Scrum: Um Guia de Bolso
1.4 O contínuo iterativo-incremental
Uma abordagem Ágil fatia o tempo em iterações time-box, períodos com início e fim fixos. Há muitas vantagens na técnica do time-box, com Foco sendo uma delas. Esta técnica de gestão do tempo permite a absorção de pivôs ou alterações disruptivas, bem como assegura verificações regulares de modo que as lições aprendidas possam ser incorporadas de uma iteração na seguinte, numa situação de fluxo mais contínuo. O objetivo principal de cada iteração é criar versões valiosas do produto funcionando o mais tardar ao final dela, com intuito de coletar feedback e permitir o aprendizado antecipado.
No Ágil, todo trabalho de desenvolvimento é reorganizado para otimizar a habilidade de responder e capitalizar as oportunidades de negócio. “Valor” é a resposta para demandas do usuário, mercado e negócio e a medida global de progresso e sucesso. Valor é uma suposição interna dentro da organização até que o Produto seja realmente lançado para o mercado. Lançar versões de produtos para o mercado é a única maneira de validar esta suposição de valor. Lançar para o mercado regularmente é a única maneira de se adaptar ao feedback e apreciação, ou falta dos mesmos, do mercado. Isto é feito em evoluções subsequentes do produto. O valor é continuamente otimizado entre as iterações. O risco é controlado pela produção consecutiva de incrementos funcionando com base na definição padrões de desenvolvimento.
“Risco” também se relaciona com a perspectiva de negócios. Tenha em mente que, certamente em um contexto de TI, o risco é normalmente definido como algo técnico (O sistema irá funcionar? O sistema é escalável?). Abrange o aspecto de um produto utilizável (Será tecnicamente estável? Vai quebrar?). Mas uma mera perspectiva sobre o risco que é técnica ou de desenvolvimento, muitas vezes ignora o fato de que o objetivo final do Desenvolvimento Ágil é proporcionar maior satisfação aos clientes e usuários finais para garantir que os produtos lhe são úteis. Um produto sendo utilizável a partir de uma perspectiva técnica de risco é apenas o começo.
Qualquer processo de desenvolvimento moderno deve resolver o risco de não ser capaz de capitalizar sobre oportunidades de mercado imprevistas e previamente desconhecidas, de não lançar o produto rápido o suficiente, de estar sujeito a insatisfação do cliente, por exemplo lançando uma versão não testada, o risco de entregar funcionalidades que não são o que os usuários esperam ou apreciam, o risco de ficar para trás da concorrência.
O Desenvolvimento Ágil é organizado de forma mitigar esse risco (de negócio) ao máximo. As necessidades de alto valor são respondidas primeiro. Versões de produto e atualizações são lançadas rapidamente e frequentemente. Satisfazem as necessidades existentes, bem como incluem funções inovadoras e inesperadas. Elas fazem com que os usuários paguem pelo produto e otimizem o retorno para os stakeholders. Elas são de alta qualidade, a fim de minimizar a manutenção e suporte, otimizando o Custo Total de Propriedade (“CTP”).
O Ágil reconhece o objetivo principal das atividades ‘normais’ de TI (na Figura 1.4 grosseiramente representado como Análise, Projeto, Codificação e Teste/Integração), mas quebra sua organização sequencial. Para produzir versões do produto lançáveis com o dinamismo certo e obter os benefícios mais cedo, as atividades são estruturalmente reorganizadas. O objetivo é habilitar a flexibilidade e a velocidade em vez de bloqueá-las. No Ágil todas essas disciplinas são executadas de forma incremental, não-linear, concorrente e numa base diária, por equipes multifuncionais com colaboração contínua e negociação sobre ideias, técnicas e práticas emergentes.
O objetivo de uma abordagem integrada e multifuncional é construir qualidade intrínseca e evitar defeitos, em vez de tentar estabelecer qualidade por uma abordagem de caça bugs numa fase pós-criação. É imperativo transformar o desejo de lançar regularmente na real capacidade de fazê-lo. Qualidade não pode ser adicionada a um produto acabado. Atrasos e orçamentos crescem fora de controle quando falta de qualidade é identificada após o processo de criação.
Visando os benefícios reais e duradouros do Desenvolvimento Ágil requer ir além das fronteiras do departamento de TI (ou similares técnicos). A maneira como o Ágil não só abraça e incorpora a mudança, mas a incentiva, provavelmente desafiará grande parte de uma organização. Mas é mais que uma obrigação; é uma oportunidade. Uma organização inteira vai prosperar ao adotar a forma Ágil de trabalhar, com seus ciclos curtos, resultados frequentes e adaptações evolutivas. A visão e abordagem Ágil permitem departamentos e partes maiores da organização a finalmente parar de tentar prever o imprevisível. Ágil incorpora lidar com respostas, soluções e ideias concorrentes que emergem enquanto se entrega o produto.
Pode levar algum tempo para experimentar o fato de que a aprendizagem contínua inata no Ágil de fato aumenta o controle em meio a organizações, negócios e circunstâncias de mercado turbulentos. Pode levar algum tempo para mudar o foco da gerência em julgar o passado, por exemplo, por meio de registros de efetivos e de tempo. Pode levar algum tempo para ganhar a confiança sobre a otimização e entrega de valor de negócio por meio de incrementos do Processo de Desenvolvimento Ágil.
Pode levar algum tempo para aceitar que a agilidade leva tempo. Pode levar algum tempo para aceitar que a agilidade não precisa ser analisada, projetada e planejada antes que uma transformação possa decolar.
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