Scrum: Um Guia de Bolso
1.5 Agilidade não pode ser planejada
Agilidade é o estado vislumbrado pela transição para uma maneira Ágil de trabalhar. Agilidade é um estado de fluxo contínuo, alta capacidade de resposta, velocidade e adaptabilidade. É um estado necessário para lidar com a imprevisibilidade, tão comum ao trabalho criativo de desenvolvimento de produto e aos mercados dinâmicos que as organizações operam.
Agilidade não tem propósito se as características acima referidas de fluxo, capacidade de resposta, velocidade e adaptabilidade não são expandidas à relação da organização e seus mercados, comunidades e clientes. A adoção de Métodos Ágeis é um fundamento importante para tal agilidade empresarial em larga escala. Da adoção do Ágil, novos processos emergem juntamente com uma nova cultura organizacional de aprendizagem, melhoria e constante adaptação, e o respeito restaurado pelas pessoas. Ao longo da adoção, aprendizados importantes são enraizados e injetados no DNA da organização.
Existem algumas verdades básicas que são fundamentais para definir as expectativas corretas para qualquer transformação em direção a um estado crescente de Agilidade. A introdução de Métodos Ágeis sem aceitar essas verdades essenciais fecha a porta para o aumento da agilidade ao invés de transformá-la em uma porta de entrada de oportunidades:
❖ Agilidade não pode ser planejada; ❖ Agilidade não pode ser ditada;
❖ Agilidade não pode ser copiada; ❖ Agilidade não tem um estado fim.
Uma maneira planejada para introduzir os Métodos Ágeis induz a expectativas inadequadas e desfavoráveis. A introdução de Métodos Ágeis é a introdução de um novo paradigma e causará um tumulto organizacional significativo. Procedimentos, departamentos e funções existentes são impactados. A mudança é altamente complexa e, portanto, não previsível. Numa transformação para uma maneira Ágil de trabalhar, não há nenhuma maneira de prever quais necessidades de mudança serão encontradas em que ponto no tempo, como estas serão tratadas, como as novas formas de trabalho serão absorvidas e qual será o resultado exato de forma a planejar e controlar os próximos passos. Não há maneira de prever o ritmo em que a mudança se espalhará e criará raiz.
Agilidade em si é muito mais do que seguir um novo processo. É sobre comportamento, é sobre mudança cultural. A decisão de mover-se para Agilidade é uma decisão de deixar o velho formato (industrial) para trás. Não se trata apenas de aceitar, mas também de celebrar o fato de que a Agilidade é viver a arte do possível. Requer coragem, honestidade e determinação de atuar no presente, agindo sobre a realidade que é exposta pelo progresso iterativo-incremental. Agilidade é fazer o melhor possível em todos os momentos, restrito aos meios que temos e enfrentando as limitações que surgem. Uma maneira planejada para uma transformação Ágil ignora a essência da Agilidade, a de lidar com a complexidade por meio de passos bem ponderados de experimentação, aprendizagem e progresso. Planos temporais e tentativas de planejamento da agilidade que vão contra às restrições de tempo simplesmente estendem o pensamento antigo. É até mesmo contraproducente, pois um plano vai ativamente desacelerar o processo de transformação, pois atrasos graves e tempos de espera são incorporados.
Os planos temporais criam a ilusão de prazos e um último estado final. Agilidade não tem estado final. A Agilidade é um estado de melhoria contínua, um estado em que todo o status quo é desafiado por nossa própria vontade ou por turbulência externa.
Agilidade é um estado único e que evolui continuamente, que reflete as lições e aprendizados que uma organização passou e passa, a forma como aborrecimentos e obstáculos específicos foram superados, as muitas inspeções e adaptações que ocorreram ao longo da jornada. Agilidade é uma assinatura única, com impressões das pessoas, relações, interações, ferramentas, processos, práticas, construtos, dentro e por meio dos muitos ecossistemas que existem dentro de uma organização. Nenhum modelo pode prever, esboçar ou capturar tal assinatura única. Agilidade é um caminho que requer visão, crença, persistência e... trabalho duro. Agilidade como um estado de alta adaptabilidade alcançada por meio de adaptações regulares no trabalho real produzindo resultados observáveis. O que funciona hoje pode não funcionar amanhã. O que funciona para um conjunto de times, tecnologia e negócios podem não funcionar para outra combinação. Inspeção sem adaptação, em um mundo de complexidade, criatividade, concorrência feroz e imprevisibilidade, é inútil. Adaptação sem observação é falha em direção.
Vivendo a arte do possível contra resultados imprevisíveis engaja as pessoas e acelera uma transformação à medida que molda o futuro, prospera sobre o estado indeterminado do futuro e o que ele pode trazer. É um futuro brilhante para as organizações que têm a visão, determinação e dedicação; a coragem de afastar-se de seguir um plano ou copiar um modelo.
Estas verdades básicas devem estar no coração e na mente de cada pessoa que gerencia, guia, facilita ou lidera uma transformação baseada na mentalidade Ágil. E mesmo assim, ainda leva tempo para que a Agilidade se estabeleça nos corações e mentes das pessoas impactadas pela transformação. Afinal, as pessoas têm sido instruídas no comportamento errado por meio do paradigma industrial por décadas ou às vezes mais.
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