Sete, Para a Morgue

Doug Lamoreux · Capítulo 17 de 18

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Sete, Para a Morgue

Quinze

"John Soames desapareceu durante horas", disse o Médico Legista para o grupo. "Seu rádio tinha morrido; ele não poderia ter entrado em contato. Seu supervisor, Fred Francis, o encontrou no nascer da manhã seguinte, na cena do há muito tempo defunto Hospital Nossa Senhora da Misericórdia, morto como seu rádio, sentado ereto atrás do volante do seu carro de segurança. A ignição ainda estava ligada, mas a gasolina do carro tinha acabado. Soames estava encharcado do topo da sua cabeça até a sola de seus esponjosos Oxford e, apesar de estar completamente vestido, incluindo casaco, chapéu e luvas, estava tudo solidamente congelado." O Médico Legista limpou sua garganta, então adicionou, "Eu tive que descongelar ele antes, para poder fazer a autópsia."

"Ele tinha algum ferimento?" Clayton perguntou.

"Nenhum trauma óbvio."

O Xerife acenou. "Então ele morreu de exposição?"

"É por isso que você é o Xerife e eu sou o Médico Legista. Não, ele não morreu de exposição."

"Bem, o que... Espera um pouco", o Xerife latiu. "Lembro-me de ter ouvido sobre isso. Você arruinou o dia de um par de detetives. E se os rumores eram verdadeiros, você virou o caso de estranho para absolutamente insano com o seu relatório ‘post mortem’. Você não declarou que a causa da morte foi por afogamento?"

"Eu não fiz quaisquer declarações", disse o Médico Legista. "Apenas disse que era. Ele morreu afogado."

"Eewww," Abner Perry reagiu. "Nenhuma água no carro? Não há água no prédio?"

O Médico Legista balançou a cabeça. "O carro estava seco como um osso. O edifício tinha sido desligado durante décadas."

"Então você acha que ele foi...?" Perry insistiu. "Levado para algum lugar, afogado, então trazido de volta e colocado no carro dele?" O chefe paramédico se arrepiou.

"Não sei", o Médico Legista respondeu. "Isto é assunto da polícia, não meu. Disse antes, digo agora; é algo muito impossível, mas Soames morreu afogado. E isso não é tudo, nem de longe." Ele deu uma encarada sobre todo o grupo. "Vocês não ouviram o resto; ninguém ainda."

"Que ... resto?" Henderson perguntou.

O Médico Legista fez uma reflexão. "Já faz um longo tempo. Ah, inferno. Ninguém se preocupa agora." Ele acenou, dando-se a si mesmo permissão para derramar o feijão. "Quando eu peguei os relatórios de laboratório de volta, toxicologia e tal, a história ficou ainda mais estranha. Soames tinha se afogado. Mas a água em seus pulmões não era tratada, nem clorada; não era água da cidade. Os micróbios tinham sugeridos que ela era de um poço. Mais do que isso, seus pulmões eram uma bagunça, resíduos de gordura animal, de silicato de sódio, de carbonato de sódio, vários pigmentos." Sua voz foi sumindo. O Proprietário encarava com um brilho no seu olho. O Xerife, bombeiros e paramédicos encaravam pálidos; vários engoliram sua ignorância. O Médico Legista deixou a tensão crescer. "Esses são..." ele disse finalmente. "Pasmem. Esses eram os ingredientes principais de sabão - como era feito a mão no fim de 1800."

O som da chuva tomou conta da garagem quando a revelação foi feita. Alguém gemeu. Vários entre os reunidos riram. Alguém, o Médico Legista não tinha certeza quem foi, desabafou, "Ah, tenha a paciência!"

"Acredite ou não", disse o Médico Legista. "Esse é o seu negócio, não o meu. Não custa nada que alguns de vocês tivesse um pouco mais de respeito. Isso é tudo o que qualquer um de nós achamos, se somos fantasmas, alienígenas, ou funcionários, ou apenas velhos médicos legistas... tudo o que queremos é um pouco de respeito, não é?"