A Rainha dos Funerais

Sophie Kinsella · Capítulo 15 de 19

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A Rainha dos Funerais

Quinze

 

Duas semanas depois, Richard estava sentado no escritório de Oliver

Sterndale, assinando seu nome repetidas vezes em vários papéis. Depois da

última assinatura, ele tampou a caneta tinteiro de Oliver, olhou para seu

velho amigo e sorriu.

— Pronto — disse ele. — Acabei.

— Acabou para você, isso sim — disse Oliver, rabugento. — Você tem

noção de que agora está praticamente pobre?

Richard riu.

— Oliver, para alguém que acabou de dizer adeus a dez milhões de

libras, tenho uma quantidade de dinheiro indecentemente grande sobrando

para chamar de minha. Como você bem sabe.

— Não sei de nada — disse Oliver. Ele olhou nos olhos de Richard,

mudando de atitude de repente. — Mas já que você fez tudo com tanta

determinação, posso parabenizá-lo pela conclusão bem-sucedida do seu

esquema?

— Pode.

— Então, parabéns.

Os dois olharam para os contratos que estavam sobre pilhas grandes em

cima da mesa.

— Os dois serão jovens muito ricos — disse Oliver. — Você decidiu

quando vai contar para eles?

— Não — disse Richard. — Tenho muito tempo ainda.

— Você tem algum tempo, sim — disse Oliver. — Mas precisa avisar a

eles com alguma antecedência. Principalmente Philippa. Você não vai

querer se dar conta de que faltam poucos dias para ela completar trinta anos,

e, de repente, você vai ter que encontrar uma forma de dizer a ela que está prestes a se tornar multimilionária. Revelações como essas têm o péssimo

hábito de ser um tiro que sai pela culatra.

— Ah, tenho consciência disso — disse Richard. — Na verdade, pensei

em trazer Philippa e Antony aqui, daqui a algumas semanas, e aí nós dois

poderemos explicar as coisas para eles. Já que você é o consignatário do

fundo.

— Boa ideia — disse Oliver. — Uma esplêndida ideia.

— Sabe, eu me sinto livre — disse Richard, de repente. — Esse era um

peso maior do que eu imaginava. Agora, eu me sinto capaz de... — Ele

parou de falar, e corou de leve.

— De cuidar do seu recomeço?

— Exatamente.

Oliver pigarreou.

— Richard, tem alguma coisa que... eu, como seu advogado, deva

saber?

— Acho que não.

— Mas você me diria se houvesse... alguma coisa.

— Claro que sim. — Richard esboçou um sorriso, e Oliver olhou para

ele com seriedade.

— E com isso não estou me referindo a um fax enviado de Las Vegas

com a notícia “Adivinha? Juntamos as escovas de dentes”.

Richard começou a gargalhar.

— Oliver, quem você acha que eu sou?

— Acho que você é um homem decente e um bom amigo. — Oliver

encarou Richard. — E acho que pode ser que você precise se proteger.

— Me proteger de quem, posso saber?

— De você mesmo. De sua própria generosidade.

— Oliver, o que você está dizendo?

— Não estou dizendo nada. Só prometa que não vai se casar sem me

contar primeiro. Por favor.

— Sinceramente, Oliver, eu nem sonharia com isso. E, de qualquer

modo, quem disse que vou me casar?

Oliver abriu um sorriso amarelo.

— Você quer mesmo que eu responda? Posso te dar uma lista de nomes,

se quiser. A começar pelo da minha esposa.

— Acho melhor não. — Richard riu. — Sabe de uma coisa? Não me

importo mais com o que dizem sobre mim. Deixo as pessoas fofocarem o quanto quiserem.

— Você se importava antes?

Richard pensou por um segundo.

— Não sei bem se me importava. Mas Emily se preocupava demais. E,

assim, claro que eu também sempre me preocupava, por causa dela.

— Sim — disse Oliver. — Consigo imaginar. — Ele sorriu para

Richard. — Você mudou bastante, não foi?

— Mudei? — perguntou Richard inocentemente.

— Você sabe que mudou. — Oliver fez uma pausa. — E muito. Fico

feliz por saber que as coisas estão indo tão bem. Você merece.

— Não sei bem se mereço — disse Richard. — Mas obrigado de

qualquer maneira, Oliver. — Por um momento, os dois homens se

entreolharam; em seguida, Richard desviou o olhar. — E obrigado por ter

vindo em um sábado de manhã — disse ele. — Na manhã da Copa do

Clube, ainda por cima!

— Não foi nada. — Oliver se recostou à vontade na cadeira. — Só jogo

ao meio-dia. E você?

— Meio-dia e meia. Tempo suficiente para treinar umas tacadas.

Certamente preciso disso. Sabe, mal joguei nesse verão.

— Eu sei — disse Oliver. — Foi o que eu disse. Você mudou.

 

Às onze horas, Philippa estava finalmente pronta para sair do apartamento.

Ela olhou para seu reflexo no espelho e ajeitou os cabelos uma última vez.

— Vamos — disse Lambert. — Eu jogo à uma da tarde, lembra?

— Temos tempo de sobra — disse Philippa sem alterar o tom de voz.

Sem olhar nos olhos dele, ela o seguiu escada abaixo.

Como isso havia acontecido?, ela se perguntou pela centésima vez,

enquanto os dois entravam no carro. Como ela havia deixado Lambert

voltar para sua vida sem protestar; sem qualquer contestação? Ele havia

voltado ao apartamento três dias depois da briga, com uma garrafa de vinho

e umas flores.

“São para você”, dissera ele, sem emoção, da entrada da sala de estar, e

ela desviara o olhar da televisão e o vira, chocada. Pensara que nunca mais

veria Lambert. Em determinado momento, havia pensado em trocar as

fechaduras da casa; depois, descobriu quanto custaria e decidiu gastar o

dinheiro em uma caixa de Baileys. Quando Lambert voltou, ela já estava na

quarta garrafa.

O álcool deve ter prejudicado suas faculdades mentais, ela pensou.

Porque, ao olhar para ele, de pé na porta, sem demonstrar arrogância ou

zombaria, mas tampouco arrependimento, ela se sentiu totalmente

desprovida de emoção. Ela havia tentado o máximo que pôde conjurar a

raiva e o ódio que sabia que deveriam estar consumindo-a por dentro;

tentou pensar em algum insulto adequado ao momento. Mas nada lhe

ocorreu além de “Seu cretino”. E, quando disse isso, foi num tom de voz tão

fraco que talvez tivesse sido melhor nem ter se dado ao trabalho.

Ele havia lhe dado as flores, e ela se pegara olhando para elas e

pensando que eram bonitas. Em seguida, ele tinha aberto o vinho e servido

uma taça para ela, que, apesar de estar meio enjoada, acabou bebendo. E,

depois de ela ter aceitado as flores e bebido o vinho, parecia ter ficado

tacitamente acordado entre eles que Lambert estava de volta, que tinha sido

perdoado, que a briga entre eles estava resolvida.

Era como se a coisa toda não tivesse acontecido. Como se ela nunca

tivesse ameaçado deixá-lo, como se ele nunca a tivesse agredido. Como se

os gritos e o choro não tivessem acontecido. Ele não tocou no assunto, nem

ela. Sempre que ela abria a boca para falar sobre o ocorrido, começava a se

sentir enjoada e o coração disparava, e parecia muito mais fácil não dizer

nada. E, quanto mais dias passavam, mais distante e confusa a coisa toda

parecia, e menos convencida ela se sentia de sua capacidade de abordar o

assunto.

Mas, ainda assim, era o que queria. Uma parte dela queria gritar com ele

de novo; dar um escândalo e gritar até Lambert se encolher de culpa. Uma

outra parte dela queria reviver o confronto todo, dessa vez como heroína, a

vitoriosa. E ainda uma última parte dela queria achar a energia para contar

ao mundo o que havia acontecido.

Porque ninguém sabia. Fleur não sabia; seu pai não sabia; nenhuma de

suas amigas sabia. Ela havia atravessado a pior crise de sua vida, havia

saído dela de alguma forma, e ninguém sabia. Fleur ainda não tinha

retornado suas ligações. Já fazia mais de duas semanas e ela ainda não tinha

ligado de volta.

Philippa sentiu lágrimas de raiva surgirem em seus olhos, e olhou pela

janela do carro. Num primeiro momento, ela havia ligado insistentemente

para a Maples, louca para conversar com Fleur; desesperada em busca de

ajuda e conselhos. Depois, Lambert havia voltado, e os dois tinham

aparentemente resolvido as coisas — e Philippa se vira querendo relatar tudo a Fleur, não tanto pela ajuda, mas pela admiração perplexa que com

certeza provocaria. Toda vez que o telefone havia tocado, ela tinha corrido

para atender, pensando que fosse Fleur, pronta para contar, em voz baixa, o

que vinha acontecendo com ela; pronta para saborear a reação do outro lado

da linha. Mas Fleur não havia ligado, e Philippa acabara desistindo de

esperar que ela fizesse isso. Talvez Fleur fosse um fracasso com telefones,

ela racionalizou. Talvez não tivesse recebido nenhum dos recados de

Philippa. Talvez ela tivesse tentado telefonar sempre que Philippa estava na

linha com outra pessoa.

Mas hoje seria diferente; hoje, elas não precisavam de telefones. Ela

teria Fleur só para si, e contaria a história toda. Ao pensar nisso, Philippa

sentiu uma expectativa eletrizante começar a borbulhar dentro dela.

Contaria a Fleur todos os detalhes do ocorrido. E Fleur ficaria abismada por

Philippa ter passado por tamanho trauma sozinha; abismada e consumida

pela culpa.

— Eu não tinha ninguém — Philippa já se ouvia dizendo a Fleur, com

seriedade. — Quando você não ligou de volta... — Ela daria de ombros. —

Eu fiquei desesperada. E, claro, recorri à bebida.

— Ah, querida. Você não fez isso. Eu me sinto péssima! — Fleur

seguraria as mãos dela suplicando perdão. Philippa simplesmente daria de

ombros de novo.

— Eu enfrentei isso — diria ela, despreocupadamente. — De alguma

forma, eu dei um jeito de enfrentar isso. Jesus, mas como foi difícil.

— O quê? — disse Lambert, de repente. — Está falando comigo?

— Ah! — disse Philippa, e sentiu o rosto corar. — Não, não estou.

— Falando sozinha — disse Lambert. — Não é à toa que todo mundo

acha que você é maluca.

— Ninguém acha que eu sou maluca — disse Philippa.

— Tanto faz — disse Lambert.

Philippa olhou zangada para ele e tentou pensar em uma resposta

inteligente à altura. Mas sua mente parecia enevoada no mundo real; suas

palavras não se combinavam e se desfaziam em sua boca. Ela já estava feliz

pensando mais uma vez em Fleur, que ouviria sua história, perplexa, e que

seguraria a mão de Philippa, prometendo nunca a decepcionar de novo.

 

— Legal — disse Zara, quando ela e Antony se aproximaram da sede do

clube. — Olha aquelas coisinhas penduradas balançando.

— Bandeirinhas.

— O quê?

— Bandeirinhas. É como são chamadas. — Zara olhou para ele, meio

incrédula, por um instante. — Bem, enfim, eles sempre decoram a sede no

dia da Copa do Clube — continuou Antony. — E uma banda toca no

jardim. É bem divertido. A gente toma chá com leite mais tarde.

— Mas precisamos percorrer o campo de golfe todo primeiro?

— É meio que esse o objetivo.

Zara suspirou de modo melodramático e desabou nos degraus da sede

do clube.

— Olha — disse Antony, ansioso, sentando-se ao lado dela. — Eu vou

entender se você não quiser ser minha caddie. Quer dizer, o dia está quente

e tal.

— Está tentando me demitir?

— Não! Claro que não!

— Bem, então, tudo bem. — Zara estreitou os olhos para Antony. —

Está nervoso?

— Não.

— Quem vai se sair melhor? Você ou seu pai?

— Meu pai, acho. Ele sempre se sai melhor.

— Mas ele não praticou a semana inteira, como você.

Antony deu de ombros de um jeito esquisito.

— Mesmo assim. Ele é um puta jogador.

Os dois ficaram sentados em silêncio por um tempo.

— E você é um puta beijador — disse Zara, de repente.

Antony ergueu a cabeça, surpreso.

— O quê?

— Você ouviu. — Ela sorriu. — Preciso dizer de novo?

— Não! Alguém pode ouvir!

— E daí? É a mais pura verdade.

Antony ficou muito vermelho. Um grupo de mulheres começou a subir

a escada da sede do clube, conversando, e ele desviou o olhar.

— E você... — disse ele. — Tipo...

— Não se sinta obrigado a retribuir o elogio — disse Zara. — Eu sei

que sou boa. Aprendi com alguém que era especialista.

— Quem? — perguntou Antony, sentindo ciúme.

— Cara.

— Quem é Cara, meu Deus?

— Uma garota italiana. Não te contei sobre ela? Moramos na casa dela

no verão passado. Ela também tinha um pai rico. Da máfia, acho.

— Uma garota? — Antony a encarou com os olhos arregalados.

— É. Mas bem mais velha. Tinha dezessete anos. Ela já tinha beijado,

tipo, um monte de gente.

— Como ela te ensinou?

— Como você acha? — Zara sorriu para ele.

— Jesus. — O rosto de Antony ficou ainda mais vermelho.

— Ela tinha um irmão mais novo — disse Zara. — Mas ele só queria

saber do computador idiota dele. Quer um chiclete? — Ela olhou para o

rosto de Antony e riu. — Está chocado, não está?

— Bem, quer dizer... Você só tinha doze anos!

Zara deu de ombros.

— Acho que as pessoas começam cedo lá. — Ela abriu o chiclete e

começou a mascar. Antony a observou em silêncio por alguns minutos.

— E aí? O que aconteceu? — perguntou ele, por fim.

— Como assim, o que aconteceu?

— Por que vocês não ficaram morando com eles?

Zara desviou o olhar.

— Porque não.

— Sua mãe e o italiano brigaram?

— Não exatamente — disse ela. Olhou ao redor e passou a falar mais

baixo. — Fleur cansou de morar na Itália. Então, uma noite, demos no pé.

— Como assim? Vocês simplesmente foram embora?

— Isso. Fizemos as malas e fomos.

Antony a encarou por um instante, pensando.

— Vocês não vão... — Ele engoliu em seco e arrastou o tênis pelo

degrau. — Vocês não vão dar no pé dessa vez, vão?

Fez-se um silêncio demorado.

— Espero que não — disse Zara, por fim. — Espero muito que não. —

Ela encurvou os ombros e desviou o olhar. — Mas, com a Fleur, nunca se

sabe.

 

Fleur estava sentada no bar do clube, observando os competidores e suas

esposas passarem e cumprimentarem uns aos outros; elogiando o

desempenho, interrompendo conversas no meio para receber efusivamente quem chegava. Ela se sentia à vontade ali, pensou tranquilamente,

recostando-se e dando um gole na bebida. O clima do lugar fazia com que

ela se lembrasse de sua infância, do clube de expatriados em Dubai.

Aquelas mulheres estridentes de Surrey poderiam muito bem ter sido as

esposas dos expatriados que costumavam se reunir no bar, bebendo gin,

admirando os sapatos umas das outras e reclamando baixinho dos chefes

dos maridos. Aqueles caras jovens com copo de cerveja na mão poderiam

muito bem ter sido os conhecidos de seu pai: bem-sucedidos, queimados de

sol, obsessivamente competitivos. Em Dubai, os campos de golfe eram cor

de areia, não verdes, mas essa era a única diferença. Aquela era a atmosfera

na qual ela havia crescido; era a atmosfera que mais a fazia se sentir em

casa.

— Fleur! — Uma voz interrompeu seus pensamentos, e, quando ergueu

a cabeça, Fleur viu Philippa.

Ela usava um terninho branco e olhava para Fleur com uma expressão

intensa, quase assustadora.

— Philippa — disse Fleur delicadamente. — Que bom te ver de novo.

Lambert vai competir na Copa do Clube?

— Vai, sim. — Philippa começou a mexer na bolsa, puxando o zíper de

um jeito esquisito até que ele emperrou. — E eu queria falar com você.

— Ótimo — disse Fleur. — Vai ser bom. Mas, primeiro, deixe-me pegar

uma bebida para você.

— Bebida! — disse Philippa de um jeito misterioso. — Meu Deus, se

você soubesse. — Ela se sentou, suspirando. — Se você soubesse.

— Sim — disse Fleur, meio cabreira. — Bem, fique sentadinha aí, e eu

volto já, já.

No bar, ela encontrou Lambert abrindo caminho até o início da fila.

— Oi — disse ele, sem entusiasmo.

— Vim pegar uma bebida para a sua esposa — disse Fleur. — Ou será

que você estava pensando em comprar uma bebida para ela?

Lambert suspirou.

— O que ela quer?

— Não faço ideia. Uma taça de vinho branco, imagino. Ou um

Manhattan.

— Ela pode beber vinho.

— Ótimo.

Fleur olhou para Philippa, que estava freneticamente procurando

alguma coisa na bolsa; um lenço, a julgar pela vermelhidão do nariz. Será

que a moça não podia investir em um pó facial decente? Fleur encolheu os

ombros e se virou para o bar de novo. De repente, ocorreu a ela que, se

voltasse para a mesa de Philippa, provavelmente ficaria presa com ela a

tarde toda.

— Certo — disse ela, lentamente. — Bem, acho que vou procurar o

Richard para desejar boa sorte a ele. Philippa está ali perto da janela.

Ela esperou Lambert resmungar uma resposta, e então se afastou

depressa, embrenhando-se entre as pessoas, mantendo o rosto virado na

direção oposta à de Philippa até conseguir sair do bar.

Nos degraus da escada da sede do clube, encontrou Richard, Antony e

Zara.

— Tudo pronto? — perguntou ela, alegremente. — Quem joga

primeiro?

— Meu pai — disse Antony. — E eu sou logo depois.

— Nós somos logo depois — corrigiu Zara. — Sou a caddie do Antony

— disse Zara a Richard. — Digo a ele qual taco usar. O grande ou o

pequeno.

— Até parece — disse Antony. — Você nem sabe o nome dos tacos.

— Claro que sei!

Richard olhou nos olhos de Fleur e sorriu.

— E, hoje à noite, teremos um jantar de comemoração — disse ele.

— Pode ser que não tenha nada para comemorar — disse Antony.

— Ah, espero que tenha — disse Richard.

— Eu também espero — disse Zara, olhando para Antony. — Não

quero andar por aí com um perdedor. — Fleur riu.

— Essa é a minha garota!

— Certo — disse Richard. — Bem, é melhor eu começar a me aprontar.

— Quem é aquele? — perguntou Antony, interrompendo o pai. —

Aquele homem. Ele está acenando para nós!

— Onde? — perguntou Fleur.

— Ele acabou de entrar pelo portão. Não faço ideia de quem seja.

— É sócio do clube? — perguntou Richard, e todos se viraram para

olhar, semicerrando os olhos à luz do sol.

O homem era elegante, queimado de sol e tinha cabelos castanhos.

Usava um terno impecável de linho claro e olhava com certo espanto para a saia-calça rosa da mulher que andava à sua frente. Enquanto todos o

encaravam, ele ergueu o olhar e acenou de novo. Fleur e Zara reagiram com

um arquejo em uníssono. Em seguida, Zara deu um grito e saiu correndo em

direção a ele.

— Quem raios é esse homem? — exclamou Richard, observando o

desconhecido envolver Zara em um abraço forte. — É seu amigo?

— Não acredito — disse Fleur, sem ânimo. — É o Johnny.