A Origem das Espécies

Charles Darwin · Capítulo 5 de 17

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A Origem das Espécies

5 designação com um a diversas pequenas…

5 designação com um a diversas pequenas aves passeriform es, da fam ília dos laniídeos, de plum agem geralm ente pouco vistosa, bico forte e adunco e cauda longa (alim entam -se de insetos e pequenos vertebrados e podem usar pequenos espinhos na captura das presas).

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m undo, luta que deve inevitavelm ente fluir da progressão geom étrica do seu aum ento em núm ero. É a doutrina de Malthus aplicada a todo o reino anim al e a todo o reino vegetal. Com o nascem m uitos m ais indivíduos de cada espécie, que não podem subsistir; com o, por conseqüência, a luta pela existência se renova a cada instante, segue-se que todo o ser que varia, ainda que pouco, de m aneira a tornarse-lhe aproveitável tal variação, tem m aior probabilidade de sobreviver, este ser é

tam bém obj eto de um a seleção natural. Em virtude do princípio tão poderoso da hereditariedade, toda a variedade obj eto da seleção tenderá a propagar a sua nova form a m odificada. Tratarei com m ais m inúcias, no quarto capítulo, este ponto fundam ental da seleção natural. Verem os então que a seleção natural causa quase inevitavelm ente um a extinção considerável das form as m enos bem organizadas e conduz ao que se cham a a divergência dos caracteres. No capítulo seguinte, indicarei as leis com plexas e pouco conhecidas da variação. Nos cinco capítulos subseqüentes, discutirei as dificuldades m ais sérias que parecem opor-se à adoção desta teoria; isto é, prim eiram ente, as dificuldades de transição, ou, por outros term os, com o um ser sim ples, ou um sim ples organism o, pode m odificar-se e aperfeiçoar-se, para tornar-se um ser altam ente desenvolvido, ou um organism o altam ente constituído; em segundo lugar, o instinto, ou o poder intelectual dos anim ais; terceiro, a hibridade, ou a esterilidade das espécies e a fecundidade das variedades quando se cruzam ; e, em quarto lugar, a im perfeição dos docum entos geológicos. No capítulo seguinte exam inarei a sucessão geológica dos seres através dos tem pos; no duodécim o e décim o terceiro capítulos, a sua distribuição geográfica através do espaço; no décim o quarto, a sua classificação ou afinidades m útuas, quer no estado de com pleto desenvolvim ento, quer no estado em brionário. Consagrarei o últim o capítulo a um a breve recapitulação da obra inteira e a algum as notas finais. Ninguém se pode adm irar que haj a ainda tantos pontos obscuros relativam ente à origem das espécies e das variedades, se refletirm os na nossa profunda ignorância sobre tudo o que se prende com as relações recíprocas dos inúm eros seres que vivem em redor de nós. Quem pode dizer a razão por que tal espécie é

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m ais num erosa e m ais espalhada, quando outra espécie vizinha é m uito rara e tem um habitat m uito restrito? Estas relações têm , contudo, a m ais alta im portância, porque é delas que dependem a prosperidade atual e, creio firm em ente, os futuros progressos e a m odificação de todos os habitantes da Terra. Conhecem os ainda bem pouco das relações recíprocas dos inúm eros habitantes da Terra durante os longos períodos geológicos passados. Ora, posto que num erosos pontos sej am ainda m uito obscuros, se bem que devem ficar, sem dúvida, inexplicáveis por bastante tem po ainda, vej o-m e, contudo, após os estudos m ais profundos e um a apreciação fria e im parcial, forçado a sustentar que a opinião defendida até a pouco pela m aior parte dos naturalistas, opinião que eu próprio partilhei, isto é, que cada espécie foi obj eto de um a criação independente, é absolutam ente errônea. Estou plenam ente convencido que as espécies não são im utáveis; estou convencido que as espécies que pertencem ao que cham am os o m esm o gênero derivam diretam ente de qualquer outra espécie ordinariam ente distinta, do m esm o m odo que as variedades reconhecidas de um a espécie, sej a qual for, derivam diretam ente desta espécie; estou convencido, enfim , que a seleção natural tem desem penhado o principal papel na m odificação das espécies, posto que outros agentes tenham nela partilhado igualm ente.

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CAPITULO I

Variação das espécies no estado doméstico

-Causas da variabilidade.

-Efeitos do hábito.

-Efeito do uso ou não uso dos órgãos.

-Variação por correlação.

-Hereditariedade.

-Caracteres das variedades domésticas.

-Dificuldade em distinguir as variedades e as espécies.-As nossas variedades domésticas derivam de uma ou muitas espécies.

-Pombos domésticos, suas diferenças e origem.

-A seleção aplicada desde há muito, seus efeitos.

-Seleção metódica e inconsciente.

-Origem desconhecida dos nossos animais domésticos.

-Circunstâncias favoráveis ao exercício da seleção pelo homem.

CAUSAS DA VARIABILIDADE

Quando se com param os indivíduos pertencentes à m esm a variedade ou subvariedade das nossas plantas j á de há m uito cultivadas e dos nossos anim ais dom ésticos m ais antigos, logo se nota que ordinariam ente diferem m ais uns dos outros que os indivíduos pertencentes a um a espécie ou a um a variedade qualquer no estado selvagem . Ora, se pensarm os na im ensa diversidade das nossas plantas cultivadas e dos anim ais dom ésticos, que têm variado em todos os tem pos, logo que sej am expostos a clim as e tratam entos os m ais diversos, chegam os a concluir que esta grande variabilidade provém de que as nossas produções dom ésticas foram produzidas em condições de vida m enos uniform es, ou m esm o um tanto diferentes daquelas a que a espécie-m ãe foi subm etida no estado selvagem . Há tam bém algum tanto de exato na opinião sustentada por Andrew Kniglit, isto é, que a variabilidade pode em parte ter origem no excesso de nutrição. Parece evidente que os seres organizados devem , durante m uitas gerações, ser expostos a novas condições de existência, para que se produza neles qualquer variação apreciável; m as é tam bém evidente, que, desde que um organism o com eçou a va- 20

riar, continua ordinariam ente a fazê-lo durante num erosas gerações. Não se poderia citar exem plo algum de um organism o variável que tenha cessado de variar no estado dom éstico. As nossas plantas há longo tem po cultivadas, tais com o o trigo, ainda produzem novas variedades; os anim ais reduzidos de há m uito ao estado dom éstico são ainda susceptíveis de m odificações ou aperfeiçoam entos m uito rápidos.

De m odo que posso j ulgar, depois de ter por m uito tem po estudado este assunto, que as condições de vida parecem atuar de duas m aneiras distintas: diretam ente sobre o organism o inteiro, ou sobre certas partes som ente, e indiretam ente afetando o sistem a reprodutor. Quanto à ação direta, devem os lem brar-nos que, em todos os casos, com o o fez ultim am ente notar o professor Weism ann, e com o eu incidentalm ente dem onstrei na m inha obra sobre a Variation à l’Êtat Dom estique,6 devem os lem brarm os, disse eu, que essa ação está suj eita a dois fatores: natureza do organism o e natureza das condições.

O prim eiro destes fatores parece ser m uito m ais im portante, porque, tanto quanto o podem os j ulgar, variações quase sem elhantes se produzem algum as vezes em condições diferentes, e, por outro lado, variações diferentes se produzem em condições que parecem quase uniform es. Os efeitos sobre a descendência são definidos ou indefinidos. Podem considerar-se com o definidos quando todos, ou quase todos os descendentes de indivíduos subm etidos a certas condições de existência durante m uitas gerações, se m odificam da m esm a m aneira. É

extrem am ente difícil especificar a extensão das alterações que têm sido definitivam ente produzidas deste m odo. Todavia, não se pode ter dúvida relativam ente às num erosas m odificações m uito ligeiras, tais com o: m odificações no talhe provenientes da quantidade de nutrição; m odificações na cor provenientes da natureza da alim entação, m odificações na espessura da pele e suas produções provenientes da natureza do clim a, etc. Cada um a das variações indefinidas que encontram os na plum agem das aves das nossas capoeiras deve ser o resultado de um a causa eficaz; portanto, se a m esm a causa atuasse uniform em ente, durante um a longa série de gerações,