Acorrentadas
Capítulo 15
Riley fitou o telefone que vibrava na sua mão e soube que os seus piores receios se tinham concretizado.
“Então, esqueceu-se de levar o telemóvel,” Disse Ryan.
“Ela não se esqueceu. Ela não vai para lado nenhum sem ele. Ela anda sempre praticamente colada ao raio da coisa.”
Ryan olhou vagamente para ela. Riley percebeu que ele começava a aperceber-se da horrível verdade da situação. Voltou a empurrá-lo para passar e foi para o piso inferior. Quando se dirigia para a porta de entrada, olhou para a sala de estar à procura de qualquer coisa de invulgar ou que estivesse deslocada. Nada lhe chamou a atenção.
Foi para o exterior da casa e seguiu na direção do pórtico onde tinha o carro estacionado. Reparou que a garagem atrás da casa estava fechada. Ninguém podia ver que o carro de Ryan lá estava. Ninguém poderia partir do princípio de que ele estivera em casa hoje.
Um cenário começava a tomar forma na cabeça de Riley. Quando Gabriela saíra para ir às compras, alguém que estivesse a vigiar a casa, pensaria que April estaria sozinha, com Ryan tão isolado no gabinete e tão focado no seu trabalho.
Então, o que teria ocorrido se April tivesse ido à porta e se encontrasse frente a frente com um desconhecido?
E se o desconhecido tivesse uma arma?
Riley seguiu os seus passos de regresso a casa. Ao olhar em redor, algo de diferente chamou a sua atenção. Era uma marca de bota no canteiro, logo à beira do passeio. Era demasiado grande para ser do pé de Ryan e muito menos do de Gabriela, e acima de tudo, era uma marca demasiado recente.
Alguém se desequilibrara, tropeçara e deixara uma marca na terra.
Riley sentiu a respiração pesada e ofegante. Por um momento, suspendeu a respiração. Quem quer que ali tivesse estado, possuía o descaramento de raptar uma adolescente em plena luz do dia. E ela sabia quem era essa pessoa.
Ryan e Gabriela estavam nos degraus.
“Chama o 112,” Gritou a Ryan. “Diz-lhes que a nossa filha foi raptada.”
Ryan não conseguia articular uma palavra que fosse. O seu rosto estava envolto num choque silencioso.
“Já!” Gritou Riley.
Sobressaltado, Ryan assentiu. Apressou-se a correr para casa, seguido de perto por Gabriela.
Riley pegou no seu telemóvel, pensando a quem deveria ligar primeiro. A hotline da UAC era eficiente em caso de emergência. Ainda assim, Riley estava renitente em ligar para esse número. Naquela altura, o FBI estava pejado de rumores acerca da obsessão de Riley quanto a Peterson – uma crença em que mais ninguém acreditava. E se ninguém a ouvisse?
Em alternativa, ligou para o número pessoal de Brent Meredith. Para seu alívio, ele atendeu de imediato.
“Riley?” Atendeu. “Algum problema?”
“Preciso da sua ajuda,” Disse. “A minha filha foi raptada.”
“A April?” Disse Meredith, perplexo. “Tem a certeza?”
Riley gemeu audivelmente. Meredith sempre fora, para além de Bill, o seu único aliado na agência. O que aconteceria se ele considerasse que se tratava de um mero caso de típico comportamento adolescente?
“Tenho a certeza,” Disse Riley. “É o Peterson. Ele levou-a. Tem que acreditar em mim.”
Seguiu-se um breve silêncio na linha.
“Eu acredito em si, Agente Paige,” Disse finalmente Meredith. “Quando é que isso aconteceu? Quando é que ela foi levada?”
Subitamente, Riley sentiu-se desorientada, confundida pelo seu próprio pânico.
“É… Estou…” Gaguejou Riley. “Estou na minha antiga casa em Fredericksburg, na casa do meu ex-marido. Ela foi levada daqui. A dada altura esta tarde.”
“Alguém já ligou para o 112?”
“O Ryan ligou agora mesmo.”
O tom da voz de Meredith era baixo e tranquilizante.
“Ótimo. Fique aí. Não faça nada. Vou reunir toda a informação que tivermos sobre o Peterson a caminho daí. Vou enviar alguns agentes ao local imediatamente. Fique sossegada.”
“Assim farei,” Disse Riley, a conter um soluço. “Obrigado.”
A chamada terminou e Riley regressou à casa. Ryan estava de pé junto à lareira, a contemplar o espaço entorpecido. A pobre da Gabriela estava sentada no sofá a soluçar desamparadamente.
“Es mi culpa, es mi culpa,” Dizia Gabriela repetidamente enquanto chorava descontroladamente.
“Não é não, Gabriela,” Disse Riley. Sentou-se ao seu lado e segurou-lhe na mão. “A culpa não é sua. Não poderia prever.”
Ryan olhou amargamente para Riley.
“A culpa é tua,” Disse.
Riley teve que sufocar a sua fúria. Ela sabia bem o que queria dizer.
“Podes ter a certeza de que a culpa é minha. A culpa é minha por ter pensado que te podia confiar a April. A culpa é minha por pensar que te preocupas com ela ou com quem quer que seja.”
Mas Riley guardou esses pensamentos para si própria. Não era momento para recriminações, apesar de justificadas. Demasiado estava em jogo para dar rédea solta à sua fúria. Naquele momento, tinha que agir de forma fria e objetiva.
Caminhou pela sala, a pensar no que Meredith estaria a fazer naquele momento. Colocando-se no seu lugar, ela sabia que uma das primeiras coisas que ele pediria era uma fotografia de Peterson. Seriam necessárias muitas cópias para distribuir. A polícia ia precisar delas para perguntar porta a porta se tinham visto aquele homem.
Mas Peterson era, no final de contas, uma figura difusa com um passado desconhecido. A única foto dele de que Riley tinha conhecimento, era uma foto tirada quando tinha sido preso por um crime menor há alguns anos atrás. Iniciara um incêndio numa loja de conveniência.
Ela tinha essa foto no seu telemóvel e ainda a guardava. Já tinha ajudado Riley e Bill a encontrar Peterson. Mas seria útil naquele momento? A própria Riley mal o avistara durante o seu cativeiro e tinha a certeza de que ele mudara a sua aparência.
Naquele momento, ouviu as sirenes da polícia a aproximarem-se. Riley sabia que andariam pela vizinhança para confirmar se alguém vira aquele homem na casa de Ryan ou se tinha reparado no seu carro. Apesar das casas não estarem próximas, várias conseguiam avistar a parte da frente da casa de Ryan. Alguém ali tinha que ajudar – uma testemunha ocular que o tivesse visto e o pudesse identificar.
Quem? Pensou Riley.
Subitamente, a resposta chegou-lhe. Pegou no telemóvel de April. O número estava ali, Riley tinha a certeza. Devia ser fácil de encontrar.
Se ao menos conseguisse que as minhas mãos parassem de tremer , Pensou Riley.