendê-lo. — E nós im aginam os que este aqui seria um m undo sem am igos, um planeta de faces hostis, todos contra nós. — Soltou um a gargalhada alta.

— Eu não estou absolutam ente preocupada — declarou Irm gard.

— Você devia estar m orrendo de m edo — observou Roy.

— Vam os votar — sugeriu Pris. — Com o fazíam os na nave quando estávam os em desacordo.

— Bem — disse Irm gard —, não vou dizer m ais coisa algum a. Mas se recusarm os esta oportunidade, não acredito que possam os encontrar outro ser hum ano que nos aceite e nos aj ude. O Sr. Isidore é ... — Procurou a palavra.

— Especial — acabou Pris a frase para ela.