A Origem das Espécies
A Origem das Espécies
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CHARLES DARWIN
A Origem das Espécies
Aos Leitores
Decorridos quase dois séculos desde a prim eira vez que esta obra foi publicada, ela continua sólida e robusta com o um a m ontanha. E é isso que ela é: um a das m ontanhas m ais altas que se ergueram na história da investigação científica do m undo em que vivem os, assim com o é o seu próprio autor, o inglês Charles Darwin. Não se trata de um a obra surgida ao acaso, ao sabor da especulação filosófica, do pensam ento m ágico. Ela é o resultado de toda um a vida dedicada ao esforço hum ano de entender o funcionam ento da Natureza com base nos fatos e evidências apresentados pela própria Natureza.
Darwin reúne aqui o resultado do seu trabalho pessoal de m uitas décadas, viaj ando incansavelm ente pelos lugares m ais recônditos do planeta em que vivem os, observando, m edindo, testando, analisando e sintetizando coisas, até o m om ento em que se sentiu capacitado a concluir sua teoria de evolução das espécies. Apesar de solidam ente ancorado em fatos e análises suas e de seus contem porâneos m ais ilustres, desde a sua prim eira edição esta obra tem sido vítim a de desm oralização pública e difam ação por parte daqueles que, de tão pequenos e insignificantes, se j ulgam acim a das evidências dos fatos e evidências do m undo real. Gente cuj a m ente preguiçosa prefere ancorar-se em crenças vazias e despropositadas a respeito da Natureza, em vez de se dar ao trabalho de por em teste falsas verdades consideradas com o intocáveis e definitivas.
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Ano 2003
E-book baseado na tradução de Joaquim da Mesquita Paul, m édico e professor. publicada por LELLO & IRMÃO – EDITORES.
144, Rua das Carm elitas -PORTO
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DARWIN, Charles. A Origem das Espécies, no m eio da seleção natural ou a luta pela existência na natureza, 1 vol., tradução do doutor Mesquita Paul.
Quanto ao mundo material, podemos pelo menos ir até à conclusão de que
os fatos se não produzem em conseqüência da intervenção isolada do poder
divino, manifestando-se em cada caso particular, mas antes pela ação das
leis gerais.
WHEWELL, Bridgewater Treatises.
O único sentido preciso da palavra «natural» é a qualidade de ser «estabele-
cido, fixo ou estável»; por isso tudo o que é natural exige e supõe qualquer
fator inteligente para o tornar tal, Isto é, para o produzir continuamente ou
em intervalos determinados, enquanto que tudo o que é sobrenatural ou mi-
raculoso é produzido uma só vez, e de um só golpe. BUTLER, Analogy of Revealed Religion.
Para concluir, não deixeis crer ou sustentar, devido a uma idéia muito acen-
tuada da fraqueza humana ou a uma moderação mal entendida, que o ho-
mem pode ir longe ou ser instruído com a palavra de Deus, ou com a do livro
das obras de Deus, isto é, em religião ou em filosofia; mas que todo o ho-
mem se esforce por progredir cada vez mais numa e noutra, e tirando disto
vantagem sem jamais Parar.
BACON, Advancem ent of Learning.
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SUMÁRIO
Notícia Histórica .................................................................................................. 04
Introdução ........................................................................................................... 14
Capítulo I
Variação das espécies no estado dom éstico ........................................... 19
Capítulo II
Variação no estado selvagem .................................................................. 55
Capítulo III
Luta pela sobrevivência ........................................................................... 75
Capítulo IV
A seleção natural ou a perseverança do m ais capaz .............................. 93
Capítulo V
Leis da variação ...................................................................................... 149
Capítulo VI
Dificuldades surgidas contra a hipótese de descendência
com m odificações ................................................................................... 184
Capítulo VII
Contestações diversas feitas à teoria da seleção natural ...................... 228
Capítulo VIII
Instinto
.................................................................................................... 273
Capítulo IX
Hibridez .................................................................................................. 311
Capítulo X
Insuficiência dos docum entos geológicos .............................................. 348
Capítulo XI
Da sucessão geológica dos seres organizados ..................................... 381 Capítulo XII
Distribuição geográfica ........................................................................... 413
Capítulo XIII
Distribuição geográfica (continuação) .................................................... 447
Capítulo XIV
Afinidades m útuas dos seres organizados; m orfologia;
em briologia;órgãos
rudim entares
........................................................... 472
Capítulo XV
Recapitulações e conclusões ................................................................. 523
Glossário dos principais term os científicos em pregados nesta obra ................ 555
Diagram a das Gerações ................................................................................... 572
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NOTÍCIA HISTÓRICA
COM RESPEITO AOS PROG RESSOS DA OPINIÃO
RELATIVA À ORIG EM DAS ESPÉCIES
ANTES DA PUBLICAÇÃO
DA PRIMEIRA EDIÇÃO ING LESA DA PRESENTE OBRA
Proponho-m e noticiar a largos traços o progresso da opinião relativam ente à origem das espécies. Até há bem pouco tem po, a m aior parte dos naturalistas supunha que as espécies eram produções im utáveis criadas separadam ente. Num erosos sábios defenderam habilm ente esta hipótese. Outros, pelo contrário, adm itiam que as espécies provinham de form as preexistentes por interm édio de geração regular. Pondo de lado as alusões que, a tal respeito, se encontram nos autores antigos, 1 Buffon foi o prim eiro que, nos tem pos m odernos, tratou este assunto de um m odo essencialm ente científico. Todavia, com o as suas opiniões variavam m uito de época para época, e não trata nem das causas, nem dos m eios de transform ação da espécie, é inútil entrar aqui em m aiores m inudências a respeito dos seus trabalhos. Lamark foi o prim eiro que despertou pelas suas conclusões, um estudo sério sobre tal assunto. Este sábio, j ustam ente célebre, publicou as suas opiniões, pela vez prim eira, em 1801; desenvolveu-as consideravelm ente em 1809, na sua