Sete, Para a Morgue
Dez
O motorista do caminhão de bombeiros e seu Tenente conseguiam ver o brilho no céu noturno três minutos após o Caminhão Dois ter saído da estação. O bombeiro veterano, no assento atrás do condutor, estava demasiadamente ocupado para rodar para ver o que os homens na cabine estavam vendo. Ele estava afivelando o seu casaco de bombeiro, puxando o seu capuz, desatando os arreios do seu equipamento de bombeiro, atando o cordão da sua máscara ao redor do pescoço. Ele via apenas o que ele estava fazendo e, e quando ele olhou para cima na direção da mangueira, reflexões em vermelho, branco e azul, das luzes saltando do painel de controle. O novato, no assento auxiliar no outro lado do compartimento do motor, atrás dos seus comandantes, estava muito nervoso e demasiado ocupado vestindo seu equipamento novo para ficar olhando para qualquer lugar ou ver nada. Os caminhões de bombeiros estavam no seu caminho para o primeiro trabalho de incêndio real do novato.
No momento em que entraram na Rua Float, o motorista e seu Tenente podiam ver a casa se destruindo com as chamas, rodando como eles diziam no negócio de incêndios, queimando até o Inferno, não bastaria, e ainda eles estavam a uma quadra de distância. O motorista parou o caminhão passando a esquina do hidrante. O Tenente abriu a janela entre ele e o assento aberto. Ele abriu a boca para falar com o novato, mas, do lado dele, o condutor gritou, "Agarra ele, Novato!" O Tenente sorriu.
O novato saiu do seu lugar, se moveu apressadamente para parte de trás do motor, agarrou a junta da sua mangueira abastecedora de cinco polegadas (com a chave em anexo), e a levantou da base. Ele puxou várias dobras da mangueira para o pavimento, arrastado o material para a volta e enrolou em volta do hidrante. O motor rugiu e liberou o suprimento de mangueira na rua atrás dele, em direção da casa em chamas. Sozinho, o novato ansioso passou a trabalhar conectando a mangueira para seu abastecimento de água.
Um policial, que tinham descoberto o fogo e tocado o alarme, pôs-se em frente da casa. Apenas um punhado de curiosos estavam reunidos, olhando fixamente e ameaçando se meter no meio, mas era cedo (1:30 da manhã) e o fogo só recentemente tinha se mostrado. Como as chamas cresceram, como as sirenes e luzes aumentaram, os vizinhos começaram a perceber o que estava acontecendo então, apesar das calçadas cheias de gelo, o ar congelado, a neve do inverno por toda a parte, a plateia escassa iria crescer em uma multidão. Inverno ou verão, eles sempre estavam lá.
O motor fez a contenção mais próxima da casa e o engenheiro galgou para baixo da cabine. Ele desacoplou a boca da sua mangueira do hidrante, reconectou no caminhão e subiu a meio navio para acionar a bomba controladora. Ele passou pelo bombeiro veterano, deixando seu assento em plena marcha e com o equipamento, começou pela rua gelada indo em direção para a traseira do motor. O Tenente, que não gostava de alarmes ou do frio, pisou em baixo cuidadosamente do seu lado da cabine para avaliar a situação. A casa era um bagulho cinzento de dois andares. As janelas do térreo - em especial, uma grande janela panorâmica com vista para o alpendre – estava negra com a fumaça que rolava. A janela acima, provavelmente um quarto, estava preta, mas muito mais, viva, com dedos de chama dançante cutucando através da rotatividade do calor. Pela plataforma traseira, o veterano via também. "Isto", ele resmungou, " vai ser uma merda".
O combate de incêndio, como qualquer profissão, tinha suas rotinas e os detalhes da cena de incêndio não são necessários. Basta dizer que tudo correu mais de menos a forma como o livro dizia que deveria ser. Caminhão Um chegou com mais ajuda e um Capitão para tomar o comando. A Escada Um chegou com um casal de troncudos, imbecis peões para cortar as telhas do telhado, puxar o teto para baixo e quebrar janelas. O Delegado (a cidade era demasiado pequena para Batalhões) apareceu rapidamente com a habitual mancha de geleia na sua camisa do uniforme branco. (O Xerife estava na cama em casa). Mais polícias apareceram, naturalmente, para lidar com o tráfego, a crescente multidão, e para eles mesmo espionarem. Duas ambulâncias aportaram ali no ato, não apenas para tratarem e transportar os feridos, mas porque os paramédicos, também eram bombeiros. O engenheiro do controle de bomba tocou a buzina de ar, dois toques.
Ao ouvir o sinal, o novato abriu a válvula do hidrante de incêndio e a mangueira de alimentação de cinco polegadas cheia com água, gorda e sebosa, para baixo ao longo do comprimento do bloco. Máscaras de ar foram puxadas, linhas de ataque foram ativadas e houve uma tentativa de entrada na casa em chamas.
Tentativa foi a palavra chave. A porta da frente estava escancarada, mas, estranhamente, não deveria abrir. Ela apenas não poderia ser aberta. Foi aqui quando a sensação começou a crescer entre os bombeiros de que havia algo de estranho na casa. A porta dianteira teria de ser arrancada para fora da estrutura. Com a primeira linha de ataque parado ali, uma segunda equipe quebrou o vidro da janela da sala de estar, e para agravar engoliram uma nuvem de fumaça preta. Tentaram puxar a mangueira sobre o parapeito da janela e, também eles, imediatamente viram que o seu avanço estava impedido. Não era incomum para um bombeiro de combater até conseguir controlar a situação, mas esse lugar estava chutando eles para fora antes que eles pudessem alcançar a varanda. Para encurtar, longa história, lutaram arduamente e uma entrada foi feita e o combate começou a alcançar a base do fogo.
Ao longo do caminho, a bizarra causa de suas angústias foi descoberta. Logo se tornou evidente, que os ocupantes da casa eram marginais. O lugar inteiro, além de estar cheio de fumaça e fogo, também estava cheio de lixo. Isso não é exagero. O piso não existe. Ele foi sepultado por três pés de lixo espalhados e porcaria recolhida. Foi por essa razão que a porta da frente não podia ser aberta e porque a equipe não conseguiu entrar através da janela. Cegados em um mundo de fumaça preta, eles não podiam ver que eles também estavam rodeados com lixo a perder de vista. Os bombeiros não podiam nem rastejar, como muitas vezes eles tinham feito, nem podiam se posicionar no caminho. O lixo em que foram forçados a caminhar era tão alto que eles tinham de mergulhar nele para chegar até a entrada. Isto no escuro, com 35 quilos de equipamento, arrastando a mangueira, respirando ar engarrafado, combatendo o fogo. Não estava sendo fácil.
O número crescente de curiosos, entretanto, assistindo os bombeiros tentando salvar seus vizinhos, estavam tendo um grande momento. Apesar da noite de inverno congelante, na sua nunca-nada-acontece cidade, era praticamente uma festa. Uma dupla de rapazes tinha até cerveja, até que um dos polícias viu eles e ordenou que as latas fossem jogadas fora. Insatisfeitos, em grande escala, alegaram seus direitos e lhe chamaram de cadela na cara dela. A policial não ficou impressionada. Ela repetiu a sua ordem e a cerveja foi jogada na neve.
O curioso que estava tendo o melhor tempo de todos, era um cara que estava sozinho, perto da parte de trás da multidão agitada. Seu nome era Doug Gamley e, sinceramente, ele estava desfrutando tanto do show, que a única coisa que podia fazer era manter a sua mão longe do seu ‘pau’. Veja você, Gamley, e um "amigo" seu (que vai ainda entrar oficialmente na história) um rapaz chamado Kevin Connor, tinham começado o incêndio na casa. É certo. De propósito eles atearam fogo, na cozinha e na sala de estar, não dez minutos após eles terem amarrado, e não dois ou três minutos após eles terem matado, os irmãos gémeos que moravam ali.
O incêndio se tornou um vermelho laranja brilhante graças ao ar frio da noite. A fumaça preta circulando para fora, através das novas aberturas da porta e janela, como se não fosse da conta de ninguém. No interior, os bombeiros não poderiam ver as luvas em frente da sua própria cara com máscaras ou de encontrar as suas traseiras com essas mesmas mãos. Sob essas condições, com a adição de água pressurizada que ao ser lançada no lugar congelou em minutos, levou um bom tempo enquanto eles “faziam uma geral" como diziam no negócio.
Nesse tempo, o mais recente membro do time, o novato que vistoriava o suprimento de água do motor, tinha deixado o hidrante e puxou a mangueira para entrar em ação. Os bombeiros não correm em cenas de incêndio, por toda uma série de razões, mas ele era um castor ávido e que era uma lição que ele ainda teria de aprender. Talvez algum outro dia. Agora, ele queria ser um "entra na merda". A pressa foi apenas o primeiro erro que cometeu na sua emoção. Ele estava prestes a fazer ainda muitos outros. Sem dizer a ninguém, ele agarrou um equipamento de ar do caminhão. Ele entrou em cena sem pedir para o Comando de Incidentes. E tendo atado uma garrafa de ar e vestido a sua máscara, ele entrou na casa em chamas sem qualquer dos outros bombeiros ocupados saberem que ele tinha deixado o hidrante. Ele foi sozinho – um absoluto não pode - em seu primeiro incêndio.
O novato tinha passado pela academia de modo que ele não estava surpreso que não parecia com os incêndios na televisão. Na TV, bombeiros sem mascaras se moviam através de quartos bem iluminados pelo fogo, gritavam diálogos heroicos uns com os outros como se pudessem salvar os presos inocentes. No que era de verdade, o ar sobreaquecido e falha ao vestir o equipamento corretamente significava uma morte rápida. O calor era opressivo, o ar estava cheio de fumaça preta e você não podia ver nada. Não, ele não estava surpreso. Mas rapidamente estava envergonhado e perdido.
Equipe dois ainda estava na sala de estar presa no que equivalia a uma caixa gigante; com seus lados feitos de mobiliário (uma mesa e sofá com certeza, outros itens menos perceptíveis na fumaça), montanhas gigantescas jornais e livros empilhados, caixas de papelão com tralhas, e lixo comum (garrafas de dois litros derretidas, fezes de animais, copos amassados e sacos de papel amarrados como um arco-íris apresentando logotipos famosos de casa de lanches). Eles tinham de descer a sua mangueira e, juntos, derrubar uma das pilhas de papel para conseguirem passagem, apenas para que eles pudessem subir no topo do monte de lixo correndo através da casa e avançar com o esguicho.
A equipe um tinha entrado pela porta da frente e em baixo de uma sala em desordem, alcançado a cozinha e encontrado um dos focos do incêndio. Era óbvio, mesmo com poucos detalhes, a casa estava queimando em vários lugares e provavelmente tinha sido iniciado por um incendiário. Mas tudo isso seria uma bagunça para mais tarde. Agora tudo estava queimando em chamas a poucos metros de distância e eles tinham que apagar o maldito de uma vez por todas. Evidentemente ao apagar o fogo com água mergulhou a cozinha de volta na escuridão.
O novato encontrou o seu caminho para a cozinha logo depois; embora ele não tinha a menor ideia de que o que ele tinha feito. Ele estava em pé na fumaça preta apenas a poucos metros da equipe um - sem ser as menos estarem conscientes da presença dos outros. Ele deu um passo cego e errado à sua direita, através de uma porta de entrada faltando uma porta e caiu como um jumento ofegante para baixo de uma escada de madeira. No meio do caos, a crepitação e estalos do incêndio, os jatos de água, madeira se rachando, o vidro se quebrando, os gritos dos bombeiros embaralhados, a rádios grasnando, o barulho da multidão e policiais lá fora, ninguém na cozinha ouviu nada. Ninguém sabia que o novato tinha estado ali do lado deles. Ou que, agora, ele foi se embora novamente.
O novato atordoado se colocou de pé no porão. Ele bateu a sua máscara na diagonal e não conseguia respirar. Ele não estava somente tonto e nocauteado, ele estava sufocando. Saltou fora do que quer que fosse que tinha causado sua queda, sem ser capaz de ver, e de volta de joelhos. Ele lutou para tirar seu capacete, lutou para tirar a sua máscara para cima e sobre a sua cabeça – engasgando. Sob a máscara o novato era um belo loiro, nos seus vinte e poucos anos, com um maxilar acinzentado e olhos de um azul suave de quarto de dormir; olhos que, naquele momento, ele olhou em torno da adega no porão.
Ele pode ver que aconteceu em baixo uma grande filtragem de fumaça cinza, mas, como o fogo parecia acontecer somente no andar superior, não era nuvens de fumaça que circulavam lá. Também tinham água, muita, várias polegadas de profundidade sobre o piso e chovendo para baixo entre as vigas do teto e das atividades no piso acima; um chuveiro sobre uma gaiola de pedra escura. Apesar da chuva artificial, o porão também tinha uma luz âmbar...
Tentando pegar um fôlego, o engasgado, novato suando deu uma olhada para a vela incandescente através da escuridão. Velas, era o que ele estava vendo. Velas acesas, organizadas em torno de uma pintura em uma parede, o que parecia ser uma espécie de santuário. Ele piscou os olhos através da fumaça até uma estrela, uma estrela de cinco pontas, pintada dentro de um círculo com as velas penduradas em cada ponto. Era um pentagrama, um pentagrama assustador, apenas como aqueles vistos nos filmes de satanismo, caça às bruxas e lobisomem.
Que diabos é isso? Ele fechou os olhos, voltando para trás e baixou a sua cabeça para respirar mais devagar, se não mais fácil, para encontrar algo melhor do que o ar que tinha perto do piso da adega. Quando ele abriu os olhos novamente, ele viu aonde ele tinha desembarcado, a coisa que tinha provocado a sua queda. Era o corpo de um homem velho, vestido no que parecia ser um robe negro de um sacerdote, salpicado com sangue, sentado ereto na elevação da água no chão, seus braços atrás dele, suas costas contra a parede de pedra calcária desmoronando na parte inferior das escadas. Ele parecia ter tomado o mesmo tombo que o novato teve - com uma importante diferença. O homem velho não tinha nada mais que os degraus de madeira e o piso de concreto para amortecer a sua queda. E...ele tinha um pedaço grosso de fita em toda a sua boca e enrolado ao redor de sua cabeça.
O pânico atingiu o novato. De repente tudo tinha mudado. Isso já não era apenas a sua primeira cena de incêndio. Este era um trabalho de incendiários. Este era um assassinato!
Tremendo, ele pegou o velho camarada e o moveu ligeiramente, forçando a olhar para atrás dele. Sim, suas mãos também estavam atadas. O velho tinha sido amordaçado, amarrado e empurrado pelas escadas abaixo. A casa tinha sido intencionalmente posta ao fogo! Depois veio o Corpo de Bombeiros de modo que ele pudesse heroicamente cair pelas mesmas escadas e aterrissar em cima do pobre homem. O novato sentia seu estômago enjoado. Ele já estava respirando como uma locomotiva, tentando recuperar o fôlego no que era uma adega enfumaçada, agora ele precisava respirar profundamente para não vomitar. Ele tinha se colocado na parte superior dele. Mas isso importa realmente? O homem estava mais morto do que morto. Ele arrancou a fita dos punhos dele, trouxe os seus braços finos para frente e pousou as suas costas contra a parede. Ele desgrudou a fita e puxou ela para fora da sua boca. Ele pendia para frente, no rosto dele, procurando ver se tinha respiração.
O novato não viu que as velas sobre o pentagrama se acenderam atrás dele. Ele estava muito ocupado gritando em estado de choque quando o velho abriu os olhos.
Assustou ele até o inferno, o fez tremer até a sua medula. Ele teria acrescentado um grito de alarme, mas ele ainda tinha que conseguir respirar de volta. Ele teria jurado sobre uma pilha de Bíblias que o cara estava morto. Antes do bombeiro se recuperar a mão do velho apareceu da piscina de água rasa sobre o piso e agarrou ele pela garganta. O seu aperto era assustador. Seu aperto era como uma prensa, cortando inteiramente o seu ar, impedindo até mesmo de dar um suspiro de terror. E era terror. Os olhos do velho viravam para cima e para trás deixando nada mais que o branco amarelado brilhando em órbitas profundas da sua cabeça. Sua boca aberta mostrando a falta de dentes e gengivas azuis. Um murmúrio do fundo do profundo do inferno, e um cheiro combinando, escapou de sua boca e atingiu em cheio o jovem bombeiro na face. Então algo terrível e horrendo se passou e para fora das entranhas do velho. O novato se sacudiu forte com o que seja que lhe atingiu. Ele gritava, ou teria gritado, mas a terrível redemoinho de essência tinha silenciado o som como que perfurado o seu caminho na sua boca e desaparecido dentro dele. O velho homem caiu de volta contra a parede, morto de novo. O jovem bombeiro em convulsões caiu de volta na água.
Quando o espasmo passou e os respingos vieram à tona, movendo-se rigidamente com empurrões exagerados, o novato sentou-se. Sem uma palavra ele ficou de pé. Ele vestiu a sua máscara de ar de borracha preta, seu rosto e os olhos ferozmente escancarados sumindo atrás da espessura da lente e, em cima seu capacete revestido de carbono. Ele se voltou para o altar improvisados que brilhava com a luz da cintilação das velas. Ele olhou para o pentagrama no centro do santuário escuro e, fez o melhor que pode sob o equipamento de ar pesado, se curvado no que parecia ser um gesto de profundo respeito para alguma escura e invisível autoridade.
Dando a volta, ele caminhou pelo meio da água em toda a área do porão, pegou os degraus de pedra, atirou para abrir as portas de madeira no antigo átrio e inclinado subiu para fora do porão.
* * *
A multidão de curiosos agora tinha dobrado de tamanho, estavam se divertindo atrás da barricada policial. Doug Gamley, ainda atrás, ainda se deleitando com a destruição e, em particular, a parte que tinha desempenhado, no entanto irritava que ele tinha de desfrutar sozinho. Kevin Connor, seu amigo do peito, seu sócio incendiário, pretendia dar o fora dali o mais rápido possível. Connor precisava de uma bebida. Connor era um covarde que, se você tivesse perguntado para Gamley, ele não saberia dizer onde achar graça nele. Bem, Gamley sabia. Ele não precisava de Connor para nada. Ele se virou a partir do entusiasmo do Corpo de Bombeiros para se concentrar em si mesmo.
Os bombeiros iriam acabar com o fogo rapidamente e, uma vez que, não faria nenhum sentido ficar por ali para assisti-los em encontrar os corpos. Eles examinavam a multidão que, mesmo naquela hora morta da manhã, num frio mortal de inverno, estava cheio até a borda com galões da vizinhança que antes ele tinha farejado. Sim, senhor, Gamley deu uma checada, podia bem terminar a celebração com um pedaço quente de rabo.
Tão motivada era a multidão no fogo, tão motivado era Gamley numa conquista potencial, tão motivados eram os bombeiros com os seus deveres, ninguém viu ou prestou atenção em um bombeiro surgido a partir das sombras na lateral da casa em chamas e dado a volta na multidão. Ninguém o viu mirando Gamley na rua ou prestou atenção como ele se dirigiu para ele e ficou plantado atrás dele. Ninguém viu o novato botar o seu braço rapidamente em volta, encravar os dedos de uma mão com luva na boca do Gamley e puxa-lo fora de seus pés para trás.
Gamley tentou gritar. Mas a sujeira e o carbono incorporado na borracha eram asfixiantes e as luvas grossas fizeram que o menor ruído fosse impossível. Ele tentou morder os dedos do novato mas entendeu que era igualmente inútil. Além disso, o bombeiro estava esmagando ele como um urso, apertando a respiração fora dele, arrastando ele para longe da multidão e na direção da qual ele tinha chegado. Com ninguém por perto, Gamley foi arrastado para as trevas ao redor do lado da casa.
Um dos temas de classe requisitado na academia de bombeiros era de auto resgate, a arte de ficar vivo em emergências especiais. Ser capaz de escapar aos níveis superiores de uma estrutura, quando estavam sozinhos e tudo era merda, estava no topo da lista de ensinamentos. Como êxito de pós-graduação, o novato acionava o sistema necessário de viabilização pessoal em um bolso de uma perna de sua calça; um rapel resistente, um comprimento de corda e um gancho de Seattle de utilização rápida. O gancho era exatamente isso, sete polegadas de altura, cinco de largura, feito de alumínio polido com arame farpado dentes no interior do grande ponto de mordida em uma parede do parapeito que segura e prende rápido. Mas o gancho de Seattle, que tinha sido ensinado, era um instrumento multifuncional.
Lá nas sombras, com Gamley preso contra a lateral da casa em chamas, o novato agarrou o gancho do seu bolso, e com a sua mão, perfurou o olho do assassino incendiário chegando até o seu cérebro. Gamley foi golpeado silenciosamente com as luvas dele, seguido por um espasmo violento, e então caído mole.
Arrastando o cadáver de Gamley com ele, com ninguém prestando atenção nos arredores, o novato desapareceu ao virar na esquina do quintal, direto para o abismo do porão.
* * *
Na casa acima, as equipes finalmente estavam conseguindo fazer o trabalho. O fogo na cozinha tinha sido extinto e o incêndio na sala de estar foi finalmente eliminado. A fumaça preta foi se tornando cinza. Da frente para trás, do lixo até o teto, milhares de litros de água jogada estavam congelando, tornando tudo como uma cena de filmagem de um mundo de cristal alienígena e queimado. Um ejetor de fumaça havia sido colocado na porta dianteira, começando um pequeno, mas importante início de limpeza do ar e parecia que o Turno C estava indo salvar um. Foi então que alguém no primeiro piso, consciente dos curiosos da vizinhança e evitando propositalmente de usar o seu portátil, avisou com uma voz abafada pela sua máscara de ar, "Temos um corpo!"
Ignorando o que o novato tinha descoberto no porão, ignorante de tudo o que se passava por trás da multidão lá fora e diretamente debaixo dos seus pés, os bombeiros no andar superior pensaram que o seu corpo era o primeiro. Ele estava sepultado no meio do lixo no chão, na arcada rebaixada entre a sala de estar e uma pequena sala do lado de um lavabo no piso térreo. No lixo era mal reconhecível como um ser humano ou o que outrora tinha sido um ser humano. Ele estava queimado como uma grelha no fim esquecida, preta, com a carne de ambas as pernas rasgadas como um ‘Johnsonville Brats’ no ponto. Um olhar mais atento revelou que os seus braços haviam sido atados atrás das costas e a sua boca tapada com fita.