Sete, Para a Morgue
Quatro
Ele acordou como um começo, tranquilamente. O primeiro era inevitável; quando você vive em um pesadelo, assustado era a única maneira de despertar. Este último era algo que ele tinha treinado a si mesmo para fazer; para todas as coisas - ser silencioso. Ele levou um momento para reconhecer ao seu derredor, sua cama como era, assentar seu cérebro ali e depois (para ele, aqui e agora, evidentemente). Uma vez que tinha realizado, mais um momento para ele perceber que ele estava sozinho e outro para aceitar o fato de que ela não havia retornado. Isso foi uma decepção.
Não era isso apenas o que a vida era mais? Chega a pensar, não foi praticamente tudo o que já tinha sido? Ele se deitou para considerar a questão e não poderia deixar de perguntar a si próprio como as coisas tinham mudado muito (ou mesmo como pouco). Ele fez novamente a pergunta. Não era realmente tudo o que a vida tinha sempre sido? Uma decepção? Tinha lembrado um pouco da infância como uma criança do meio em uma família de muitos irmãos. Perdidos no meio da multidão. Jovens demais para ter qualquer diversão, mas idade suficiente para os menores terem a sua responsabilidade. E ninguém, nem mãe, nem pai (quando o viam), sem aquela tia com queixo-apertado que jamais poderia lembrar o seu nome. É certo que eram muitas crianças e reconhecidamente Milton não era um grande nome, mas, realmente, era difícil de lembrar? E, embora eles nunca reclamaram em voz alta, ele não teria chamado um cão de ‘Miltie’. Oh bem, aquilo que era mais de uma decepção? Então veio um medíocre avanço através do colegial só para entender que não havia nem o dinheiro nem a perspicácia acadêmica para prosseguir com a faculdade, uma estrada que vale a pena. Após a graduação (sem festa), veio um bom trabalho, certamente não um grande, ou mesmo um bom trabalho (absolutamente não uma carreira), mas um trabalho ao longo da vida que paga as contas. Sim, uma decepção. Um muito rápido casamento com uma namorada do colegial, muito parecida com o pai exigente e sabe tudo dela. Discussões sem fim. Um quarto aniversário com briga, através do qual dormiu no carro no estacionamento (ela dormiu sozinha na grande cama de casal do hotel caro). Um quinto aniversário brigado e por causa dele dormiu no balancim do corredor (ela dormia sozinha na grande cama de casal da hospedaria cara). Dois maravilhosos filhos que plantou em volta como peões de xadrez, ensinando cada um como serem homens inúteis e ficarem contra o seu velho. Um longo e ‘oh’ tão caro divórcio que em nome da equidade tomou tudo o que tinha (ou teria nas próximas décadas). Teve o suficiente? Ele teve. Então, e só então chegou...
O que diabos era aquilo? Uma praga a nível mundial? O apocalipse? Um pesadelo à la Robert Bloch? Um sonho erótico do tipo George Romero? A noite, o ano, a vida dos mortos-vivos? Que diferença fazia como as pessoas os chamavam. Tinha acontecido, se tornou uma realidade, um 4D, interativo, derramamento de sangue, sangue de beber, carne de comer, matar ou ser morto, correr como o diabo, ‘morrer, para ser realmente morto, deve ser glorioso’ festa do pavor na qual seres humanos vivos eram uma mercadoria de rápido desaparecimento. Mas tinham as coisas realmente mudado? Ou apenas houve mais decepções?
E ela não tinha retornado.
Milton subiu de joelhos, silenciosamente como ele era capaz, tentando não abalar o plástico, os papéis soltos, as latas metálicas, e deu uma olhada. O sol, embora parcialmente oculto atrás das nuvens, tinha nascido para um novo dia. Mas então o que? De noite ou de dia, pouco importava. Não era como nos filmes (quando havia filmes) onde os monstros sedentos de sangue vagavam apenas à noite. Reais, os moradores, os fantasmas, poderiam estar em volta a qualquer hora do dia ou da noite. Você seria um tolo se você não olhasse antes de você se mostrar. Assim ele deu uma olhada, uma boa olhada. Tudo parecia calmo. Ele agarrou o seu bastão, se colocou de prontidão, até alcançar a noite; Babe, seu genuíno Batedor Louisville. Ele tinha tentado primeiro um artefato com alumínio mas tinha sido decepcionante; o ting metálico soou oscilante quando rachou um crânio de um trôpego, sendo totalmente insatisfatório. A fissura de madeira sólida do bastão, por outro lado, mostrava que o trabalho tinha sido realizado. De qualquer forma, a certeza era de que o campo estava clara no momento. Com Babe na mão, Milton subiu rapidamente e silenciosamente como ele era capaz, para cima e para fora da lixeira onde ele tinha passado a noite.
Ele se arrastou sozinho - porque ela não tinha retornado - para o edifício mais próximo. Ele estava abandonado (que prédio não estava?). Concessionária de automóveis usados. Ele próprio achatado contra a parte de fora da parede traseira. Você também seria um tolo se você andasse no aberto.
Esgueirando ao longo das paredes dos prédios em ruinas e becos como um rato ansioso, sabendo que a qualquer momento um humano, mas certamente não a criatura humana, pode aparecer do nada e tentar matar e comer você, era um esforço de suspense para um homem solitário envolvido nele. Surpreendentemente, também poderia ser bastante entediante. Então ignore o próximo pouco tempo e mais insípidos detalhes de sobrevivência.
Captando, no final do dia quando Milton encontrou a si mesmo, talvez pelo plano, talvez pelo instinto, de volta ao seu primeiro local de ataque, o motel Alpine Guest Haus. Evidentemente, num ponto do centro ao norte de Illinois, não existe qualquer coisa remotamente montanhosa sobre ele. Foi construído sobre uma colina, entre outros dois morros, no meio da cidade. Um ciclista não teria se arrastado para chegar lá a partir de qualquer direção, mas aparentemente, era ‘Alpine’ para um proprietário anterior com grandes ideias ou uma vívida imaginação. De modo que o Alpine Guest Haus assim era.
Era apenas um antigo motel; uma antiga loja de berços de bebês e abrigo para o traficante de drogas errante ou dois antes de alguém (um descendente do proprietário original?) com ideias maiores ainda, derramadas em formato de dólares inconscientemente fornecidos pelos contribuintes locais e para fixar as coisas. As prostitutas, proxenetas e uma multiplicidade de insetos, baratas e aranhas foram expulsos. Novo, embora talvez riscado e amassado, de mobiliário e de colchões que foram trazidos. Uma camada de pintura foi aplicada abundantemente por dentro e por fora e Voilà, lá estava um motel familiar de baixos custo com uma clientela conservadora de clientes viajantes ignorantes quanto ao número de doenças venéreas e corpos que outrora tinham sido transportados para fora do lugar.
Milton era crítico? Esperemos que não, pelo menos não irresponsavelmente, pois era também o lugar onde, não muito tempo depois de sua limpeza, que ele e ela tinham se encontrado. Ela já morava lá quando Milton se mudou e por um longo tempo um simpático "Oi" era tudo que eles compartilhavam. Uma opinião ocasional sobre o tempo quando um ou o outro estava se sentindo mais ousado. Então aconteceu, para o que é mundo, tudo o que foi que aconteceu. Em pouco tempo, os zumbis tomaram conta do lugar. O pequeno motel subitamente se tornou o resort dos Monstros, Clube dos Mortos, os hóspedes não eram hóspedes, mas aperitivos, entradas, e sobremesas deliciosas sobre um bloco de um longo buffet. Ele e a garota fugiram de lá do inferno tão rápido quanto as suas pernas podiam leva-los, felizmente na mesma direção, e ter por algum tempo, algum lugar ao longo da rota, de cuidar um do outro para não serem separados. Eles estavam juntos desde sempre.
Agora ele estava de volta no Alpine Guest Haus. Algum tempo depois da praga, Milton notou, alguém tinha se incomodado de subir no letreiro do motel e, com tinta vermelha brilhante e um grande pincel, renomeado o lugar como 'Casa dos Loucos’. Ou talvez fosse uma extensão da sagacidade do decorador para ser adivinhada. A subdivisão aparecia de uma escada em cima de uma piscina de tinta seca e uma muito sombria, impressionante piscina de sangue seco sugerindo que o pintor não tinha tido tempo para admirar o seu trabalho final. Milton não podia evitar de pensar no fim horrível do artista desconhecido.
Então ele estava pensando nela novamente. A garota. Eles estavam juntos desde o início do fim como Liz Montgomery e Charles Bronson naquele episódio do ‘Twilight Zone’, estranhos forçados a unicidade. Por que não? Se eles não estavam no ‘Twilight Zone’, onde diabos eles ficariam. Eles? Onde diabos ela foi parar? E por que razão ela não tinha voltado?
Ela o tinha deixado na lixeira, naquela noite longe de casa, para tentar encontrar alguns alimentos comestíveis. Ele tinha se oferecido, claro, mas ela tinha recusado. Ele tinha saído à caça, ficado em guarda, por muitos dias e estava esgotado. Ela sabia. Ele sabia também. Ela não era um cabide. Ela não era uma donzela em perigo. Ela fez sua parte, cumpriu sua parte com a equipe até o fim. Havia um número qualquer de lojas, uma rede de fast food, residências com prateleiras de enlatados, geladeiras ainda em funcionamento. E ela podia se mover como um gato. Ele observou por várias vezes ela se movendo como um gato. Como ele, seu medo de zumbis existia, sempre iria existir, mas tinha sido tratado por necessidade. Era a vez dela de obter a comida e ela foi.
Deve ser mencionado que ela nunca decepcionou Milton. Agora, sem ela, ele estava se sentindo estranhamente... Como ela teria dito? Totalmente desnorteado? E perdido. E estando perdido, ele retornou sozinho para o lugar que não era o planejado, no faro recentemente desenvolvido, para o lugar que eles se conheceram. Encontrar o lugar rebatizado de “ Casa dos Loucos” não o entusiasmou.
Então tudo piorou.
Não tinha acabado de chegar quando ele ouviu uma mulher gritando...em algum lugar no meio do primeiro andar. Ele agarrou o seu bastão, correu pelo pátio aberto – e não, não – abaixo da varanda para o segundo piso, através da porta do corredor por onde era vista a janela da lavanderia. Era de lá, do quarto da lavanderia, que vinha o tumulto. E ele os viu.
Havia quatro no quarto. Três criaturas do sexo masculino; não que seu sexo importava muito. O sexo feminino era mais mortal do que o sexo masculino, senão ligeiramente mais feroz, e você estava fora de juízo se você uma vez levou em consideração o "sexo frágil" e hesitou em defender-se. Mas, para registro, desta vez eram três do sexo masculino, monstros sanguessugas trôpegos no quarto da lavanderia, prendendo uma moça ainda humana sobre a mesa dobrável de dobrar roupas.
Não era ela. Ela era uma garota, mas não a garota. Era decepcionante porque Milton tinha ido de volta para o motel pensando que talvez ela... Ele queria tanto vê-la novamente. Mas não era ela, era outra garota. Ele não a conhecia e não se importava de quem era ela. Não realmente. Você vê, eram tantas as decepções que era praticamente impossível de se preocupar mais. E ele não se preocupava. Então o fato que realmente se mostrou dessa jovem, essa sobre a mesa, debaixo das feras, lutando com todas as suas forças e perdendo a batalha, não era a garota – o que era uma coisa boa. Isso significava que ela poderia ainda estar viva; pode ainda estar lá fora em algum lugar! Ele não lembra de qual foi a última vez em que algo não tinha decepcionado ele.
Ele tinha tido um bom pressentimento, um sentimento caloroso e um senso de que uma comemoração estava por chegar. Sim, ele iria comemorar... Por ter salvo a garota que ele não dava a mínima. Ele aprontou o seu fiel bastão para usá-lo e quebrou a janela, esperando que o estilhaçar do vidro iria prender a atenção das criaturas. E o fez. Todos os três se viraram como uma unidade mecânica para olhar, mas ele não estava na janela para ver mais. Ele ia dar a volta, através da porta, e já tinha a velha ‘Babe’ sobre seu ombro pronta para agir.
Um deles soltou a garota e deu um passo na sua direção. Um passo foi tudo o que conseguiu. Milton meteu a arma cinza laminada direto através da órbita do seu olho esquerdo, saboreando o crack dado pelo crânio. Ele interrompeu seu seguimento e trouxe o bastão de volta na direção oposta quando um segundo monstro se colocou de pé para a frente. Trinta anos antes ele tinha sido um atacante bastante útil na ‘Pequena Liga’. Era ainda melhor agora. Menos de trinta segundos nesta tão chamada luta e havia acabado com dois monstros e ficou só com um. O último levou um golpe em linha reta ao longo do topo. Esse terceiro crack foi tão adorável como o primeiro e o terceiro espirro de sangue e massa cinzenta foi grotesco - contudo, satisfatório - como qualquer um que ele já causou.
Mas a sua celebração, seus feitos heroicos tinha chegado demasiado tarde. A garota estava morta. Não fisicamente; ela ainda estava ali, apenas morta. Morta e ausente. E o problema era, naturalmente, ela logo estará de volta. Ele não tinha escolha, mas o de esmagar o seu cérebro também. Isso foi decepcionante.
Ele a procurou por enquanto, não encontrou rastro da garota que estava em busca e voltou à noite - só – para a sua lixeira. Na parte da manhã, ele gostaria de recomeçar, novamente uma vida nova nesse mundo desgraçado, sem ela. Sem ela. Começou a chover e Milton adormeceu numa decepção miserável.
Ele foi despertado no meio da noite pela chuva fria esbofeteando o seu rosto e percebeu que a tampa da sua lixeira tinha sido levantada. Ele acordou assustado, mas tranquilo. Ele olhou cuidadosamente para fora - no seu rosto. Ele limpou a chuva e o sono de seus olhos. Sim! Era ela. Pela segunda vez nesta nova vida após a morte, pós praga de vida, ele sentiu a adrenalina e uma verdadeira explosão de emoção digna de celebração. Até que o relâmpago piscou, em azul e branco cintilante, e ele viu que a sua garganta foi dilacerada. Ele viu o sangue de alguma outra triste alma pingando do seus lábios e queixo. E ele viu, atrás dela e ao redor de sua lixeira, outras vinte criaturas estranhas que ela trouxe de volta com ela.
Foi muito decepcionante.