O Caçador de Androides

Philip K. Dick · Capítulo 21 de 23

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O Caçador de Androides

Capítulo 20

 

ÓTIMO — DISSE HARRY BRYANT ao ser inform ado. — Bem , agora vá descansar um pouco. Vam os m andar um carro de patrulha apanhar os três corpos. Rick Deckard desligou.

— Andróides são estúpidos — disse selvagem ente ao especial. — Roy Baty não conseguiu m e distinguir de você. Pensou que era você que estava à porta. A polícia fará um a lim peza geral aqui. Por que não fica em outro apartam ento até que term ine tudo?

Você não vai querer ficar aqui com o que sobrou.

— Eu vou deixar este p-p-prédio — respondeu Isidore. — Vou m orar m -m -ais no centro da cidade, onde há m -m -m ais gente.

— Eu acho que há um apartam ento vago no m eu prédio — lem brou Rick.

— Eu não q-q-quero m orar perto de você — gaguej ou Isidore.

— Vá lá para fora ou para cim a — recom endou Rick. —Não fique aqui.

O especial perm aneceu hesitante, sem saber o que fazer; um a grande variedade de expressões m udas cruzaram -lhe a face. Em seguida, voltando-se, saiu arrastando os pés do apartam ento, deixando Rick sozinho.

Que trabalho este que faço, pensou Rick. Eu sou um a praga, com o a fom e ou a peste. Aonde quer que eu vá, acom panha-m e a antiga m aldição. Com o disse Mercer, sou obrigado a proceder m al. Tudo o que fiz, desde o inicio, foi o m al. De qualquer m odo, é tem po de voltar para casa.

Talvez, depois de passar algum tem po com Iran, eu esqueça tudo.

Ao chegar ao seu prédio, Iran foi recebê-lo no telhado. Fitou-o de um a m aneira desequilibrada, peculiar. Em todos os seus anos com ela, j am ais a vira assim . Enlaçando-a com o braço, disse:

— De qualquer m odo, acabou. E ando pensando, talvez Harry Bry ant possa m e designar para um ...

— Rick — disse ela. — Tenho que lhe contar um a coisa. Sinto m uito. A cabra m orreu.

Por algum a razão, isto não o surpreendeu. Fê-lo apenas sentir-se pior, num a som a extra de peso que o com prim ia por todos os lados,

— Acho que há algum a garantia no contrato — respondeu. — Se adoecer dentro de noventa dias da venda, o vendedor...

— Ela não adoeceu. Alguém — Iran pigarreou e continuou em voz rouca —, alguém veio até aqui, tirou a cabra da j aula e arrastou-a até a beira do telhado.

— E em purrou-a? — perguntou ele.

— Foi — confirm ou ela, inclinando a cabeça.

— Você viu quem foi que fez isso?

— Eu vi perfeitam ente — respondeu Iran. — Barbour ainda estava por aqui, tratando do anim al dele. Desceu para m e cham ar e cham am os a polícia, m as a essa hora o anim al estava m orto e a pessoa tinha ido em bora. Foi um a m oça bem j ovem , com cabelos escuros e grandes olhos pretos, m uito m agra. Vestia um casaco longo de escam as de peixe. Usava um a bolsa tipo sacola de correio. E não fez coisa algum a para evitar que a víssem os. Com o se não se im portasse.

— Não, ela não se im portava — disse ele. — Rachael não daria a m ínim a se você a visse. Provavelm ente, queria que a visse, de m odo que eu soubesse quem fez isso. — Beij ou-a. — Você esteve aqui esperando este tem po todo?

— Som ente m eia hora. Foi quando a coisa aconteceu. Faz m eia hora. — Ternam ente, retribuiu o beij o. — Foi tão horrível. Tão desnecessário.

Ele voltou-se para o carro estacionado, abriu a porta e sentou-se ao volante.

— Não foi desnecessário — disse. — Ela tinha o que lhe parecia um a razão. — Um a razão de andróide, pensou.

— Para onde você vai? Não vai descer e,,. ficar com igo? A TV deu um a notícia extrem am ente chocante. Buster Am igão diz que Mercer é um a im postura. O que é que você acha disso, Rick? Você acha que isso poderia ser verdade?

— Tudo é verdade — respondeu ele. — Tudo aquilo em que qualquer pessoa j am ais pensou. — Ligou o m otor do carro.

— Você vai se recuperar?

— Vou m e recuperar — respondeu ele, e pensou: e vou m orrer. Mas estas tam bém são verdades.

Fechou a porta do carro, fez um sinal com a m ão para Iran e m ergulhou no céu noturno. Antigam ente, pensou, eu teria visto as estrelas. Há anos. Mas agora só há poeira, ninguém vê um a estrela há anos, pelo m enos não da Terra. Talvez eu vá para algum lugar onde possa ver estrelas, disse a si m esm o quando o carro ganhou velocidade e altitude, afastando-se de São Francisco, a cam inho da desolação desabitada do norte. Para um lugar onde ser vivo algum iria.

Não, a m enos que achasse que chegara o fim .