A Origem das Espécies

Charles Darwin · Capítulo 3 de 17

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A Origem das Espécies

2 É na excelente história de Isidore…

2 É na excelente história de Isidore Geoffroy Saint-Hilaire (Hist. Nat. Générale, 1859, t. II, p. 405) que encontrei a data da prim eira publicação de Lam arck; esta obra contém tam bém um resum o das conclusões de Buffon sobre o m esm o assunto. É curioso ver quanto o Dr. Erasm o Darwin, m eu avô, na sua Zoonomia (vol. I, p. 500-510), publicada em 1794, antecedeu Lam ark nas suas idéias e seus erros. Segundo Isidore Geoffroy, Goethe partilhava com pletam ente as m esm as idéias, com o prova a introdução de um a obra escrita em 1794 e 1795, m as publicada m uito m ais tarde. Insistiu sobre este ponto « (Goethe als Naturforscher» , Peio Dr. Karl m eding, p. 34), que os naturalistas terão de procurar, por exem plo, com o os bois e carneiros adquiriram os cornos, e não para que servem , É um caso bastante singular a aparição quase sim ultânea de opiniões sem elhantes, porque se vê que Goethe na Alem anha, o Dr. Darwin na Inglaterra, e Geoffroy Saint-Hilaire em França, chegam , nos anos de 1794-1795 à m esm a conclusão sobre a origem das espécies.

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Um pouco tím ido nas suas conclusões, não acreditava que as espécies existentes estivessem em via de m odificação; e, com o seu filho diz, « é pois um problem a reservado inteiram ente ao futuro, supondo m esm o que o futuro pode tom ar conta dele» . O Dr. W. C. Wells, em 1813, dirigiu à Sociedade Real um a m em ória sobre « um a m ulher branca, cuj a pele, em certos pontos, se assem elha à

de um negro» , m em ória que só foi publicada em 1818 com os seus fam osos Two Essay s upon Dew and Single Vision. Adm ite distintam ente nesta m em ória o princípio da seleção natural, e foi a prim eira vez que publicam ente a sustentou; m as aplica-a apenas às raças hum anas e a certos caracteres particulares. Depois de ter notado que os negros e os m ulatos escapam a certas doenças tropicais, verifica prim eiram ente que todos os anim ais tendem a variar num certo grau, e secundariam ente que os agricultores aperfeiçoam os anim ais dom ésticos pela seleção. Em seguida acrescenta que o que, neste últim o caso, é efetuado pela « arte» , parece sê-lo igualm ente, m as m ais lentam ente, pela natureza, para a produção de variedades hum anas adaptadas às regiões que habitam ; assim , em m eio das variedades acidentais que puderam surgir entre alguns habitantes dissem inados nas partes centrais da África, algum as eram sem dúvida m ais aptas que outras para suportar as doenças do país. Esta raça devia, por conseguinte, m ultiplicar-se, enquanto que as outras desapareceriam , não só porque não podiam resistir às doenças, m as ainda porque lhes era im possível lutar contra os seus vigorosos vizinhos. Depois das m inhas notas precedentes, não se pode duvidar que esta raça enérgica não fosse um a raça escura. Ora, persistindo sem pre a m esm a tendência para a form ação de variedades, deviam surgir, no decorrer do tem po, raças cada vez m ais negras; e a raça m ais negra, sendo a m ais própria para adaptar-se ao clim a, devia tornar-se a raça predom inante, senão a única, no país particular onde tom ou origem .

O autor estende em seguida estas m esm as considerações aos habitantes brancos dos clim as m ais frios. Devo agradecer a M. Rowley, dos Estados Unidos, ter cham ado, por interm édio de M. Brace, a m inha atenção para esta passagem da m em ória do Dr. Wells.

O venerável e reverendo W. Herbert, m ais tarde deão de Manchester, es- 7

crevia em 1822, no 4., volum e das Horticultural Transactions, e na sua obra as Am ary llidacées (1837, p. 19, 339), que « as experiências de horticultura têm estabelecido, sem refutação possível, que as espécies botânicas não são m ais que um a classe superior de variedades m ais perm anentes» . Aplica a m esm a opinião aos anim ais e vê que as espécies únicas de cada gênero foram criadas num estado prim itivo m uito plástico, e que estes tipos produziram ulteriorm ente, principalm ente pelo cruzam ento e tam bém por variação, todas as nossas espécies existentes. Em 1826, o professor Grant, no últim o parágrafo da sua m em ória sobre as espongilas (Edinburgh Philos. Journal, 1826, t. xiv, p. 283), declara nitidam ente que acredita que as espécies derivam de outras espécies, e que se aperfeiçoam no correr das m odificações que vão sofrendo. Apoiou-se nesta m esm a opinião na sua 55.ª conferência, publicada em 1834 no j ornal The Lancet. Em 1831, M. Patrick Matthew publicou um tratado com o título Naval Tim ber and Arboriculture, no qual em ite exatam ente a m esm a opinião que M. Wallace e eu expusem os no Linnean Journal, e que vou desenvolver na presente obra. Infelizm ente M. Matthew enunciou as suas opiniões laconicam ente e em passagens dissem inadas num apêndice a um a obra tratando de assunto m uito diverso; passariam até despercebidas se M. Matthew não cham asse a atenção para elas no Guardener’s Chronicle (7 Abril 1860). As diferenças em os nossos m odos de ver não têm grande im portância. Parece crer que o m undo foi quase despovoado em períodos sucessivos e povoado de novo em seguida; adm ite, a título de alternativa, que novas form as podem produzir-se « sem auxílio de m olde ou germ e anterior» . Julgo não com preender bem algum as passagens; parece-m e, todavia, que dá

m uita im portância à ação direta das condições da existência. Contudo, estabeleceu claram ente todo o poder do princípio da seleção natural. Na sua Description Physique des Iles Canaries (1836, p. 147), o célebre geólogo e naturalista Von Buch exprim e nitidam ente a opinião de que as variedades se m odificam pouco a pouco e se tornam espécies perm anentes que não m ais são capazes de cruzar-se.

Na Nouvelle Flore de l’Am érique du Nord (1836, p. 6), Rafinesque exprim ia- 8

se assim : « Todas as espécies podiam ser outrora variedades, e m uitas variedades tornaram -se gradualm ente espécies, adquirindo caracteres perm anentes e particulares» ; e um pouco m ais adiante (pág. 18) acrescenta: « excetuando os tipos prim itivos ou ancestrais do gênero» . De 1843 a 44, no Boston Journal of Nat. Cet. U. S. (t. IV, pág. 468), o professor Algem am expôs com talento os argum entos pró e contra a hipótese do desenvolvim ento e da m odificação da espécie; parecia pender para o lado da variabilidade. Os Vestiges of Creation apareceram em 1844. Na 10ª edição, m uito m elhorada (1853), o autor anônim o diz (p. 155): « A proposição na qual se pode parar após num erosas considerações, é que as diversas séries de seres anim ados, desde os m ais sim ples e m ais antigos até aos m ais elevados e m ais recentes, são, pela providência de Deus, o resultado de duas causas: prim eiram ente, de um a im pulsão com unicada às form as da vida; im pulsão esta que as arrem essa num tem po dado, por via de geração regular, através de todos os graus de organização, até às Dicotiledôneas e Vertebrados superiores; estes graus são, além disso, pouco num erosos e geralm ente m arcados por intervalos no seu caráter orgânico, o que torna m uito difícil na prática a apreciação das afinidades; secundariam ente, de um a outra im pulsão respeitante às forças vitais, tendendo, na série das gerações, a apropriar, m odificando-as, as conform ações orgânicas às circunstâncias exteriores, com o a nutrição, a localidade e as influências m eteóricas; são essas as Adaptações do teólogo natural» . O autor parece acreditar que a organização progride por saltos, m as que os efeitos produzidos pelas condições de existência são graduais. Sustenta com bastante força, baseando-se sobre razões gerais, que as espécies não são produções im utáveis, m as não vej o com o as duas supostas « im pulsões» possam explicar cientificam ente as num erosas e adm iráveis co-adaptações que se notam na natureza; com o, por exem plo, podem os tom ar nota da m archa que devia seguir o picanço para se adaptar aos seus hábitos particulares. O estilo brilhante e enérgico deste livro, ainda que apresentando nas prim eiras edições poucos conhecim entos exatos e um a grande falta de prudência científica, assegurou-lhe logo um grande êxito; e, em m inha opinião, prestou servi- 9

ços cham ando a atenção para o assunto, com batendo os prej uízos e preparando os espíritos para a adoção de idéias análogas.

Em 1846, o veterano da zoologia, M. J. d’Om alius d’Halloy, publicou (Bull. de l’Acad. roy. de Bruxelles, vol. XIII, p. 581) um a excelente m em ória, ainda que breve, na qual em ite a opinião de que é m ais provável que as espécies novas tenham sido produzidas por descendência com m odificação do que criadas separadam ente; o autor tinha j á exprim ido esta opinião em 1831. Na sua obra Nature of Lim bs, p. 86, o professor Owen escrevia em 1849:

« A idéia arquétipo está encarnada no nosso planeta por m anifestações diversas, m uito tem po antes da existência das espécies anim ais de que são atualm ente a expressão. Mas, até agora, ignoram os inteiram ente a que leis naturais ou a que causas secundárias têm sido subm etidas a sucessão regular e a progressão destes fenôm enos orgânicos» . No seu discurso na Associação Britânica, em 1858, fala (p. 51) do « axiom a da contínua potência criadora, ou do destino preordenado das coisas vivas» . Mais adiante, a propósito da distribuição geográfica, acrescenta: « Estes fenôm enos abalam a crença em que estávam os de que o aptérix da Nova Zelândia e o “tetras urogallus L.” da Inglaterra tenham sido criações distintas feitas num a ilha e só para ela. É útil, além disso, lem brar sem pre que o zoólogo atribui o nom e de criação ao processo sobre o qual nada se conhece» . Desenvolve esta idéia acrescentando que todas as vezes que um « zoólogo cita exem plos, com o o precedente, para provar um a criação distinta num a ilha e para ela, quer dizer som ente que não sabe com o o tetras urogallus L. se encontra exclusivam ente neste lugar, e que esta m aneira de exprim ir a sua ignorância im plica ao m esm o tem po a crença num a grande causa criadora prim itiva, à qual a ave, assim com o as ilhas, devem a sua origem » . Se nós relacionarm os as frases pronunciadas no seu discurso um as com as outras, parece que em 1858 o célebre naturalista não estava convencido que o aptérix e o tetras urogallus L. tenham aparecido pela prim eira vez nos seus países respectivos, sem que se possa explicar com o e porquê. Este discurso foi pronunciado após a leitura da m em ória de M. Wallace e m inha, sobre a origem das espécies da Sociedade Lineana. Quando da publica- 10

ção da prim eira edição da presente obra, fui, com o m uitos outros, tão com pletam ente enganado por expressões com o « a ação contínua do poder criador» , que coloquei o professor Owen, com outros paleontólogos, entre os partidários convictos da im utabilidade da espécie; m as parecia-m e que foi um grave erro da m inha parte (Anatom y of Vertebrates, vol. iii, p. 796). Nas precedentes edições da m inha obra concluí e m antenho ainda a m inha conclusão, segundo um a passagem que com eça (ibid., vol. i, p. 35), por estas palavras: « Sem dúvida a form a-tipo, etc.» , que o professor Owen adm itia a seleção natural com o podendo ter contribuído em algum a coisa para a form ação de novas espécies; m as parece-m e, segundo um a outra passagem (ibid., vol. iii, p. 798), que isto é inexato e não dem onstrado. Dei tam bém alguns extratos de um a correspondência entre o professor Owen e o redator principal da London Review, que pareciam provar a este últim o com o a m im m esm o, que o professor Owen pretendia ter em itido antes de m im a teoria da seleção natural. Tive um a grande surpresa e grande satisfação com esta notícia; m as, tanto quanto é possível com preender certas passagens recentem ente publicadas (Anat. of Vertebrates, in, p. 798), estou caído ainda no erro total ou parcialm ente. Mas tranqüilizo-m e, vendo que outros, com o eu, acham tam bém difíceis de com preender e conciliar entre si os trabalhos de controvérsia do professor Owen. Quanto ao sim ples enunciado do princípio da seleção natural, é inteiram ente indiferente que o professor Owen o tenha apresentado prim eiro do que eu ou não, porque os dois, com o prova este esboço histórico, tem os, desde há m uito, com o predecessores o Dr. Wells e M. Matthew.

M. Isidore Geoffroy Saint-Hilaire, nas conferências feitas em 1850 (resum idas na Revue et Mag. de Zoologie, Janeiro 1851), expõe, em breves term os, as razões que lhe fizeram crer que « os caracteres específicos são fixados para cada espécie, enquanto se perpetuar no m eio das m esm as circunstâncias; e m odificam se se as condições am bientes tendem a m udar» . « Em resum o, a observação dos anim ais selvagens m ostra j á a variabilidade lim itada das espécies. As experiências sobre os anim ais selvagens tornados dom ésticos, e sobre os anim ais dom ésticos que voltaram ao estado selvagem , dem onstram -na m ais claram ente ainda. Estas m esm as experiências provam , além disso, que as diferenças produzidas podem

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ser de valor genérico» . Na sua Histoire Naturelle Générale (vol. 11, 1859, p. 430), desenvolve conclusões análogas.

Um a circular recente afirm a que desde 1851 (Dublin Medical Press, p. 322), o Dr. Freke em itiu a opinião de que todos os seres organizados derivam de um a única form a prim itiva. As bases e o tratam ento do assunto diferem totalm ente das m inhas, e, com o o Dr. Freke publicou em 1861 o seu ensaio sobre a Origem das espécies por via de afinidade orgânica, seria SuPérfluo da m inha parte dar um resum o qualquer do seu sistem a.

M. Herbert Spencer, num a m em ória (publicada pela vez prim eira no Leader, Março de 1852, e reproduzida nos seus Essay s em 1858), estabeleceu, com um talento e um a habilidade notáveis, a com paração entre a teoria da criação e o desenvolvim ento dos seres orgânicos. Tira os argum entos da analogia das produções dom ésticas, das transform ações que sofrem os em briões de m uitas espécies, da dificuldade de distinguir espécies e variedades, e do princípio de gradação geral; conclui que as espécies têm sofrido m odificações que atribui à m udança de condições. O autor (1855) estudou tam bém a psicologia partindo do princípio da aquisição gradual de cada aptidão e de cada faculdade m ental. Em 1852, M. Naudin, botânico distinto, num trabalho notável sobre a origem das espécies (Revue Horticole, p. 102, reproduzido em parte nos Nouvelles Archives du Muséum , vol. 1, pág. 171), declara que as espécies se form am do m esm o m odo que as variedades cultivadas, o que atribui à seleção exercida pelo hom em . Mas não explica com o atua a seleção no estado selvagem . Adm ite, com o o deão Herbert, que as espécies na época da sua aparição eram m ais plásticas do que hoj e. Apóia-se sobre o que ele cham ava o princípio de finalidade, « potência m isteriosa, indeterm inada, fatalidade para uns, para outros vontade providencial, de que a ação incessante sobre os seres vivos determ ina, em todas as épocas da existência do m undo, a form a, o volum e e a duração de cada um deles, em razão do seu destino, na ordem das coisas de que faz parte.

É esta potência que harm oniza cada m em bro no conj unto apropriando-o à

função que deve desem penhar no organism o geral da natureza, função que tem

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para ele a sua razão de ser.3

Um geólogo célebre, o conde Key serling, em 1853 (Bull. de Ia Soc. Geolg., 2.1 série, vol. x, pág. 357), sugeriu que, do m esm o m odo que as novas doenças, causadas talvez por algum m iasm a, têm aparecido e se têm espalhado no m undo, da m esm a form a gérm enes de espécies existentes puderam ser, em certos períodos, quim icam ente afetados por m oléculas am bientes de natureza particular, e dar origem a novas form as.

No m esm o ano de 1853, o Dr. Schaaffhausen publicou um a excelente brochura (Verhandt. des Naturhist. Vereirs der Preuss. Rhein Lands, etc.), na qual explica o desenvolvim ento progressivo das form as orgânicas sobre a Terra. Julga que num erosas espécies persistem há m uito tem po, sendo m odificadas algum as som ente, e explica as diferenças atuais pela destruição das form as interm ediárias.

« Assim as plantas e os anim ais vivos não estão separados das espécies atingidas por novas criações, m as devem considerar-se com o seus descendentes por via de geração regular» .

M. Lecoq, botânico francês m uito conhecido, nos seus Êtudes sur la Géographie Botanique, vol. i, p. 250, escreveu em 1854: “Vê-se que os nossos estudos sobre a fixação ou variação da espécie nos conduzem diretam ente às idéias em itidas por dois hom ens j ustam ente célebres, Geoffroy Saint-Hilaire e Goethe”. Várias outras passagens esparsas na obra de M. Lecoq deixam algum as dúvidas sobre os lim ites que assinala às suas opiniões sobre as m odificações das espécies. Nos seus Essay s on the Unity of Worlds, 1855, o reverendo Baden Powell tratou m agistralm ente a filosofia da criação. Não se pode dem onstrar de um a m aneira m ais m arcante com o a aparição de um a espécie nova « é um fenôm eno re 3 Parece resultar das citações feitas em « Untersuchungen über die Entwickelungs-Geselze» , de Bronn, que Unger, botânico e paleontólogo distinto, tornou pública, em 1852, a opinião de que as espécies sofreram um desenvolvim ento e m odificações. D’Alton exprim iu a m esm a opinião em 1821, na obra sobre os fósseis, na qual colaborou com Pander. Oken, na sua obra m ística « NaturPhilosophie» , sustentou opiniões análogas. Parece resultar dos ensinam entos contidos na obra

« Sur l’Espéce» , de Godron, que Bory Saint-Vicent, Burdach, Poiret et Pries adm itiram todos a continuidade da produção de novas espécies. Devo j untar que em 34 autores citados nesta notícia histórica, que adm item a m odificação das espécies, e rej eitam os atos da criação isolados, há 27

que escreveram sobre ram os especiais de história natural e geologia.

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gular e não casual» , ou, segundo a expressão de sir John Herschell, « um processo natural por oposição ao processo m iraculoso» . O terceiro volum e do Journal of the Linnean Society, publicado em 1 de Julho de 1858, contém algum as m em órias de M. Wallace e m inhas, nas quais, com o eu constato na introdução do presente volum e, M. Wallace enuncia com m uita clareza e precisão a teoria da seleção natural. Von Baer, tão respeitado entre os zoólogos, exprim iu em 1859 (ver Prof. Rud. Wagner, Zoologisch-Anthropologische Untersuchungen, p. 51, 1861), a sua convicção, fundada sobretudo nas leis da distribuição geográfica, que form as atualm ente distintas no m ais alto grau são descendentes de um progenitor único. Em Junho de 1859, o professor Huxley, num a conferência perante a instituição real sobre « os tipos persistentes da vida anim al» , fez os seguintes reparos: É

difícil com preender a significação dos fatos desta natureza, se supuserm os que cada espécie de anim ais, ou de plantas, ou cada tipo de organização, foi form ado e colocado na Terra, a longos intervalos, por um ato distinto do poder criador; e é

necessário tam bém lem brar que um a suposição tal é tam bém pouco apoiada pela tradição ou revelação, que é m uitíssim o oposta à analogia geral da natureza. Se, por outra parte, nós considerarm os os Tipos persistentes do ponto de vista da hipótese de as espécies, em cada época, serem o resultado da m odificação gradual das espécies preexistentes, hipótese que, posto que não provada, e tristem ente com prom etida por alguns dos seus aderentes, é ainda a única a que a fisiologia presta um apoio favorável, a existência destes tipos persistentes pareceria dem onstrar que a extensão das m odificações que os seres vivos devem ter durante os tem pos geológicos é fraca relativam ente à série total de transform ações pelas quais têm passado» .

Em Dezem bro de 1859, o Dr. Hooker publicou a sua Introduction to the Australian Flora; na prim eira parte desta m agnífica obra, adm ite a verdade da descendência e das m odificações das espécies, e apóia esta doutrina com grande núm ero de observações originais.

A prim eira edição inglesa da presente obra foi publicada a 24 de Novem bro de 1859, e a segunda a 7 de Janeiro de 1860.

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INTRODUÇÃO

As relações geológicas que existem entre a fauna atual e a fauna extinta da Am érica m eridional, assim com o certos fatos relativos à distribuição dos seres organizados que povoam este continente, im pressionaram -m e profundam ente quando da m inha viagem a bordo do navio Beagle,4 na qualidade de naturalista. Estes fatos, com o se verá nos capítulos subseqüentes deste volum e, parecem lançar algum a luz sobre a origem das espécies - mistério dos mistérios -para em pregar a expressão de um dos m aiores filósofos. Na m inha volta a Inglaterra, em 1837, j ulguei eu que acum ulando pacientem ente todos os fatos relativos a este assunto, e exam inando-os sob todos os pontos de vista, poderia talvez chegar a elucidar esta questão. Depois de cinco anos de um trabalho pertinaz, redigi algum as notas; em seguida, em 1844, resum i estas notas em form a de m em ória, onde indicava os resultados que m e pareciam oferecer algum grau de probabilidade; depois desta época, tenho constantem ente trabalhado para o m esm o fim . Escusar-m e-á o leitor, assim o espero, de entrar nestas m inúcias pessoais; e se o faço, é para provar que não tom ei decisão algum a m enos pensada. A m inha obra está atualm ente (1859) quase com pleta. Ser-m e-ão, contudo, necessários alguns anos ainda para a term inar, e, com o a m inha saúde está longe de ser boa, os m eus am igos têm -m e aconselhado a publicar o resum o que faz o obj eto deste volum e. Um a outra razão m e tem decidido por com pleto: M. Wallace, que estuda atualm ente a história natural no arquipélago m alaio, chegou a conclusões quase idênticas às m inhas sobre a origem das espécies. Em 1858, este sábio naturalista enviou-m e um a m em ória a este respeito, pedindo-m e para a com unicar a sir Charles Ly ell, que a enviou à Sociedade Lineana; a m em ória de M. Wallace apareceu no III volum e do j ornal desta sociedade. Sir Charles Ly ell e o Dr. Hooker, que estão ao corrente dos m eus trabalhos - o Dr. Hooker leu o extrato do m eu m anuscrito feito em 1844-aconselharam -m e a publicar, ao m esm o tem po em que a m em ória de M. Wallace, alguns extratos das m inhas notas m anuscritas.