Sete, Para a Morgue

Doug Lamoreux · Capítulo 13 de 18

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Sete, Para a Morgue

Onze

Com uma equipe com esguicho ainda combatendo o incêndio, com o trabalho penoso de abrir os tetos e paredes para impedir focos de incêndio de reacender, e com a emoção de uma vítima que tinha sido claramente assassinada na casa, a cena de incêndio e o Centro de Comando estava estourando de oficiais. Todos eles muito ocupados para notar um bombeiro solitário, o novato do Caminhão Dois, em pleno equipamento, saído do caos do porão, através do quintal ensombrecido, e a distância.

* * *

De uma distância curta, dois blocos residenciais, na rua principal próxima, estava o Solo Bar e Grill. Ele era um caindo aos pedaços boteco com uns poucos clientes maltrapilhos acomodados em umas mesas pesadas de madeira cobertas com apenas o número certo de manchas. Menos pessoas queriam clientes mais animados. Mais e não teriam tido clientes de verdade. O letreiro do Bar era evidente. O nome Grill era olvidável, todos sabiam tudo o que comeram antes de chegar. Como para a parte "Trackside", dava a ideia do nome, não porque houve uma corrida numa pista de uma centena de quilômetros, mas porque houve um OTB do outro lado da rua.

Sentado em um canto em uma das mesas estava a outra, não oficial, a razão para o o nome do estabelecimento, o apostador local, Kevin Connor, o parceiro de Doug Gamley no ataque incendiário. Com Connor sentava sua namorada decrepita que ele carinhosamente chamava de "Loira Suja". Ela tragando uns goles de uma garrafa de cerveja. Connor odiava o gosto da cerveja. Para ele tinha que ser alcoólico, gin se ele pudesse, puro e sem gelo, sem soda, no misturar. Mas não havia nada limpo no modo como ele bebeu. Ele cuspiu de volta, quando os seus olhos vermelhos e nariz inchado provaram, especialmente quando ele não estava feliz. E Connor não estava feliz.

"Foi culpa dele", Connor murmurou para a Loira Suja. "Sua maldita culpa. Eu tenho o direito do meu dinheiro. O que faz ele fazer apostas se ele não pode se dar ao luxo de perder? Ninguém deve apostar se não pode se dar ao luxo de perder. Bill Seaton não era nada bom; não podia diferenciar um cavalo de um manco. Não conhecia uma equipe de bola da outra. Era apenas um estúpido homem velho que tinha apostado. A grande vitória estava sempre na virada da esquina. Mas ele era um perdedor e ele não ia pagar. Era o próprio maldito problema dele."

"O que foi, doce? ” Perguntou a Loira Suja, que não estava escutando.

Connor engoliu o gin. "Eu apenas queria o meu dinheiro. E Bill não ia pagar. Aí se não bastasse tive de ir atrás dele. Ele vive como um porco, rodeado de lixo e animais mortos. Você olhou ao redor, havia um monte de lixo, uma montanha de jornais antigos, um ninho de merda de cão seca, merda de cão fresca, e um cão morto todos numa fileira como se todos pertencessem a casa. Então Bill Seaton não ia pagar. Então aqui veio o irmão gémeo do Bill, Rosie, como se o mundo precisasse de dois crápulas. Mas o irmão é ‘fucking’ horrível. Ele veio do porão para cima, como uma espécie de monstro, vestindo um robe negro longo, apontando as mãos em nossos rostos, e dizendo: Bill não tem de pagar. Gritando que o diabo estava protegendo eles. Você pode acredita nessa merda?"

"No diabo?" a Loira Suja perguntou.

"Foi o que o cretino disse. Ele poderia ter ido para algum lugar enquanto nós fazíamos negócio com o Bill. Ou cuidado do seu próprio negócio e não metido o seu nariz. Mas, não, ali estava em pé como uma espécie de sacerdote do mal e nos mandava sair ou Satanás iria manda sua vingança sobre nós. Que diabos ?"

"O que você fez então?"

"Eu não fiz nada. Eu não dei uma chance. Eu estava com Gamley lá dar uma lição. Gamley se esquenta e - boom - ele deu um soco arrancando a merda para fora do velho feiticeiro. Esbofeteou ele até ao chão do lado de seu irmão. Teria esbofeteado ele até a morte... Mas depois ele teve uma ideia".

"Doug Gamley? Uma ideia?"

"Sim, é o que eu disse. Gamley agarrou um rolo de fita adesiva e deu umas voltas ao redor das canecas deles para se calarem. Atou as suas mãos atrás das costas; amarrou eles como se fossem gansos de Natal. Então ele agarrou o Velho Bill pelos poucos cabelos na sua cabeça e disse que ele ia pagar sua aposta, ou, Gamley disse, ele ia assistir ele dar uns socos no bilhete do seu irmão esquisito".

"Socar seu bilhete?"

"Matá-lo, sua garota estúpida".

"Quem você está chamando de estúpida?"

"Eu estou falando com você?"

"Eu não sei", disse ela, mastigando o batom do seu lábio inferior. "É a mim ou a você mesmo. Então, diz para mim, com quem você está falando?"

"Eu não estou falando. Estou falando sobre algo. E você está interrompendo." Connor engoliu o gin. "Bill, o burro, disse que ele pagaria se pudesse, mas resmungou que ele simplesmente não podia. Então o que Gamley fez? Agarrou Rosie como se ele fosse um saco de lixo, olhou para as meninas dos olhos dele e disse, “Desculpa idiota, o teu irmão não vai pagar a aposta, sendo assim você vai ter que pagar por ele." Então ele se voltou para o porão, e disse para Rosie, 'Diga Oi para Satanás, filha da mãe', e o empurrou para as escadas do porão bem embaixo da cabeça dele.

"Meu Deus! Ele poderia tê-lo matado!"

"Foda-se!" Connor gritou com um sussurro. "Ele o matou! O que você acha?" Connor olhou para seu copo vazio enquanto ele tremia com a lembrança. "Eu pensei que ele estivesse brincando. O mesmo pensou Bill, eu acho. Nós dois estávamos errados. Gamley matou o bruxo do Rosie sem piscar. Agora Bill com a fita ducto, urrava como uma cadela. Mas era tarde demais. Agora então, Gamley tinha provado o sabor de sangue e ele passou a ser, um débil mental, você entende. De repente ele balançou a cabeça como se o pedido do drive-in do McDonald tinha dado errado. E ele se virou para Bill com o sangue em seus olhos e disse "Não foi suficiente. O seu irmão não valeu de nada, você ainda me deve." Tentei parar ele. Eu disse, 'Ei, cara...", mas não havia jeito de interromper ele. Ele nem sequer me ouvia. Dois minutos mais tarde, Bill estava mais morto do que o inferno. Eu estou gritando com ele que eu não quero saber de receber meu dinheiro. E Gamley está berrando que é culpa deles mesmos e para eu calar a boca".

Connor respirou fundo. "Eu disse para ele, graças a ele, eu fiquei sem dinheiro de tudo. E ele disse que teria sido muito melhor se eu não o tivesse ajudado".

"Ajudá-lo como?"

"O lugar está em chamas, né? Foi para o ar como feno seco. Ele disse que tinha de se livrar das provas, de forma que o queimou. Eu não queria que o Bill fosse morto. Eu não tinha nenhuma queixa com o seu irmão gêmeo. Inferno, seu irmão esquisito nem sequer deveria existir. Mas Rosie Seaton começou escancarando a sua boca, prometendo feitiços, jogando maldições e todos os demónios do Inferno. Dane-se miserável! Os dois. Eles são os culpados de tudo".

"Eu sei doce", disse a loira, acariciando a sua mão. "Eu te escuto."

"Você não sabe nada, entende?" Conner latiu com uma pitada de maldade em seus olhos. "Você não ouviu nenhuma palavra! Você não sabe de nada, entendeu?"

* * *

Aparentemente, guiado por qualquer que fossem os poderes que o morto Rosie Seaton possuía, e com os dois blocos atrás dele, o novato se movia nas sombras por atrás do Trackside Bar e Grill. Ele inclinou a sua cabeça com capacete, encarou através da proteção escura do visor e avistou o trecho de fios eléctricos saindo do topo do poste na boca do beco até a entrada de serviço sobre o teto do bar. Ele seguiu o conduíte para baixo até a base do relógio medidor e mirou a pequena peça de estanho se movendo. Em volta da cintura, o novato usava um cinturão de couro grosso com ganchos com equipamento de combate a incêndios pendurado; uma chave inglesa, uma lanterna pesada (agora supérflua, ele podia ver no escuro), e um machado afiado. Este último, o novato puxou do seu cinto. Ele levantou para trás, dobrou e lançou para baixo através do medidor de eletricidade. Faíscas voaram.

No interior, o Bar estava mergulhado na escuridão. A música e as luzes morreram juntamente enquanto a multidão se levantou em alvoroço. Parecia tudo a mesma coisa; metade dos clientes embriagados latiram queixas para a outra metade embriagada que estava em risos. O barman resmungou no seu caminho para a cozinha e começou a virar disjuntores no painel elétrico. Ele não conseguiu nada. Consciente da sua falta de experiência como eletricista, ele decidiu dar um obrigado para a sua sorte e dizer ia fechar o bar. Não importava se o mundo estivesse acabando. Ele estava fechando.

O barman disse para os seus clientes. Culpou a cidade, a companhia de energia elétrica e a casa em chamas a algumas ruas para baixo, para deixar a questão fora de suas mãos. Ele disse para todos beberem e depois cavalgou o cavalo velho mais uma vez em volta do bar, "Vocês não precisam ir para casa, mas não podem ficar aqui".

Nas sombras do beco, o novato acompanhava os patrões, isoladamente e em grupos, abandonando o bar escuro. Ele se aproximou do triângulo preto da sombra ao lado da porta para observar a Loira Suja apenas sair para fora; primeiro com o Connor, que não estava com bom humor e em seguida com dois outros caras numa rápida sucessão. Com nada mais para olhar, mas para uma seca, noite solitária, ela ficou sozinha do lado de fora. Sem se dar conta que o novato estava nas sombras atrás dela, a Loira Suja tropeçou nos degraus da frente e vacilou com os saltos que pareciam mais altos do que provavelmente tinham sido no início da noite.

O rabugento do Connor foi o último a sair. Ele pisou para fora cuspindo, louco da vida como inferno em ter sido forçado a sair e mantendo seu uivado descontente pelo bar se manter fechado e terem trancado a porta na sua cara. Resmungando, ele deixou a porta na penumbra. Ele deu a volta na esquina do bar e começou a andar pelo beco. Ele tinha dado apenas alguns passos quando Connor percebeu que ele tinha voltado para a casa em chamas. Ele parou, analisou a situação, e qualquer que seja a conclusão que ele chegou, deu uma acenada com a cabeça, e girou sobre seus calcanhares. Ele imediatamente parou novamente.

O novato estava ali, todo amarelo, cobertas de regalia de carbono; botas, calça, casaco, balão de ar, máscara para o rosto, e um capacete enorme, um bombeiro perdido bloqueando o seu caminho. Connor piscou seus olhos com remela incrédulos. Ele balançou a cabeça e piscou novamente. O único som contrário ao silêncio da noite era a pesada respiração no interior da máscara de bombeiro. Connor praguejou. "Que...diabos?"

O novato agarrou Connor pela garganta. Ele sacudiu o inebriado incendiário fora de seus pés antes que sua mente afogada pelo gin pudesse entender o que estava acontecendo. Ele arrastou ele para a profundidade do beco escuro por detrás do edifício. Ele pegou o seu machado de seu cinto novamente e lentamente, apreciando o momento, levantou acima de seu capacete. Os olhos de Connor esbugalharam como lua cheia ao mirar a lâmina lubrificada.

"Quem... é você?" Connor perguntou com um sussurro estrangulado. Ele não podia respirar. Ele não recebeu uma resposta. Connor entrou em pânico. Ele golpeava com seus braços batendo no novato no tórax e cabeça. Entre o material espesso, o cinto, o capacete e o seu próprio porre que minou a sua força, ele poderia muito bem ter cuspido no vento. O bombeiro apertou o seu punho.

"Quem...é...você?" Connor começou a fechar os olhos como se ele perdesse o foco e a sua consciência estava indo embora. Ainda, o apostador fez uma última tentativa de pavor, dando um murro com sua última grama de força. Seu polegar se enganchou na mangueira de ar na peça da frente da cara do bombeiro. Seu pânico idiota bateu no capacete do novato e trouxe a máscara para cima da sua cabeça. A máscara de ar, presa a partir de uma correia sobre o pescoço do bombeiro, caída como um pêndulo no peito. Os olhos de Connor seguiram a correia... e ele se engasgou.

O novato, o belo loiro com maxilar compacto e olhos de quarto de dormir, tinha sumido. O que o incendiário viu foi o homem velho, o morto Rosie Seaton, amarrado e queimado a dois quarteirões de distância da casa na Rua Float, ali sorrindo para ele. Rosie riu. Então a sua cabeça irrompeu em chamas. A carne retorcida e sua aparência queimada no calor borbulhante. Ele riu e foi logo apoiado pelo riso de um coro de demónios do Inferno. Connor gritou.

O novato lançou o machado para baixo com uma machadada.

Quando o movimento acabou, o novato arrancou o seu machado do melão partido do Connor, limpou o sumo pegajoso na calça do apostador e prendeu a ferramenta de volta no seu cinturão. Ele vestiu a sua peça facial e capacete novamente. Ele levantou a carcaça do inútil do Connor no seu ombro e a carregou de volta cerca de dois blocos desertos para o cenário de incêndio. Com a multidão ainda distraída fora na frente, ele transportou o corpo através do quintal, despercebidos e o atirou através de portas da adega no porão. Ele entrou logo em seguida.

Para uma piscina. Isso é o que o porão tinha se tornado com a água dos pisos acima descendo em uma chuva torrencial. Três das cinco velas no altar de preto tinham se apagado com o dilúvio, enquanto as duas restantes tinham gerido a mera nuance âmbar na fumaça cinza. O corpo de Gamley estava deitado numa mesa raquítica de madeira diante do altar.

O novato arrastou o cadáver de Connor pela goela e, respingando no seu caminho, arrastou através de dois pés de águas profundas, levantando-o encharcado, e o colocando sobre o outro. A mesa rangeu com o peso. O novato se dirigiu no molhado para um estante de prateleiras no canto, pegou uma lata de gasolina de entre os itens estocados ali, e despejou o conteúdo (três galões, mais ou menos) sobre o par. Tendo uma das duas remanescentes velas acesas do altar, com a repetição do inclinar respeitoso, pôs fogo nos cadáveres.

As chamas tinham somente atingido o teto de vigas quando aconteceu um barulho sinistro. O primeiro piso, sob o peso dos utensílios de cozinha, anos sem contar de lixo coletado, sem contar galões de água e várias toneladas de gelo congelado desabou no cimo da pira do funeral demoníaco como parte do primeiro andar que caiu no porão. Madeira latente, gesso, linóleos, papel, metal, água e chuva degelo, enterrando o novato, o sacrifício queimando e o altar negro.

Como a piscina interior cheio de detritos, seguiu-se gritos animados de acima. Os gritos logo chegaram perto das escadas da adega. Uma relativamente limpo e nervoso Tenente olhou de cima para baixo enquanto um bando de seus bombeiros descia. Um deles detectou um capacete de carbono de incêndio coberto de plástico amarelo, flutuando na piscina. "Uau, olhe!" Ele saltou, agarrou o capacete, levantou-o, e trouxe o novato com ele. Ele jogou o capacete para frente e para fora. Ele agarrou a peça facial pela mangueira de ar e puxou a máscara para cima e para trás. Ele olhou para a face de maxilar quadrado do loiro se engasgando. "Tudo bem com você, Rook?"

Em resposta, o novato esgotado se virou e vomitou na piscina do porão.

"Não posso culpar você, garoto", disse o veterano. "Tem sido uma noite infernal."

Com os olhos lacrimejantes, o novato olhou pelo seu companheiro bombeiro, através do fumo, poeira, e brasas flamejantes, para o desenho na parede queimada, agora só com uma vela, iluminando um quase irreconhecível pentagrama. O novato só pode fazer um aceno de cabeça num silêncio desorientado.

"Mas é uma boa experiência", seu colega continuou. “ Existe muita coisa maldita neste mundo. E você nunca sabe quem ou o que está de pé do seu lado."