A Origem das Espécies

Charles Darwin · Capítulo 1 de 17

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A Origem das Espécies

A Origem das Espécies

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CHARLES DARWIN

A Origem das Espécies

Aos Leitores

Decorridos quase dois séculos desde a prim eira vez que esta obra foi publicada, ela continua sólida e robusta com o um a m ontanha. E é isso que ela é: um a das m ontanhas m ais altas que se ergueram na história da investigação científica do m undo em que vivem os, assim com o é o seu próprio autor, o inglês Charles Darwin. Não se trata de um a obra surgida ao acaso, ao sabor da especulação filosófica, do pensam ento m ágico. Ela é o resultado de toda um a vida dedicada ao esforço hum ano de entender o funcionam ento da Natureza com base nos fatos e evidências apresentados pela própria Natureza.

Darwin reúne aqui o resultado do seu trabalho pessoal de m uitas décadas, viaj ando incansavelm ente pelos lugares m ais recônditos do planeta em que vivem os, observando, m edindo, testando, analisando e sintetizando coisas, até o m om ento em que se sentiu capacitado a concluir sua teoria de evolução das espécies. Apesar de solidam ente ancorado em fatos e análises suas e de seus contem porâneos m ais ilustres, desde a sua prim eira edição esta obra tem sido vítim a de desm oralização pública e difam ação por parte daqueles que, de tão pequenos e insignificantes, se j ulgam acim a das evidências dos fatos e evidências do m undo real. Gente cuj a m ente preguiçosa prefere ancorar-se em crenças vazias e despropositadas a respeito da Natureza, em vez de se dar ao trabalho de por em teste falsas verdades consideradas com o intocáveis e definitivas.

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Ano 2003

E-book baseado na tradução de Joaquim da Mesquita Paul, m édico e professor. publicada por LELLO & IRMÃO – EDITORES.

144, Rua das Carm elitas -PORTO

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DARWIN, Charles. A Origem das Espécies, no m eio da seleção natural ou a luta pela existência na natureza, 1 vol., tradução do doutor Mesquita Paul.

Quanto ao mundo material, podemos pelo menos ir até à conclusão de que

os fatos se não produzem em conseqüência da intervenção isolada do poder

divino, manifestando-se em cada caso particular, mas antes pela ação das

leis gerais.

WHEWELL, Bridgewater Treatises.

O único sentido preciso da palavra «natural» é a qualidade de ser «estabele-

cido, fixo ou estável»; por isso tudo o que é natural exige e supõe qualquer

fator inteligente para o tornar tal, Isto é, para o produzir continuamente ou

em intervalos determinados, enquanto que tudo o que é sobrenatural ou mi-

raculoso é produzido uma só vez, e de um só golpe. BUTLER, Analogy of Revealed Religion.

Para concluir, não deixeis crer ou sustentar, devido a uma idéia muito acen-

tuada da fraqueza humana ou a uma moderação mal entendida, que o ho-

mem pode ir longe ou ser instruído com a palavra de Deus, ou com a do livro

das obras de Deus, isto é, em religião ou em filosofia; mas que todo o ho-

mem se esforce por progredir cada vez mais numa e noutra, e tirando disto

vantagem sem jamais Parar.

BACON, Advancem ent of Learning.

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SUMÁRIO

Notícia Histórica .................................................................................................. 04

Introdução ........................................................................................................... 14

Capítulo I

Variação das espécies no estado dom éstico ........................................... 19

Capítulo II

Variação no estado selvagem .................................................................. 55

Capítulo III

Luta pela sobrevivência ........................................................................... 75

Capítulo IV

A seleção natural ou a perseverança do m ais capaz .............................. 93

Capítulo V

Leis da variação ...................................................................................... 149

Capítulo VI

Dificuldades surgidas contra a hipótese de descendência

com m odificações ................................................................................... 184

Capítulo VII

Contestações diversas feitas à teoria da seleção natural ...................... 228

Capítulo VIII

Instinto

.................................................................................................... 273

Capítulo IX

Hibridez .................................................................................................. 311

Capítulo X

Insuficiência dos docum entos geológicos .............................................. 348

Capítulo XI

Da sucessão geológica dos seres organizados ..................................... 381 Capítulo XII

Distribuição geográfica ........................................................................... 413

Capítulo XIII

Distribuição geográfica (continuação) .................................................... 447

Capítulo XIV

Afinidades m útuas dos seres organizados; m orfologia;

em briologia;órgãos

rudim entares

........................................................... 472

Capítulo XV

Recapitulações e conclusões ................................................................. 523

Glossário dos principais term os científicos em pregados nesta obra ................ 555

Diagram a das Gerações ................................................................................... 572

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NOTÍCIA HISTÓRICA

COM RESPEITO AOS PROG RESSOS DA OPINIÃO

RELATIVA À ORIG EM DAS ESPÉCIES

ANTES DA PUBLICAÇÃO

DA PRIMEIRA EDIÇÃO ING LESA DA PRESENTE OBRA

Proponho-m e noticiar a largos traços o progresso da opinião relativam ente à origem das espécies. Até há bem pouco tem po, a m aior parte dos naturalistas supunha que as espécies eram produções im utáveis criadas separadam ente. Num erosos sábios defenderam habilm ente esta hipótese. Outros, pelo contrário, adm itiam que as espécies provinham de form as preexistentes por interm édio de geração regular. Pondo de lado as alusões que, a tal respeito, se encontram nos autores antigos, 1 Buffon foi o prim eiro que, nos tem pos m odernos, tratou este assunto de um m odo essencialm ente científico. Todavia, com o as suas opiniões variavam m uito de época para época, e não trata nem das causas, nem dos m eios de transform ação da espécie, é inútil entrar aqui em m aiores m inudências a respeito dos seus trabalhos. Lamark foi o prim eiro que despertou pelas suas conclusões, um estudo sério sobre tal assunto. Este sábio, j ustam ente célebre, publicou as suas opiniões, pela vez prim eira, em 1801; desenvolveu-as consideravelm ente em 1809, na sua